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domingo, março 07, 2010

Por favor?



Começou com algumas frases de amorosa revolta: “O amor é importante, porra!” começou a aparecer em vários cantos da cidade, ali no viaduto da Sumaré, por exemplo. Apesar da veracidade da frase, e da beleza da proposta, sempre me incomodou que o amor fosse requisitado de maneira tão agressiva.

Recentemente, pude notar que outro pedido tem sido feito: “Mais amor, por favor” está sendo estampado por aí. Nos pontos de ônibus, cabines telefônicas, muros baldios, debaixo do minhocão. O pedido aparece cada vez mais freqüente, e eu não pude evitar de me perguntar: o amor deve ser cobrado, ou mesmo pedido por favor?

O que me incomodava na agressividade da primeira frase começou a me incomodar no pedantismo da segunda... ok, ok, chatos de plantão, eu sei que existe todo um contexto, cultural, social, global, whatever... e eu sei que neste post vou acabar dando uma de garota enxaqueca. Mas não parece um pouco patético ter de pedir por amor? Implorar, cobrar, pressionar? Não seria esta uma contradição em si mesma?

Estreitando um pouco os olhos, e afunilando um pouco a questão, me causa até alguma vergonha que o amor tenha que ser solicitado ao invés de ser doado de todo o coração, como sempre aprendemos, desde pequenos, que deve ser. Entre os povos, entre as pessoas, entre os casais - em tempos de relações efêmeras, não basta ser o amor o guia principal das atitudes e comportamentos entre duas pessoas que, hipoteticamente, estão juntas porque se amam.

Não. Sempre existem outros interesses em jogo. São muito mais importantes a vaidade, o orgulho, a superficialidade. Hoje em dia, duas pessoas ficam juntas porque é fácil estarem juntas, uma vez que sem profundidade, não surgem conflitos. E é só. Ponto. Parceiro legal é aquele que não te aborrece, não enche o saco com seus horários, com o que você faz durante seu dia, na verdade pouco importa porque “deve haver individualidade”.

Basta isso, basta que seja um complemento simples e livre de quaisquer problemas. E na iminência de haverem quaisquer tipos de dores de cabeça emocionais, zap! Elimina-se o parceiro como quem joga fora um aparelho celular que às vezes faz um pouco de chiado. E ainda falam de amor!

Falam tanto que os relacionamentos devem ser feitos de troca, e então eu te pergunto: só te amo se você me amar em troca? Falam tanto de haver espaço para a individualidade, de um “não precisar do outro”, e eu acabo ficando na dúvida: quando foi que a individualidade passou a significar egoísmo, falta de parceria? As mulheres que me desculpem, mas em relação a este tópico, a verdade é que eu estou farta desse papinho feminista.

Acho que o mundo precisa sim de mais amor, urgente, agora, asap. Mas pedir por amor vai contra tudo aquilo que o amor traz consigo, que é a doação, a espontaneidade. Quem já amou um dia sabe que não tem nada a ver com troca. Quem ama simplesmente ama, sem grandes motivos que justifiquem este sentimento. Ama porque quer, ou até porque não consegue evitar. Ama e acabou.

Então que todos amem-se uns aos outros sim, adorei, mas (aí sim) POR FAVOR, não desvirtuem a essência de um sentimento tão bonito colocando seus egos no meio. Amor não tem nada a ver com favor. Por mais que rime.

quinta-feira, janeiro 28, 2010

Alguém acredita nisso?



Quando eu digo que não assisto mais TV aberta, me chamam de burguesa. Pode até ser, mas... alguém aí já assistiu a nova propaganda da NET, aquela com a Cláudia Leite?

Pra quem nunca viu, parabéns, sorte a sua. A mulher canta umas 300 vezes o refrão “Eu quero é mais, por isso eu sou NET, eu quero é mais é ser feliz completamente”. Não bastasse a música grudar na cabeça, a voz da Cláudia Leite ser chata e o comercial passar a cada 10 minutos, você ainda tem que engolir a seco e acreditar que a única coisa que faz a Cláudia Leite ser feliz completamente é assinar a NET.

Tá. Não basta ela ser linda, ter um puta corpo, ser casada com um cara lindo, ter tido um filho lindo (e estar novamente magra em 15 dias), ter milhões de reais na conta, viver de cantar, viajar pra caralho, ter mil roupas maravilhosas, ter o cabelo liso, ter uma legião de fãs, ser considerada uma pessoa de sucesso, sair na Caras a cada 2 meses, ter preferência no consultório do esteticista, PODER PAGAR o melhor esteticista, ter hábitos saudáveis e unhas que jamais mancham o esmalte.

Não. Ela tem que assinar a merda da NET, cujo sinal cai quase todo dia.

Fico puta com essas coisas. Parece que tão tirando uma da minha cara. Bicho, se a felicidade fosse assinar a NET, eu estaria dando pulinhos de alegria.

Se bem que na TV a cabo não passa a propaganda da Cláudia Leite. Isso sim deve ser a felicidade.

PS: E pra quem estiver pensando em fazer um discurso sobre “dinheiro não traz felicidade” e sobre o quanto alguém pode ter tudo isso e não ser feliz e blábláblá-wiskas-sachê-blablabla, já fica aqui o meu recado: vai tomar na Net e seja muito feliz (rá!)!

quarta-feira, dezembro 16, 2009

Acorda Kassab!!!


Da rua em que eu moro até a casa de um pacientinho são mais ou menos 12km. Eu to aqui na Centro-oeste, ele em Moema.

Quando comecei a atendê-lo, uns dois anos atrás, eu saía de casa às 5h45 pra estar lá as 6h30. Às vezes chegava antes e comia uma empada ali na Empada Carioca. Semana passada eu saí as 5h30 e cheguei 20 minutos atrasada.

Hoje, após 5 minutos de chuva, voltei do meio do caminho. Na Radio Sul America (obrigaaaaaaaaada), já noticiavam os primeiros pontos de alagamento na Zona Oeste. A Leste já estava totalmente alagada.

Menos R$60,00 no bolso acaba não sendo nada perto do aborrecimento do carro travar no meio de um alagamento. Pra galera que nunca tem nada, mas quando chove perde tudo, fica aquela broxada e aquele inconformismo de que a 5ª maior cidade do mundo, quando chove, simplesmente não anda mais.

Se eu fosse a responsável por uma coisa dessas, não conseguiria dormir a noite.

Acorda Kassab!!!!

quinta-feira, agosto 20, 2009

Vai se F%$&*#@!


Quem me conhece sabe: o mesmo tanto que eu sou diplomática, eu sou extremista. E como aqui é lugar de desabafo, eu resolvi soltar mesmo o verbo: a última reportagem da Veja São Paulo me deixou ARRASADA.

Primeiro, é que eu odeio a Veja. Depois, se liga na matéria: “Profissão Mendigo”. Ao que parece, ser mendigo agora virou uma 'opção', e tem até neguim que se finge de paralítico pra tirar uma grana. Ok, é claro que eu já tinha ouvido falar sobre esse tipo de palhaçada, mas ter visto as fotos do velho andando bem bonitão empurrando a cadeira de rodas me deu ânsia de vômito.

A tal da velhinha da reportagem, que fica na esquina pedindo uma grana, faz compra toda semana no Pão de Açúcar, que nem eu freqüento. Eu que ralo todo santo dia, que estudei pra caralho pra ter um trampo, eu faço compra naquela merda de Futurama, que eu já acho caro.

O outro maluco pendura um cartaz religioso no pescoço e paga pau de santo, apelando pras crenças das pessoas. Depois enrola o cartaz debaixo do braço, saca o celular do bolso e faz uma ligação. Tranquilo - pode enganar que Deus perdoa, apaga o pecado rezando pra santa! Filho da puta, vai tomar no cu!

É escroto que, hoje em dia, ser solidário é a mesma coisa que ser OTÁRIO. É foda ver gente apelando pro nosso sentimento de compaixão pra tirar toda a vantagem que puder. No fim do mês você ainda recebe ligação da Televida pedindo sua contribuição pra ajudar criança soropositiva e... vai lá, trouxa, solta aí mais vintão! Se tem criança mesmo naquela merda você nunca vai saber mesmo.

Eu sempre achei que esse papo era conspiratório demais, mas foi foda ter visto as evidências. Nunca me senti tão otária na vida. Deu vontade de pegar o tal velhote e encher ele de porrada até ele ficar MESMO paralítico.

Foda. Ter vontade de bater num velhote não é bem um sentimento nobre. Vou então quebrar a cara do repórter da Veja por ter esfregado na minha cara essa realidade de merda.

Como diz um amigo meu, tamos cercados de comédia. E comédia é mato!

Foda-se. Vou meditar.

domingo, maio 10, 2009

A Bela e a Fera

Não é normal que alguém comece a chorar logo nos primeiros 30 segundos de um espetáculo. “A Bela e a Fera”, em cartaz no Teatro Abril desde o último dia 29, tem inegavelmente muito a ver com um determinado momento de vida que tenho passado.

É redundante dizer que um espetáculo é maravilhoso. Um como “A Bela e a Fera” merecia um outro tipo de definição. É aquele tipo de coisa que transcende qualquer expectativa, que leva às lágrimas pela beleza, que impressiona pela magnitude, que hipnotiza pela pureza. Desde os aspectos técnicos – estruturas de palco suntuosas, iluminação fantástica, figurinos totalmente dignos da Broadway – até as canções e interpretações tocantes de cada uma das personagens, o musical atinge emocionalmente qualquer ser humano minimamente sensível, de crianças a velhinhos.

Mas não. Chorar nos primeiros 30 segundos de apresentação não é normal, nem mesmo num espetáculo da Broadway. E mesmo agora, passados quase 40 minutos do fim do espetáculo, ainda tenho vontade de chorar. E eu sei exatamente porque.

Sentir-se fera num mundo de Gastons pode ser o pior sentimento do mundo. Não há nada mais triste e desolador do que se ver sozinho entre a multidão. E a sensação de ser finalmente compreendido, apesar de ter endurecido ao longo dos anos de solidão, pode ser a corda jogada ao afogado. É encontrar a redenção e resgatar a esperança há muito, muito tempo perdida.

Nem só de livros vive uma mulher. Nem só de poder e dinheiro pode viver uma fera. Nem só de caças e prêmios sobrevive um Gaston. Todos buscam aquilo que todos nós sempre buscamos: o amor cor-de-rosa dos contos de fadas. A ausência de amor pode tornar as pessoas esquisitas. Pode transformar um príncipe em fera, condenado a querer acreditar novamente na beleza do ser humano e a amar ao próximo. A metáfora da rosa vermelha dada pela feiticeira, neste caso, é a representação mais bela do amor romântico – vira-se fera de uma maneira irreversível quando a crença no amor se esvai.

A história está recheada de amor dos mais diferentes tipos – não só entre Bela e fera, mas entre pai e filha, mãe e filho (representado pela Sra. Potts e seu filho-xícara Chip), seres humanos e seres humanos. O amor que é amor por aceitar a fera que habita cada um de nós, os seres imperfeitos que somos e o que fazemos aqui, neste mundo que nos coisifica, transformando-nos quase em objetos. Nesse sentido, é interessante reparar que a história convoca algumas características humanas básicas – a vaidade que transformou a Sra. Cômoda; a meticulosidade que transforma Dindon em um relógio; o calor e afetuosidade de Lumière, o candelabro mais espirituoso dos contos de fadas.

Confesso que chorei do começo ao fim da apresentação. Tive que esperar bem uns minutinhos para levantar da poltrona, inchada como um tomate, e ir embora. Chorei por tudo – pela minha fera interior, pela Bela que também vive em mim. Pelo pai que já não vive comigo, pelos lobos que enfrento por aí. Chorei principalmente por mim e por todos os seres humanos coisificados por aí, preocupados demais com seus carros, lipoaspirações, contas de banco e academias de ginástica. Tão iludidos que só conseguem olhar para o mundo através de um espelho mágico chamado televisão, chamado livros, chamado musicais da Broadway.

É pra chorar. Pra ver, rever e chorar.

Sem se segurar.

PS: É bom que se diga: a história não é da Disney, e sim uma adaptação da história escrita em 1756 (sim, tem mais de 200 anos!) pela francesa Madame de Beaumont.

quinta-feira, janeiro 29, 2009

Sobre livros e leituras

"O belo só continua belo quando acompanhado do bom e do verdadeiro" - Platão

Quem me conhece sabe: sou apaixonada por livros. Acredito piamente que, como dizia Marco Túlio Cícero, uma casa sem livros é como um corpo sem alma. Parafraseando outro dos grandes mestres, Jorge Kishikawa, quando fico sem ler, tenho hipoglicemia na alma - e por isso meu carro, meu quarto, minha casa e meu mundo é totalmente recheado de livros.

Como sério vício que possuo, a compulsão por comprar e trocar livros é grande. Me ponha dentro de uma Livraria Cultura e é capaz de me acharem somente dias depois, já meio desnutrida dentro do estoque. Tenho o péssimo hábito de, com muita frequência, comprar vários livros ao mesmo tempo – o que, invariavelmente, resulta numa pilha constante em cima do meu baú, que tento há anos (juro, anos) zerar e nunca consigo. Novos títulos vão sendo agregados à esta pilha, vários sendo lidos ao mesmo tempo, sem qualquer ordem ou sistematização. Meu vício é caótico.

Neste exato instante, olho para esta pilha de livros. No momento, ela conta com 9 títulos (Cem sonetos de amor de Pablo Neruda, já semi-lido; A ignorância e Risíveis Amores de Milan Kundera, meu autor preferido; Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley – devidamente recomendado pela querida Luli - , O guardião de memórias, de Kim Edwards e Fragmentos e Aforismos de Nietzsche, todos os 3 intocados; Filosofia Incomum de Marcia Tiburi e O Mundo de Sophia de Jostein Gaarder, ambos parcialmente lidos; e O Vendedor de Sonhos de Augusto Cury).

A pilha empacou especificamente por causa deste último livro. Nunca gostei do Augusto Cury, mas comprei o livro por recomendação de um amigo. Sequer li a contracapa, e quando comecei a leitura, logo no prefácio já saquei a arrogância do autor. Odeio gente arrogante, incluindo a mim mesma em certos estados alterados de humor, e por isso mesmo resolvi ler a peça. Empaquei. Não aguento mais ler nem uma linha sequer, e tenho ganas de, pela primeira vez desde a sexta série (com Ensaio sobre a Cegueira, do mestre Saramago), abandonar a leitura do livro pela metade – acreditem, é algo impensável para mim.

O problema não é o conteúdo do texto (bom, maneirinho, bem elaborado), mas o tom explícito de auto-ajuda. Me enerva. Assim como a leitura de certas revistas te faz se sentir “menos alguma coisa” (a Caras, a menos rica; a Boa Forma, a menos em forma; a Vogue, a menos bem-vestida; a Contigo, a menos informada; a Veja, a menos politizada), os livros que se apresentam tão claramente de auto-ajuda me fazem me sentir uma completa fracassada. Não apenas pelo tom simplório da escrita, que vamos combinar, é ótima no quesito “texto acessível a todos”, mas pelo grau de hipotetização absoluta dos personagens, pela estereotipia massiva em torno de todas as situações, do conto de fadas às avessas, puro estigma.

Acredito, não apenas como ser humano, mas também como terapeuta, que toda forma de estigmatização é preconceituosa – o livro, nesse nível, não deixa a desejar, pois lentamente vai mostrando ao leitor que dentro de todo ser humano existem aspectos opostos, dinâmicos, extremos. O bêbado irrecuperável aos poucos vira um sábio bonachão; o intelectual arrogante vira um humilde e emotivo pai de família; o ladrãozinho mequetrefe começa a aprender a dividir. Nada mais lúcido.

Tudo lindo se não fosse o maior dos clichês, e a verdade é que os clichês me incomodam horrores. Talvez eu mesma seja o cúmulo do clichê – uma psicóloga completamente maluca que toma remédios restritos, um curador ferido, um pajé meio zuado – mas tenho percebido, ao longo da vida e da profissão, que os clichês, por si só, não transformam nenhum indivíduo. Por consequência, não acredito que o livro do querido Dr. Cury, que, como ele mesmo proclama em seu prefácio, “escreve há mais de 25 anos e publica há 8, mais de 3 mil páginas inéditas”, vá ser um gatilho bem sucedido das mudanças sociais que ele tenciona catalizar. Tenho visto exemplos mais eficazes, mais próximos da realidade, alcançarem as massas com mais fervor – é o caso do lindíssimo Comer, Rezar e Amar, A cidade do Sol ou mesmo A cura de Schopenhauer, todos bests sellers menos renomados ou de fama tardia. *

O óbvio apelo religioso do livro também me incomoda. O jeito "não estou querendo defender a coisa, mas já defendendo...” do autor ao citar passagens bíblicas ou o próprio Jesus de Nazaré me soam lavagem cerebral subliminar – o que é totalmente diferente do que colocar pitadas de uma espiritualidade latente que está prestes a explodir, de forma não-religiosa, como em Comer, Rezar e Amar.

A realidade tal como se apresenta (negativa, massacrante, muitas vezes turva e vingativa) parece ser um meio muito mais ágil de tocar as pessoas. Todo mundo já viveu a dor, a perda, a ilusão, o que gera identificação imediata por parte do leitor. A verdade é que um texto belo e gramaticalmente bem escrito já não atinge a alma humana como agente de mudanças, apenas tangencia aquele sentimento de “uh-oh, realmente tem algo errado”. Como já dizia Platão, o belo só permanece belo se acompanhado do bom e do verdadeiro.

Confesso que sou intensa – sendo assim, apenas o drama realmente me comove e me agrega algum valor. Falo apenas por mim, e talvez aqui esteja sendo tão arrogante quanto o que mais detesto. Afinal, quem sou eu para criticar tão abertamente alguém que atingiu a fantástica marca de “7 milhões de livros vendidos somente no Brasil”? Admitamos, é um feito. E, na realidade, será que eu mesma conseguiria reunir elementos tão intrincados como o Dr. Cury, e ainda promover uma história com sentido e efeito romântico como em O Vendedor de Sonhos?

Honestamente não sei. Minhas idéias literárias jamais saíram do mundo das idéias, e nem mesmo sei se um dia se transformarão em tinta sobre celulose. Eis aqui um manifesto pró-realidade, e tão somente isso. Se a intenção é incentivar a independência emocional, nada melhor do que um belo drama caótico sobre a própria dependência. Não precisa nem prometer uma ajuda – todo mundo sabe que somente o desejo é responsável pela mudança. Nesse sentido, uma leitura simples e direta como Ping – a busca de um sapo por uma nova lagoa já é super bacana e lúdica (e nesse caso eu conheço os efeitos pois eu mesma recomendo a leitura para meus pacientes), ou Pollyana, que como bem disse o querido Fiore, foi o primeiro livro de auto-ajuda escrito, mas muito bem disfarçado de romance. Pros mais politizados, A Revolução dos Bichos também dá no que pensar, apesar do nítido tom anti-comunista, ou então absolutamente qualquer um dos livros do Kundera. O fato é que livro bom é como filme bom: depois de ler, você ainda fica pensando. Literatura que você lê e depois esquece é tão obsoleta quanto um Big Mc - fácil digestão, fácil excreção (argh).

Quanto à leitura do livro, penso em insistir mais um pouco. Fiquei sabendo, recentemente, que O vendedor de sonhos será uma trilogia, o que me faz me sentir culpada em não ler sequer o primeiro volume até o final (os outros, me desculpem, não vai dar). Como em toda situação em que me pego sendo crítica demais, espero que o que estou cuspindo pra cima caia bem no meio da minha testa – do contrário, fatalmente meu universo particular de livros ‘líveis’ tornará a se restringir às biografias, romances realistas ou fantasias água-com-açúcar. E viva o Crepúsculo!

*Referências Bibliográficas:
“Comer, Rezar e Amar” – Elizabeth Gilbert. Objetiva, 2007.
“Pollyanna” – Eleanor H. Porter. Nacional, 1987.
“A cidade do sol” – Khaled Hosseini. Nova Fronteira, 2007.
“Ping – a procura de um sapo por uma nova lagoa” – Stuart Avery Gold. Best Seller, 2007.
“A Revolução dos Bichos” – George Orwell. Globo, 1945.
"A cura de Shopenhauer" - Irvin D. Yahom. Ediouro, 2005.
"Crepúsculo" - Stephanie Meyer. Intrínseca, 2008.