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segunda-feira, março 28, 2011

Depois daquele post...

As reflexões sobre o último texto me renderam tanto, mas tanto, que de lá pra cá uma cacetada de coisas mudaram. Cansei da resignação com a falta de pacientes (falta? Também decidi reavaliar isso!) e resolvi investir energia no sistema, me inscrevi num curso que ta sendo fodástico, no qual eu espero não só atualizar minhas técnicas e agilizar meu raciocínio clínico, mas também espero fazer contatos. O próximo passo é fazer um cartão bem mais legal do que o que eu tenho hoje em dia, depois criar um blog/site (o que for mais fácil) com informações sobre psicoterapia e jogar na rede, tentando capturar esse público gigante internético. Porque uma coisa é fato: não é que o número de pessoas com ansiedade aumentou, acontece que hoje em dia elas sabem que isso que elas sentem é ansiedade e buscam ajuda. E adivinha onde elas pesquisam os sintomas? Assinar um link patrocinado no Dr. Google pode ser uma boa. Mas afora todas estas estratégias publicitárias, estou mais acreditando, neste momento, que o meu nível de envolvimento, disposição e de energia na minha profissão é que vai ser determinante pras coisas melhorarem. Se eu estou fazendo isso no intuito de ter grana pra casar são outros 500. Vocês podem até me fazer esta pergunta, mas eu ainda não sei responder. Na angústia de perceber que eu não sei o que eu acho sobre o assunto, fui ler o livro aí do lado, fui conversar com a terapeuta, parei pra observar melhor meu namorado. Não é que eu não ache legal, só não sei bem o que eu iria querer com isso... Papo pra outro post! Melhor investir energia no atendimento que começa daqui a 15 minutos. E eu estou cheia de ouvidos pra oferecer :)

domingo, junho 27, 2010

News from Cairo!!




Hotel maravilhoso, companhias agradaveis, piramides e esfinges e realizacao de sonhos...
Precisa de mais pra voltar a sorrir??

domingo, junho 20, 2010

Fui!!!!




A partir de hoje, eu sou apenas um pontinho caminhando por este mundo tão gigante.
Um pontinho, deixando temporariamente todos os problemas fora da área de serviço...

sexta-feira, maio 14, 2010

Boas Novas



Há muito tempo que eu não escrevo aqui sobre o Projeto Mulherzinha. Bom, na verdade, faz tempo que eu não escrevo aqui sobre qualquer outra coisa além do sentimento de rejeição que estava acabando com a minha beleza.

Mas a verdade é que o Projeto Mulherzinha deu tão, mas tão certo, que eu levei oficialmente meu primeiro pé na bunda e chorei como uma mocinha dos filmes de faroeste. Deprê daquelas com direito a litros de lágrimas, espinhas no rosto e 5kg a menos (oba!).

Minhas amigas mais chegadas me dariam a maior bronca por eu usar o termo “pé na bunda”. Mas a real é que eu não acredito em términos de comum acordo, sempre tem uma parte que fica sentindo aquele gostinho de ‘quero mais’ que, apesar da iniciativa do término ter sido minha, amargou a minha boca nas últimas 4 semanas. Então eu sinto que na verdade quem foi a rejeitada fui eu mesma, já que não houveram protestos do outro lado sobre a possível e tenebrosa separação.

Nas últimas 4 semanas, eu confesso não ter tomado banho todos os dias e não ter depilado as pernas com a mesma frequência. A preguiça dominou – ai que se não fossem meus atendimentos e minha própria terapia, promovida a duas vezes por semana, eu teria ficado em casa com o mesmo pijama todo dia. Meu cabelo andou meio negligenciado, os hidratantes foram postos de lado e o resultado disso é a pele rachada estilo solo do sertão. O fato de estar entrando em calças há muito abandonadas não estava sendo muito animador.

Mas aí eu lembro que tudo nessa vida é impermanente e que até as piores cólicas menstruais têm fim após 5 dias. É claaaaaro que as ligações do ex e uma nova perspectiva de futuro deram uma animada na potranca aqui, mas no fundo no fundo, ter recuperado uma parte da minha vida foi indispensável pra minha sobrevivência psicológica.

Revisitar amigos, retomar família, recuperar o gosto por certas coisas, dançar forró até os pés doerem, girar os véus na dança do ventre e até mesmo ter os cabelos cheirosos novamente deram um up cerebral daqueles, e eu finalmente consigo vislumbrar como é que era ser eu mesma. E é uma delícia voltar a ver os olhos mais brilhantes e as pálpebras desinchadas.

Hoje, ainda a 50% da recuperação completa, eu vejo um pouquinho mais de fé no futuro dentro deste coraçãozinho magoado. Mas quem me conhece sabe: dentro da mesma mulherzinha habita a guerreira que distribui socos e pontapés na tristeza quando se cansa de reclamar.

Eu ainda quero mudar o mundo. No maior estilo Scarlet Ohara, eu digo que jamais (jamais??) sentirei dó de mim novamente.

quarta-feira, março 24, 2010

Bilhetes em meio a livros: Mudando o Mundo parte I



Há alguns meses atrás, tive uma epifania e decidi me engajar, de todas as formas possíveis, em mudar o mundo. Tá, pode parecer impossível, mas eu realmente resolvi que queria fazer alguma coisa a respeito, pelo menos fazer a minha parte e plantar uma sementinha de melhoria no mundo.

Eu pensei assim: se uma pessoa pode fazer algum bem, imagine 10? Imagine 100? E se TODO MUNDO fizesse uma, umazinha só, boa ação por dia? Bom, eu ia fazer alguma coisa e pronto, só precisava saber o que.

Ajudar no um-a-um me parecia pouco, até porque como psicóloga isso é o mínimo esperado, não é nada extra e tampouco surte um efeito em grande escala. Eu queria atingir várias pessoas de uma vez. De repente, plim!, descobri exatamente o que queria fazer. E hoje, orgulhosamente, eu anuncio que a parte I da intervenção social que eu planejei foi iniciada!

A idéia é na verdade muito simples: imagine que você vai comprar um livro em busca de algo para se inspirar, se distrair, ou de algo que te ajude de alguma forma. Aí você compra o livro e pans, encontra dentro dele um papelzinho escrito à mão: “Querido leitor: quem não sabe o que procura não reconhece quando encontra. Você sabe o que procura?”.

Num outro livro, você pode encontrar algo diferente: “Querido leitor: a mudança pode levar algum tempo. Portanto, comece AGORA! Nunca é tarde demais.” Ou “Querido leitor: se você continuar fazendo o que faz, terá sempre os mesmos resultados. Quer resultados diferentes? Faça algo diferente!”

No verso dos bilhetes há uma mensagem curta: “Gostou? Passe pra frente!”

Bolei mais ou menos 15 frases inspiradoras diferentes, todas convidando o leitor a uma reflexão rápida a respeito da felicidade e da qualidade de vida. Munida da certeza de que, dos 150 papeizinhos no meu bolso, ao menos 1 surtiria o efeito desejado, me convenci de que isso já era o bastante para que eu fosse à Livraria Cultura colocar o plano em prática.

Confesso que não foi fácil Os vendedores são extremamente simpáticos e queriam me ajudar o tempo todo, portanto foi difícil ficar sozinha por tempo suficiente para enfiar no meio das páginas do livro o bilhetinho-inspiração. Admito, teve hora que bateu um cagaço de ser pega, não consigo nem imaginar se isso é algum crime, se estava infringindo alguma norma e o que poderia ocorrer caso fosse flagrada.

Mas o risco valeu a pena... em mais ou menos 1 hora, consegui distribuir cerca de 20 bilhetinhos, o que é consideravelmente pouco mas também é o bastante pro teste-piloto. A média de 3 minutos por bilhetes é meio estatística mesmo, pois enquanto que nos lançamentos foi bem complicado pelo tanto de gente ao redor, na seção esotérica e de auto-ajuda foi baba.

Agora algumas dúvidas surgem: deveria eu colocar os bilhetes num tipo específico de livro? Será que isso tem a ver? Ou será que os best-sellers são melhores, pois atingem a massa mais rapidamente? O bilhete ser escrito a mão é realmente tão importante quanto eu achei a princípio, ou isso pode ser otimizado em função do tempo? Penso que outras questões irão surgir...

Outros 120 bilhetinhos estão prontíssimos aguardando sua vez, que deve ocorrer ainda neste final de semana. Novas frases estão sendo formuladas, mas é fato que uma só andorinha faz um verão bem meia-boca. Se 5 pessoas fizessem isso ao mesmo tempo, numa tarde de sábado, em uma hora 100 bilhetinhos seriam distribuídos, pra mais. Se cada pessoa resolvesse fazer algo semelhante na livraria do bairro, o movimento cresceria ainda mais. Isso poderia realmente se tornar revolucionário.

Fica aqui então o convite pra quem quiser ajudar a plantar sementinhas de amor e de cuidado para com o próximo. A ajuda vai ser bem-vinda não só pra mim, que não tenho como passar muito mais que uma hora na livraria, mas pra todo mundo que ler o bilhetinho e for tocado de alguma maneira.

Que a generosidade vai e volta, isso nem se discute. É simplesmente a lei da vida: faça o bem, e receberá o bem. Mas o ato de fazer o bem, de fazer algo em direção à mudança produz uma sensação de bem-estar incrível. Eu me senti maravilhosamente bem enquanto voltava pra casa, e de quebra ajudei uma fóbica a subir de elevador no último andar do meu prédio.

Contagiou. Não precisei de mais nada. Somente aquilo me fez feliz.

Bora?

segunda-feira, março 15, 2010

É pique!


Dizem que aniversário tem tudo a ver com renovação de ciclos.

Eu até acho que tem mesmo. Nem que seja pelo ritual que é achar que mais um ano está começando agora... que seja simbólico, desde que eficaz.

Pra quem me perguntou se estou mais sábia aos 27 anos, nada melhor que mais uma historieta zen, tudo a ver com a renovação.

Às vezes, ser sábio é apenas e tão somente conseguir não ser estúpido.

Parabéns pra mim! E Namastê!


Certo dia, num mosteiro zen-budista, com a morte do guardião, foi preciso encontrar um substituto. O grande Mestre convocou, então, todos os discípulos para descobrir quem seria o novo sentinela.

O Mestre, com muita tranqüilidade, falou:

- Assumirá o posto o monge que conseguir resolver primeiro o problema que eu vou apresentar.

Então ele colocou uma mesinha magnífica no centro da enorme sala em que estavam reunidos e, em cima dela, pôs um vaso de porcelana muito raro, com uma rosa amarela de extraordinária beleza a enfeitá-lo. E disse apenas:

- Aqui está o problema!

Todos ficaram olhando a cena: o vaso belíssimo, de valor inestimável, com a maravilhosa flor ao centro! O que representaria? O que fazer? Qual o enigma?

Nesse instante, um dos discípulos sacou a espada, olhou o Mestre, os companheiros, dirigiu-se ao centro da sala e ...Zapt!... destruiu tudo, com um só golpe.

Tão logo o discípulo retornou a seu lugar, o Mestre disse:

- Você é o novo Guardião. Não importa que o problema seja algo lindíssimo. Se for um problema, precisa ser eliminado.

Um problema é um problema, mesmo que se trate de uma mulher sensacional, um homem maravilhoso ou um grande amor que se acabou. Por mais lindo que seja ou tenha sido, se não existir mais sentido para ele em sua vida, deve ser suprimido.

Muitas pessoas carregam a vida inteira o peso de coisas que foram importantes no passado, mas que hoje somente ocupam espaço num lugar indispensável para criar a vida.

Os orientais dizem:

“Para você beber vinho numa taça cheia de chá, é necessário primeiro jogar fora o chá para, então, beber o vinho.”

Ou seja, para aprender o novo, é essencial desaprender o velho.

Limpe a sua vida, comece pelas gavetas, armários até chegar às pessoas do passado que não fazem mais sentido estar ocupando espaço em sua mente.

Vai ficar mais fácil ser feliz.

Por Roberto Shinyashiki


PS: Obrigada à Shirlei pelo texto vindo em tão boa hora!

PS2: Fica um alerta: já dizia o Sensei Jorge Kishikawa: historietas zen são o máximo, mas ser apenas um leitor de historietas zen é o maior dos perigos. Exercite!

quinta-feira, março 11, 2010

Para o Cairo e avante!



Habibis, não é que agora é oficial? O Projeto Mulherzinha está indo tão longe que assim, sem mais nem menos, de repente ele vai me levar pro outro lado do Atlântico, ali, logo ali na costa africana, no meio do deserto do Sahara!

Após conversar com o Omar, o árabe narigudão responsável pela trip pro Egito em junho, os ânimos se acenderam todos e as providências básicas estão começando a ser tomadas: renovação de passaporte, pesquisa de seguro viagem, pedido de cartão internacional, e olha que ainda faltam quase 100 dias pra viagem!

O roteiro é incrível, fazendo conexão em Istambul, passando pelo Cairo durante o festival Ahlan Wa Sahlan, fazendo cruzeiro pelo Nilo em Aswan, chegando a Luxor prum vôo de balão e finalizando com um mergulho fantáááástico no Mar Vermelho em Sharm El Sheikh. Simplesmente a viagem dos sonhos!!

O Omar passou a maior segurança, apesar do estilo/visual ceroulas-regata-chinelão-de-dedo com o qual ele nos recebeu no seu escritório. A explicação tava logo ali, na casinha da frente, que é a casa em que ele mora... quer coisa melhor? Ir trabalhar sem tirar o pijamão?

Apesar disso ele pareceu ser super sério, talvez até meio chatão, coisa que a Elis já havia alertado... não sei se é assim mesmo ou se o lado “paizão mala” dele favorece a distorção, mas ficou clara uma extrema reprovação a passeios noturnos e baladas (“é tipo a rua Augusta, só promiscuidade”). E eu bem que já fui numas baladas ali na Augusta...

Mas pensando bem, talvez ele tenha alguma razão. A mulher no Egito tem um papel diferenciado, quiçá até inferior, e promiscuidade lá é o banal daqui... motivo pelo qual, aparentemente, estão vetadas as blusas de alcinha, as saias e as bermudas acima do joelho. Isso num calor de 50º no meio do deserto (pelo menos a gente não fica cremoso, já que o clima é tão seco que o suor evapora na hora). Ainda bem que o cabelo tem que ficar preso!

Todo o papo com o Omar me fez chegar a graus deliciosos de ansiedade e numa contagem regressiva rumo ao Egito. Já consegui me imaginar por lá, e certeza que eu vou chorar alguns litros cada vez que eu vir uma coisa nova. Na verdade acho que o choro vai começar em Cumbica mesmo! Mal dá pra acreditar que um dos meus grandes sonhos está para ser realizado!

A parte chata/fueda é que eu vou estar sozinha nessa... por “sozinha” entende-se sem nenhuma companhia mais íntima, sem nenhuma amiga, familiar ou namorado. A pessoa mais próxima será a própria Elis, mas nós já conversamos e ela parecer estar super ok em me adotar na viagem como filhinha dela e do maridão!

É claro que eu espero fazer amizades com outras meninas do estúdio, essas coisas sempre rolam. Mas não ter ninguém mais íntimo pra confessar uma possível ansiedade, um cagaço ou mesmo uma saudade do gatinho vai ser meio foda. Mas, bom... a vida adulta envolve esse tipo de coisa. E pra falar a verdade, acho que é o tipo de viagem que eu acabaria fazendo sozinha mesmo, já que ninguém que eu conheço tem esse mesmo tesão de conhecer o Egito, ver as pirâmides, se emocionar com areia... só mesmo a Ciça compartilhava meus planos Egito-Marrocos-Turquia (fica pra próxima).

Talvez até seja mais interessante fazer esse role sozinha... poder me focar e estar de corpo e alma em cada instante, sem fazer social nem me preocupar com nada. Em termos terapêuticos, nada poderia contribuir mais com meu amadurecimento, em todos os sentidos da palavra!

Agora é correr atrás das burocracias! Mas pelo amor aos meus bolsinhos, foi tudo de bom descobrir que, com o perdão do trocadilho, não, não é tão caro ir ao Cairo, mas voar de balão em Luxor é um verdadeiro luxo :)

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

Maktub


Já começo a sentir o calor e a brisa morna que virá daquele deserto. Em meio à urbe paulistana, me pego pensando em camelos, em ouro e prata, em areia e turbantes, em bailarinas usando véus. Conforme o tempo se acelera, me impulsionando rumo ao meu grande sonho, descargas de adrenalina se fazem sentir quando percebo que, afinal, uma parte de mim já está lá.

Cada vez mais possível, mais provável, hoje definitivo: maktub, irei me embrenhar naquele deserto! Irei caminhar por suas areias quentes, irei me calar frente à magnitude de suas pirâmides, irei chorar à beira do Nilo. Irei me banhar em suas praias que tantas e tantas guerras presenciaram, e que tantas e tantas vezes imaginei em minha cabeça. Irei abaixar minha cabeça em reverência a este povo pobre de posses, rico em história, milionário em cultura.

Poderei enfim verificar se minha alma vem de fato dali, se em Luxor e Karnak reconhecerei seus antepassados, se o cheiro do Sahara é como sempre imaginei. Testarei meu paladar procurando reconhecer antigos sabores; fecharei os olhos para ouvir apenas música - que os solos de Derbak tragam para mim as bençãos daquela terra, que já começo a senti-la aqui dentro de mim, nos quase 40 graus desta minha metropolitana São Paulo...

quinta-feira, dezembro 03, 2009

Faixa marrom, OSSU!

Pra quem não consegue nem me imaginar lutando, aqui vão alguns momentos bem sucedidos do meu exame de faixa... OSSU!


Yoko Geri (chute lateral na altura do estômago)


Jodan Mawashi Geri (chute circular na cabeça)


Jodan Ushiro Mawashi Geri (chute circular giratório na cabeça)

terça-feira, dezembro 01, 2009

Non ducor...

Eu tenho o costume de não olhar pro lado positivo das coisas e viver procurando defeitos. Não posso dizer que já consegui eliminar meus velhos hábitos, nem tampouco que virei uma otimista inveterada, mas percebo certas coisas evoluindo.

Após 3 anos e meio de treinamento ferrenho nas Artes Marciais do Kickboxing, fui submetida ao maior e mais angustiante teste que uma ansiosa como eu pode vivenciar: avaliação técnica, individual, na presença de mais de 50 pessoas.

Tremi, tive insônia, fiz cocô no banheiro do Barateiro. Minha garganta travou, minhas mãos suaram, chorei no banheiro (ao que parece, o banheiro é o refúgio dos desesperados). Briguei com o namorado. Perceber meu nível de desespero me deixou cada vez mais desesperada.

Uma hora voltei a mim e me pus no meu devido lugar. Parei de chorar e me conformei com a minha dificuldade de enfrentar certas situações, seja um exame de faixa, seja conhecer os amigos do namorado. Ter medo das coisas há muito deixou de me impedir de fazê-las. Segui em frente.

60 minutos depois, cansada, destruída, com hematomas, sem ar, exposta... conquistei a faixa marrom e ganhei o título de Senpai. Entendi finalmente que não me era cobrada a perfeição. Me é permitido errar.

Ainda achando que não fiz o meu melhor (nem no exame, nem no controle da minha ansiedade), procuro desfrutar do alívio do depois, sabendo que muito mais virá pela frente. Como quem ganha 15 minutos de descanso em meio a uma maratona, me resolvi por desfrutar do agora, salvando oxigênio pras batalhas futuras.

Desfrutando do novo título e à espera da faixa marrom que há de consagrar o meu esforço, descubro finalmente que investir e batalhar pelo meu futuro é a forma mais segura de poder prevê-lo: não sou conduzida. Conduzo.

quarta-feira, outubro 14, 2009

Projeto Mulherzinha 2009 - updated!


O Projeto Mulherzinha 2009 vai de vento em popa, obrigada.

Vai tão bem que tem contagiado gente por aí. É sério!

A Antonella, do grupo de dança, andou por aí pintando as unhas do pé de vermelho, coisa que jamais havia feito na vida (eu entendo porque também nunca consegui essa proeza sem me sentir biscate); a Luli tem investido em SMS’s poderosas e românticas; a Ka outro dia se disse “completamente apaixonada tudo girando feito um carrossel” no maior estilo brega Marcelo Augusto; a própria Elis tem achado cedo demais pra relaxar diante do maridão turco, e corre na boca miúda que a Nesrine, que também dá aulas de dança lá na Elis, também anda repensando seu vestuário de dar aulas (parece que uma aluna chegou de meia furada e ela se sentiu um mau-exemplo).

Quanto a mim, não poderia estar dando mais certo: minha fascinação por dança do ventre tem crescido de maneira inversamente proporcional ao meu desempenho e tesão nos treinos de kick; meus esmaltes estão pendendo prum tom assim mais cor-de-rosa, e outro dia – pasmem – eu até comprei um vestido que tinha uns lances meio rosados (ohhh!!!).

Minha TPM, até então sempre suave, me atacou com força total este mês, com direito a cólicas jamais sentidas na vida, espinhas all over e crise de tristeza, choro e insegurança sem qualquer motivo aparente. Sobrou até pro namorado.

É, NA-MO-RA-DO. To tão mulherzinha que até esse meu lado já foi totalmente assumido, com foto no Orkut e tudo (tá certo que eu acho o Orkut a maior palhaçada que existe, mas to lá, as amigas não querem que eu saia, então...). É isso, mundo, EU TENHO SENTIMENTOS!

Pra resumir, é descontrole de estrogênio total. Só falta eu usar estampa de oncinha – mas isso eu já falei pra Elis, esse ano ainda não vai dar.

terça-feira, agosto 18, 2009

ansiedade, feminino e aula experimental


Quando cheguei no estúdio da Elis Pinheiro, por volta das 17h20, meu coração estava praticamente saindo pela boca. Já tinha trocado SMS com a Luli, já tinha praticado a respiração diafragmática, já tinha descatastrofizado o pensamento, mas nada tinha adiantado: eu ia ter minha primeira aula de Dança do Ventre e estava mega ansiosa!

Mil coisas passaram na minha cabeça: desde a minha dificuldade em interagir em ambientes novos até mesmo como minha barriga pareceria na hora que eu a balançasse pra lá e pra cá. E vamos combinar: imaginar nosso abdômen se curvando como uma minhoca não produz nenhum efeito relaxante...

Eu cheguei lá e a primeira impressão foi ótima, desde o jeitinho do estúdio até mesmo a simpatia da recepcionista Natália, com a qual eu vinha trocando emails quase que diários. E quando eu conheci a professora Layla tratei de relaxar geral: aquela tampinha de 1,50m, toda tatuada, com um cabelo vermelho na bunda não poderia ser assim tão aterrorizante!

As surpresas só foram aumentando: a Layla é uma fofa e por causa da chuva que caiu bem às 5 da tarde, a aluna que estava programada pra ir junto ficou presa no trânsito, o que significou que eu tive a Layla só pra mim durante 1 hora e meia. Simplesmente TUDO o que uma pessoa tímida, ansiosa e paranóica como eu poderia querer. Valeu, Universo!

Os movimentos são difíceis, mas graças a Deus, alguns não tão difíceis quanto outros. A professora teve toda a paciência do mundo e, no final da aula, até que me elogiou. Segundo ela, eu já tenho “consciência corporal”. Hm. Pelo menos a corporal eu tenho! Eeee!

Fazer os “oitos” com os quadris foi difícil, mas no final da aula eu já não me sentia tão patética. Não posso negar que em alguns momentos, queria sumir dali. Sair correndo gritando, dando socos no ar, que é algo bem mais fácil e que eu já sei fazer. Mas como eu vinha refletindo por aqui, se não fosse tão difícil exercitar meu feminino, também não seria tão necessário. E lembrar disso, de que só estava sendo FODA porque realmente precisava ser praticado, foi o que me sustentou ali durante aquela aula.

Resumo da ópera: AMEI! Semana que vem vou fazer mais uma aula experimental, com outra professora e num outro horário. Aí decido e começo de verdade! O Projeto Mulherzinha 2009 está com tudo! Com direito a lombar dolorida, Amr Diab no som do carro e mensagens de texto românticas sendo salvas no chip do celular!

Salamalleykum!

quarta-feira, julho 29, 2009

De dieta

Na onda de ser feminina, resolvi que já era mais do que hora de reconhecer: eu estou acima do peso. Acho que não há mulher no mundo que não tenha passado por isso, e eu, até então, achava que nóia de calorias era coisa de “mulherzinha”.

Acontece que a mulherzinha aqui não está nada satisfeita com o que tem sobrado pra fora da calça. Super okei, talvez algumas pessoas diriam que eu não estou sendo feminina, e sim que estou tendo transtorno dismórfico corporal. Ta, eu sei que não tô uma bola, mas já que é pra me dar o direito de reclamar mesmo sem ter um boooom motivo (como toda mulher faz), resolvi seguir à risca o Manual da Mulherzinha Moderna e decidi enfrentar uma dieta.

Isso significa, basicamente, que o meu maior prazer atual está na berlinda: nada mais de chocolates, assaltos à geladeira na madrugada, pizza no sábado seguida de sanduba no domingo. Minhas manhãs de folga foram dilaceradas por corridinhas matutinas. E, como toda boa mulherzinha, eu estabeleci uma meta super irreal e pretendo, até o feriado de 7 de setembro, estar 6kg mais fina. Rá, rá, rá. Tá bom, divide por dois.

O regime começou na segunda-feira (óbvio) e dois dias depois já estou sofrendo. O mau-humor é tremendo. A vida me parece sombria. Sinto falta de um chocolate, de uma cerveja, de uma puta pizza de abobrinha. Agrião, que eu amo, nunca me pareceu tão insosso. Qualquer coisa que eu veja me lembra comida.

Praia? X-salada.
Trabalho? Pão de queijo.
Balada? Brigadeiro.
Kickboxing? Doritos.
Dança do Ventre? Esfiha!

Temo estar entrando em depressão, o que aumenta meu apetite.

Mas é isso aí, a vida é feita de frustrações e eu (acho que) sou uma mulher madura, não uma adolescente sem curvas. No pain, no gain! Engole o choro e barriga pra dentro, peito estufado e esmalte vermelho nas unhas - ser mulher é um cu, com o perdão da palavra.

quinta-feira, julho 23, 2009

So I think I can dance!!




Bom, então a história assim segue: meus experimentos continuam e, na busca de despertar a minha Deusa interior, resolvi fazer aulas de... DANÇA DO VENTRE!

Desde a época do Clone eu sempre pirei na idéia de conseguir mexer o quadril daquele jeito doido. Até hoje não entendo: como pode uma pessoa ter a bunda tão separada assim do resto do corpo?

A idéia foi deixada de lado porque eu queria ser do contra e não participar da modinha que acometeu o país depois da novela. Eu ainda era uma adolescente imbecil. Mas hoje, 7 anos depois, eu já não encontro mais nenhuma boa razão pra não ir logo dançar e assim fazer as pazes com a minha Neusa interior, digo, Deusa.

Assim, mais obstinada do que nunca, passei toda a minha tarde de quarta-feira enfiada em sites, ligando para escolas, enviando emails para professoras. A pesquisa árdua gerou bons resultados e hoje mesmo vou conhecer uma escola em Santana. Semana que vem, eu e uma amiga querida iremos conhecer outro estúdio de dança, e assim, fazendo juntas, quem sabe esse investimento na minha feminilidade fique um pouco menos assustador?

Dançar é o máximo e eu estou obcecada por assistir vídeos de Dança do Ventre no Youtube. É tudo de bom. Dançando assim, não vai ter como minha Neura Interior não acordar. Digo, Deusa.

Ya Habib!!!

PS: Outra possibilidade é formar um grupo pra termos aulas particulares. Alguém interessada?

PS2: A dançarina do vídeo é a Laís Jardim, em apresentação na casa de chá Khan El Khalili.

terça-feira, junho 09, 2009

Alea jacta est!



Depois de ter o coração estraçalhado pela segunda vez pelo cara que até outro dia era homem com agá maiúsculo pra mim, eu resolvi abrir as portas da represa e declarar: estou disponível e a temporada de datings está aberta!

Inverno emocional é pra principiantes. Eu já tive o meu, que durou dois anos e teve efeitos colaterais tenebrosos, como transtornos ansiosos e namoros ridículos com homens de merda. Desta vez eu juro que vai ser diferente.

E na onda dos experimentos afetivos, as vagas foram disponibilizadas para o público e o processo seletivo já está rolando (inscrições aqui, aqui!) – já descolei um convite pra jantar com um menino incrível e troquei telefones com um cara gatésimo da outra academia.

Os experimentos têm mostrado tanto resultado que até carona pro gatésimo eu dei, e vou te contar que se eu fosse mais beáti e desse um mole pegava o cara ali mesmo. Quem me conhece sabe que este não é o meu feitio, nem fazer caras e bocas. Mas acontece que eu honestamente acho que tá na hora de mudar esse tal do meu feitio.

Quem sofre de seca é o povo do sertão, aqui na metrópole o que rege a vida de nós solteiros é a Lei da Oferta e da Procura. Chega de seriados de TV! A vida é agora! Ok Next! E só pra não dar zica... alea jacta est!

segunda-feira, maio 18, 2009

O Braço

Existe algo de seriamente errado quando alguém sente vontade de beijar o braço de um desconhecido em pleno metrô, numa das maiores cidades do mundo como São Paulo. Assim, sem mais nem menos, um braço estranho, do cotovelo pra baixo, parece realmente atraente, convidativo, acolhedor, e então você deseja dar uma bela bitoca ou quem sabe uma mordida naquele antebraço.

É definitivamente digno de internação. E sim, aconteceu comigo.

Seria esse braço uma fuga da enorme carência que acomete os paulistanos que, em seu dia-a-dia atribulado, marcham rumo a seus empregos/famílias/meios de sobrevivência, sem entrar realmente em contato com o ambiente ao seu redor? Seria este braço apenas e tão somente um símbolo de um braço-direito que está ali para que você se apóie durante os percalços de seu dia-a-dia? Ou seria este braço apenas a única fonte de um cheiro minimamente mais suportável do que o do mendigo velho e bêbado atrás de você?

Justificativas. Apenas justificativas que encontro para explicar a bizarria de uma situação destas: o desejo de beijar o braço de um completo desconhecido num metrô meio ensebado. Não olhei seu rosto; não perguntei seu nome. Não sabia de onde vinha, em absoluto. Era apenas um braço sem corpo, sem história, que eu queria desesperadamente agarrar, apertar, morder, deixar junto de mim.

A que ponto se chega devido à falta de contato físico? Sequer sei dizer se o braço era de um homem ou de uma mulher. Porque, a bem da verdade, tanto faz se o contato físico, o toque, venha de um homem, de uma mulher, ou de uma criança. Tanto faz se existe ou não segundas intenções – não estou falando de sexo, seus pequenos pervertidos, e sim do toque entre seres humanos, do contato que nos faz sair de uma bolha, uma câmara hiperbárica isoladora, uma capa entre você e o resto do mundo.

Porque se a maioria das pessoas está acostumada ao toque físico em seu dia-a-dia, os meus andam absolutamente intocáveis, sem ironia nenhuma. Não toco meus pacientes. Não tenho tocado muito minha família, nem eles a mim, com exceção, talvez, do meu irmãozinho de 2 anos, o qual vejo ocasionalmente. E se o objetivo em meus treinos de kickboxing é acertar o adversário, é minha tarefa também não deixa-los encostar em mim. Transformei minha vida num ringue, ou num consultório de psicoterapia constante?

Todos os estudos mais recentes comprovam a importância do toque físico em um bebê recém nascido. Prive-o deste contato e lá virá bomba – teorias sobre o autismo infantil tocam (de novo?) nesse ponto delicado. E quanto aos adultos? E quanto a mim? Estarei eu desenvolvendo, em algum grau, um tipo de autismo tardio, devido a uma espécie de câmara hiperbárica subjetiva, como se eu fosse portadora de alguma doença gravemente contagiosa?

Minha terapeuta disse: é um desejo bonito querer beijar o braço de alguém no metrô. Aham. Eu sei que ela se refere ao desejo do contato e tudo e tal, mas já eu considero um ato desesperado de busca de afeto. Para que fique bem claro, é legal eu dizer que não beijei o braço do estranho. Humilhada pelos meus sentimentos e pensamentos, segurei meu impulso, ignorei o braço, voltei para casa e amarguei uma dor de cabeça pelo resto do dia, responsável por me deixar isolada num quarto escuro e silencioso (minha própria câmara hiperbárica?) até que minha cabeça voltasse ao seu estado normal.

Não sei se foi um impulso bonito, desesperado, carente ou incitado pelo fedor horrendo do mendigo atrás de mim. Mas, de qualquer forma, me recordei da terapia do abraço da minha mãe: é melhor eu começar a dar meus 6 abraços diários, se não quiser ser presa por assédio sexual pela Guarda Civil Metropolitana...

A verdade é que, quando você se sente sozinho, até mesmo o metrô parece acolhedor e aconchegante. E é por isso que, por via das dúvidas, essa quinta-feira eu vou no forró. O autêntico rala-coxa.

(sim, talvez eu devesse fazer terapia mais vezes por semana)

quinta-feira, maio 14, 2009

Fight Fever! OSSU!

A filosofia do passe-pra-frente é uma das características marcantes que as artes marciais de origem oriental têm. Um dá para o outro o que um dia recebeu, e isso significa que eu tive o super maior mega blaster apoio da minha equipe de kickboxing no dia do evento na K@2.


Convidados Seiwakai: Renan, Du, Eu, Rodolfo, Thiago, Rafa e Tecchio.
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Eu estava ULTRA nervosa neste dia, cheguei na academia sozinha e o pessoal nem tinha chegado ainda. E porque Deus é bom pra caramba comigo, bem nesse momento recebi a ligação do meu queridíssimo Juneca, que está sempre por dentro da minha vida “atlética”. Ficamos ali papeando então, ele me desejando boa sorte do seu jeito super técnico-metódico-juneca-é-mala, mas é meu mala querido e isso que diminuiu minha ansiedade em pelo menos 50% (e olha que ele nem sabe disso).
Quem vê acha que eu tava suuuuuussa...
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O pessoal então chegou e todo mundo fez questão de me tranqüilizar e de tentar me deixar segura. Logo vi algumas meninas por ali, com bandagens nas mãos... e ficava tentando adivinhar com qual eu lutaria. E de repente, não mais que de repente, sensei Rato me avisa que vou lutar contra um cara. O dono da academia achou que mulher com mulher daria jacaré, e que iríamos acabar nos machucando. Mulher não leva na boa, é verdade, a rivalidade feminina é intensa pra caramba... o fato é que a partir daí, fiquei tão mais nervosa que tudo se guardou na minha memória sob o formato tênue dos flashes.
Pra cima!!
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Eu me alongo. Me aqueço. Rodolfo sobe no ringue, dá um coro. Fotos. Vejo o Eder Jofre sentado ali no canto, meu estômago embrulha. Vejo meninas no ringue lutando contra homens, acho ridículo, fico com medo, tomo água. Tomo mais água, meu estômago dá pancadas na minha parede do tórax, meu coração reclama, sinto falta de alguém estar ali pra me apoiar. As meninas me apóiam e amenizam essa solidão.


Olha o braço do cara!
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Sensei me chama, me bota as luvas, entro em pânico e não demonstro. “Não vai chutar, hein”. Não vou chutar, não vou chutar, e essa galera toda olhando? Subo no ringue, cumprimento o maluco, o cara tem braços da grossura das minhas coxas, faz piada sobre eu não chutá-lo. Meu irmão, essa não é minha praia, mas eu juro que vou segurar as perninhas. O sino toca, a platéia se apaga, quero matar o cara. Acerto um, dois, três, tomo um, cinco, nove. O joelho sobe pra dar um hiza geri, abaixo a perna a tempo, tomo um direto no rosto. Ouço de longe a voz do sensei implorando por mais defesa. So sorry.

Apesar disso, deu pra fazer alguma coisa.

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Quando a luta acaba, e começo a ouvir os comentários, parabenizações, piadas sobre minha quase-joelhada, não sei se me sinto aliviada, orgulhosa ou humilhada. Minha baixa auto-estima suplica que eu enfie a cabeça na privada, mas meu espírito vence a disputa e fico ali com a galera vendo todo mundo mandar benzaço: Ligeirinho, Du, Renan, Tecchio, todo mundo abalou aquela academia.

Vacilou? Toma na testa.
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No fim do dia, eu acabei chorando e me sentindo mal, mas hoje dá pra ver, consultando aqueles flashes, que foi só a ansiedade e a adrenalina. A exposição. Foi a insegurança. No geral, e sensei concorda, fiz um ótimo trabalho. A raiva do cara ter decido o cacete em mim é mágoa projetada: eu fui agressiva, ele respondeu à altura. Chega de ser protegidinha.

O fofo do Eder Jofre assinou minha luva, me chamou de simpática e cantou o melô: Nana, neném, que o bicho vai pegar! (ele não me conhece...)

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Passado quase um mês desse evento, ainda olho as fotos com alguma emoção. Eu tava apavorada, mas não fugi da raia, e pra quem é portadora de um transtorno de ansiedade, isso é uma puta conquista. Em julho tem um campeonato e até lá vai ser mais expectativa.

Equipe Seiwakai: thank you all guys!!

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Sensei faz questão que eu me inscreva. Tem colocado a maior fé em mim. Em meio às implicâncias e às pegadas de pé, mostrou uma puta confiança e me deixou dando aula pra duas alunas novas da academia, que nem sabiam dar um soco. E depois que passei o treino pra elas, me parabenizou.
“Você leva jeito pra coisa. E tem mesmo que passar pra frente a ajuda que um dia te deram. É isso aí.”

É isso aí, sensei, passando pra frente.

É isso aí!

domingo, maio 10, 2009

A Bela e a Fera

Não é normal que alguém comece a chorar logo nos primeiros 30 segundos de um espetáculo. “A Bela e a Fera”, em cartaz no Teatro Abril desde o último dia 29, tem inegavelmente muito a ver com um determinado momento de vida que tenho passado.

É redundante dizer que um espetáculo é maravilhoso. Um como “A Bela e a Fera” merecia um outro tipo de definição. É aquele tipo de coisa que transcende qualquer expectativa, que leva às lágrimas pela beleza, que impressiona pela magnitude, que hipnotiza pela pureza. Desde os aspectos técnicos – estruturas de palco suntuosas, iluminação fantástica, figurinos totalmente dignos da Broadway – até as canções e interpretações tocantes de cada uma das personagens, o musical atinge emocionalmente qualquer ser humano minimamente sensível, de crianças a velhinhos.

Mas não. Chorar nos primeiros 30 segundos de apresentação não é normal, nem mesmo num espetáculo da Broadway. E mesmo agora, passados quase 40 minutos do fim do espetáculo, ainda tenho vontade de chorar. E eu sei exatamente porque.

Sentir-se fera num mundo de Gastons pode ser o pior sentimento do mundo. Não há nada mais triste e desolador do que se ver sozinho entre a multidão. E a sensação de ser finalmente compreendido, apesar de ter endurecido ao longo dos anos de solidão, pode ser a corda jogada ao afogado. É encontrar a redenção e resgatar a esperança há muito, muito tempo perdida.

Nem só de livros vive uma mulher. Nem só de poder e dinheiro pode viver uma fera. Nem só de caças e prêmios sobrevive um Gaston. Todos buscam aquilo que todos nós sempre buscamos: o amor cor-de-rosa dos contos de fadas. A ausência de amor pode tornar as pessoas esquisitas. Pode transformar um príncipe em fera, condenado a querer acreditar novamente na beleza do ser humano e a amar ao próximo. A metáfora da rosa vermelha dada pela feiticeira, neste caso, é a representação mais bela do amor romântico – vira-se fera de uma maneira irreversível quando a crença no amor se esvai.

A história está recheada de amor dos mais diferentes tipos – não só entre Bela e fera, mas entre pai e filha, mãe e filho (representado pela Sra. Potts e seu filho-xícara Chip), seres humanos e seres humanos. O amor que é amor por aceitar a fera que habita cada um de nós, os seres imperfeitos que somos e o que fazemos aqui, neste mundo que nos coisifica, transformando-nos quase em objetos. Nesse sentido, é interessante reparar que a história convoca algumas características humanas básicas – a vaidade que transformou a Sra. Cômoda; a meticulosidade que transforma Dindon em um relógio; o calor e afetuosidade de Lumière, o candelabro mais espirituoso dos contos de fadas.

Confesso que chorei do começo ao fim da apresentação. Tive que esperar bem uns minutinhos para levantar da poltrona, inchada como um tomate, e ir embora. Chorei por tudo – pela minha fera interior, pela Bela que também vive em mim. Pelo pai que já não vive comigo, pelos lobos que enfrento por aí. Chorei principalmente por mim e por todos os seres humanos coisificados por aí, preocupados demais com seus carros, lipoaspirações, contas de banco e academias de ginástica. Tão iludidos que só conseguem olhar para o mundo através de um espelho mágico chamado televisão, chamado livros, chamado musicais da Broadway.

É pra chorar. Pra ver, rever e chorar.

Sem se segurar.

PS: É bom que se diga: a história não é da Disney, e sim uma adaptação da história escrita em 1756 (sim, tem mais de 200 anos!) pela francesa Madame de Beaumont.

segunda-feira, abril 13, 2009

Extra, extra!!


Agora é oficial!!

Dia 25, na academia K2, a garota aqui irá realizar sua primeira luta de boxe!

Chamem os jornais! Chamem o Papa! Chamem o SAMU - eu resolvi dar, literalmente, minha cara a tapa.

Mas devagar com o andor: o pau não vai comer. A luta é muito mais demonstrativa do que de caráter competitivo, e na verdade eu vou apenas representar a Seiwakai num evento da K2 em que, reza a lenda, até o Eder Jofre vai estar presente!

Quem quiser dar uma olhada/uma força/umas risadas, pode aparecer por lá, sob a condição de se disfarçar muito bem. A presença de conhecidos irá, com toda certeza do mundo, me deixar extremamente nervosa, ansiosa, medrosa e outros "osas" do gênero.

Pra cima delas!! Rumo ao campeonato de junho (aí sim o bicho vai pegar)!!


Academia K2
Av. Luis Dumont Villares, 200 (próximo ao metrô Parada Inglesa, zona Norte)
25 de abril - a partir das 10h.
www.k2fitness.com.br


terça-feira, março 10, 2009

Orgia literária

Super ok, momento confesso: eu tenho mesmo um problema com livros. E você com isso?

Estimulada pelo vencimento iminente dos vales da Livraria Cultura que o Landão me deu de Natal, lá fui eu dar uma olhadinha nos últimos lançamentos. A desculpa era que eu queria um livro técnico de TCC, e que, juro, eu realmente comprei.

Mas é foda. É foda pra caralho ver todos aqueles livros novinhos, com cheiro de tinta, com lindas capas e milhares de histórias para me contar, e sair de mãos semi-vazias.

Então eu admiti o problema e me deliciei em mais alguns novos títulos, devidamente incluídos na minha PELO (Pilha Eterna de Leituras Obrigatórias).

Então nesse instante, figuram na PELO A Ignorância e Risíveis Amores, do Kundera, iniciados e abandonados temporariamente; Retratos de Amor, do Rubem Alves; O mundo de Sofia, do Gaarder; Filosofia em Comum; da Márcia Tiburi, também semi-lido, Cem sonetos de Amor, do Pablo Neruda, meio abandonado. E hoje, integram a pilha, orgulhosamente, Histórias Extraordinárias, do Edgar Allan Poe; Eu sou o mensageiro, do Markus Zusak; e O menino do pijama listrado, do John Boyne, que a Veja pos na lista dos mais vendidos mas que disseram ser uma bosta (não resisti à capa).

Ah, não, eu não estou esquecendo o livro técnico. Terapia Cognitivo-Comportamental para problemas psiquiátricos, do Hawton, tá bonitinho na mesa do consultório, assim como Os desafios da terapia, do Yalon.

O problema é que eu tenho tanta, mas tanta coisa pra fazer, que não sei nem quando vou poder começar. Mas que tô ansiosa, tô. A graça da minha vida é diretamente proporcional ao tamanho da minha pilha de livros!

Thanks ao Landão pela orgia literária :)

Post Scriptum: Em tempo! Meu primeiro texto na Mundo Mundano vai ser publicado nessa sexta e fala sobre sinceridade. Acessem, leiam e comentem, comentem!