quarta-feira, julho 08, 2009

De férias do divã


Tem gente que pensa que ser psicóloga é ter a profissão mais sussa do universo. Afinal, basta se sentar na frente de alguém, fazer cara de paisagem e escutar durante 50 minutos os problemas alheios, para depois receber milhares de dólares sem qualquer esforço.

Como diz uma amiga minha, “lei do engano, darling”. Pode não parecer, mas ser psicólogo é como padecer no paraíso – como fazer as pessoas finalmente se enxergarem como deveriam? Como mostrar para alguém algo que está bem na sua cara, mas oculto pelo véu das ilusões? Como instrumentalizar professores super bem-intencionados a lidar melhor com seus alunos de inclusão sem parecer intrometida? Como fazer uma mãe superprotetora entender que seu pequeno filhinho pré-adolescente precisa aprender a ir ao banheiro sozinho?

Estas e outras questões tão pesadas quanto estão presentes na maior parte dos meus dias. Ser psicóloga é hiper gratificante, pois não tem sensação no mundo igual a você ver um ser humano aprender a ser mais feliz. É tudo de bom, mas é super ultra mega max giga jam cansativo. Mentalmente, é extenuante.

E é por isso que, quando chega julho, eu quase entro em mania de tão feliz: meus pacientinhos entram em férias escolares e eu finalmente posso descansar um cadim. Sincronizar a agenda com os pacientes do consultório geralmente é um trabalho árduo – mas eu finalmente consegui e a partir deste feriado já entro em recesso “escolar”.

Sem viagens fantásticas (apesar de ter sido a idéia inicial) – apenas 10 deliciosos e idílicos dias na praia na companhia da minha família, de amigos e das Meninas-Caninas. Não interessa se vai fazer sol; o mar gelado não me preocupa nem um pouco; o vento absurdo típico da Ilha em mês de julho não é nenhum problema: tudo o que eu quero é ESVAZIAR A MENTE.

Meditação, corrida, escrita, leitura, sono, gastronomia, risada, conversa... e, plis Universo, o mínimo de problemas possível. De preferência, adoraria poder ficar em silêncio os 10 dias (impossível, considerando a mistura Mamis + Landão + Ires + Pati + ilhéus diversos).

Então eu deixo o silêncio pro próximo Carnaval e saio neste feriado tirando férias de tudo: de pacientes, de escolas, de mães difíceis, de gatinhos indecisos, do ringue, de uma parte da família, de amigos, da(s) minha(s) própria(s) terapia(s) e quiçá de mim mesma. Abandono aqui minhas vestes de psicóloga, minhas luvas de kickboxer, minha fala diplomática e meu saquinho murcho de Jó.

Eventuais posts poderão ser avistados. Meus amigos blogueiros, bom feriado a todos. Eu peço uma coisa só: se em 10 dias eu não estiver de volta... por favor, me deixem por lá!

terça-feira, julho 07, 2009

Transformers!


Qualquer semelhança com a vida real não é mera coincidência!

domingo, julho 05, 2009

fora da linha


Acordo lentamente com a cabeça pesada. A memória falha em resgatar certos detalhes do episódio. A boca está grudando, os olhos secos como carpete. A garganta arranha. O corpo dói e me ressinto – tudo outra vez.

Desta vez não houveram culpados, a não ser a consciência. Nada foi errado, exceto a abordagem. Nada de arrependimentos, não fosse a vontade de hoje de jamais ter estado lá. Acolho os flashes de lembranças tendo consciência de que algo foi perdido – a inocência e a ingenuidade deste reencontro, de outros, de tantos que jamais existiram. A sensação de que fugi da proposta inicial se revela aterradora.

Como se desta forma nós jamais tivesse tentado, abandono qualquer outra tentativa de merecimento. Falhei em tentar caminhar sobre o espectro cinza que existe entre o branco e o preto, entre o coração e a mente, entre o espírito e a carne. Me entreguei entre os extremos opostos. Naquele momento nenhuma virtude habitava meu corpo, a não ser a certeza inabalável de que, apesar de profundamente errado, não havia nada demais em simplesmente tentar ser eu mesma novamente.

sexta-feira, julho 03, 2009

Ou Tudo ou Nada?

Hoje na Mundo Mundano.


Todo mundo que gosta de escrever sabe: tem épocas em que simplesmente não sai. Sentamos na frente dos PCs, agarramos papel e caneta, praticamente fundimos a cabeça e o resultado continua o mesmo: a folha continua em branco, apesar da mente fervilhar em idéias.

Ando nestas fases. A coisa simplesmente não funciona. Antigamente, eu me sentia frustrada. Hoje em dia, me pego atenta a estes momentos e percebo coisas impressionantes em meio a este vazio. Pouco a pouco, reflexão a reflexão, começo a chegar à conclusão de que é justamente no vazio que tenho a maior sensação de plenitude que eu poderia experimentar.

Essa idéia do “vazio-e-cheio” sempre me encantou. É verdade que eu costumava me sentir desconfortável com a idéia do Nada, enquanto que o Tudo me acolhia. Afinal, sempre ouvimos por aí que o legal é ter tudo, que não ter nada é ser mal-sucedido. Somos condicionados a ter a mentalidade do mais, da ação, da quantidade, do preenchimento. O nada, o menos, a não-ação, o menor parecem sempre negativos. Com mais freqüência do que talvez eu gostaria, ouço meus pacientes dizerem-se “no nada”, ou “vazios”, com a maior das aflições.

Mas a verdade é que existe neste “nada” uma idéia reconfortante e capaz de amenizar estas angústias: se o que existe é o Nada, então Tudo pode ser feito. Qualquer coisa! É uma idéia bastante lógica, embora possa ser difícil apreender este conceito num primeiro momento: menos pode, de fato, ser mais.

A idéia da página em branco possibilita uma imagem – uma folha em branco é ilimitada e infinita, e milhares e milhares de possibilidades de escrita, desenhos, garranchos ali estão em potencial. Se quando temos Tudo, o vazio está plenamente preenchido, fato é que Nada mais pode ser feito – a folha está escrita, a pauta está fechada, esgotaram-se as linhas. É aquilo ali e pronto, aquele tudo, completo, cheio, limitado te dizendo: “conforme-se”.

Já o nada é o espaço em potencial necessário para todas as realizações tomarem forma; são todas as coisas existindo ao mesmo tempo, indefinidas, inexatas. A vantagem de não se ter nada é justamente poder começar tudo de novo, ilimitadamente, sem nenhum tipo de restrição. Como num vaso vazio, onde em sua terra fértil podem ser plantados quaisquer tipos de sementes.

É verdade que estar no nada pode ser, a princípio, bastante desconfortável e desolador, e que se pode experimentar alguma sensação de perda de referencial. Mas se for possível tolerar o sentimento de ansiedade e visualizar, em meio à crise, uma nova oportunidade, então também haverá a chance de experimentar, como de nenhuma outra maneira seria possível, toda possibilidade de escolha – e esse tipo de escolha é exatamente o que define alguém, a escolha de quem não tem absolutamente nada a perder. É a escolha da liberdade.

No que se refere a este texto, experimento uma certa mistura de sentimentos após ver esboçada a reflexão. É que uma parte de mim gosta de ver a página finalmente cheia, mas outra se ressente com a minha ousadia de encerrar assim a questão, limitando o tema como se nada mais houvesse a dizer. Minha mente continua a fervilhar a respeito, e receio que o assunto seja muito mais extenso, filosófico e pirante do que aqui humildemente tencionei expressar. Tento então mostrar alguma humildade, mas também manter a ousadia de com o fim do texto questionar se, afinal de contas, todo fim também não seria um recomeço...

terça-feira, junho 30, 2009

Hiato

Batem fortes aqui dentro, novamente, as mágoas da separação. Grandes despedidas marcaram nossa história – nenhuma definitiva, nenhuma de verdade. Nossas lindas palavras falam na vã tentativa de calar nossa terrível verdade: jamais estivemos juntos. Você me incute, por fim, a dúvida - será?

Meus sonhos e desejos se voltam novamente para ti, e em meio a um inverno emocional dos mais cruéis sua presença me lembra novamente o verão. Me sinto viva e meus galhos mostram novamente vontade de florescer. Meu solo está novamente fértil – recebo então sua semente estéril e acolho sua eterna dúvida. Mudam novamente as estações, e enxugo calmamente as lágrimas negras do rímel que usei pra te encontrar.

No hiato congelado existente entre nós, permanece a indelével e inquestionável evidência de que nossa história foi despedaçada há muito, muito tempo atrás. A esperança, morta-viva, volta para de onde veio. No eco das suas palavras eu vejo, finalmente, que nada restou a não serem promessas de que tudo seria muito diferente, se tudo não fosse exatamente como é.

domingo, junho 28, 2009

Sede



O sucesso é mais doce
A quem nunca sucede
A compreensão do néctar
Requer severa sede...


Emily Dickinson

sexta-feira, junho 26, 2009

Tempos Modernos?



Recentemente, minha amiga Andrezza* me procurou para um café. Na SMS que ela me mandou, cheia de gírias e de abreviações, adiantou que o assunto era SOS, o que me fez me preparar emocionalmente para o encontro.

As conversas com a Andrezza eram tensas. Ela era ás em encontrar boas justificativas para tudo o que fazia. Mestra na argumentação, ela era capaz de convencer um indiano a maltratar uma vaca, de tão convincente que era. Eu já sabia, àquela altura do campeonato, que a coisa ia ser feia – eu e a Andrezza sempre fomos radicalmente diferentes, e temos um histórico de grandes discussões. Assuntos SOS eram sinal de confusão.

Assim que nos encontramos no café, a Andrezza foi rápida e fulminante: “Você curte tecnologia?”. Confesso que esperava, antes de mais nada, as conversas amenas típicas de elevador. Pra ganhar tempo, pedi um cappucino, enquanto tentava me orientar novamente.

A questão era: a Andrezza tinha encontrado um cara no clube de salsa, um cara que sempre estava lá e com o qual sempre trocava olhares. Na semana anterior, haviam conversado e finalmente trocado algumas beijocas. O clima estava bacanérrimo, conversaram todo um atlas, de esporte a economia, de viagem a tintura de cabelo, de princípios de vida à religião. No fim da noite, ele segurou seu casaco, disse que havia amado a noite e que havia gostado muito de conhecê-la. E então...

- Sem delongas, ele foi dizendo o endereço de email dele. Que era pra eu escrever, adicioná-lo no MSN, esse tipo de coisa. Eu logo achei que aquilo era uma desculpa pra gente nunca mais se ver, mas o problema é que ele parecia sincero ao pedir que eu escrevesse!

Ela estava em surto. Absolutamente confusa. Após consultar suas duas terapeutas, a Andrezza estava questionando se estes eram os Tempos Modernos. E pela primeira vez em muito tempo, eu comecei a concordar com ela - eu ainda sou do tempo em que se trocava telefones, emails eram coisas de trabalho, e MSN era só tiração de sarro. Mas ela tinha razão em uma coisa: o telefone também estava migrando pra internet, com o Skype e outras coisas do tipo.

O processo parece mesmo ter se invertido – o telefonema é o último passo a ser dado quando duas pessoas estabelecem uma comunicação virtual. Eu mesma passei a perceber que tenho muito mais disposição em enviar um longo email para uma amiga, do que me pendurar ao telefone com ela. Está certo que eu me expresso melhor escrevendo do que falando, mas é verdade que eu tenho amizades que têm sido mantidas assim há aaaaanos. Telefonar virou raridade.

O que aconteceu com a Andrezza já aconteceu comigo, com outras amigas e praticamente com todo mundo por aí. Não sei se por falta de tempo, falta de coragem ou se por puro hábito, a intimidade mudou de cara, e tornou-se difícil delimitá-la no dia-a-dia. Em tempos em que nos sentimos totalmente à vontade para nos expor em blogs e outras coisas do gênero, e que trememos na base diante de encontrar pessoalmente um carinha ou mocinha bacanas, como resguardar algum parâmetro real sobre o assunto? Como não transformar isso tudo num grande jogo de detetive, o que poderia ser perfeitamente substituído por uma simples troca de olhar em que as intenções e desejos se revelam? O homem que usa muitas reticências está reticente? A mulher que usa muitos pontos de exclamação está eufórica? Como possuir algum referencial verdadeiro dentro deste novo, bizarro e tosco jogo de conquista?

Talvez eu deva mencionar: Andrezza é portadora de Transtorno de Ansiedade Generalizada, o que significa que todo este questionamento é muito, muito sofrido para ela. Ela ainda está achando que o problema é com ela e que o carinha não queria vê-la novamente. Pra confrontar essa crença, eu a incentivei a, afinal, adicionar o tal cara na porra do MSN e ver que bicho que dava. Ela relutou, como sempre, usando mil e uma justificativas. Um bom “vai tomar no c%$&*#” e algumas frases de Gandhi trataram de convencê-la.

Neste exato instante, Andrezza adicionou Fulano e está no quarto café em frente ao computador, esperando alguma resposta para o sorrisinho tímido que ela lhe enviou. Já se passaram dois minutos e nada ainda aconteceu. Andrezza treme e fuma. Do outro lado do seu celular, estou eu, igualmente ansiosa pelo desfecho, quase como se eu também dependesse disso. Não sei se me encaixo nessa modernidade toda, então também tremo. Tremo de verdade. Tremo e penso... SOS.
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* O nome da minha amiga foi trocado, pra não expor sua intimidade nem nada...

quarta-feira, junho 24, 2009

Rapidinha

As escolas do país estão ensandecidas, terminando seus períodos escolares antes da hora.

Tirando o fato de que isso deixa minha mãe, que tem mania de doença, cada vez mais histérica, que delícia ser presenteada com a notícia de que eu então também tô de férias até agosto de uma das escolinhas. Coisa chata ter a sexta-feira livrezinha da silva sem crianças mala gritando no ouvido é ter que parar o trampo assim de repente, sem aviso prévio e sem programar a interrupção com os pais.

Pelo menos eu ganhei a mesma grana trampando muito menos deu pra entrar em recesso vendo o trabalho surtindo efeito. Diferente de em algumas outras ocasiões...

Duro ser psicóloga, viu! Mais duro ainda ter fim de semana de 4 dias :P

segunda-feira, junho 22, 2009

Thank you

Although it was painfull anyway.

sexta-feira, junho 19, 2009

Cantilena




Eis aqui notícias de seu criado - estas terras por aqui, meu Rei, são estranhas! Uma eterna luta entre cobras e aranhas mancha o solo que aqui é encontrado!

Não existe o conceito de errado, não existe a ordem e a moral! Não vejo nada aqui que seja normal - esse lugar, por Deus, foi abandonado. Os desejos parecem todos forjados: quem quer finge não querer; quem sabe, finge não saber - os valores estão todos invertidos!!

Certos combates podem até ser divertidos, mas sempre à custa da humilhação alheia. A pessoa que por um instante titubeia é isolada sem dó nem piedade! Não sei dizer, senhor, o que aqui é de verdade, ou o que é encenado com a maior das perfeições. Sei dizer que as mentes calam os corações, pelo medo de ser ridicularizado.

Meu Rei, fico mesmo desolado, porque o amor, que tristeza, virou guerra! Com estratégias dignas de nossa terra pra conseguir a mais simples das vitórias. Por aqui, senhor, se contam histórias, de que o amor fere, ao invés de fazer bem! Tem gente que prefere viver sem, a correr o risco de um dia chorar.

Imploro ao Senhor que me permita voltar! O ar daqui parece ser contagioso - eu mesmo já ando desgostoso de com as pessoas daqui conversar. Sugiro nosso exército avisar, e que permaneça fortemente armado - por aqui se tem planejado os nossos campos dominar!

Senhor, eu vim lhe avisar, e rogo: por favor não permita! que essa gente esquisita possa nossa fé abalar! Não nos deixemos desmotivar! Lembremos do nosso passado, dos nossos anos dourados, e das nossas amadas crianças!

Não deixemos que a esperança possa pra cá se debandar! Reunamos nossos homens e às mulheres vamos avisar! A partir de hoje, ergamos os copos, e brindemos, senhor, a meus votos, que não deixemos de acreditar...

segunda-feira, junho 15, 2009

Partida

Neste fim de semana, me despedi de mais um amigo, desta vez dos mais queridos. Meu melhor amigo, parte de mim, vai morar nas Ilhas Canárias, com apartamento emprestado, passagem doada, emprego garantido. Diversas aventuras o esperam por lá, nesta nova vida que ele hoje arrisca. Em menos de 1 ano, várias pessoas queridas partiram para viver suas vidas de um jeito diferente. Mudando de país para renovar a vida, de cidade para retomar estudos, de continente para tentar de novo, vejo pessoas valentes, corajosas e ansiosas por vidas novas, cheias de surpresas e de novidades.

Enquanto uma parte de mim vibra de alegria por cada uma destas partidas, outra parte de mim se sente, inevitavelmente, solitária e parada no tempo. A sensação é de estar ficando pra trás, de estar estagnando em torno das mesmas conquistas. Sinto-me, de repente, extremamente velha. Não sei se é vontade do novo ou bode momentâneo do presente; não sei se é ansiedade pelo futuro ou apego afetivo elevado à enésima potência. Mas eu sei que, por alguns breves momentos, eu tive o desejo de que tudo parasse e ficasse exatamente no mesmo lugar, que o tempo voltasse e que meus grandes amigos jamais tivessem partido.

A parte mais saudável de mim caiu na real, e desejei por fim, alternativamente ao tempo parar e nada mudar, e assim retirar de meus amigos, de meus corações, suas novas oportunidades de serem felizes, que a minha própria vida mudasse e que eu me projetasse ante um novo futuro, ganhando assim a força e vitalidade que cobicei. Desejei por fim ter eu mesma minhas próprias surpresas e aventuras, e a vida nova e vibrante que, sem malícia ou inveja, secretamente desejei também experimentar. Se tudo o que vemos no outro nos evoca partes de nós mesmos, gosto então de acreditar que partezinhas de mim estão viajando por aí, vivendo suas novas vidas, recomeçando nem que seja estudando numa nova faculdade, viajando todo o continente, ou quem sabe somente se espreguiçando sob o sol morno de uma praia nas Ilhas Canárias...

Valentines?

I think nothing will never be enough...

terça-feira, junho 09, 2009

Alea jacta est!



Depois de ter o coração estraçalhado pela segunda vez pelo cara que até outro dia era homem com agá maiúsculo pra mim, eu resolvi abrir as portas da represa e declarar: estou disponível e a temporada de datings está aberta!

Inverno emocional é pra principiantes. Eu já tive o meu, que durou dois anos e teve efeitos colaterais tenebrosos, como transtornos ansiosos e namoros ridículos com homens de merda. Desta vez eu juro que vai ser diferente.

E na onda dos experimentos afetivos, as vagas foram disponibilizadas para o público e o processo seletivo já está rolando (inscrições aqui, aqui!) – já descolei um convite pra jantar com um menino incrível e troquei telefones com um cara gatésimo da outra academia.

Os experimentos têm mostrado tanto resultado que até carona pro gatésimo eu dei, e vou te contar que se eu fosse mais beáti e desse um mole pegava o cara ali mesmo. Quem me conhece sabe que este não é o meu feitio, nem fazer caras e bocas. Mas acontece que eu honestamente acho que tá na hora de mudar esse tal do meu feitio.

Quem sofre de seca é o povo do sertão, aqui na metrópole o que rege a vida de nós solteiros é a Lei da Oferta e da Procura. Chega de seriados de TV! A vida é agora! Ok Next! E só pra não dar zica... alea jacta est!

sexta-feira, junho 05, 2009

Mais Azul


Eu sei que esse meu jeito é difícil, e que não sou apenas e tão somente alguém cheia de opiniões. O meu buraco sempre foi mais embaixo, eu acho as mulheres todas fracas e patéticas e me recuso a ingressar neste rol, apesar de ser como qualquer outra garota que cruza nossos caminhos todos os dias. Desprezo estes grupinhos femininos que só falam em vocês, respiram do ar seus hormônios masculinos, produzem-se todas só pensando sobre isso. No fundo, eu sei que o que sinto é inveja de não ter esse assunto todo pra falar. Acabo arrogante. Talvez seja hora de dar o braço a torcer, não sou menininha nem quero ser, tenho outros focos na vida que não apenas este, mas entre o preto e o branco tem mil e uma tonalidades de cinza. Posso escolher uma se preferir, e descobrir a mocinha aqui dentro de mim. Parei por aqui de fingir que não me importo. Eu cansei das defesas que pesam minhas costas, cansei de ver só o preto no branco - hoje meu dia amanheceu mais azul, e está mais do que na hora de confessar: amanheceu mais azul por ter reencontrado você.

terça-feira, junho 02, 2009

Mar de testosterona


Existem duas coisas que, desde pequena, sempre foram capazes de me tirar do sério: pizza de marguerita e sapatos. Recentemente, descobri mais um novo fator responsável por elevar meu nível hormonal e de desestabilizar completamente meu sistema nervoso: campeonatos de artes marciais. Claro, claro, a técnica é demais e eu, como lutadora, mais do que aprecio um bom espetáculo de trocação de porradaria. Mas (e como diz minha amiga Luli, sempre tem um ‘mas’), confesso que não foi bem isso que me apeteceu nesse sábado em específico.

Após praticamente agarrar um braço alheio no metrô de São Paulo, fui acometida de outros impulsos irrecorríveis e inusitados. A cena: um ginásio com capacidade de 2.500 pessoas, 90% do sexo masculino, no centro um ringue com dois caras semi-nus, suados e brilhantes, com cara de machos bravos pra diabo, enfiando a mão na cara um do outro... é o cúmulo do instinto animal feminino eu ter simplesmente ENLOUQUECIDO num lugar destes. Considerando então uma fêmea solteira, desimpedida, em idade fértil e, digamos, sem praticar a cópula há algum tempo... lá se foram meus níveis de progesterona.

Nunca imaginei que passaria por este tipo de situação, mas a verdade é que não assisti patavinas das lutas. Sei quem ganhou o GP, mas não sei dizer se mereceu, se o juiz roubou, se teve chute na virilha. Mas pergunte-me sobre a anatomia dos competidores e poderei dizer que, não apenas no ringue, como também nas arquibancadas, o ginásio do Pacaembu estava “assim” de exemplares excelentes da espécie humana. Um show de abdomens, um festival de tríceps, e bíceps, e coxas que até Deus duvida. Bundas perfeitas (homem com bunda é artigo de luxo), tórax suados e ofegantes, ombros definidos, rostos afogueados, respirações aceleradas, gritos da torcida, instintos à flor da pele, cabelos desgrenhados, bocas entreabertas... alguns até eram bonitinhos. Enfim, um MAR DE TESTOSTERONA.

Eu jamais achei que fosse passar por isso, mas a verdade é que aquilo tudo foi demais pra mim. A enxurrada hormonal me dominou, desestruturou e doeu em mim como um soco na cara. A solidão nunca bateu tão forte, e por “solidão” entendam como quiserem. A verdade é que tem horas na vida de uma mulher que o que é preciso não é dormir de conchinha, cafuné ou cartinha de amor. É o autêntico pegapracapá. Por via das dúvidas, e de maneira a massacrar o instinto recém-aflorado e impossível de ser satisfeito pelo menos nas próximas horas, tomei várias na baladinha à noite, e terminei a noite de sábado devorando um x-salada no Burdog na companhia da minha melhor amiga. É como eu sempre digo: comer são as duas melhores coisas do mundo. Mais os sapatos, claro.

domingo, maio 31, 2009

Could'a, Would'a, Should'a...

quarta-feira, maio 27, 2009

O pior primeiro encontro do mundo



Minha amiga Ariana* está solteira há séculos. Embora ela finja estar tudo bem, seu verdadeiro incômodo com a solidão acabou por aparecer no dia em que ela aceitou um convite para sair com um carinha que vinha paquerando ela já há alguns meses, mas pelo qual não sabia exatamente se se sentia atraída.

Quando ela me contou que sairia com o moço, cujo apelido era Zoeira, conversamos seriamente. E, entre racionalizações, piadas e justificativas, ela enfim me convenceu de que era uma boa idéia. No dia do encontro, esperei ansiosa por seu telefonema e notícias sobre o programa.

Ela escolheu o filme e eles combinaram ali, num cinema da Paulista. A sessão era às 17h00 de um domingo, o que significava sessão cheia. Assim, ficaram de se encontrar lá pelas 16h00, pra poder conversar um pouquinho antes de ver o filme e ainda garantir os ingressos. As 16h00 em ponto Ariana estava lá e nada do rapaz. Conforme o relógio tiquetaqueava, ela foi ficando aflita, a fila foi aumentando, e, por fim, ela decidiu comprar os ingressos de uma vez, pra garantir um lugar no filme.

Minha amiga já estava na fila há mais ou menos meia hora quando o camarada foi aparecer, lá pelas 10 pra cinco, com um super bafo de cachaça. “Cachaça não”, me confidenciou ela – “sabe quando fica só o cheiro do álcool etílico?” Ele se desculpou e botou a culpa em alguns amigos “da favela lá do bairro” (sic), que insitiram que a carne que ele fazia na churrasqueira era a melhor que eles já tinham comido na vida. Então ele ficara lá de chef cook e acabara tomando umas, e por isso havia se atrasado. “Perdão, linda”, ele dissera com cara de arrependido.

Embora Ariana tivesse ficado um pouco tensa com o ocorrido, resolveu não dar muita bola. Conversaram animadamente, ele contou sobre o churras “na laje” (sic) e enfim entraram no cinema.

- E foi aí que comecei a me irritar. Ele não calou a boca, do começo ao fim do filme. Falava alto e tava com aquele bafo. E ficava contando umas coisas sobre quando ele trabalhava de assistente social no Nordeste, e eu te garanto que isso não tinha nada a ver com o filme.

Ao saírem da sessão, ele sugeriu uma cervejinha ali na esquina da Joaquim Eugênio. Ela topou, estava um puta dum calor naquele dia. E, de repente, o encontro começou a ir por água abaixo.

- Eu estava falando sobre uma exposição lá na galeria e sobre o artista, que era esquizofrênico. De repente ele começa a criticar a saúde pública e a dizer que, QUANDO ELE TINHA DADO UMA PIRADA DE TANTO SE DROGAR, quase o levaram a força internado. Eu procurei saber o que tinha acontecido, mas quando vi, ele já estava falando de um outro assunto. Foi infernal. Cada vez que eu tentava falar alguma coisa, ele lembrava de alguma coisa muito louca, muito importante ou muito triste que tinha rolado com ele. Foi quando ele disse que quase tinha sido preso e aí eu comecei a ficar seriamente preocupada.

O enrosco não parara por aí. Minha amiga jurava que não sabia de onde tinha vindo aquele apelido, Zoeira, porque o cara não tinha nada de engraçado. “Ele devia ter o apelido de Umbigo, ou de Careta, porque além do papo ter sido super tenso, ele só sabia falar dele”.

Minha amiga nunca se sentira tão ignorada, deprimida e irritada na vida. A um dado momento, o cara começara a contar sobre sua formação em Ciências Sociais, e sobre seus conhecimentos em latim.

- O cara me interrompia o tempo todo. Ficava tentando me convencer com aquele papo intelectualóide, defendendo o PT, o MST e outros caras polêmicos. E quando eu arrisquei a dizer que política boa era utopia, temi pela minha garganta – ele me chamou de burguesa, citou Marx e começou a dizer de onde vinha a palavra utopia. Me passou a maior lição de moral, me explicou uma dúzia de palavras novas em latim, e eu me senti numa merda duma palestra de Direito Social.

Num dado momento, Ariana sentiu que ia explodir. Parou de responder. Só fazia “aham”. Quando o cara perguntou sua opinião sobre o modo de governo de Botswana ou algo do tipo, ela estourou e acabou por dizer, num fôlego só, que a África devia ser uma merda, que ela estava irritada demais, que ele era egocêntrico, ela nunca havia sido menos percebida na vida e que ele tinha uma puta dificuldade de dialogar.

“Na verdade, eu tenho DDAH” – confidenciou então ele, para iniciar outro monólogo triste e perturbador sobre sua dificuldade de aprendizagem e outros conflitos em época escolar devido ao Distúrbio de Déficit de Atenção e Hiperatividade.

- Não aguentei e disse que precisava ir para casa. Não era nem dez horas da noite e eu resolvi pedir a conta. Ele se ofereceu pra pagar, mas adivinha?

- Não...

- O cartão dele não passava. Acabei pagando a conta e ele ainda me pediu uma carona até um bar ali do lado, que ele ia emendar uma balada. Larguei ele ali perto da Rebouças e nunca me senti tão aliviada na vida.

- Ainda bem que durou pouco.

- Não acabou ainda. Umas duas horas depois ele me liga pra contar que foi atropelado por uma bicicleta enquanto atravessava a rua, torcera o pulso e estava em casa fazendo compressa de gelo.

- Fofinho, vai... querendo te contar as coisas...

- O cacete. Ele ainda não tinha terminado de falar dele mesmo. Essas merdas só acontecem comigo.

Desde então Ariana não marcou mais encontros, temendo dar de cara com mais alguma aberração. O tal rapaz voltou a chamá-la para sair, e após inventar mais um monte de desculpas, acabou falando na lata que não estava mais afim.

Alguns dias depois, conversando com ela, ela deixou escapar que o Zoeira tinha sido o último cara com quem ficara, e não pude deixar passar despercebido que a parte do beijo tinha sido ocultada. Poderia ter questionado, feito “ahá!” e investigado mais a fundo, arrancando detalhes possivelmente sórdidos. Por consideração e afeto, deixei passar batido e responsabilizei a carência, essa maldita, por ainda assim ela ter beijado o cara, talvez esperando que ele ainda virasse príncipe.

Ontem, ao encontrar Ariana, revelei que pensara em transformar o encontro em texto, e que não estava me lembrando muito bem de onde ela havia conhecido o Zoeira.

- Ele é amigo daquele meu ex-namorado, sabe aquele que me traiu com minha melhor amiga?

Ahá! Diz-me com quem andas, Ariana, e te direi quem és. Não haveria, por algum acaso, alguma palavra ou expressão em latim pra definir o acontecido?

Omni Omni Lupus... o homem é o lobo do homem!, diria provavelmente o Zueira...


domingo, maio 24, 2009

postumum


Nada se encaixa com delicadeza no lugar vazio que você deixou. Restaram pedaços e fotografias nas quais você não se encontra; dias riscados em um calendário já esmaecido pelo tempo. No buraco desolador que um dia você ocupou, o vazio denso e impenetrável das minhas memórias habita fielmente, em homenagem póstuma ao nosso abandono.

Suas saudades deixam grandes lições. E grandes lições deixam, inexoravelmente, profundas cicatrizes. Esta que criamos oprime meu peito com tanta intensidade que é quase que como se você jamais tivesse existido - a dor da sua ausência é como a retirada de um velho móvel em um quarto antigo: tudo o que restam são marcas no tapete, manchas amarelas na parede, indícios de uma ocupação distante. Traços indiscretos de uma felicidade jamais concretizada, as evidências inegáveis do crime atroz que foi cometido aqui dentro. O lembrete perene do que não pode ser recuperado.

Se foi. Suas lembranças se espalham sob a forma cinzenta de memórias do que nunca existiu, sentimentos vagos que teimam em ruminar, a resistência implacável de se deixar esvaziar do que um dia foi como a única réstia de luz num aposento escuro, a iluminar as sombras existentes dentro de cada um de nós.

Neste momento, restaram as trevas – nada se pode ver a não ser a ausência desta luz. Persigo suas chamas e suas cinzas restantes aqui dentro de mim, enquanto me pego a sentir saudades das histórias que nunca vivemos, lúcidas como sempre, mais reais do que nunca, e que interrompem meu fôlego quando fecho meus olhos e procuro por você. Aqui dentro já não te acho. Não existe mais nada a perder, já que nunca houve nada que pude verdadeiramente ganhar.

segunda-feira, maio 18, 2009

O Braço

Existe algo de seriamente errado quando alguém sente vontade de beijar o braço de um desconhecido em pleno metrô, numa das maiores cidades do mundo como São Paulo. Assim, sem mais nem menos, um braço estranho, do cotovelo pra baixo, parece realmente atraente, convidativo, acolhedor, e então você deseja dar uma bela bitoca ou quem sabe uma mordida naquele antebraço.

É definitivamente digno de internação. E sim, aconteceu comigo.

Seria esse braço uma fuga da enorme carência que acomete os paulistanos que, em seu dia-a-dia atribulado, marcham rumo a seus empregos/famílias/meios de sobrevivência, sem entrar realmente em contato com o ambiente ao seu redor? Seria este braço apenas e tão somente um símbolo de um braço-direito que está ali para que você se apóie durante os percalços de seu dia-a-dia? Ou seria este braço apenas a única fonte de um cheiro minimamente mais suportável do que o do mendigo velho e bêbado atrás de você?

Justificativas. Apenas justificativas que encontro para explicar a bizarria de uma situação destas: o desejo de beijar o braço de um completo desconhecido num metrô meio ensebado. Não olhei seu rosto; não perguntei seu nome. Não sabia de onde vinha, em absoluto. Era apenas um braço sem corpo, sem história, que eu queria desesperadamente agarrar, apertar, morder, deixar junto de mim.

A que ponto se chega devido à falta de contato físico? Sequer sei dizer se o braço era de um homem ou de uma mulher. Porque, a bem da verdade, tanto faz se o contato físico, o toque, venha de um homem, de uma mulher, ou de uma criança. Tanto faz se existe ou não segundas intenções – não estou falando de sexo, seus pequenos pervertidos, e sim do toque entre seres humanos, do contato que nos faz sair de uma bolha, uma câmara hiperbárica isoladora, uma capa entre você e o resto do mundo.

Porque se a maioria das pessoas está acostumada ao toque físico em seu dia-a-dia, os meus andam absolutamente intocáveis, sem ironia nenhuma. Não toco meus pacientes. Não tenho tocado muito minha família, nem eles a mim, com exceção, talvez, do meu irmãozinho de 2 anos, o qual vejo ocasionalmente. E se o objetivo em meus treinos de kickboxing é acertar o adversário, é minha tarefa também não deixa-los encostar em mim. Transformei minha vida num ringue, ou num consultório de psicoterapia constante?

Todos os estudos mais recentes comprovam a importância do toque físico em um bebê recém nascido. Prive-o deste contato e lá virá bomba – teorias sobre o autismo infantil tocam (de novo?) nesse ponto delicado. E quanto aos adultos? E quanto a mim? Estarei eu desenvolvendo, em algum grau, um tipo de autismo tardio, devido a uma espécie de câmara hiperbárica subjetiva, como se eu fosse portadora de alguma doença gravemente contagiosa?

Minha terapeuta disse: é um desejo bonito querer beijar o braço de alguém no metrô. Aham. Eu sei que ela se refere ao desejo do contato e tudo e tal, mas já eu considero um ato desesperado de busca de afeto. Para que fique bem claro, é legal eu dizer que não beijei o braço do estranho. Humilhada pelos meus sentimentos e pensamentos, segurei meu impulso, ignorei o braço, voltei para casa e amarguei uma dor de cabeça pelo resto do dia, responsável por me deixar isolada num quarto escuro e silencioso (minha própria câmara hiperbárica?) até que minha cabeça voltasse ao seu estado normal.

Não sei se foi um impulso bonito, desesperado, carente ou incitado pelo fedor horrendo do mendigo atrás de mim. Mas, de qualquer forma, me recordei da terapia do abraço da minha mãe: é melhor eu começar a dar meus 6 abraços diários, se não quiser ser presa por assédio sexual pela Guarda Civil Metropolitana...

A verdade é que, quando você se sente sozinho, até mesmo o metrô parece acolhedor e aconchegante. E é por isso que, por via das dúvidas, essa quinta-feira eu vou no forró. O autêntico rala-coxa.

(sim, talvez eu devesse fazer terapia mais vezes por semana)

quinta-feira, maio 14, 2009

Fight Fever! OSSU!

A filosofia do passe-pra-frente é uma das características marcantes que as artes marciais de origem oriental têm. Um dá para o outro o que um dia recebeu, e isso significa que eu tive o super maior mega blaster apoio da minha equipe de kickboxing no dia do evento na K@2.


Convidados Seiwakai: Renan, Du, Eu, Rodolfo, Thiago, Rafa e Tecchio.
......
Eu estava ULTRA nervosa neste dia, cheguei na academia sozinha e o pessoal nem tinha chegado ainda. E porque Deus é bom pra caramba comigo, bem nesse momento recebi a ligação do meu queridíssimo Juneca, que está sempre por dentro da minha vida “atlética”. Ficamos ali papeando então, ele me desejando boa sorte do seu jeito super técnico-metódico-juneca-é-mala, mas é meu mala querido e isso que diminuiu minha ansiedade em pelo menos 50% (e olha que ele nem sabe disso).
Quem vê acha que eu tava suuuuuussa...
............
O pessoal então chegou e todo mundo fez questão de me tranqüilizar e de tentar me deixar segura. Logo vi algumas meninas por ali, com bandagens nas mãos... e ficava tentando adivinhar com qual eu lutaria. E de repente, não mais que de repente, sensei Rato me avisa que vou lutar contra um cara. O dono da academia achou que mulher com mulher daria jacaré, e que iríamos acabar nos machucando. Mulher não leva na boa, é verdade, a rivalidade feminina é intensa pra caramba... o fato é que a partir daí, fiquei tão mais nervosa que tudo se guardou na minha memória sob o formato tênue dos flashes.
Pra cima!!
................
Eu me alongo. Me aqueço. Rodolfo sobe no ringue, dá um coro. Fotos. Vejo o Eder Jofre sentado ali no canto, meu estômago embrulha. Vejo meninas no ringue lutando contra homens, acho ridículo, fico com medo, tomo água. Tomo mais água, meu estômago dá pancadas na minha parede do tórax, meu coração reclama, sinto falta de alguém estar ali pra me apoiar. As meninas me apóiam e amenizam essa solidão.


Olha o braço do cara!
......................
Sensei me chama, me bota as luvas, entro em pânico e não demonstro. “Não vai chutar, hein”. Não vou chutar, não vou chutar, e essa galera toda olhando? Subo no ringue, cumprimento o maluco, o cara tem braços da grossura das minhas coxas, faz piada sobre eu não chutá-lo. Meu irmão, essa não é minha praia, mas eu juro que vou segurar as perninhas. O sino toca, a platéia se apaga, quero matar o cara. Acerto um, dois, três, tomo um, cinco, nove. O joelho sobe pra dar um hiza geri, abaixo a perna a tempo, tomo um direto no rosto. Ouço de longe a voz do sensei implorando por mais defesa. So sorry.

Apesar disso, deu pra fazer alguma coisa.

...............

Quando a luta acaba, e começo a ouvir os comentários, parabenizações, piadas sobre minha quase-joelhada, não sei se me sinto aliviada, orgulhosa ou humilhada. Minha baixa auto-estima suplica que eu enfie a cabeça na privada, mas meu espírito vence a disputa e fico ali com a galera vendo todo mundo mandar benzaço: Ligeirinho, Du, Renan, Tecchio, todo mundo abalou aquela academia.

Vacilou? Toma na testa.
..............

No fim do dia, eu acabei chorando e me sentindo mal, mas hoje dá pra ver, consultando aqueles flashes, que foi só a ansiedade e a adrenalina. A exposição. Foi a insegurança. No geral, e sensei concorda, fiz um ótimo trabalho. A raiva do cara ter decido o cacete em mim é mágoa projetada: eu fui agressiva, ele respondeu à altura. Chega de ser protegidinha.

O fofo do Eder Jofre assinou minha luva, me chamou de simpática e cantou o melô: Nana, neném, que o bicho vai pegar! (ele não me conhece...)

....................

Passado quase um mês desse evento, ainda olho as fotos com alguma emoção. Eu tava apavorada, mas não fugi da raia, e pra quem é portadora de um transtorno de ansiedade, isso é uma puta conquista. Em julho tem um campeonato e até lá vai ser mais expectativa.

Equipe Seiwakai: thank you all guys!!

...................

Sensei faz questão que eu me inscreva. Tem colocado a maior fé em mim. Em meio às implicâncias e às pegadas de pé, mostrou uma puta confiança e me deixou dando aula pra duas alunas novas da academia, que nem sabiam dar um soco. E depois que passei o treino pra elas, me parabenizou.
“Você leva jeito pra coisa. E tem mesmo que passar pra frente a ajuda que um dia te deram. É isso aí.”

É isso aí, sensei, passando pra frente.

É isso aí!

domingo, maio 10, 2009

A Bela e a Fera

Não é normal que alguém comece a chorar logo nos primeiros 30 segundos de um espetáculo. “A Bela e a Fera”, em cartaz no Teatro Abril desde o último dia 29, tem inegavelmente muito a ver com um determinado momento de vida que tenho passado.

É redundante dizer que um espetáculo é maravilhoso. Um como “A Bela e a Fera” merecia um outro tipo de definição. É aquele tipo de coisa que transcende qualquer expectativa, que leva às lágrimas pela beleza, que impressiona pela magnitude, que hipnotiza pela pureza. Desde os aspectos técnicos – estruturas de palco suntuosas, iluminação fantástica, figurinos totalmente dignos da Broadway – até as canções e interpretações tocantes de cada uma das personagens, o musical atinge emocionalmente qualquer ser humano minimamente sensível, de crianças a velhinhos.

Mas não. Chorar nos primeiros 30 segundos de apresentação não é normal, nem mesmo num espetáculo da Broadway. E mesmo agora, passados quase 40 minutos do fim do espetáculo, ainda tenho vontade de chorar. E eu sei exatamente porque.

Sentir-se fera num mundo de Gastons pode ser o pior sentimento do mundo. Não há nada mais triste e desolador do que se ver sozinho entre a multidão. E a sensação de ser finalmente compreendido, apesar de ter endurecido ao longo dos anos de solidão, pode ser a corda jogada ao afogado. É encontrar a redenção e resgatar a esperança há muito, muito tempo perdida.

Nem só de livros vive uma mulher. Nem só de poder e dinheiro pode viver uma fera. Nem só de caças e prêmios sobrevive um Gaston. Todos buscam aquilo que todos nós sempre buscamos: o amor cor-de-rosa dos contos de fadas. A ausência de amor pode tornar as pessoas esquisitas. Pode transformar um príncipe em fera, condenado a querer acreditar novamente na beleza do ser humano e a amar ao próximo. A metáfora da rosa vermelha dada pela feiticeira, neste caso, é a representação mais bela do amor romântico – vira-se fera de uma maneira irreversível quando a crença no amor se esvai.

A história está recheada de amor dos mais diferentes tipos – não só entre Bela e fera, mas entre pai e filha, mãe e filho (representado pela Sra. Potts e seu filho-xícara Chip), seres humanos e seres humanos. O amor que é amor por aceitar a fera que habita cada um de nós, os seres imperfeitos que somos e o que fazemos aqui, neste mundo que nos coisifica, transformando-nos quase em objetos. Nesse sentido, é interessante reparar que a história convoca algumas características humanas básicas – a vaidade que transformou a Sra. Cômoda; a meticulosidade que transforma Dindon em um relógio; o calor e afetuosidade de Lumière, o candelabro mais espirituoso dos contos de fadas.

Confesso que chorei do começo ao fim da apresentação. Tive que esperar bem uns minutinhos para levantar da poltrona, inchada como um tomate, e ir embora. Chorei por tudo – pela minha fera interior, pela Bela que também vive em mim. Pelo pai que já não vive comigo, pelos lobos que enfrento por aí. Chorei principalmente por mim e por todos os seres humanos coisificados por aí, preocupados demais com seus carros, lipoaspirações, contas de banco e academias de ginástica. Tão iludidos que só conseguem olhar para o mundo através de um espelho mágico chamado televisão, chamado livros, chamado musicais da Broadway.

É pra chorar. Pra ver, rever e chorar.

Sem se segurar.

PS: É bom que se diga: a história não é da Disney, e sim uma adaptação da história escrita em 1756 (sim, tem mais de 200 anos!) pela francesa Madame de Beaumont.

sexta-feira, maio 08, 2009

Razorblade (that´s what I call love)




Oh, the razorblade, that's what I call love,
I bet you'd pick it up and mess around with it
If I put it down
It gets extremely complicated.
Anything to forget everything.

You've got to take me out,
At least once a week
Whether I'm in your arms,
Or I'm at your feet.
I know exactly what you're thinking
You won't say it now
But in your heart it's loud

Oh no, my feelings are more important than yours.
Oh, drop dead, I don't care, I won't worry.
Let it go.

Oh, the razor blade,
Wish it would snap this rope
The world is in your hands
Or it's at your throat
At times it's not that complicated
Anything to forget everything.

He would never talk,
But he was not shy
She was a street-smart girl,
But she could not lie
They were perfect for each other
Say it now
'Cause in your heart it's loud

Oh no, my feelings are more important than yours
Oh, drop dead, I don't care, I won't worry

Hey!

Sweetheart, your feelings are more important of course
Of course
Everyone that wanted
Everything that we would take from them
I don't wanna know, I don't wanna know
Tell me, tell me, tell me, tell me

No, don't.
Okay

terça-feira, maio 05, 2009

Lobotomia


Mais um dia de Meredith Grey avaliando seu Dr. McDreammy.

E, mais uma vez, meu Dr. McDreammy dorme com sua Isabela-fucking-Rosselini, sem saber exatamente pra que lado seguir.

Quem conhece Grey´s Anatomy entende o que estou dizendo: nossos Doutores da Alegria gostam de navegar em águas conhecidas.

Eu realmente adoraria uma lobotomia parcial, nesse exato instante. Reza a medicina que o cérebro é quem governa o coração...

domingo, maio 03, 2009

O Rato, as Meninas e Além






O rato que andou frequentando minha casa de praia durante o último feriado pode ter tido um fim de vida perturbador. Não sei se pela caça incessante empreendida pelas Meninas (Hannah, Maya e Lona), ou se por outras mil possibilidades oferecidas pelo acaso, o fato é que todos os ratos são iguais, o que significa que, necessariamente, eu jamais saberei o que realmente aconteceu com aquele pequeno maldito roedor.

A questão é que, muito provavelmente, ele só devia estar atrás de um pouco de comida ou de abrigo, e apenas e tão somente por ser um rato, pode ter acabado entre os dentes de uma rottweiller babona pra caramba. Como quando nós vamos a uma pizzaria ou coisa do tipo, pegamos uma intoxicação alimentar e passamos dias vomitando e se dando mal à beça. Talvez se houvessem pizzarias para os ratos, eles não acabariam na nossa cozinha, e seus fins não seria tão trágicos.

A verdade é que uma simples mudança de perspectiva nos oferece um panorama totalmente diferente da situação. No fundo, um rato é apenas um bichinho qualquer que tenta ganhar a vida à sua maneira, o que pode significar entrar na casa de humanos e roubar pedacinhos mequetrefes de pão. Afinal, qual é o nosso problemas com os ratinhos? Não adoramos Mickey Mouse? E o Jerry?

E então, imagine você, alguém chega dentro da porcaria de pizzaria que você está, com uma vassoura enorme na mão ou uma panela apontada pra sua cabeça e você tem que fugir correndo dali sem ao menos saber por que. Talvez simplesmente porque sua cara peluda desagradou alguém por ali, você é o menor da turma e se deu mal. Só por isso.

E você sai da pizzaria e é perseguido por meia dúzia de brutamontes sanguinários doidos para sentir seus ossos estalando na boca. Tipo uns Carecas do ABC ou mesmo a polícia. Só não gostaram da sua cara, você é pobre ou preto, talvez extremamente obeso, e você tá é lascado pra caramba. É. A nossa polícia são as Meninas do povo, perseguindo nas cozinhas da vida bichinhos loucos por um pouquinho de pão, já que nas pizzarias eles são enxotados como ratos.

Fico pensando se tudo gira em torno da diferença de espécie, de classes ou se simplesmente o medo atiça a coragem dos valentões. Paradoxalmente, não é a ameaça que nos faz sucumbir à violência? Como um marido bebum que mete porrada na cara da mulher pra ela entender de uma vez por todas a não bater a porta da geladeira como se fosse da casa dela ou sei lá o que.

Aquele ratinho me fez pensar. A roda da vida gira incessantemente, sem parar, sempre no mesmo sentido. Ratos sempre serão ratos, perseguidos por gatos, caçados por cães criados e alimentados pelos homens. E acima de nós, quem é que está? Não quero nem pensar. Só faltava estarmos mesmo no topo da cadeia alimentar ou da droga do ciclo da vida. Dá vontade de ser um rato só pra não ter tanto peso acima das nossas cabeças. O ser humano é um bicho estúpido como o diabo e simplesmente não merecia essa posição de destaque. Mas então quem merecia essa posição?

Os ácaros. Pequenos, invisíveis, se alimentam de coisas que não fazem falta, não atrapalham ninguém e, mesmo quando precisam, agem no cúmulo do subterfúgio: eu estou espirrando pra chuchu, e não há nenhuma perspectiva dessa rinite acabar.

Pobre ratinho.

quinta-feira, abril 30, 2009

Humana, demasiado humana


É só isso que eu sou.

Um ser humano que persegue avidamente seu próprio destino, na eterna construção de um vir-a-ser. E se, como diz Lenine, o mundo espera de nós, a recíproca já não é mais verdadeira: já espero pouco do mundo.

Já pouco espero de todo mundo: honestidade, humildade, respeito e atitude. Não é pedir muito. Já não busco nenhum tipo de perfeição. Nem em mim, nem no outro, tampouco em nossas relações. Chegou o dia em que finalmente compreendi que a minha frustração nunca foi culpa de ninguém – não foi culpa do meu ex eu ter sido tratada como lixo, e sim minha, que permiti uma coisa dessas; também não foi culpa dos meus pais que me fizeram ser quem sou, como um dia acusei em análise, porque sempre tive oportunidade de escolha, inclusive enquanto pensava não estar escolhendo nada; nem foi culpa de professores rígidos, concursos de nota de corte elevada, pseudo-melhores amigas, bolos de chocolate nada lights. Jamais foi culpa do universo e sua eterna conspiração contra nós.

Amigo meu me disse: odeio ser humano. Ele se referia ao verbo ser – ele queria ser mais que isso. Quem sabe um Deus? Um semi-Deus? Um mito, talvez? Um bicho? Que encrenca, que responsabilidade, que perigo a falta de (i)limitações, que arriscado ser tão (im)potente! (Já imaginou um Deus que falha? É quase que ser somente humano. E bicho que morde? Bicho que morde vira bicho de rua.) Eu respondi que adorava ser-ser humano, posso errar à vontade, as falhas são todas permitidas, só devemos prestar contas a nós mesmos e a ninguém mais. E se você pensou no seu chefe, errou (e agradeça por ser humano e poder errar!): quem escolheu seu chefe foi você.

Alguém poderia dizer: eu não escolhi que fulano morresse, eu não escolhi perder meu emprego, eu não sabia que meu ex-namorado era assim, eu nem sempre vou poder mudar a realidade ao meu redor! Clap clap, muito bem, parece que andaram fazendo a lição de casa! Entretanto, como toda perfeccionista, te tiro um ponto na nota final – a maneira de vivenciar sua realidade é escolha sua e, por conseqüência, o jeito de sofrer é de sua inteira responsabilidade. Não pode mudar a realidade? Responsabilize-se, reformule-se, adapte-se - isso é exatamente o pouco que eu espero. O conformismo pode parecer adaptação, mas não é. É primo-irmão da resignação.

Está mais do que na hora de todo mundo largar mão desse papo furado de “não consigo”, inverter o jogo e atingir, finalmente, o meio-termo entre ser um zé mané sem pró-atividade e (tentar) ser super-herói e perfeito-perfeitinho. Sejamos apenas humanos, demasiado humanos! Que todo erro advenha sempre de uma tentativa de acertar, e que esta tentativa persista por quanto tempo o desejo mandar. Que se assumam todas as conseqüências. É como diz a propaganda: responsabilidade – passe adiante. E se não puder fazer tudo, faça tudo o que puder.

segunda-feira, abril 27, 2009

Antes e depois

It once worried me:


... but now I know this is not the real problem!


The wheel always turns...

Addicted


O problema é que a solidão vicia.

quarta-feira, abril 22, 2009

Exumação


Quando leio suas linhas ouço o som do silêncio. Como o silêncio que antecede as grandes explosões, aqui dentro, de novo, existem suas fagulhas. Leio você e a saudade me sufoca. Acredito em você. Sinto em você o que sinto de mim: cansei do tempo parar. Quero ver o tempo correr. Quero ver o mundo girar, quero dar a volta em torno dele segurando sua mão, querendo o mesmo destino. E quando menos espero, meus olhos ejetam lágrimas inesperadas, como um visitante indesejado que surge na soleira da porta no meio da madrugada. Vá embora de mim!, não quero molhar os travesseiros, olho meus olhos no espelho com vergonha do que sinto, das palavras que ecoam dentro de mim, quase escapando por minha boca e dedos – ESCOLHA A MIM! ME escolha. ME ame! Ame a mim, e nos dê a chance que jamais tivemos!

Volto a mim e respiro - nesse triângulo já conheço meu espaço, e sei que ocupo o menor dos vértices. Quero tudo, você diz, e eu só quero o bastante. Você me promete o momento – eu te digo que o momento é tudo o que enxergo! Mas cansei de acreditar que o que você pode me dar é justamente o que eu quero, porque sei que poderíamos ter tão mais. Poderíamos... tão mais... e eu sei que mereço tão mais. Eu sei que preciso de tão mais, e sei que você tem mais para dar, mas tudo isso parece tão bobo, tão arrogante diante do efeito que você produz... minha cabeça se enche de porquês. Mas não me sinto no direito de questionar sua felicidade, poderia parecer tanto recalque. Não me sinto no direito de subjugar quem ganha seu amor. Mas por que ressucitar um fantasma que já foi exorcisado? Se falta algo em você, por que não tentar a sorte e se arriscar nessa roleta russa emocional? O que temos a perder? Que diferença tudo isso fará dentro de 10 ou 15 anos? Por que não abandonar o medo do novo, o apego ao conhecido, e se jogar ao desconfortável, ao novo, ao temido? Por que não sofrer? Só pode sofrer aquele que vive!

A dor e o prazer são somente os dois lados da mesma moeda, a que eu decidi apostar no dia em que te conheci. Eu prefiro a ambivalência emocional e a minha agitação do que a profunda apatia que sinto por todos os outros desde quando dissemos nosso último adeus – eu sei que não foi o último, sei dentro de mim que vou passar por cima de mim mesma, vou rasgar minha proteção, vou soterrar meu orgulho debaixo desse furacão, vou roer minhas unhas de esmalte vermelho já meio descascado e vou morder os meu lábios durante cada segundo de cada quarta-feira, quarta-feira que é minha por direito!, enquanto esperar por você ali na Rua Áurea, enquanto esperar por um você que eu já sei – eu já sei que você não vai vir. Mas eu espero por você enquanto puder porque definitivamente jamais te enterrei, e não posso exumar um corpo que jamais pereceu.

Meu Deus, meu Deus, a que ponto cheguei? Sim – como podemos fazer sofrer alguém de quem tanto gostamos? Não tenho nada a perder, nem mesmo meu amor-próprio, e o meu ombro ainda queima com a marca dos seus dedos, e meus olhos ardem de tanto tentarem apagar sua imagem do fundo das minhas retinas. Por isso ainda espero você durante o tempo que esse enterro durar, quer encontrar sua cova fique à vontade, a trilha é tão clara, você sabe o caminho e as nossas condições - é melhor pagar logo o exorcista se não quiser ser repossuído.

quinta-feira, abril 16, 2009

No luck_so far

segunda-feira, abril 13, 2009

Extra, extra!!


Agora é oficial!!

Dia 25, na academia K2, a garota aqui irá realizar sua primeira luta de boxe!

Chamem os jornais! Chamem o Papa! Chamem o SAMU - eu resolvi dar, literalmente, minha cara a tapa.

Mas devagar com o andor: o pau não vai comer. A luta é muito mais demonstrativa do que de caráter competitivo, e na verdade eu vou apenas representar a Seiwakai num evento da K2 em que, reza a lenda, até o Eder Jofre vai estar presente!

Quem quiser dar uma olhada/uma força/umas risadas, pode aparecer por lá, sob a condição de se disfarçar muito bem. A presença de conhecidos irá, com toda certeza do mundo, me deixar extremamente nervosa, ansiosa, medrosa e outros "osas" do gênero.

Pra cima delas!! Rumo ao campeonato de junho (aí sim o bicho vai pegar)!!


Academia K2
Av. Luis Dumont Villares, 200 (próximo ao metrô Parada Inglesa, zona Norte)
25 de abril - a partir das 10h.
www.k2fitness.com.br


Como cães e gatos

Hoje, na Mundo Mundano


Cães e gatos são indiscutivelmente diferentes, e isso ninguém pode negar. Mas o fato é que ambos são animais, e assim possuem algo em comum - a convivência entre caninos e felinos só é tão complicada por causa de suas falhas de comunicação.

Enquanto os cães rosnam quando bravos e abanam o rabo quando felizes, com os gatos ocorre o inverso: quando felizes, os gatinhos ronronam. E se estão bravos, você logo percebe pelo movimento da cauda, que não para quieta. É claro que um cenário assim é favorável para os conflitos. Quando a comunicação é cruzada, como podem cães e gatos, gregos e troianos, homens e mulheres, falarem a mesma língua?

Se o que nos diferencia dos macacos é a nossa capacidade de controlar os impulsos e comunicar pensamentos e sentimentos através da linguagem oral, por que é que hoje em dia as pessoas praticamente não conseguem mais se comunicar? Por que todos gritam tanto? Será que os seres humanos estão perdendo, pouco a pouco, a habilidade de conversar?

Um caso clássico é o diálogo claramente desfuncional entre homens e mulheres, o que frequentemente geram nos homens a célebre dúvida: o que querem as mulheres? Não é de hoje que machos e fêmeas não se entendem, e isso fatalmente porque entram em jogo as questões emocionais.

No início do relacionamento, quando os instintos estão no comando, tudo vai muito bem. Mas espere dois seres essencialmente diferentes partirem para o plano afetivo e tentarem dialogar e o circo estará armado: a extrema subjetividade da mulher e o pragmatismo do homem são como rosnados e rabos abanando – a compreensão está condenada.

Enquanto para um homem é a comunicação verbal que conta (o conteúdo), para a mulher é muito mais significativo o tom de voz, o olhar ou, mais ainda, a história prévia do casal – se as coisas já não vão muito bem, a interpretação da mulher já estará negativamente predisposta.

A praticidade e objetividade do homem não colaboram para que suas expressões corporais/vocais sejam satisfatórias para a mulher que, por sua vez, se perde em meio à sua subjetividade, dando voltas e mais voltas em torno de si mesma, irritando os machos de plantão.

“Não foi isso que eu disse” é a frase mais comum entre homens e mulheres, e admito, do alto das minhas tamancas, que as mulheres tendem a complicar sim. E isso porque muita gente por aí não diz exatamente o que pensa, e se perde em meio aos floreios das justificativas tentando evitar possíveis mágoas. Eu, entusiasta da verdade, diria que frases do tipo “Não que eu...” são o Samsara da comunicação – uma forma de iludir e mascarar os verdadeiros conteúdos do diálogo.

Não é mais fácil dizer a verdade em apenas uma frase, em vez de ocupar todo um parágrafo? Isso não resolveria de vez as diferenças essenciais entre mulheres-cadelinhas e meninos-felinos (sem julgamentos nas associações!)?

Se entre cães e gatos a melhor alternativa é separá-los, entre homens e mulheres a coisa já não é tão simples. Talvez o melhor caminho seja não se levarem tão a sério e cortarem a prolixidade emocional. Valham-se de seus instintos, utilizando-se da transparência total e também da sutileza: o caminho do meio é sempre o mais sensato.

Dizem que só há espaço para o mau diálogo quando se afastam os corações - se for assim, acalmem-se, meninos e meninas! O equilíbrio e a boa comunicação moram ambas sob o mesmo teto: o da honestidade, da compaixão e da sensibilidade.

quarta-feira, abril 08, 2009


... but it´s wordless.

terça-feira, abril 07, 2009

24 horas

Meu estômago se retorce nas horas que antecedem o Grande Você.

Meu relógio me boicota: os segundos são tão lentos quando olho os ponteiros – se me descuido, as horas voam. Começo a rezar para que o tempo se estique.

Minha garganta aperta: terei eu palavras? Saberei os termos certos? Conseguirei falar além do trivial? Minha voz mudou, minha boca também, mas meu conteúdo é tão mesmo. Ainda penso o que pensava, ainda sinto o que sentia – temo não falar o que jamais falei.

Quando meu peito arfa e a pressão nos pulmões ameaça me derrubar, vou perdendo a coragem. Não quero que o tempo passe. Não quero mais te ver. Não quero mais te ouvir. Não quero sequer te sentir. Não quero mais te perder - fica assim deitado na minha memória, fica tua intenção suspensa no ar ao meu redor, fica esse gosto de será maldito acomodado nas minhas entranhas – não sei se agüento aquilo que for.

Tanto tempo roubado de mim, tanta história que eu não vivi, tantos textos escritos em vão. Foi tudo em vão? Nós fomos em vão? Você ao meu lado, isso quer dizer algo? Ou apenas e tão somente será esse o desfecho derradeiro, o golpe sagrado de misericórdia como o tambor da pistola rodando diante de um boi no abate?

O tempo escoa e minhas costas dóem. Tanto peso que preciso tirar. Tanta culpa pra te devolver. Tanto sentido para reencontrar. Será o mesmo você? Seus olhos serão os mesmos? Seu abraço será o mesmo? Que eu não trema em seus braços.

Que meus olhos não me traiam quando cruzarem os seus. Que minha alma não se exalte com o que for irreal. Que meu Eu saúde seu Eu como um ser amoroso que encontra o receptáculo de seu amor... e nada além. Eu e você Somente.

A pouco menos de 24 horas de encontrar você, sinto que me perdi mais um pouco...



segunda-feira, abril 06, 2009

Canalhas VS Bonzinhos


O senso comum diz: toda mulher adora um canalha. Todos os dias vemos por aí mulheres fantásticas sendo magoadas, geralmente por homens de pouco conteúdo ou de caráter duvidoso. Não demora muito para aquele encontro fantástico naquele bar bacanésimo se transformar numa mesa de quatro amigas onde se choram pitangas e outros tipos de frutas.

Os comentários tendem a serem os mesmos: ela é tão inteligente, bonita e boa pessoa que não deveria sofrer pelo canalha. Mas se esta é a verdade, o que eles estavam fazendo juntos? Onde estão os bonzinhos do mundo no momento em que uma mulher fabulosa decide abrir seu coração?

Será que as mulheres gostam mesmo de um bom sacana?

Minha amiga Helena* tem certeza disso. Um homem pode perdê-la em menos de 10 minutos se reunir, numa mesma frase, as palavras “relacionamento”, “filhos” e “religião”. Diz ela que curte mesmo é um bom ateu safado que, por não acreditar em nada, também não tem medo de nada nem sofre pressões de nenhum tipo.

Meu amigo Otávio* sempre me diz que ligar para a mulher no dia seguinte tem sido, nos últimos tempos, uma verdadeira polêmica. Isso porque enquanto muita mulher acha esse cuidado indispensável, tem um monte de outras que considera esse ato antiquado e bonzinho demais. Meu amigo ficou tão confuso que, juro, broxou no último encontro – tudo pra não se deparar com o problema do dia seguinte.

Eu sempre fui chegada num bad boy, apesar de ter plena consciência de que estar com eles não conduz a lugar nenhum, com exceção, muito provavelmente, do motel mais próximo. Por outro lado, estar com um canalha dá uma inflada no ego, porque no fundo, no fundo, a gente sabe que o canalha não passa de um troféu: ele geralmente é bonito e gostoso, masculino ao extremo, e não nos dá trabalho. É a derradeira conquista.

Nos últimos tempos, andei fazendo um esforço sobre-humano pra me livrar dos canalhas e prestar atenção nos bonzinhos. Desde médicos poligâmicos, passando por atletas burros e mentirosos, chegando a caiçaras arrogantes, meus últimos anos de solteira foram polvilhados de perfeitas fugas de paixões arrebatadoras por homens que não valiam um real. E eu realmente tentei gostar dos bonzinhos, muito embora eles nunca tivessem sido muito atraentes para mim.

Até um bonzinho se revelar um canalha e me machucar feio, e eu descobrir, como quem acha a fórmula mágica pra alguma equação cabeluda, que os bonzinhos e canalhas estão sempre se mascarando por aí, disfarçados dentro de nós sob a roupagem maldita da expectativa. Não é o cara que é canalha ou bonzinho, mas nós que os julgamos safados ou legais de acordo com as nossas expectativas.

E é por isso que um amigo meu que eu juro que é bonzinho é chamado de canalha por qualquer outra mulher que o conheça: eu sei exatamente o que esperar dele, e não peço nada além do real. Ele me satisfaz, e não me frustra – é bonzinho. Mas ele arrasa o coração de quem espera dele muito mais do que ele pode dar – e vira canalha.

Canalhas e bonzinhos habitam, ocultamente, o coração de todo ser humano, sendo este homem ou mulher. Todos possuímos, dentro de nós, potencialidades para sermos bacanas ou escrotos, e somente a gente mesmo pode julgar as motivações para uma ou outra atitude.

Portanto, mulheres, antes de taxarem o próximo marmanjo de canalha ou de bonzinho demais, consultem suas expectativas, suas escolhas e suas experiências anteriores: o canalha só é canalha mesmo com aquela que procura no outro aquilo que ele não pode lhe dar.

domingo, abril 05, 2009

Diálogo_O Grande Encontro



- Quer dizer que você entra no meu orkut e nem deixa um oi? Ah, assim não dá...

- Oi Nana! Andei te visitando no orkut né... Foi pra matar saudade. Tava lembrando tanto de você... Fiquei até preocupado, se tava tudo bem com você. Como é que vão as coisas?

- Preocupado? Por que motivo? Ta tudo bem por aqui. Mas engraçado, deve ter sido força do pensamento, também ando pensando em você. Como você ta? Saudade também. Bastante.

- É, fiquei só pensando em como você devia estar. Que bom que vai tudo bem, eu to legal também. No começo do ano foi meio turbulento, com trabalho, pós e a banda, mas agora as coisas estão mais tranqüilas. Sabe que curto muito estar em contato com você, sinto as coisas mais leves... Ia curtir muito te ver de novo! Que tal um café um dia desses?

- Ia ser muito legal, adoraria. Vamos sincronizar as agendas e combinamos. Beijo grande, no aguardo :)

- Ótimo! Ligo pra você no começo da semana então! Beijos e beijocas!


...



Deus atende nossas preces?

sexta-feira, abril 03, 2009

E do lado de cá...



Alguns dias se passaram desde que resolvi escrever pela última vez.

E neste meio tempo, perdi tudo o que já escrevi.

Cartas que não foram mandadas.
Poemas incompletos.
Rimas que jamais fiz.
Músicas inacabadas.
Projetos pela metade.
Sofrimentos inexpressados.

Já não tenho nada a dizer.
Apenas continuo desprezando aquilo que sempre desprezei.

É que hoje já não me tolero, justamente por não tolerar mais ninguém.


I'm tired of everyone I know
Of everyone I see
On the street
And on TV, yeah

On the other side
On the other side
Nobody's waiting for me
On the other side

I hate them all, I hate them all
I hate myself
For hating them
So drink some more
I'll love them all
I'll drink even more
I'll hate them even more than I did before

On the other side
On the other side
Nobody's waiting for me
On the other side

Here we go

I remember when you came
You taught me how to sing
Now, it seems so far away
You taught me how to sing

I'm tired of being so judgemental
Of everyone
I will not go to sleep
I will train my eyes to see
That my mind is this blood as a birch on a tree

On the other side
On the other side
I know what's waiting for me
On the other side

On the other side
On the other side
I know you're waiting for me
On the other side