quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Ou quer que eu desenhe?

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Rap do Adeus

Atacando de Mc Naninha!
Perdoem a falta de estilo e experiência, fui influenciada pelo som constante em meu carro...
A falta de concordância verbal e nominal, os erros de português e as gírias estão presentes para se adequarem ao estilo 'periférico' do tema.
Licença poética, pode ser? :)

RAP DO ADEUS

Era tipo uma paixão, daquelas de televisão
Em que os anos vão passando e não rola erosão
Mesmo longe, a presença um no outro era forte
E um dia tinham dito, junto tamo até a morte
Três anos se passaram, e mesmo estando com outra
Não largava do pé dela, mesmo todos sendo contra
Iludiu, encantou, encheu ela de esperança
Tipo assim, quando se dá um doce para uma criança
Disse que amava, que sonhava, que queria mais que tudo,
E quando viu que ela queria, se mostrou um vagabundo
O cara chega e diz (meu irmão, presta atenção!),

'Aí, eu menti, não te amo mais não
Era carência, era apego, e não a porra da paixão
As coisa acaba aqui, muda aqui minha previsão
Dá o fora, bonequinha, hoje aqui eu sou Tigrão!'
Depois ainda vacila, dá uma de cusão,
Ofende tua família, teus amigos, teus irmão,
Joga pro ar suas crenças e te vira do avesso
Mostrando que homem só muda mesmo de endereço

Uns dias depois vem balançando o rabinho,
Retirando o que disse, tipo assim, bem bonzinho,
Se faz de desentendido, ô dó, coitadinho
Diz que nunca queria que tudo fosse assim
Que não queria que o que disse fosse o fim
Que ela era referência em sua vidinha vazia
E que nada daquilo era de fato - não valia

E a mina trouxa, mesmo assim quase caiu,
Pensou no prego, achou que curte, sua família tudo viu
Que dentro dela ainda era forte, o coração batia a mil
Quando leu suas palavras, seu ar quase sumiu
Pensou em dar pra trás, perdoar aquele vadio
Mas pela ofensa ou vergonha, ou pela humilhação
Talvez por amor próprio, pra poupar seu coração
Deu adeus àquele jogo de suja sedução
Pôs um fim em mais um ciclo de pura obsessão

Num lampejo de razão, se levantou e disse não!
E se lembrou de um verso, feito por um irmão
'Me humilhar não vai, vai tirar o caralho,
Levanta teu rabo MESQUINHO e sai!'

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Hoje eu ODIEI São Paulo

Pois é, quem ainda não sabia que eu sou volúvel?

Ontem de madrugada cheguei em São Paulo odiando mais do que nunca a mesma cidade que me encantou alguns dias atrás. E a sensação de estar de volta a Gothan City não passou nem perto de ‘estar em casa’. Pelo contrário, é como se eu estivesse viajando e chegando num lugar onde eu não queria estar. E a de ter deixado meu verdadeiro lar para trás.

Já há alguns anos penso em sair de São Paulo, e me mudar de mala e cuia pra Ilhabela, cidade onde praticamente nasci e vivi toda a minha infância. A cidade mais pacata do mundo fora de temporada, e a que, na verdade, guarda meu coração, além da maioria das minhas histórias e amores.


Certas coisas de fato não têm preço, e viver uma vida colorida é uma delas. Ter qualidade de vida no seu cotidiano, outra. Criar seu filhos (imaginários, por enquanto) num lugar mais seguro e bonito, outra maior ainda. Viver junto à Mãe Terra... ah...


Às voltas com este pensamento, me pego imaginando uma vida ideal. Acordar, ter um trabalho honesto e que me traga tranqüilidade financeira. Nada de mais, nunca fui materialista, apenas ganhar o suficiente para poder pagar minhas contas e poder tomar uma coisinha de vez em quando. Poder caminhar a beira do mar quando enfim o descanso pudesse ser aproveitado, curtir uma praia aos fins de semana, ou um frio e chuva batendo nas árvores a 2 metros de mim. Poder ver algumas estrelas no céu de vez em quando. Receber os amigos e oferecer meu lar, minha casa, minha cidade, para aqueles que a valorizam.


Na realidade, em palavras, isso não parece nada de mais. É impossível traduzir em palavras a mudança que se dá em mim estando aqui e estando lá. A irritação, a tensão, o nervosismo, o mau humor que me dominam cada vez que estou ‘sampando’. E a leveza de espírito quando estou lá.
Diversas vezes as pessoas me perguntam se eu conseguiria mesmo viver em um lugar tão pacato... e eu própria me questiono sobre como seria abrir mão de certas coisas que só mesmo a cidade grande proporciona: vida social intensa, cinema na esquina de casa, Mc Donald´s em cada bairro. Mas isso é muito? Qual a escala de valores que as pessoas usam para definir o que é bom mesmo e o que é meramente circunstancial?


São dilemas básicos, que podem ser traduzidos em uma simples confrontação: natureza menos luxo pode resultar em felicidade?


O que você escolheria? Uma prancha nova ou um PlayStation de Natal para seus filhos?


Um quintal macio e verde com tatus-bola ou um playground de areia com um trepa-trepa?


Uma noite de amor no Harmony, com ofurô aquecido, ou numa praia meio mambembe, com teto solar natural?


Tem todo o lance do apego à minha família... consigo eu viver sem ver as carinhas de minha mana e minha mãe todos os dias? Consigo me limitar a vê-las de fim de semana? 200 km separam o litoral de nossa capital... consigo eu atravessar essa distância em virtude de um sentimento que, a princípio, bateria todo santo dia de meu Deus? Ou será que aí sim eu valorizaria as pessoas queridas que tenho ao meu redor, ao invés de às vezes trata-las como cachorros, simplesmente por estar irritada com o fato de não respirar muito bem nessa metrópole maluca?


Muitas questões, poucas respostas, ações menos ainda.


Pé no freio, vida real, pois por enquanto o semáforo encontra-se vermelho.


Alô, Nana, tem alguém aí? Ou seu espírito gnomo, como a sábia Marli definiu, já está lá novamente?


Muitos desejos, poucas realizações, coragem menos ainda.


Vai crescer? Ta difícil? Quer moleza senta na gelatina...
A vida é uma só, e somos responsáveis por toda a felicidade ou tristeza que dela advém... seja ela referente à uma cidade especial, um relacionamento traumático, uma mudança de emprego. Falta coragem? Pra ser feliz?


Eu estou fazendo a minha escolha.


E você? Quando vai fazer a sua?

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Hoje eu amei São Paulo

Ontem eu fui pra praia, e voltando pra São Paulo, amaldiçoei Gothan City. Passando por Cubatão, com aquelas chaminés cuspindo fumaça, eu me senti num cenário tipo assim, SinCity, sabe como é?
E detestei morar em São Paulo.

Mas hoje, caminhando na Av. Paulista rumo ao Reino de Piratópolis, mais conhecido como Stand Center, eu vi um besouro voando no céu.

Sim! Um besouro!

Foi como ver uma luz no fim do túnel, e perceber que, no meio destes arranha-céus, ainda existe alguma vida selvagem.

Uns 30 metros pra frente, notei uma plantinha, um pequeno brotinho de algum tipo de mato ou praga vegetal, crescendo entre uma fissura no concreto da calçada. Nessa hora então eu quase chorei. É a natureza vencendo a guerra.

E ali, andando na Paulista, em meio a executivos, proletariados, banqueiros e mendigos, ouvindo SNJ e cantarolando “Se tu lutas tu conquistas é tipo assim...” eu me senti invadida por um sentimento enorme de amor pelo mundo, de amor pelas pessoas, de vontade de dar 100 reais pro mendigo bêbado da esquina comprar um mé, e de pegar no colo aquele cachorrinho fofo e cheio de sarna que me seguiu por um tempo. Vontade de sorrir pra todo mundo sem me importar se correria o risco de escutar baixarias, e de ter 10 milhões pra pagar o tratamento daquela mulher que tem câncer e usa máscara de Michael Jackson na esquina da Rua Antônio Carlos.

Senti vontade de abraçar aquele pivete neguinho que olhou pra mim com cara de fome, de trazer ele pra casa e dar sorvete na boca dele, sem ter medo de ele ter uma dúzia de manos parceiros que viriam correndo roubar o meu apê.

O mais impressionante foi que, ao ser invadida por este sentimento, eu me peguei olhando pra Paulista com carinho e devoção, afinal ela já foi palco de tantas histórias da minha vida.

O Parque Trianon, onde eu costumava ir fumar um cigarro escondida do segurança da porta do Dante, ali na saída da Peixoto Gomide. O ponto de ônibus em frente ao Center 3, onde eu e uma amiga uma vez conhecemos uma garota muito louca que nos apresentou uma parte da vida que geraria histórias durante muitos anos. O antigo Subway, onde matei tantas laricas. A esquina da Joaquim Eugênio de Lima, onde uma vez um quadro foi pintado sob a mira de 4 olhos apaixonados.

Tanta história! Tanta coisa... O Mambo Bazar, onde já cometi pequenos delitos e vi meu professor gato de Inglês andando com uma sunga tipo gay assumidaço, e me decepcionei. A Casa das Rosas, o Masp, onde vi meu primeiro Monet e me apaixonei pelo Impressionismo... puta que pariu!

Então eu cheguei em casa, olhei pela minha janela gradeada, vi uma dúzia de outros prédios, e lá na frente, uma andorinha, que mesmo assim, sozinha, fazia o verão dela. Sorri... ‘se tu lutas tu conquistas tipo essas...’
São Paulo... amada por uns, odiada por outros... leva o nome de um santo, que até hoje protegeu a cidade de ser dominada como tantas vezes tememos. A cidade que abriga uma diversidade enorme de raças, culturas, crenças, e que permite que ainda possamos ver o sol surgir ou a Serra do Japi lá no fundinho, onde estaria o horizonte. A cidade que é cheia de conhecimentos, de ignorância, tecnologia, de circunstâncias às quais sobrevivemos... cidade de parques, de bairros, de vilas, de vielas, de comunidades, de músicas, de fé, de fuga. De gírias, de medo, de pesadelos, Vaz de Lima...

Hoje eu amei São Paulo. Tipo um delírio... eu não via nada, apenas a cidade, apenas o meu lar.

Com suas cores cinzas, seu becos e periferias, com sua pobreza típica de megalópole. Hoje eu amei a 5ª maior cidade do mundo, e fiz parte dela como nunca havia feito. Me senti parte do cenário, mais uma cabeça, mais um pontinho no pontilhismo urbano da minha cidade, mais uma pessoa entre tantas outras, entre tantas histórias, e senti que nenhuma das maiores infelicidades é tamanha perto do tamanho dessa cidade que é São Paulo.

Porque hoje, e somente hoje, eu vi um besouro voar no céu...

terça-feira, janeiro 23, 2007

ANTÔNIMOS

Me peguei pensando nas coisas que, de tão diferentes entre si, mas por versarem sobre o mesmo contexto, são tão difíceis de serem distinguidas umas das outras. Elaborei uma lista das que considerei mais difíceis, daquelas que mais se confundem em momentos que, ABSOLUTAMENTE não deveriam ser confundidas. Uma coisa é uma coisa, outra coisa, é outra coisa!

- realidade X fantasia
- magreza X saúde
- paixão X tesão
- amor-próprio X auto-boicote
- admiração X idolatria
- orgulho próprio X medo
- moderação X restrição
- desejo X capricho
- amor X apego
- razão X racionalização
- desconfiança X paranóia
- amizade X carinho
- modelo X idealização
- intimidade X invasão
- dieta X regime
- orientação X manipulação
- cansaço X hipotireoidismo
- humildade X insegurança
- mudança X fuga
- atração X fixação
- segurança X arrogância
- ciúme X doença
- romantismo X ilusão
- preguiça X depressão
- fome X gula
- ambição X ganância
- criatividade X loucura
- realismo X amargura
- perfeccionismo X obsessão
- conforto X rotina
- cautela X Transtorno Obsessivo-Compulsivo
- críticas X inveja

E, claro, como não poderia faltar, verdade... versus mentira!

segunda-feira, janeiro 22, 2007

A VERDADE, A MENTIRA, E UM BLOG

Ter um blog não é nada fácil. Quem tem um sabe o quanto às vezes a gente tem medo de expor ali uma emoção, um medo, um sentimento, uma história.

Ter um blog não é nada mais do que projetar sua cabeça para fora, traduzir em palavras uma cacetada de sentimentos (muitas vezes por não ter uma outra opção), pra poder depois visualizá-los ali, já organizados, já com um sentido tendo sido dado. Um blog é um espelho.

Infelizmente, há quem diga que blog é exibicionismo. Há quem diga que é Big Brother, há quem chame de ridículo. Existem ainda aqueles que simplesmente não conseguem ser tão francos consigo mesmo para concretizar e botar em palavras coisas que, a princípio, só existem dentro de nós, e que não entendem que, muitas vezes, o que fica dentro de nós simplesmente não existe se não pode ser visualizado.

Penso que aqueles que acham tão fácil julgar, condenar e ainda botar uma pena de morte em cima de textos tão honestos e gentis, são simplesmente pessoas que absolutamente não têm coragem de olhar para dentro de si mesmos. Já dizia Freud que aquilo o que criticamos nos outros é o que mais odiamos em nós mesmos, e, geralmente, uma grande incapacidade de fazer igual. Pois acho que, aqueles que me julgam tanto por escrever aqui meus pensamentos, simplesmente não têm coragem de admitir para si mesmos os seus próprios sentimentos e reflexões, e que guardam em si um medo extremo de perda do auto-controle.

Botar sentimentos, pensamentos e ações em palavras escritas, registradas e publicadas, é a forma mais honesta e corajosa de compromisso, de assumir suas próprias atitudes. É quase que como lavrar em cartório aquilo que sente, é colocar de forma definitiva e concreta, e dizer ‘sim, é tudo verdade, é assim que me sinto, pode autenticar’. Num blog não existem segredos.

Infelizmente existem aqueles que não compreendem. E aqueles que julgam.

Um blog é um diário pessoal, e nada, nem ninguém, pode julgá-lo. Talvez se eu tivesse saco de escrever a mão, eu manteria um diário manuscrito, mas hoje, essa é forma que melhor se encaixa na minha vida, e além do mais, modéstia a parte, sei que escrever é uma arte, e o que é arte deve ser compartilhado.

Se querer compartilhar textos bem escritos - e aqui me falta modéstia novamente - for encarado como exibicionismo, como querer escancarar ao mundo histórias pessoais, então sinceramente não sei o que significa liberdade.

Se abrir minha cabeça e permitir que outros entrem e compartilhem, entrem e me ajudem, entre e opinem, é traição, então não sei mais o significado da palavra MENTIRA. E pelo visto, nem da palavra VERDADE.

Àqueles que não suportam a verdade, e preferem viver em um mundo de mentiras e comodismo, peço gentilmente que não adentrem este meu universo particular, fechem esta janela do seu browser, e gentilmente saiam, deixando que aqui a verdade se expresse, pois aqui não existe espaço para mentiras. E mentirosos e acomodados, mentirosos e covardes, mentirosos e inescrupulosos, simplesmente não são bem-vindos. Nem aqui, nem em minha vida.
A porta se fecha aqui, com um pedido mais do que sincero: RESPEITO é tudo o que se tem, portanto, por favor, respeitem, não julguem, e olhem mais para as próprias vidas antes de julgar a minha.

terça-feira, janeiro 16, 2007

A hora e a vez do Ziriguidum

Há bem pouco tempo, eu estava reclamando da chatice que são as comemorações de fim de ano. O verdadeiro porre que é a frase “Feliz Natal e Próspero Ano-Novo”, repetida aos potes a partir do dia 1º de dezembro, e sobre como a única coisa boa desta época é que é a única época do ano que vendem Chocotone. (Juro, depois do Reveillon, os Chocotones baixam de preço e a mulherada ataca, ignorando as calorias com a desculpa da promoção! Quando você vai ver, não restou um único item no mercado! Ok, em abril tem Colomba Pascal, mas Colomba Pascal não é igual a Chocotone e nem existe tipo mousse!)

Passado o fim do ano, já comecei a ouvir os rufares de tambores, anunciando o Carnaval.

Bah!

Carnaval pode ser lindo, os desfiles uma loucura e o sambão também é bem bão, mas ninguém pode dizer que esse clima meio febril de festa não chega a ser meio irritante. Principalmente quando se é mulher e somos bombardeadas por imagens de Globelezas lindas e de bundas incrivelmente duras, sem vestígios quaisquer de estrias ou celulites. Existe coisa mais irritante do que bunda dura?

Quem não gosta de cerveja então está fodido, pra usar um bom português carnavalesco. Se bem que estar fodido em pleno Carnaval é o que a maioria das pessoas mais quer, pois não é justamente nesta época do ano que se (re)iniciam as campanhas pelo sexo seguro, distribuição de camisinhas com embalagens festivas e avisos quanto ao Boa-Noite-Cinderela? No Carnaval tá tudo liberado, incluindo a bunda da sogra e comer a amiga da namorada.

Os adeptos do Axé então se esbaldam como nunca! É trio elétrico pra cá, Ivete Sangalo pra lá, abadás na Avenida Sete, cerveja quente caindo no seu pé e uma cotovelada com o braço direito pra afugentar os tarados. Virgem Santíssima! Uma delícia!

Há quem diga que o Carnaval é a época do pecado, e que só depois do Carnaval é que a vida começa de verdade e você pode se redimir das doideras cometidas naqueles idílicos 5 dias. Então surgem grandes mutirões de religiosos fazendo missas, rezas e retiros espirituais (que, sem ofensa, me parecem mais uma maneira de se defender da vontade pecaminosa de se render a uma boa caipirinha e à batucada de nossos tantãs, tão característicos!).

Uma coisa emocionante no Carnaval é a paixão das comunidades das escolas de samba. Mal acaba um Carnaval, e já estão criando novos sambas-enredo, novas fantasias e ensaiando novas paradinhas pra bateria. A vida dessa gente é a vitória de sua escola do coração, é a motivação pra fazerem mais e mais fantasias lotadas de penas de pássaros já quase inexistentes, mais e mais carros alegóricos brilhantes e criativos que pegam fogo um dia antes do desfile, e ganharem mais e mais dinheiro do tráfico ou do jogo-do-bicho. E é por isso que se tem uma coisa que eu adoro assistir é a atribuição de notas pras escolas após os desfiles. É lindo ver a cara dos dirigentes a cada sonoro “Deeeeeez!” dito pelos juízes, em cada uma das categorias.

É bem verdade que o Carnaval transmite a essência do povo brasileiro: sempre cantando, sambando e tomando caipirinha, independentemente do mundo e dos rumos políticos estarem uma bosta magnânima. Indo além, uma essência alegre, mas às vezes alegremente irritante e incômoda de tão exagerada e acomodada, porque, na verdade, todo mundo sabe muito bem que o Ano Novo só começa mesmo depois do Carnaval.

E até chegar ao Carnaval, sempre a mesma história:

“Depois do Carnaval paro de beber!”
“Depois do Carnaval paro de fumar!”
“Depois do Carnaval chega de trepar com a amiga da minha namorada!”
“Depois do Carnaval eu paro de mentir!”


E passado o Carnaval, dá-lhe Engov, Missa do Galo e muita dieta pra estar novamente em forma e em pureza após tantas bebemorações!

Que desça redondo! E ziriguidum!

quarta-feira, janeiro 03, 2007

The end of the world

Por Skeeter Davis, pra você.


Why does the sun go on shining?
Why does the sea rush to shore?
Don't they know it's the end of the world,
'Cause you don't love me any more?

Why do the birds go on singing?
Why do the stars glow above?
Don't they know it's the end of the world.
It ended when I lost your love.

I wake up in the morning and I wonder,
Why everything's the same as it was.
I can't understand. No, I can't understand,
How life goes on the way it does.

Why does my heart go on beating?
Why do these eyes of mine cry?
Don't they know it's the end of the world.
It ended when you said goodbye.

Why does my heart go on beating?
Why do these eyes of mine cry?
Don't they know it's the end of the world.
It ended when you said goodbye.

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Christmas file.: Ho ho ho, ha ha ha, snif snif...


Sempre fico meio deprê no fim do ano... o Natal me deprime, o Ano-Novo não me estimula, janeiro me abate... e enquanto é dezembro, parece que tudo acontece de uma vez só.

Detesto a febre consumista que se abate sobre as pessoas em época de Natal... comprar pra que? Presentear quem? Comemorar o que? A chegada de um novo ano? Ué... mas sempre foi assim, e sempre vai ser. Comemorar o que, se ainda não vivi o próximo ano pra comemora-lo?


Ultimamente ando um pouco revoltada quanto às coisas imutáveis da vida. Aquele tipo de coisa que vai ser sempre igual, sempre assim, você querendo ou não. Por exemplo, o fato de que depois de um domingo, sempre virá uma segunda-feira. Sempre. Pra todo o sempre, segunda-feira virá depois de domingo. Ou então o fato de que uma Pizza Hut sempre comportará mais calorias do que o ideal a ser consumido. Sempre. Sempre. SEMPRE! E o que dizer então sobre a imutabilidade do envelhecimento? A cada ano que passa, ficamos mais velhos. E eu nunca voltarei a ser criança. Nunca. Sempre mais velha, sempre. Sempre.

O Natal é uma destas coisas. Todo final de ano, para sempre, será Natal (já pararam pra observar a aflição intrínseca à palavra ‘sempre’????). E pra sempre, vai ser a mesma coisa: euforia sem propósito, consumo exagerado, pouca grana na conta do banco. Pra sempre ter a obrigação de presentear pessoas que sim, amo demais, mas que gostaria que presentear quando me desse na telha. Quando olhasse algo bacana numa loja e pensasse ‘é a cara de fulano!’. Isso sim me dá prazer. Natal me dá angústia.

Já há algum tempo, venho tentando entrar no clima natalino. E tento transformar a obrigação em oportunidade de fazer as pessoas felizes, nem que esta felicidade venha apenas sob a forma de um sorriso nos lábios ao abrir um presente, seja uma blusinha, um tênis, um som, ou uma carta. Mas o fato é que nunca senti em mim o verdadeiro espírito natalino. Ou melhor, devo ter sentido até os 6 anos de idade, quando ainda acreditava no bom velhinho e até mentia descaradamente que havia o visto descendo por uma chaminé que nem ao menos existia. Crianças, sempre engenhosas e ingênuas...

Por que será que as pessoas aproveitam a época das festas pra se abrirem? Será que elas são realmente tomadas pelo espírito de Natal, ou será que se trata de uma oportunidade perfeita pra se dizerem sinceras? Observe: a época de festas geralmente vem acompanhada de revelações bombásticas. A paixão secreta nutrida por um amigo, uma gravidez já quase evidente, uma mudança de país, lavagem de roupa suja, uma cachorrada cometida meses antes. Toda a honestidade, reunida no curto espaço de um mês... todo o sentimento que deveria ser cuidado e atendido em doses homeopáticas ao logo do ano, explodindo e se descontrolando durante 4 semanas. Até mesmo os políticos começam a admitir erros e prometem mais mudanças, com a voz embargada e os olhos assim, meio úmidos. Ho ho ho...

E depois tudo volta a ser o que era.

Os políticos voltam a mentir com o nariz empinado, os amigos se fazem de desencanados e se desapaixonam logo no dia 1º, os arrependidos de seus atos são acometidos por súbitos lampejos de ‘auto respeito’ e param de se desculpar, e toda a união universal, o amor ao próximo, os sorrisos e a paz familiar se convertem em novos gritos alucinados, buzinas 1 segundo após o farol abrir, cutucões nas suas feridas mais profundas, gestos de desrespeito, desamor, dês –tudo. É a ‘tomada de consciência pós-surto natalino’.

Talvez fosse o caso de o Natal ser comemorado um pouco mais distante do ano-novo. Ou de a virada do ano ser jogada mais pra frente, lá pelo dia 15 de maio. Talvez assim a euforia e a falta de espontaneidade das pessoas seria reduzida... em vez de uma euforia gigante causada por duas comemorações tão próximas, isso poderia ser subdividida em 2 micro-alegrias... certo?

Errado. O problema é que o Natal vai ser sempre no dia 25 de dezembro, e o ano-novo sempre 6 dias depois. Sempre. Sempre.

Tipo segunda-feira. Ou as calorias da Pizza Hut...

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Eu e você... uma fadiga

Entre cigarros, copos e telefonemas, eu só me pergunto onde é que isso vai parar.

É você?

Ou sou eu, que sempre levo a culpa mas nunca percebo a responsabilidade?
Manipulação, histórias, controles, vida...
Mais uma página em branco, do grande livro que se tornou você.

terça-feira, dezembro 05, 2006

Não sirvo mais pra balada! ( ou "do porquê de eu amar a Blockbuster e seu Dia de Sofá")

As pessoas são realmente engraçadas.
Outro dia, contrariando meus instintos, me aventurei numa balada com uma amiga, em plena sexta-feira, em plena Vila Madalena. Eu já tinha jurado a mim mesma algumas dezenas de vezes não sair mais aos fins de semana, ainda mais na Vila Madalena. E como eu sou uma das últimas pessoas a quem eu escuto, lá fui eu.
Arranjar uma roupa foi um tormento, como para todas as mulheres. Especialmente porque estou naquela fase 'meio de emagrecimento' quando suas roupas antigas não ficam mais legais, mas você ainda não chegou 'lá' pra comprar novas. De qualquer forma, escolhi algo básico, mas que me destacasse - eu estava mesmo precisando levantar um pouquinho a auto-estima, mas agora pensando, preferia ter ido de pijamas.
Pra começar o transtorno, minha amiga acabou se envolvendo na maior confusão, só porque não quis pagar 5 reais a mais e entrou sob o nome de outra menina da lista, e acabou por se dar mal quando lhe pediram os documentos. Ela, com o RG dentro do bolso, acabou tendo que dizer que não tinha levado (um absurdo, vamos combinar). O segurança pediu a ela o número do RG, ela teve que mentir e dizer que não sabia de cor. Acabou gerando o maior auê, e até resolver demorou uns 40 minutos. Eu soltando fogo pelas ventas, o sapato machucando meu dedinho.
Ao entrarmos, ela me diz, despreocupadamente, que era mesmo irônico - ela sabia de cor até mesmo o número do título de eleitor e da Previdência Social! Ahn?
Lá dentro, o que eu já esperava. Temperatura ambiente de mais ou menos 40°, um pessoal bem feio se resfolegando na pista de dança ao som de uma bandinha maomeno que tocava Jota Quest. Peço um mojito que, num copo entregue meio molhado, escapa dos meus dedos e se espatifa no chão em mil pedaços. Morro de vergonha, mas depois percebo que ninguém sequer reparou, de tão alto que estava o som. Mas quando minha amiga começa a contar das desventuras sexuais com o namorado (...), todos escutam muito bem, a cada "transar", "pau" e "boquete" que ela falava. É... as pessoas são engraçadas!
Festa estranha, com gente esquisita... eu não tô legal! Não suportando mais as cotoveladas que a mulherada siliconada me dava a cada "vou deixaaaaar... a vida me levaaaaar" que o vocalista gordinho cantava, resolvi me refugiar na outra pista. Ah, black, perfeito! Ideal pra dar uma rebolada, relaxar um pouco e curtir a baladinha dentro da minha "bolha". Então 2 idiotas pegam no meu cabelo, um terceiro faz "sssssssssss" no meu ouvido. Ahn?? Tenho enjôos de estômago, comento com minha amiga, que me apóia integralmente - "são uns palhaços mesmo!" (sic)
Uma vez na pista, dançando timidamente frente ao número impressionante de homens por metro quadrado, percebo um cara que devia ser meio retardado acenando para mim de dentro de um camarote completamente vazio, agitando pulseirinhas coloridas e sorrindo. Ahn? Digo '"não, muito obrigada" e ele vem com um copo de whisky, me oferecendo e dizendo que era um copo especial pra 'mulher mais elegante da noite'. Agradeço novamente (e eu lá tenho cara de Cinderela?), e passados 2 minutos o vejo fazendo a mesma coisa, com outra palhaça que - Meu Deooosss!! - aceita tanto o copo quanto o 'ingresso VIP'. Ahn? Pff... as pessoas são mesmo engraçadas!
Meu pé já doía, já tinha tomado a 4ª água da noite (após a quebra do mojito, desisti do álcool), já tinha escutado minha amiga falar do namorado maravilhoso e extremamente sensual pelo menos durante umas 2 horas, quando de repente a escuto dizer "Olha ali meu paquerinha!" (sic). Ahn? Ela tinha um paquerinha? Ah...
Anuncio a ela que em 10 minutos estou saindo fora, ela concorda e... quando olho novamente, lá está ela aos beijos com O Paquerinha. Ahn? E o namorado-maravilhoso-e-sensual? As pessoas são engraçadas...
Decido ir pagando minha comanda enquanto ela 'conhece melhor' o tal mocinho, e no caminho para o caixa, escuto horrorizada "Pow, morena, tô maluco pra agarrar você e pegar nessa sua bundinha..." (sic) Ahn??? Morena? Bundinha? QUEM É VOCÊ?
- "Tenta, meu bem, e você realmente vai ver estrelas"
- "Nossa, gata, você fala assim eu piro!"
- "Vai pirar muito mais na hora que eu enfiar a mão na sua cara"
- "Que mal humorada! E você nem é assim tão gostosa! Devia ter ficado em casa, aí!"
- "Ahn?"
De fato. Devia ter ficado em casa. Pego minha bolsa e saio ultrajada rumo à fila, que leva mais de 25 minutos. Dali a pouco chega minha amiga: "Aonde você foi parar???" . Digo à ela que estava fugindo de um maníaco que primeiro quis me pegar e depois me falou horrores, dá pra acreditar?? Não é bizarro?!
Ela faz aquela cara de "Ah, normal", e entra na fila. Pergunto d'O Paquerinha. Ela diz "Tá lá ué, beija gostoso".
- Ele pegou seu telefone?
- Não, magina!
- Ahn? Ele nem pediu?
- Pediu. E eu não dei. Imagina se vou dar meu telefone prum desconhecido!
- Mas você acabou de beijar o desconhecido.
- Exatamente. Troca-se saliva, não contatos.
- Ahn?
As pessoas são mesmo engraçadas...
Chega minha vez de pagar, entrego a comanda. 39 reais. Ahn? 1 mojito e 4 águas, 39 reais? Saco o cartão do banco, já pensando em quanto era mesmo o limite do meu LIS... a mocinha do caixa agradece com cara de poucos amigos, e me diz, com uma voz robótica e cansada de quem já havia dito aquilo pelo menos umas 30 vezes: "Boa noite, espero que você tenha se divertido".
Ahn?
Nunca mais saio aos fins de semana. Juro!

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Cansei de Esperar - por Vitor Vilela

Cansei de olhar pro relógio e perceber quanto tempo já se passou desde a última vez que eu verifiquei o horário.
O ponteiro esgota os minutos de oportunidades que eu deixo passar por sua causa e vc ainda não ligou. Não faz sentido.
Como pode alguém gastar horas das nossas vidas a favor de uma espera? de uma surpesa? de uma expectativa? De uma resposta? É no mínimo uma falta de educação. Deveriam ensinar isso no colégio: não se deve deixar os outros esperando!

Durante toda a minha vida eu esperei coisas, esperei minha mãe me buscar, esperei a hora do almoço, esperei o resultado de uma prova, esperei a hora de poder dirigir um carro pra depois esperar uma porrada de sinais vermelhos se transformarem em sinais verdes, esperei uma menstruação chegar (várias por sinal), esperei as minhas férias, um feriado, um fim de semana, esperei a saudade passar, esperei uma doença se curar e uma(algumas) dívida(s) se acabar(em)... será que é isso que fazemos durante nossas vidas? Esperar? Será que somos obrigados a preencher nossos momentos de espera com outras esperas? E o que é pior, será que não podemos fazer nada pra agilizar essas esperas?

"No meio do mês que vem tamo marcando um churras, vai ser bem legal, vamo aí?"
.... Opa, claro que sim, mal posso esperar!

"Central de atendimentos, espere na linha até que um de nossos atendentes entre em contato"
... espero sim, porque não? tenho alternativa? Qual é o número que eu tenho que teclar pra ir direto pro depto. "solução dos meus problemas"??

"Pois não senhor, uma mesa pra dois? Claro, aguarde um minuto."
... Aguardo, claro. Já estacionei o carro e essa é a espelunca menos lotada que eu encontrei em toda a Vila Madalena!

Pare pra pensar! Quanto tempo nós perdemos esperando? Uma semana, meses, anos... será que isso chega a uma década de espera em nossas vidas? Talvez menos... ou mais, o fato é que dedicamos boa parte do nosso tempo esperando, esperando e esperando. Esperando um evento importante, uma data comemorativa, uma viagem programada, salários, aniversários, aumentos, realizações, etc etc etc... cansei de esperar!
Gostaria de uma vida sem esperas, cheia de impulsividades, de decisões e respostas rápidas, de ações ao invés de expectativas e ansiedades, de iniciativas ao invés de reflexões inúteis e de fantasias sem fundamentos. De "sim, é pra já!" no lugar de "não sei, talvez, pode demorar um pouco, quem sabe...".

Devo admitir a minha irritação e radicalismo sobre o assunto, mas, como sempre, ainda resta o outro lado da moeda para apaziguar a situação.
Existem esperas boas, sim. estão em minoria, mas são carregadas de sentidos e significados, como a espera de um bebê, a espera de um beijo, a espera de um gol, de um novo dia, e todo esse romantismo utópico que vivenciamos diariamente e que estão presentes em vários níveis de nossas vidas. São esperas importantes também, nos provam vivos, nos fazem correr atrás de nossos objetivos e nos testam a capacidade de saber esperar, afinal, paciência é uma virtude, né??

Espero uma resposta


-_- ...zzZzZzZZZzZZ²ZZ²²²...

domingo, dezembro 03, 2006

O outro lado da moeda - uma nova versão

Frequentemente, me peguei pensando em como devia ser diferente a paixão/amor quando sentida pelos homens. Imaginava que o sofrimento e a ansiedade eram intrínsecos à condição de se possuir peitos e um útero (pra não dizer outra coisa), e que os homens eram um bando de insensíveis gosmentos.
Bom, eis que me surpreendi.
Deixo que vocês verifiquem o que eu mesma pude comprovar essa semana, o que foi, claro, uma agradável surpresa.
Esperem, e verão.

terça-feira, novembro 28, 2006

Chega!

Querido M.,

Sei que talvez este não seja o melhor momento para conversarmos.

As coisas não andam fáceis, nem pra mim, nem pra você. Sei que você, assim como eu, tem passado por muita pressão, sei que andam pegando no seu pé e que eu sou uma das poucas que o aceita como você é, diferente de tantas e tantas pessoas que te criticam o tempo todo...

Você sabe que ultimamente tenho precisado de você mais do que nunca. Você é aquele que me acompanha sempre, nos piores e nos melhores momentos, e que nunca precisa dizer nada, só sua presença já me acalma. E sabe... tem sido assim nos últimos 10 anos.

Eu te conheci aos 13, lembra? Uma amiga em comum nos apresentou. Naquela época você ainda era popular, as pessoas ainda não tinham começado a virar a cara pra você. No começo eu te achei estranho, mas depois me acostumei contigo, e depois não conseguia ficar mais sem vê-lo. Sei que algumas vezes me distanciei... mas eu sentia que era preciso. Mas como você sabe, não consegui ficar muito tempo longe de ti. Afinal de contas, você havia se tornado meu melhor amigo (coisa que hoje em dia não posso deixar de achar um pouco triste).

Ao longo destes 10 anos, sinto que você foi um dos únicos que me entendeu. Que ficava quieto, em silêncio, me acalmando. Você me ajudou em inúmeras barras... lembra da separação dos meus pais? Você tava lá. Minutos antes da prova final de recuperação de Química no 2º colegial? É, você também tava lá. Nos meus inúmeros regimes, acho que você era quem mais segurava minha onda. E antes do resultado de cada ‘Confirme’ que fiz na vida, você estava sempre comigo. Olha, pode ter certeza, eu sou muito agradecida por tudo isso... do fundo do coração.

Acontece que... essa é a parte chata. E eu sei que você vai pensar que eu me rendi a todo o falatório negativo a seu respeito que eu ouvi das pessoas nos últimos 10 anos... mas acredita em mim, não se trata disso. As coisas que ouvi não foram poucas, nem fáceis, admito. Cada vez que ouvia reconsiderava se devia continuar sua amiga. Mas eu ainda achava suas qualidades maiores que seus defeitos... até hoje.

Desculpa... mas eu comecei a perceber uma coisa muito séria, que me fez muito mal... percebi que nossa relação é tão simbiótica, que estar sem você me faz mal. E ao mesmo tempo, estar com você também tem me feito mal. Não sei o que mudou. Talvez eu tenha simplesmente crescido e começado a enxergar direito que você nem sempre foi tão amigo assim, tão sincero assim. Olhando pra trás, eu percebo que você tinha lá suas artimanhas... e que cada vez que você me fazia bem, criava um laço tão forte entre nós que eu simplesmente não poderia passar por uma barra sem você estar comigo. Isso se chama dependência, e eu jurei nunca ser dependente de nada, NADA!

Semana passada tivemos nossa primeira briga séria. Ok, entramos em conflito algumas vezes no passado, eu sei que meus namorados nunca foram com a sua cara e que acabei me afastando por este motivo. E por mais que a gente se afastasse, você sabe que meus pais nunca implicaram muito com você, nem minhas melhores amigas, e isso sempre era uma vantagem que você tinha: as pessoas próximas a mim sempre gostaram de você, ou pelo menos não implicavam tanto. To dizendo isso pra você entender que não é por influência alheia que ando distante, e eu sei que ando. Mas semana passada foi meio foda, desculpa. Foi foda pra caralho, você me fez muito mal... eu sei que você pode ter ficado com ciúmes das novas circunstâncias da minha vida, eu sei que as mudanças que fiz não são conciliáveis com a sua presença na minha vida, e isso te magoou. Mas semana passada, sabe... foi foda!

(Eu estava questionando nossa relação já fazia um tempo... desculpa te dizer, mas como amiga sei que tenho essa liberdade. Posso falar? Você cheira mal, meu... e isso é algo absolutamente constrangedor, porque quando to seu lado, e depois volto pra casa, eu sinto seu cheiro em mim, e é incrível como eu nunca tinha dado bola antes... já tinha percebido isso, mas tinha fechado os olhos. Mas agora é real, não consigo mais negar... amigo, você fede!)

E naquela hora, e você sabe do que to dizendo, a sua simples presença dentro de mim foi tão ruim que me tirou o fôlego, e eu fiquei passada como mesmo longe de você os efeitos da nossa relação continuava presentes. Eu podia sentir você dentro do meu peito, no meu coração, e sua presença me esmagava, sua presença era tão cruelmente real que fiquei meio tonta por alguns instantes. Quando tava voltando pra casa, pensei em nunca mais falar com você, tava meio sem graça... mas acabei te chamando, por puro hábito.

Depois parei pra pensar que além de tudo, eu tenho gasto muito dinheiro contigo, com os nosso programas... mês após mês, sabe... fica difícil! Essa relação se tornou patológica. Me faz mal. Muito mal.

Não quero que me considere ingrata, mas to dizendo tudo isso pra ficar claro que eu to distante mesmo, e pretendo assim ficar, pelo menos até o dia em que tomar coragem de te dizer adeus para sempre. É uma espécie de aviso, confesso. Eu vou deixar você.

É uma luta, nossa relação é de longa data, somos cúmplices e sei que você anda meio sozinho... desculpa, viu... mas eu preciso pensar em mim.

Brigada por todos esse anos... pela companhia e cumplicidade, por ter me ajudado tanto... mas não dá mais pra fingir, essa ajuda toda é uma grande falácia. E eu to me sentindo meio usada. Você sempre foi bonzinho comigo pra eu não te deixar sozinho, pra eu não fazer como todo mundo vem fazendo e te abandonar. Sua amizade nunca foi altruísta, e sim de puro interesse. Você só queria resgatar sua popularidade perdida.

Te desejo toda sorte do mundo. Mas cansei de você, cansei do mal que você me faz. Eu vou deixar você. É uma promessa.

Um grande beijo, na sua boca,

N., futura ex-fumante.

segunda-feira, novembro 27, 2006

Só de passagem

Então são 23:30 de uma segunda-feira morna e pacata, me sento na frente do computador, tentando me livrar do caminhão de coisas que tinha me comprometido a fazer hoje, e que, inexplicavelmente, não fiz. Ligar na TIM e mudar meu plano. Procurar pela décima vez a nota fiscal na rede de proteção das janelas e pedirem para virem arrumar antes que chovam gatos no playground do prédio. Fazer hidratação no cabelo, atualizar meu CV (isso eu devia ter feito em julho!).

Entre um cigarro e outro, lembro que tinha jurado parar de fumar.
Percebo então que também esqueci de ligar pra manicure e marcar um horário amanhã. Aí olho pra cama e vejo ali, lindinho e repousando há pelo menos umas 4 horas, o livro que eu tinha me comprometido a terminar de ler ontem. "Pragmática da Comunicação Humana". Leram? Chatésimo. Devia chamar "Matemática da Confusão Humana". Argh.
Tentando me distrair, repito mentalmente que pelo menos ontem foi um dia gostoso - tem coisa melhor que fofocar com a mulherada tomando um chopp? Só que, cacete, me lembro que eu também tinha dito que não ia beber durante um mês, e não é que esqueci, menina??
Paciência, amanhã começa tudo de novo. Ligar na TIM, fazer hidratação, arrumar o CV, procurar Nota Fiscal, ler o livro, fazer as unhas. Isso tudo sem fumar e nem tomar uma cervejinha pra desestressar. Cansei só de pensar. E cansei mais ao lembrar que amanhã é dia de Kickboxing. Affe. (ao menos o professor substituto é um docinho)
Juro que vou voltar a ler assim que terminar esse post. A prova tá chegando e ainda faltariam 3 hipotéticos livros para ler (hipotéticos pois 2 deles já decidi não ler, mas o número assusta, faz pressão, e como eu já disse, pressão é tudo).
Eu vou ler, mas antes vou dar uma passadinha nuns blogs ótemos que andei descobrindo e me deliciando ao ler. Já viram? Vai lá!
Garanto, ótimo.
Vou voltar a ler, juro. Mas antes vou fumar um cigarro!

Quem deve, teme... argh!

Vocês lembram daquele carinha que eu conheci numa sexta à noite, numa festinha na Vila Madá, e que podia jurar de pé junto que ia ser o homem da minha vida?
Aquele, de 33 anos, fumante, autônomo, tatuado, e que ainda por cima mora na rua da minha casa? Aquele bom demais pra ser verdade, mas que quase me nocauteou de tanto sono na hora do beijo?
Pois então.
Andei sabendo que ele perguntou de mim por aí, e disse também que eu nunca respondi as mensagens dele. Que mentira! Eu respondi sim. Mas só a primeira. Algum problema?
Bom, o fato é que hoje, voltando pra casa da minha andada/trotada matinal, toda vermelha e suada, passei na frente do prédio que acredito ser o dele, e... me caguei de medo. Confesso, me borrei de medo de encontrar com ele.
Não porque eu estivesse vermelha e suada, mas porque eu só respondi a primeira mensagem dele. E deixei as outras no vácuo.
E talvez também porque roubei a idéia dele de me levar na Bienal - coisa que fiquei sabendo pela amiga em comum - e convidei outro carinha (aquele mesmo enrosco de 9 meses, sabem? Que agora viraram 10?) pra fazer o exatíssimo mesmíssimo programa. Hm....
Só faltava essa agora. São as dores e as delícias de um (ex)pretê morar do lado de casa. Agora vou ter que refazer todo meu itinerário, só pra não encontrar o dito cujo.
... pelo menos não vermelha e suada! Indiferença tem limite!

sábado, novembro 25, 2006

Uma mentira, uma historia, uma defesa - mais uma sobre o nariz de palhaço

A cena é clássica: mulher chora as pitangas do término do namoro no colo da amiga, que alguns meses (ou dias) depois, acaba por dar pro dito ex-namorado dentro de um carro sujo, em alguma ruazinha obscena da cidade de São Paulo. O que se segue é típico, do ‘como ela pode fazer isso comigo?’, passando pelo ‘é um filho da puta mesmo’, indo direto e reto pro fatal ‘como sou otária’.

E aí a moça olha no espelho e consegue ver o nariz de palhaço com uma nitidez tenebrosa: ‘fui uma trouxa!’. Trouxa. Trouxa. Em luzinhas néon piscando na testa: SOU TROUXA.

Trouxa?

Ora faça-me o favor, quando foi que confiar nos outros virou sinônimo de ser otária? Quando foi que ser desconfiada e andar na defensiva virou atitude louvável?

Quando foi que traições deixaram de ser surpresas?

Já dizia meu pai: as pessoas dignas de confiança se conta nos dedos de uma mão, e sobra dedo. Mesmo que você seja como o Lula e só tenha 4 dedos e pouca inteligência, confiança se conta em uma mão e sobra dedo.

Sei bem como é a sensação de ser passada pra trás, minha amiga... é foda. Foda pra caralho. A gente quer enfiar a cabeça na privada e dar a descarga. E passa algumas semanas se culpando pela culpa dos outros.

Quando foi que o rabo passou a abanar o cachorro??

É exatamente por estas e outras, que corre por aí o dito popular de que amizade de homem é mais fiel do que de mulher. Mulher é muito recalcada, adora um bom barraco, uma boa putaria, uma boa palhaçada. Mulher adora uma marmelada, sim senhor. Os recalques de uma mulher são poderosos o suficiente pra faze-la passar por cima de muita coisa, em nome de um pouquinho de massagem no ego e de uma boa trepada.

Quando foi que a gente teve que começar a lutar pra confiar em alguém?

Palhaçada, das boas. E com uma pessoa que eu amo. Não dá pra acreditar. Mexeu com as pessoas que eu amo, mexeu comigo, quem me conhece sabe como é. Neutralidade? Imparcialidade? O caralho.

Quando foi mesmo que descer do salto ficou mal visto?

Um recadinho pra mais nova sangue-ruim do pedaço, cruza a rua quando me vir, porque agora é hora de upper de direita, jab, direto. Agora é hora da calúnia e da indecência. É hora de defender os irmãos. ‘Uma fatia do bolo, se orienta doidão!’

Cruza rua, loirinha, e se enfia num buteco pra mais uma cerveja ordinária como você. Palhaçada, como poucas. E como diz o Mano Brown, ‘asté la vista’.

sexta-feira, novembro 17, 2006

ENCRUZILHADA


Havia momentos em que olhava pra cima e rezava por uma solução.
Não acreditava em nada de sobrenatural. Não acreditava em horóscopo, cartomantes, signo lunar. Não acreditava em Deus.

Mas às vezes gostaria muito de acreditar. Acreditar que algo estava reservado – um caminho, um norte, um alguém, alguma coisa. Às vezes rezava simplesmente pra não se sentir tão só num mundo tão gigante.

Quando olhava para os lados, pouco enxergava. Quando fechava os olhos, podia ver tudo. A maioria das vezes era tudo sempre muito escuro. E tentava ser mais forte que a dor pra superar esta solidão, dava um passo para trás pra avançar no futuro. Às vezes uma luz se acendia e pensava que finalmente sairia dali, mas volta e meia se perdia de novo.

Lambia velhas feridas, tentando cicatriza-las. Não tinha jeito, as feridas eram mais profundas do que a pele para serem facilmente curadas. Ainda assim persistia, teimosamente, insistentemente, estupidamente persistia, na tentativa inútil de ao menos esquecer aquilo que as havia causado.

Sentia-se muitas vezes como um cachorrinho vira-lata: apegando-se a cada promessa de acolhimento, revirando restos na esperança de um todo. Convencia-se de que um dia acharia, mas esse dia nunca chegara.

Se apegava ao passado para fazer seu futuro mais bonito, se enganava com o presente pra não admitir as derrotas sofridas. Acima de tudo, fantasiava em cima de hipóteses tolas, rasas, vazias. E sabia que eram assim, cada uma delas.

Mas tinham lhe ensinado que os sonhos eram matéria-prima da realidade, e por isso sonhava. E, a despeito de tudo isso, continuava rezando, pedindo, acreditando. Um dia, com certeza, a resposta chegaria, e desta vez saberia que rumo seguir.

Continuaria revirando restos; continuaria lambendo as feridas. Continuaria achando cor-de-rosa a cor mais bonita. Continuaria acreditando-desacreditando em destino, e continuaria duvidando e mesmo assim consultando os astros. Persistiria na tentativa dita tola de cada dia transformar-se em algo melhor, em algo superior, em algo de bonito. Em algo de bondade. E continuaria pedindo perdão, assim como continuaria perdoando a que a tivesse ofendido.
Pois não acreditava em Deus, mas acreditava em si mesma.

sexta-feira, novembro 10, 2006

PANIS ET CIRCENCES (Um nariz de palhaço me cai bem)

Eu adorava o Bozo.

Ok, também tinha um pouco de medo – e não sou a única que tem medo de palhaços.
Mas eu adorava o Bozo porque ele me fazia rir todas as tardes, especialmente dos seus cabelos arrepiados em todas as direções, sua maquiagem mal feita e de seu grande nariz vermelho. Sempre fazendo brincadeiras pra deixar todo mundo sorrindo, amigo da criançada, motivo de alegrias, risadas e bom humor, o Bozo era espontâneo e divertido. E cada vez que o Bozo dizia “Oi amiguinho!”, eu sentia que era para mim. Ele me cumprimentava! - e eu amava o Bozo.

Até que um dia uma criança mandou o Bozo tomar no cu. E naquele dia, o Bozo se tornou a minha Primeira Grande Decepção, ao sair pela tangente e dizer “O que, amiguinho? Sua casa está cheia de urubu?”, em vez de retrucar um sonoro vai-à-merda.
Não sei se foi meu primeiro exemplo de passividade diante das peças e ingratidões da vida, mas nunca me recuperei. E arrisco dizer: o Bozo é quem devia pagar a minha análise.

Quantas e quantas vezes não recebi um “bozo-vai-tomar-no-cu” e fingi estar falando sobre urubus?
Quantas vezes me deparei com a realidade nua e crua, e por conta da minha imensa incapacidade de admitir falhas e imprevistos, olhei pro outro lado, na esperança de que, ao olhar de novo, ela não estivesse mais ali, sorrindo para mim?
Quantas vezes fingi estar fazendo coisas por amor e apreço, quando na verdade era uma simples questão de precisar me virar?

Ainda hoje me pego em situações em que, se poderia reclamar da falta de honestidade/clareza/objetividade alheia, não posso me dizer menos do que responsável por cada uma destas atitudes que tanto me ofendem. Minha mania de demonstrar força e superioridade frente aos vai-tomar-no-cu da vida já adquiriu uma precisão suíça, de uma ciência exata, e se tornou difícil tirar do meu rosto um sorriso que, tal como o do Bozo, é absolutamente fake.

De repente, não mais que de repente, como uma rolha que aflora numa superfície líquida, vejo a imagem: estou em meio do picadeiro, vestindo sapatos enormes e equilibrando pratos, uma cartola na cabeça. Na platéia, todos aqueles que um dia, invariavelmente, me atiraram pipocas. Tento, piada após piada, arrancar uma risada sincera que não seja de meu comportamento ridículo, de minha falsa sensação de segurança enquanto jogo para o ar dezenas de bolinhas e tento pegá-las novamente. O resultado é sempre um definitivo fracasso.

A platéia se enche, as pipocas se tornam tomates. E os tomates se tornam pequenos objetos cortantes, que fazem pequenos machucados, pequenos arranhões no ego desta criança-palhaço, que nunca desiste de agradar a platéia, de recuperar no ar suas bolinhas, suas memórias, seus amores, suas falhas, suas lutas.

O sino toca. Abandono meus pratos, minhas bolinhas, minha cartola e minha fantasia. Tento retirar a maquiagem e tenho certa dificuldade, pois já faz parte de minha pele há muito tempo. Saio da tenda principal em cima de saltos, e acredito que o show acabou. Não olho para trás.

Entretanto, minha primeira olhada no espelho revela a força de toda a minha fraqueza e de minha subjugação: grudado, justo, reluzente, rindo e acenando para mim, um grande sorriso pintado de vermelho.


E um incansável nariz de palhaço.

segunda-feira, novembro 06, 2006

FIXAÇÃO

Já faziam 3 noites que ela andava sonhando com ele.

Sonhos intensos, profusos, às vezes até eróticos, mas sempre significativos. Alguns haviam sido realmente ruins, especialmente o último, e foi por isso que, naquela noite, quando o relógio marcou 4:44 da manhã, ela desejou não sonhar. Além disso, contava também com uma amiga, de longa data, dormindo na cama ao lado, o que sempre lhe trazia segurança.

Era véspera de Finados, ela sabia que as fronteiras entre os dois mundos estavam abertas, o Véu havia sido suspenso e, portanto haveriam outras companhias ali a protegerem seus sonhos. Pediu a seus protetores que não a deixassem sonhar.

Às 10:45, despertou. Sentiu o rosto molhado, imaginou que fosse o calor, mas tremia de frio. Eram seus olhos, mais uma vez, denunciando: ainda o amava.

Havia sonhado com ele. Um sonho bonito, de muitas metáforas. Caminhavam lado a lado na praia que já havia sido palco de tantas palavras de amor, mas desta vez, caminhavam em silêncio. Ela pergunta a ele as horas. 4:44. Ela olha para seu relógio e vê que está parado.

Ainda lembrava da última frase dita por ele, segundos antes de largar sua mão, entrar no mar e desaparecer dentro de uma grande onda: ‘pra que serve um relógio parado?’

A frase martelava em sua cabeça, ela olhou para o lado, a amiga dormia. Queria gritar, queria dizer a ele tudo o que sempre quisera. Queria dizer a ele que não era o relógio que havia parado, fora seu coração. Queria gritar os 3 anos passados longe daquele que havia sido considerado seu Grande Amor, ainda jovem, aos 18 anos de idade. Queria acertar os ponteiros.

Sentiu raiva de si mesma, por ter parado no tempo enquanto o relógio dele era tão duramente, tão esmagadoramente real. ‘Eu paro no sinal, ele cruza mesmo fechado.’ A imagem dele deitado ao lado de outra a enervou. Lembrou-se das tantas brigas, sentiu saudades delas. Sentiu saudades da voz, dos cabelos, dos olhos, do peito, das sardas tão delicadamente pintadas em cada ombro. Sentiu saudades de sua letra, sempre tão inclinada, sempre tão forte, sua caligrafia marcando o papel ao escrever que a amava. Como pudera isso ter sido perdido?

Olhou novamente para a amiga, companheira fiel, leal, a guardiã de seus sentimentos mais escusos. Sentiu vergonha por saber quais seriam suas palavras. Uma vontade arrebatadora a assaltou. Decidiu-se por ligar para ele, naquela hora mesmo, às 11 da manhã. Queria apenas ouvir sua voz, ainda sonolenta, como que saindo de um transe. Decidiu por ligar, levantaria silenciosamente, e ninguém jamais saberia. ‘Eu sei.’ Mas isso já não fazia a menor diferença.

Um movimento na cama, e a amiga acordou. Estava feliz por estar acordada, mas bastou um olhar para ver que algo acontecia. Ela a questionou, e lágrimas rolaram. Nada fez quanto ao telefonema, já não importava, o momento havia se perdido. Exatamente como 3 anos atrás.

O dia, como que por ironia, estava cinzento, o céu chuvoso, como que a lembra-la da escuridão de seus sentimentos que, ela sabia, deixava negro tudo mais ao seu redor. A areia, como que por ironia, estava escura, exatamente igual ao que fora da última vez em que abraçaram-se, já numa distante primavera. O mar, como que por ironia, estava escuro e espumante, como ele gostava. Quando choveu, algo rompeu dentro de si. Ainda o amava.

Tentou se concentrar num livro, mas não conseguiu – as letras embaralhavam-se no papel. Pegou-se procurando as letras que formavam seu nome, sentiu vergonha de si mesma mais uma vez. Tentou escrever um verso, e tudo o que conseguia era escrever seu nome. Tentou distrair-se ouvindo uma música que sempre a animava, mas de repente ela só a lembrava dele.

Naquela noite, ela não fez nenhum desejo. Seus protetores a advertiram que continuaria sonhando, enquanto não acordasse de verdade. Era a pena que pagaria pela sua ingenuidade. Ela o enfrentaria – senão pessoalmente, enfrentaria em sonhos. Entregou-se aos sentimentos, parou de lutar.

Naquela noite, nada sonhou. Pelo menos não que se lembrasse. A angústia ainda doía, mas reconfortante. Uma frase não saía de sua mente.

Um relógio parado ainda marca as horas certas, ao menos 2 vezes por dia.