Como diz uma amiga minha, “lei do engano, darling”. Pode não parecer, mas ser psicólogo é como padecer no paraíso – como fazer as pessoas finalmente se enxergarem como deveriam? Como mostrar para alguém algo que está bem na sua cara, mas oculto pelo véu das ilusões? Como instrumentalizar professores super bem-intencionados a lidar melhor com seus alunos de inclusão sem parecer intrometida? Como fazer uma mãe superprotetora entender que seu pequeno filhinho pré-adolescente precisa aprender a ir ao banheiro sozinho?
Estas e outras questões tão pesadas quanto estão presentes na maior parte dos meus dias. Ser psicóloga é hiper gratificante, pois não tem sensação no mundo igual a você ver um ser humano aprender a ser mais feliz. É tudo de bom, mas é super ultra mega max giga jam cansativo. Mentalmente, é extenuante.
E é por isso que, quando chega julho, eu quase entro em mania de tão feliz: meus pacientinhos entram em férias escolares e eu finalmente posso descansar um cadim. Sincronizar a agenda com os pacientes do consultório geralmente é um trabalho árduo – mas eu finalmente consegui e a partir deste feriado já entro em recesso “escolar”.
Sem viagens fantásticas (apesar de ter sido a idéia inicial) – apenas 10 deliciosos e idílicos dias na praia na companhia da minha família, de amigos e das Meninas-Caninas. Não interessa se vai fazer sol; o mar gelado não me preocupa nem um pouco; o vento absurdo típico da Ilha em mês de julho não é nenhum problema: tudo o que eu quero é ESVAZIAR A MENTE.
Meditação, corrida, escrita, leitura, sono, gastronomia, risada, conversa... e, plis Universo, o mínimo de problemas possível. De preferência, adoraria poder ficar em silêncio os 10 dias (impossível, considerando a mistura Mamis + Landão + Ires + Pati + ilhéus diversos).
Então eu deixo o silêncio pro próximo Carnaval e saio neste feriado tirando férias de tudo: de pacientes, de escolas, de mães difíceis, de gatinhos indecisos, do ringue, de uma parte da família, de amigos, da(s) minha(s) própria(s) terapia(s) e quiçá de mim mesma. Abandono aqui minhas vestes de psicóloga, minhas luvas de kickboxer, minha fala diplomática e meu saquinho murcho de Jó.
Eventuais posts poderão ser avistados. Meus amigos blogueiros, bom feriado a todos. Eu peço uma coisa só: se em 10 dias eu não estiver de volta... por favor, me deixem por lá!




























