domingo, maio 31, 2009

Could'a, Would'a, Should'a...

quarta-feira, maio 27, 2009

O pior primeiro encontro do mundo



Minha amiga Ariana* está solteira há séculos. Embora ela finja estar tudo bem, seu verdadeiro incômodo com a solidão acabou por aparecer no dia em que ela aceitou um convite para sair com um carinha que vinha paquerando ela já há alguns meses, mas pelo qual não sabia exatamente se se sentia atraída.

Quando ela me contou que sairia com o moço, cujo apelido era Zoeira, conversamos seriamente. E, entre racionalizações, piadas e justificativas, ela enfim me convenceu de que era uma boa idéia. No dia do encontro, esperei ansiosa por seu telefonema e notícias sobre o programa.

Ela escolheu o filme e eles combinaram ali, num cinema da Paulista. A sessão era às 17h00 de um domingo, o que significava sessão cheia. Assim, ficaram de se encontrar lá pelas 16h00, pra poder conversar um pouquinho antes de ver o filme e ainda garantir os ingressos. As 16h00 em ponto Ariana estava lá e nada do rapaz. Conforme o relógio tiquetaqueava, ela foi ficando aflita, a fila foi aumentando, e, por fim, ela decidiu comprar os ingressos de uma vez, pra garantir um lugar no filme.

Minha amiga já estava na fila há mais ou menos meia hora quando o camarada foi aparecer, lá pelas 10 pra cinco, com um super bafo de cachaça. “Cachaça não”, me confidenciou ela – “sabe quando fica só o cheiro do álcool etílico?” Ele se desculpou e botou a culpa em alguns amigos “da favela lá do bairro” (sic), que insitiram que a carne que ele fazia na churrasqueira era a melhor que eles já tinham comido na vida. Então ele ficara lá de chef cook e acabara tomando umas, e por isso havia se atrasado. “Perdão, linda”, ele dissera com cara de arrependido.

Embora Ariana tivesse ficado um pouco tensa com o ocorrido, resolveu não dar muita bola. Conversaram animadamente, ele contou sobre o churras “na laje” (sic) e enfim entraram no cinema.

- E foi aí que comecei a me irritar. Ele não calou a boca, do começo ao fim do filme. Falava alto e tava com aquele bafo. E ficava contando umas coisas sobre quando ele trabalhava de assistente social no Nordeste, e eu te garanto que isso não tinha nada a ver com o filme.

Ao saírem da sessão, ele sugeriu uma cervejinha ali na esquina da Joaquim Eugênio. Ela topou, estava um puta dum calor naquele dia. E, de repente, o encontro começou a ir por água abaixo.

- Eu estava falando sobre uma exposição lá na galeria e sobre o artista, que era esquizofrênico. De repente ele começa a criticar a saúde pública e a dizer que, QUANDO ELE TINHA DADO UMA PIRADA DE TANTO SE DROGAR, quase o levaram a força internado. Eu procurei saber o que tinha acontecido, mas quando vi, ele já estava falando de um outro assunto. Foi infernal. Cada vez que eu tentava falar alguma coisa, ele lembrava de alguma coisa muito louca, muito importante ou muito triste que tinha rolado com ele. Foi quando ele disse que quase tinha sido preso e aí eu comecei a ficar seriamente preocupada.

O enrosco não parara por aí. Minha amiga jurava que não sabia de onde tinha vindo aquele apelido, Zoeira, porque o cara não tinha nada de engraçado. “Ele devia ter o apelido de Umbigo, ou de Careta, porque além do papo ter sido super tenso, ele só sabia falar dele”.

Minha amiga nunca se sentira tão ignorada, deprimida e irritada na vida. A um dado momento, o cara começara a contar sobre sua formação em Ciências Sociais, e sobre seus conhecimentos em latim.

- O cara me interrompia o tempo todo. Ficava tentando me convencer com aquele papo intelectualóide, defendendo o PT, o MST e outros caras polêmicos. E quando eu arrisquei a dizer que política boa era utopia, temi pela minha garganta – ele me chamou de burguesa, citou Marx e começou a dizer de onde vinha a palavra utopia. Me passou a maior lição de moral, me explicou uma dúzia de palavras novas em latim, e eu me senti numa merda duma palestra de Direito Social.

Num dado momento, Ariana sentiu que ia explodir. Parou de responder. Só fazia “aham”. Quando o cara perguntou sua opinião sobre o modo de governo de Botswana ou algo do tipo, ela estourou e acabou por dizer, num fôlego só, que a África devia ser uma merda, que ela estava irritada demais, que ele era egocêntrico, ela nunca havia sido menos percebida na vida e que ele tinha uma puta dificuldade de dialogar.

Na verdade, eu tenho DDAH” – confidenciou então ele, para iniciar outro monólogo triste e perturbador sobre sua dificuldade de aprendizagem e outros conflitos em época escolar devido ao Distúrbio de Déficit de Atenção e Hiperatividade.

- Não aguentei e disse que precisava ir para casa. Não era nem dez horas da noite e eu resolvi pedir a conta. Ele se ofereceu pra pagar, mas adivinha?

- Não...

- O cartão dele não passava. Acabei pagando a conta e ele ainda me pediu uma carona até um bar ali do lado, que ele ia emendar uma balada. Larguei ele ali perto da Rebouças e nunca me senti tão aliviada na vida.

- Ainda bem que durou pouco.

- Não acabou ainda. Umas duas horas depois ele me liga pra contar que foi atropelado por uma bicicleta enquanto atravessava a rua, torcera o pulso e estava em casa fazendo compressa de gelo.

- Fofinho, vai... querendo te contar as coisas...

- O cacete. Ele ainda não tinha terminado de falar dele mesmo. Essas merdas só acontecem comigo.

Desde então Ariana não marcou mais encontros, temendo dar de cara com mais alguma aberração. O tal rapaz voltou a chamá-la para sair, e após inventar mais um monte de desculpas, acabou falando na lata que não estava mais afim.

Alguns dias depois, conversando com ela, ela deixou escapar que o Zoeira tinha sido o último cara com quem ficara, e não pude deixar passar despercebido que a parte do beijo tinha sido ocultada. Poderia ter questionado, feito “ahá!” e investigado mais a fundo, arrancando detalhes possivelmente sórdidos. Por consideração e afeto, deixei passar batido e responsabilizei a carência, essa maldita, por ainda assim ela ter beijado o cara, talvez esperando que ele ainda virasse príncipe.

Ontem, ao encontrar Ariana, revelei que pensara em transformar o encontro em texto, e que não estava me lembrando muito bem de onde ela havia conhecido o Zoeira.

- Ele é amigo daquele meu ex-namorado, sabe aquele que me traiu com minha melhor amiga?

Ahá! Diz-me com quem andas, Ariana, e te direi quem és. Não haveria, por algum acaso, alguma palavra ou expressão em latim pra definir o acontecido?

Omni Omni Lupus... o homem é o lobo do homem!, diria provavelmente o Zueira...


domingo, maio 24, 2009

postumum


Nada se encaixa com delicadeza no lugar vazio que você deixou. Restaram pedaços e fotografias nas quais você não se encontra; dias riscados em um calendário já esmaecido pelo tempo. No buraco desolador que um dia você ocupou, o vazio denso e impenetrável das minhas memórias habita fielmente, em homenagem póstuma ao nosso abandono.

Suas saudades deixam grandes lições. E grandes lições deixam, inexoravelmente, profundas cicatrizes. Esta que criamos oprime meu peito com tanta intensidade que é quase que como se você jamais tivesse existido - a dor da sua ausência é como a retirada de um velho móvel em um quarto antigo: tudo o que restam são marcas no tapete, manchas amarelas na parede, indícios de uma ocupação distante. Traços indiscretos de uma felicidade jamais concretizada, as evidências inegáveis do crime atroz que foi cometido aqui dentro. O lembrete perene do que não pode ser recuperado.

Se foi. Suas lembranças se espalham sob a forma cinzenta de memórias do que nunca existiu, sentimentos vagos que teimam em ruminar, a resistência implacável de se deixar esvaziar do que um dia foi como a única réstia de luz num aposento escuro, a iluminar as sombras existentes dentro de cada um de nós.

Neste momento, restaram as trevas – nada se pode ver a não ser a ausência desta luz. Persigo suas chamas e suas cinzas restantes aqui dentro de mim, enquanto me pego a sentir saudades das histórias que nunca vivemos, lúcidas como sempre, mais reais do que nunca, e que interrompem meu fôlego quando fecho meus olhos e procuro por você. Aqui dentro já não te acho. Não existe mais nada a perder, já que nunca houve nada que pude verdadeiramente ganhar.

segunda-feira, maio 18, 2009

O Braço

Existe algo de seriamente errado quando alguém sente vontade de beijar o braço de um desconhecido em pleno metrô, numa das maiores cidades do mundo como São Paulo. Assim, sem mais nem menos, um braço estranho, do cotovelo pra baixo, parece realmente atraente, convidativo, acolhedor, e então você deseja dar uma bela bitoca ou quem sabe uma mordida naquele antebraço.

É definitivamente digno de internação. E sim, aconteceu comigo.

Seria esse braço uma fuga da enorme carência que acomete os paulistanos que, em seu dia-a-dia atribulado, marcham rumo a seus empregos/famílias/meios de sobrevivência, sem entrar realmente em contato com o ambiente ao seu redor? Seria este braço apenas e tão somente um símbolo de um braço-direito que está ali para que você se apóie durante os percalços de seu dia-a-dia? Ou seria este braço apenas a única fonte de um cheiro minimamente mais suportável do que o do mendigo velho e bêbado atrás de você?

Justificativas. Apenas justificativas que encontro para explicar a bizarria de uma situação destas: o desejo de beijar o braço de um completo desconhecido num metrô meio ensebado. Não olhei seu rosto; não perguntei seu nome. Não sabia de onde vinha, em absoluto. Era apenas um braço sem corpo, sem história, que eu queria desesperadamente agarrar, apertar, morder, deixar junto de mim.

A que ponto se chega devido à falta de contato físico? Sequer sei dizer se o braço era de um homem ou de uma mulher. Porque, a bem da verdade, tanto faz se o contato físico, o toque, venha de um homem, de uma mulher, ou de uma criança. Tanto faz se existe ou não segundas intenções – não estou falando de sexo, seus pequenos pervertidos, e sim do toque entre seres humanos, do contato que nos faz sair de uma bolha, uma câmara hiperbárica isoladora, uma capa entre você e o resto do mundo.

Porque se a maioria das pessoas está acostumada ao toque físico em seu dia-a-dia, os meus andam absolutamente intocáveis, sem ironia nenhuma. Não toco meus pacientes. Não tenho tocado muito minha família, nem eles a mim, com exceção, talvez, do meu irmãozinho de 2 anos, o qual vejo ocasionalmente. E se o objetivo em meus treinos de kickboxing é acertar o adversário, é minha tarefa também não deixa-los encostar em mim. Transformei minha vida num ringue, ou num consultório de psicoterapia constante?

Todos os estudos mais recentes comprovam a importância do toque físico em um bebê recém nascido. Prive-o deste contato e lá virá bomba – teorias sobre o autismo infantil tocam (de novo?) nesse ponto delicado. E quanto aos adultos? E quanto a mim? Estarei eu desenvolvendo, em algum grau, um tipo de autismo tardio, devido a uma espécie de câmara hiperbárica subjetiva, como se eu fosse portadora de alguma doença gravemente contagiosa?

Minha terapeuta disse: é um desejo bonito querer beijar o braço de alguém no metrô. Aham. Eu sei que ela se refere ao desejo do contato e tudo e tal, mas já eu considero um ato desesperado de busca de afeto. Para que fique bem claro, é legal eu dizer que não beijei o braço do estranho. Humilhada pelos meus sentimentos e pensamentos, segurei meu impulso, ignorei o braço, voltei para casa e amarguei uma dor de cabeça pelo resto do dia, responsável por me deixar isolada num quarto escuro e silencioso (minha própria câmara hiperbárica?) até que minha cabeça voltasse ao seu estado normal.

Não sei se foi um impulso bonito, desesperado, carente ou incitado pelo fedor horrendo do mendigo atrás de mim. Mas, de qualquer forma, me recordei da terapia do abraço da minha mãe: é melhor eu começar a dar meus 6 abraços diários, se não quiser ser presa por assédio sexual pela Guarda Civil Metropolitana...

A verdade é que, quando você se sente sozinho, até mesmo o metrô parece acolhedor e aconchegante. E é por isso que, por via das dúvidas, essa quinta-feira eu vou no forró. O autêntico rala-coxa.

(sim, talvez eu devesse fazer terapia mais vezes por semana)

quinta-feira, maio 14, 2009

Fight Fever! OSSU!

A filosofia do passe-pra-frente é uma das características marcantes que as artes marciais de origem oriental têm. Um dá para o outro o que um dia recebeu, e isso significa que eu tive o super maior mega blaster apoio da minha equipe de kickboxing no dia do evento na K@2.


Convidados Seiwakai: Renan, Du, Eu, Rodolfo, Thiago, Rafa e Tecchio.
......
Eu estava ULTRA nervosa neste dia, cheguei na academia sozinha e o pessoal nem tinha chegado ainda. E porque Deus é bom pra caramba comigo, bem nesse momento recebi a ligação do meu queridíssimo Juneca, que está sempre por dentro da minha vida “atlética”. Ficamos ali papeando então, ele me desejando boa sorte do seu jeito super técnico-metódico-juneca-é-mala, mas é meu mala querido e isso que diminuiu minha ansiedade em pelo menos 50% (e olha que ele nem sabe disso).
Quem vê acha que eu tava suuuuuussa...
............
O pessoal então chegou e todo mundo fez questão de me tranqüilizar e de tentar me deixar segura. Logo vi algumas meninas por ali, com bandagens nas mãos... e ficava tentando adivinhar com qual eu lutaria. E de repente, não mais que de repente, sensei Rato me avisa que vou lutar contra um cara. O dono da academia achou que mulher com mulher daria jacaré, e que iríamos acabar nos machucando. Mulher não leva na boa, é verdade, a rivalidade feminina é intensa pra caramba... o fato é que a partir daí, fiquei tão mais nervosa que tudo se guardou na minha memória sob o formato tênue dos flashes.
Pra cima!!
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Eu me alongo. Me aqueço. Rodolfo sobe no ringue, dá um coro. Fotos. Vejo o Eder Jofre sentado ali no canto, meu estômago embrulha. Vejo meninas no ringue lutando contra homens, acho ridículo, fico com medo, tomo água. Tomo mais água, meu estômago dá pancadas na minha parede do tórax, meu coração reclama, sinto falta de alguém estar ali pra me apoiar. As meninas me apóiam e amenizam essa solidão.


Olha o braço do cara!
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Sensei me chama, me bota as luvas, entro em pânico e não demonstro. “Não vai chutar, hein”. Não vou chutar, não vou chutar, e essa galera toda olhando? Subo no ringue, cumprimento o maluco, o cara tem braços da grossura das minhas coxas, faz piada sobre eu não chutá-lo. Meu irmão, essa não é minha praia, mas eu juro que vou segurar as perninhas. O sino toca, a platéia se apaga, quero matar o cara. Acerto um, dois, três, tomo um, cinco, nove. O joelho sobe pra dar um hiza geri, abaixo a perna a tempo, tomo um direto no rosto. Ouço de longe a voz do sensei implorando por mais defesa. So sorry.

Apesar disso, deu pra fazer alguma coisa.

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Quando a luta acaba, e começo a ouvir os comentários, parabenizações, piadas sobre minha quase-joelhada, não sei se me sinto aliviada, orgulhosa ou humilhada. Minha baixa auto-estima suplica que eu enfie a cabeça na privada, mas meu espírito vence a disputa e fico ali com a galera vendo todo mundo mandar benzaço: Ligeirinho, Du, Renan, Tecchio, todo mundo abalou aquela academia.

Vacilou? Toma na testa.
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No fim do dia, eu acabei chorando e me sentindo mal, mas hoje dá pra ver, consultando aqueles flashes, que foi só a ansiedade e a adrenalina. A exposição. Foi a insegurança. No geral, e sensei concorda, fiz um ótimo trabalho. A raiva do cara ter decido o cacete em mim é mágoa projetada: eu fui agressiva, ele respondeu à altura. Chega de ser protegidinha.

O fofo do Eder Jofre assinou minha luva, me chamou de simpática e cantou o melô: Nana, neném, que o bicho vai pegar! (ele não me conhece...)

....................

Passado quase um mês desse evento, ainda olho as fotos com alguma emoção. Eu tava apavorada, mas não fugi da raia, e pra quem é portadora de um transtorno de ansiedade, isso é uma puta conquista. Em julho tem um campeonato e até lá vai ser mais expectativa.

Equipe Seiwakai: thank you all guys!!

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Sensei faz questão que eu me inscreva. Tem colocado a maior fé em mim. Em meio às implicâncias e às pegadas de pé, mostrou uma puta confiança e me deixou dando aula pra duas alunas novas da academia, que nem sabiam dar um soco. E depois que passei o treino pra elas, me parabenizou.
“Você leva jeito pra coisa. E tem mesmo que passar pra frente a ajuda que um dia te deram. É isso aí.”

É isso aí, sensei, passando pra frente.

É isso aí!

domingo, maio 10, 2009

A Bela e a Fera

Não é normal que alguém comece a chorar logo nos primeiros 30 segundos de um espetáculo. “A Bela e a Fera”, em cartaz no Teatro Abril desde o último dia 29, tem inegavelmente muito a ver com um determinado momento de vida que tenho passado.

É redundante dizer que um espetáculo é maravilhoso. Um como “A Bela e a Fera” merecia um outro tipo de definição. É aquele tipo de coisa que transcende qualquer expectativa, que leva às lágrimas pela beleza, que impressiona pela magnitude, que hipnotiza pela pureza. Desde os aspectos técnicos – estruturas de palco suntuosas, iluminação fantástica, figurinos totalmente dignos da Broadway – até as canções e interpretações tocantes de cada uma das personagens, o musical atinge emocionalmente qualquer ser humano minimamente sensível, de crianças a velhinhos.

Mas não. Chorar nos primeiros 30 segundos de apresentação não é normal, nem mesmo num espetáculo da Broadway. E mesmo agora, passados quase 40 minutos do fim do espetáculo, ainda tenho vontade de chorar. E eu sei exatamente porque.

Sentir-se fera num mundo de Gastons pode ser o pior sentimento do mundo. Não há nada mais triste e desolador do que se ver sozinho entre a multidão. E a sensação de ser finalmente compreendido, apesar de ter endurecido ao longo dos anos de solidão, pode ser a corda jogada ao afogado. É encontrar a redenção e resgatar a esperança há muito, muito tempo perdida.

Nem só de livros vive uma mulher. Nem só de poder e dinheiro pode viver uma fera. Nem só de caças e prêmios sobrevive um Gaston. Todos buscam aquilo que todos nós sempre buscamos: o amor cor-de-rosa dos contos de fadas. A ausência de amor pode tornar as pessoas esquisitas. Pode transformar um príncipe em fera, condenado a querer acreditar novamente na beleza do ser humano e a amar ao próximo. A metáfora da rosa vermelha dada pela feiticeira, neste caso, é a representação mais bela do amor romântico – vira-se fera de uma maneira irreversível quando a crença no amor se esvai.

A história está recheada de amor dos mais diferentes tipos – não só entre Bela e fera, mas entre pai e filha, mãe e filho (representado pela Sra. Potts e seu filho-xícara Chip), seres humanos e seres humanos. O amor que é amor por aceitar a fera que habita cada um de nós, os seres imperfeitos que somos e o que fazemos aqui, neste mundo que nos coisifica, transformando-nos quase em objetos. Nesse sentido, é interessante reparar que a história convoca algumas características humanas básicas – a vaidade que transformou a Sra. Cômoda; a meticulosidade que transforma Dindon em um relógio; o calor e afetuosidade de Lumière, o candelabro mais espirituoso dos contos de fadas.

Confesso que chorei do começo ao fim da apresentação. Tive que esperar bem uns minutinhos para levantar da poltrona, inchada como um tomate, e ir embora. Chorei por tudo – pela minha fera interior, pela Bela que também vive em mim. Pelo pai que já não vive comigo, pelos lobos que enfrento por aí. Chorei principalmente por mim e por todos os seres humanos coisificados por aí, preocupados demais com seus carros, lipoaspirações, contas de banco e academias de ginástica. Tão iludidos que só conseguem olhar para o mundo através de um espelho mágico chamado televisão, chamado livros, chamado musicais da Broadway.

É pra chorar. Pra ver, rever e chorar.

Sem se segurar.

PS: É bom que se diga: a história não é da Disney, e sim uma adaptação da história escrita em 1756 (sim, tem mais de 200 anos!) pela francesa Madame de Beaumont.

sexta-feira, maio 08, 2009

Razorblade (that´s what I call love)




Oh, the razorblade, that's what I call love,
I bet you'd pick it up and mess around with it
If I put it down
It gets extremely complicated.
Anything to forget everything.

You've got to take me out,
At least once a week
Whether I'm in your arms,
Or I'm at your feet.
I know exactly what you're thinking
You won't say it now
But in your heart it's loud

Oh no, my feelings are more important than yours.
Oh, drop dead, I don't care, I won't worry.
Let it go.

Oh, the razor blade,
Wish it would snap this rope
The world is in your hands
Or it's at your throat
At times it's not that complicated
Anything to forget everything.

He would never talk,
But he was not shy
She was a street-smart girl,
But she could not lie
They were perfect for each other
Say it now
'Cause in your heart it's loud

Oh no, my feelings are more important than yours
Oh, drop dead, I don't care, I won't worry

Hey!

Sweetheart, your feelings are more important of course
Of course
Everyone that wanted
Everything that we would take from them
I don't wanna know, I don't wanna know
Tell me, tell me, tell me, tell me

No, don't.
Okay

terça-feira, maio 05, 2009

Lobotomia


Mais um dia de Meredith Grey avaliando seu Dr. McDreammy.

E, mais uma vez, meu Dr. McDreammy dorme com sua Isabela-fucking-Rosselini, sem saber exatamente pra que lado seguir.

Quem conhece Grey´s Anatomy entende o que estou dizendo: nossos Doutores da Alegria gostam de navegar em águas conhecidas.

Eu realmente adoraria uma lobotomia parcial, nesse exato instante. Reza a medicina que o cérebro é quem governa o coração...

domingo, maio 03, 2009

O Rato, as Meninas e Além






O rato que andou frequentando minha casa de praia durante o último feriado pode ter tido um fim de vida perturbador. Não sei se pela caça incessante empreendida pelas Meninas (Hannah, Maya e Lona), ou se por outras mil possibilidades oferecidas pelo acaso, o fato é que todos os ratos são iguais, o que significa que, necessariamente, eu jamais saberei o que realmente aconteceu com aquele pequeno maldito roedor.

A questão é que, muito provavelmente, ele só devia estar atrás de um pouco de comida ou de abrigo, e apenas e tão somente por ser um rato, pode ter acabado entre os dentes de uma rottweiller babona pra caramba. Como quando nós vamos a uma pizzaria ou coisa do tipo, pegamos uma intoxicação alimentar e passamos dias vomitando e se dando mal à beça. Talvez se houvessem pizzarias para os ratos, eles não acabariam na nossa cozinha, e seus fins não seria tão trágicos.

A verdade é que uma simples mudança de perspectiva nos oferece um panorama totalmente diferente da situação. No fundo, um rato é apenas um bichinho qualquer que tenta ganhar a vida à sua maneira, o que pode significar entrar na casa de humanos e roubar pedacinhos mequetrefes de pão. Afinal, qual é o nosso problemas com os ratinhos? Não adoramos Mickey Mouse? E o Jerry?

E então, imagine você, alguém chega dentro da porcaria de pizzaria que você está, com uma vassoura enorme na mão ou uma panela apontada pra sua cabeça e você tem que fugir correndo dali sem ao menos saber por que. Talvez simplesmente porque sua cara peluda desagradou alguém por ali, você é o menor da turma e se deu mal. Só por isso.

E você sai da pizzaria e é perseguido por meia dúzia de brutamontes sanguinários doidos para sentir seus ossos estalando na boca. Tipo uns Carecas do ABC ou mesmo a polícia. Só não gostaram da sua cara, você é pobre ou preto, talvez extremamente obeso, e você tá é lascado pra caramba. É. A nossa polícia são as Meninas do povo, perseguindo nas cozinhas da vida bichinhos loucos por um pouquinho de pão, já que nas pizzarias eles são enxotados como ratos.

Fico pensando se tudo gira em torno da diferença de espécie, de classes ou se simplesmente o medo atiça a coragem dos valentões. Paradoxalmente, não é a ameaça que nos faz sucumbir à violência? Como um marido bebum que mete porrada na cara da mulher pra ela entender de uma vez por todas a não bater a porta da geladeira como se fosse da casa dela ou sei lá o que.

Aquele ratinho me fez pensar. A roda da vida gira incessantemente, sem parar, sempre no mesmo sentido. Ratos sempre serão ratos, perseguidos por gatos, caçados por cães criados e alimentados pelos homens. E acima de nós, quem é que está? Não quero nem pensar. Só faltava estarmos mesmo no topo da cadeia alimentar ou da droga do ciclo da vida. Dá vontade de ser um rato só pra não ter tanto peso acima das nossas cabeças. O ser humano é um bicho estúpido como o diabo e simplesmente não merecia essa posição de destaque. Mas então quem merecia essa posição?

Os ácaros. Pequenos, invisíveis, se alimentam de coisas que não fazem falta, não atrapalham ninguém e, mesmo quando precisam, agem no cúmulo do subterfúgio: eu estou espirrando pra chuchu, e não há nenhuma perspectiva dessa rinite acabar.

Pobre ratinho.

quinta-feira, abril 30, 2009

Humana, demasiado humana


É só isso que eu sou.

Um ser humano que persegue avidamente seu próprio destino, na eterna construção de um vir-a-ser. E se, como diz Lenine, o mundo espera de nós, a recíproca já não é mais verdadeira: já espero pouco do mundo.

Já pouco espero de todo mundo: honestidade, humildade, respeito e atitude. Não é pedir muito. Já não busco nenhum tipo de perfeição. Nem em mim, nem no outro, tampouco em nossas relações. Chegou o dia em que finalmente compreendi que a minha frustração nunca foi culpa de ninguém – não foi culpa do meu ex eu ter sido tratada como lixo, e sim minha, que permiti uma coisa dessas; também não foi culpa dos meus pais que me fizeram ser quem sou, como um dia acusei em análise, porque sempre tive oportunidade de escolha, inclusive enquanto pensava não estar escolhendo nada; nem foi culpa de professores rígidos, concursos de nota de corte elevada, pseudo-melhores amigas, bolos de chocolate nada lights. Jamais foi culpa do universo e sua eterna conspiração contra nós.

Amigo meu me disse: odeio ser humano. Ele se referia ao verbo ser – ele queria ser mais que isso. Quem sabe um Deus? Um semi-Deus? Um mito, talvez? Um bicho? Que encrenca, que responsabilidade, que perigo a falta de (i)limitações, que arriscado ser tão (im)potente! (Já imaginou um Deus que falha? É quase que ser somente humano. E bicho que morde? Bicho que morde vira bicho de rua.) Eu respondi que adorava ser-ser humano, posso errar à vontade, as falhas são todas permitidas, só devemos prestar contas a nós mesmos e a ninguém mais. E se você pensou no seu chefe, errou (e agradeça por ser humano e poder errar!): quem escolheu seu chefe foi você.

Alguém poderia dizer: eu não escolhi que fulano morresse, eu não escolhi perder meu emprego, eu não sabia que meu ex-namorado era assim, eu nem sempre vou poder mudar a realidade ao meu redor! Clap clap, muito bem, parece que andaram fazendo a lição de casa! Entretanto, como toda perfeccionista, te tiro um ponto na nota final – a maneira de vivenciar sua realidade é escolha sua e, por conseqüência, o jeito de sofrer é de sua inteira responsabilidade. Não pode mudar a realidade? Responsabilize-se, reformule-se, adapte-se - isso é exatamente o pouco que eu espero. O conformismo pode parecer adaptação, mas não é. É primo-irmão da resignação.

Está mais do que na hora de todo mundo largar mão desse papo furado de “não consigo”, inverter o jogo e atingir, finalmente, o meio-termo entre ser um zé mané sem pró-atividade e (tentar) ser super-herói e perfeito-perfeitinho. Sejamos apenas humanos, demasiado humanos! Que todo erro advenha sempre de uma tentativa de acertar, e que esta tentativa persista por quanto tempo o desejo mandar. Que se assumam todas as conseqüências. É como diz a propaganda: responsabilidade – passe adiante. E se não puder fazer tudo, faça tudo o que puder.

segunda-feira, abril 27, 2009

Antes e depois

It once worried me:


... but now I know this is not the real problem!


The wheel always turns...

Addicted


O problema é que a solidão vicia.

quarta-feira, abril 22, 2009

Exumação


Quando leio suas linhas ouço o som do silêncio. Como o silêncio que antecede as grandes explosões, aqui dentro, de novo, existem suas fagulhas. Leio você e a saudade me sufoca. Acredito em você. Sinto em você o que sinto de mim: cansei do tempo parar. Quero ver o tempo correr. Quero ver o mundo girar, quero dar a volta em torno dele segurando sua mão, querendo o mesmo destino. E quando menos espero, meus olhos ejetam lágrimas inesperadas, como um visitante indesejado que surge na soleira da porta no meio da madrugada. Vá embora de mim!, não quero molhar os travesseiros, olho meus olhos no espelho com vergonha do que sinto, das palavras que ecoam dentro de mim, quase escapando por minha boca e dedos – ESCOLHA A MIM! ME escolha. ME ame! Ame a mim, e nos dê a chance que jamais tivemos!

Volto a mim e respiro - nesse triângulo já conheço meu espaço, e sei que ocupo o menor dos vértices. Quero tudo, você diz, e eu só quero o bastante. Você me promete o momento – eu te digo que o momento é tudo o que enxergo! Mas cansei de acreditar que o que você pode me dar é justamente o que eu quero, porque sei que poderíamos ter tão mais. Poderíamos... tão mais... e eu sei que mereço tão mais. Eu sei que preciso de tão mais, e sei que você tem mais para dar, mas tudo isso parece tão bobo, tão arrogante diante do efeito que você produz... minha cabeça se enche de porquês. Mas não me sinto no direito de questionar sua felicidade, poderia parecer tanto recalque. Não me sinto no direito de subjugar quem ganha seu amor. Mas por que ressucitar um fantasma que já foi exorcisado? Se falta algo em você, por que não tentar a sorte e se arriscar nessa roleta russa emocional? O que temos a perder? Que diferença tudo isso fará dentro de 10 ou 15 anos? Por que não abandonar o medo do novo, o apego ao conhecido, e se jogar ao desconfortável, ao novo, ao temido? Por que não sofrer? Só pode sofrer aquele que vive!

A dor e o prazer são somente os dois lados da mesma moeda, a que eu decidi apostar no dia em que te conheci. Eu prefiro a ambivalência emocional e a minha agitação do que a profunda apatia que sinto por todos os outros desde quando dissemos nosso último adeus – eu sei que não foi o último, sei dentro de mim que vou passar por cima de mim mesma, vou rasgar minha proteção, vou soterrar meu orgulho debaixo desse furacão, vou roer minhas unhas de esmalte vermelho já meio descascado e vou morder os meu lábios durante cada segundo de cada quarta-feira, quarta-feira que é minha por direito!, enquanto esperar por você ali na Rua Áurea, enquanto esperar por um você que eu já sei – eu já sei que você não vai vir. Mas eu espero por você enquanto puder porque definitivamente jamais te enterrei, e não posso exumar um corpo que jamais pereceu.

Meu Deus, meu Deus, a que ponto cheguei? Sim – como podemos fazer sofrer alguém de quem tanto gostamos? Não tenho nada a perder, nem mesmo meu amor-próprio, e o meu ombro ainda queima com a marca dos seus dedos, e meus olhos ardem de tanto tentarem apagar sua imagem do fundo das minhas retinas. Por isso ainda espero você durante o tempo que esse enterro durar, quer encontrar sua cova fique à vontade, a trilha é tão clara, você sabe o caminho e as nossas condições - é melhor pagar logo o exorcista se não quiser ser repossuído.

quinta-feira, abril 16, 2009

No luck_so far

segunda-feira, abril 13, 2009

Extra, extra!!


Agora é oficial!!

Dia 25, na academia K2, a garota aqui irá realizar sua primeira luta de boxe!

Chamem os jornais! Chamem o Papa! Chamem o SAMU - eu resolvi dar, literalmente, minha cara a tapa.

Mas devagar com o andor: o pau não vai comer. A luta é muito mais demonstrativa do que de caráter competitivo, e na verdade eu vou apenas representar a Seiwakai num evento da K2 em que, reza a lenda, até o Eder Jofre vai estar presente!

Quem quiser dar uma olhada/uma força/umas risadas, pode aparecer por lá, sob a condição de se disfarçar muito bem. A presença de conhecidos irá, com toda certeza do mundo, me deixar extremamente nervosa, ansiosa, medrosa e outros "osas" do gênero.

Pra cima delas!! Rumo ao campeonato de junho (aí sim o bicho vai pegar)!!


Academia K2
Av. Luis Dumont Villares, 200 (próximo ao metrô Parada Inglesa, zona Norte)
25 de abril - a partir das 10h.
www.k2fitness.com.br


Como cães e gatos

Hoje, na Mundo Mundano


Cães e gatos são indiscutivelmente diferentes, e isso ninguém pode negar. Mas o fato é que ambos são animais, e assim possuem algo em comum - a convivência entre caninos e felinos só é tão complicada por causa de suas falhas de comunicação.

Enquanto os cães rosnam quando bravos e abanam o rabo quando felizes, com os gatos ocorre o inverso: quando felizes, os gatinhos ronronam. E se estão bravos, você logo percebe pelo movimento da cauda, que não para quieta. É claro que um cenário assim é favorável para os conflitos. Quando a comunicação é cruzada, como podem cães e gatos, gregos e troianos, homens e mulheres, falarem a mesma língua?

Se o que nos diferencia dos macacos é a nossa capacidade de controlar os impulsos e comunicar pensamentos e sentimentos através da linguagem oral, por que é que hoje em dia as pessoas praticamente não conseguem mais se comunicar? Por que todos gritam tanto? Será que os seres humanos estão perdendo, pouco a pouco, a habilidade de conversar?

Um caso clássico é o diálogo claramente desfuncional entre homens e mulheres, o que frequentemente geram nos homens a célebre dúvida: o que querem as mulheres? Não é de hoje que machos e fêmeas não se entendem, e isso fatalmente porque entram em jogo as questões emocionais.

No início do relacionamento, quando os instintos estão no comando, tudo vai muito bem. Mas espere dois seres essencialmente diferentes partirem para o plano afetivo e tentarem dialogar e o circo estará armado: a extrema subjetividade da mulher e o pragmatismo do homem são como rosnados e rabos abanando – a compreensão está condenada.

Enquanto para um homem é a comunicação verbal que conta (o conteúdo), para a mulher é muito mais significativo o tom de voz, o olhar ou, mais ainda, a história prévia do casal – se as coisas já não vão muito bem, a interpretação da mulher já estará negativamente predisposta.

A praticidade e objetividade do homem não colaboram para que suas expressões corporais/vocais sejam satisfatórias para a mulher que, por sua vez, se perde em meio à sua subjetividade, dando voltas e mais voltas em torno de si mesma, irritando os machos de plantão.

“Não foi isso que eu disse” é a frase mais comum entre homens e mulheres, e admito, do alto das minhas tamancas, que as mulheres tendem a complicar sim. E isso porque muita gente por aí não diz exatamente o que pensa, e se perde em meio aos floreios das justificativas tentando evitar possíveis mágoas. Eu, entusiasta da verdade, diria que frases do tipo “Não que eu...” são o Samsara da comunicação – uma forma de iludir e mascarar os verdadeiros conteúdos do diálogo.

Não é mais fácil dizer a verdade em apenas uma frase, em vez de ocupar todo um parágrafo? Isso não resolveria de vez as diferenças essenciais entre mulheres-cadelinhas e meninos-felinos (sem julgamentos nas associações!)?

Se entre cães e gatos a melhor alternativa é separá-los, entre homens e mulheres a coisa já não é tão simples. Talvez o melhor caminho seja não se levarem tão a sério e cortarem a prolixidade emocional. Valham-se de seus instintos, utilizando-se da transparência total e também da sutileza: o caminho do meio é sempre o mais sensato.

Dizem que só há espaço para o mau diálogo quando se afastam os corações - se for assim, acalmem-se, meninos e meninas! O equilíbrio e a boa comunicação moram ambas sob o mesmo teto: o da honestidade, da compaixão e da sensibilidade.

quarta-feira, abril 08, 2009


... but it´s wordless.

terça-feira, abril 07, 2009

24 horas

Meu estômago se retorce nas horas que antecedem o Grande Você.

Meu relógio me boicota: os segundos são tão lentos quando olho os ponteiros – se me descuido, as horas voam. Começo a rezar para que o tempo se estique.

Minha garganta aperta: terei eu palavras? Saberei os termos certos? Conseguirei falar além do trivial? Minha voz mudou, minha boca também, mas meu conteúdo é tão mesmo. Ainda penso o que pensava, ainda sinto o que sentia – temo não falar o que jamais falei.

Quando meu peito arfa e a pressão nos pulmões ameaça me derrubar, vou perdendo a coragem. Não quero que o tempo passe. Não quero mais te ver. Não quero mais te ouvir. Não quero sequer te sentir. Não quero mais te perder - fica assim deitado na minha memória, fica tua intenção suspensa no ar ao meu redor, fica esse gosto de será maldito acomodado nas minhas entranhas – não sei se agüento aquilo que for.

Tanto tempo roubado de mim, tanta história que eu não vivi, tantos textos escritos em vão. Foi tudo em vão? Nós fomos em vão? Você ao meu lado, isso quer dizer algo? Ou apenas e tão somente será esse o desfecho derradeiro, o golpe sagrado de misericórdia como o tambor da pistola rodando diante de um boi no abate?

O tempo escoa e minhas costas dóem. Tanto peso que preciso tirar. Tanta culpa pra te devolver. Tanto sentido para reencontrar. Será o mesmo você? Seus olhos serão os mesmos? Seu abraço será o mesmo? Que eu não trema em seus braços.

Que meus olhos não me traiam quando cruzarem os seus. Que minha alma não se exalte com o que for irreal. Que meu Eu saúde seu Eu como um ser amoroso que encontra o receptáculo de seu amor... e nada além. Eu e você Somente.

A pouco menos de 24 horas de encontrar você, sinto que me perdi mais um pouco...



segunda-feira, abril 06, 2009

Canalhas VS Bonzinhos


O senso comum diz: toda mulher adora um canalha. Todos os dias vemos por aí mulheres fantásticas sendo magoadas, geralmente por homens de pouco conteúdo ou de caráter duvidoso. Não demora muito para aquele encontro fantástico naquele bar bacanésimo se transformar numa mesa de quatro amigas onde se choram pitangas e outros tipos de frutas.

Os comentários tendem a serem os mesmos: ela é tão inteligente, bonita e boa pessoa que não deveria sofrer pelo canalha. Mas se esta é a verdade, o que eles estavam fazendo juntos? Onde estão os bonzinhos do mundo no momento em que uma mulher fabulosa decide abrir seu coração?

Será que as mulheres gostam mesmo de um bom sacana?

Minha amiga Helena* tem certeza disso. Um homem pode perdê-la em menos de 10 minutos se reunir, numa mesma frase, as palavras “relacionamento”, “filhos” e “religião”. Diz ela que curte mesmo é um bom ateu safado que, por não acreditar em nada, também não tem medo de nada nem sofre pressões de nenhum tipo.

Meu amigo Otávio* sempre me diz que ligar para a mulher no dia seguinte tem sido, nos últimos tempos, uma verdadeira polêmica. Isso porque enquanto muita mulher acha esse cuidado indispensável, tem um monte de outras que considera esse ato antiquado e bonzinho demais. Meu amigo ficou tão confuso que, juro, broxou no último encontro – tudo pra não se deparar com o problema do dia seguinte.

Eu sempre fui chegada num bad boy, apesar de ter plena consciência de que estar com eles não conduz a lugar nenhum, com exceção, muito provavelmente, do motel mais próximo. Por outro lado, estar com um canalha dá uma inflada no ego, porque no fundo, no fundo, a gente sabe que o canalha não passa de um troféu: ele geralmente é bonito e gostoso, masculino ao extremo, e não nos dá trabalho. É a derradeira conquista.

Nos últimos tempos, andei fazendo um esforço sobre-humano pra me livrar dos canalhas e prestar atenção nos bonzinhos. Desde médicos poligâmicos, passando por atletas burros e mentirosos, chegando a caiçaras arrogantes, meus últimos anos de solteira foram polvilhados de perfeitas fugas de paixões arrebatadoras por homens que não valiam um real. E eu realmente tentei gostar dos bonzinhos, muito embora eles nunca tivessem sido muito atraentes para mim.

Até um bonzinho se revelar um canalha e me machucar feio, e eu descobrir, como quem acha a fórmula mágica pra alguma equação cabeluda, que os bonzinhos e canalhas estão sempre se mascarando por aí, disfarçados dentro de nós sob a roupagem maldita da expectativa. Não é o cara que é canalha ou bonzinho, mas nós que os julgamos safados ou legais de acordo com as nossas expectativas.

E é por isso que um amigo meu que eu juro que é bonzinho é chamado de canalha por qualquer outra mulher que o conheça: eu sei exatamente o que esperar dele, e não peço nada além do real. Ele me satisfaz, e não me frustra – é bonzinho. Mas ele arrasa o coração de quem espera dele muito mais do que ele pode dar – e vira canalha.

Canalhas e bonzinhos habitam, ocultamente, o coração de todo ser humano, sendo este homem ou mulher. Todos possuímos, dentro de nós, potencialidades para sermos bacanas ou escrotos, e somente a gente mesmo pode julgar as motivações para uma ou outra atitude.

Portanto, mulheres, antes de taxarem o próximo marmanjo de canalha ou de bonzinho demais, consultem suas expectativas, suas escolhas e suas experiências anteriores: o canalha só é canalha mesmo com aquela que procura no outro aquilo que ele não pode lhe dar.

domingo, abril 05, 2009

Diálogo_O Grande Encontro



- Quer dizer que você entra no meu orkut e nem deixa um oi? Ah, assim não dá...

- Oi Nana! Andei te visitando no orkut né... Foi pra matar saudade. Tava lembrando tanto de você... Fiquei até preocupado, se tava tudo bem com você. Como é que vão as coisas?

- Preocupado? Por que motivo? Ta tudo bem por aqui. Mas engraçado, deve ter sido força do pensamento, também ando pensando em você. Como você ta? Saudade também. Bastante.

- É, fiquei só pensando em como você devia estar. Que bom que vai tudo bem, eu to legal também. No começo do ano foi meio turbulento, com trabalho, pós e a banda, mas agora as coisas estão mais tranqüilas. Sabe que curto muito estar em contato com você, sinto as coisas mais leves... Ia curtir muito te ver de novo! Que tal um café um dia desses?

- Ia ser muito legal, adoraria. Vamos sincronizar as agendas e combinamos. Beijo grande, no aguardo :)

- Ótimo! Ligo pra você no começo da semana então! Beijos e beijocas!


...



Deus atende nossas preces?