quinta-feira, dezembro 02, 2010
Pagando pra ver
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N. Ferreira
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11:30 AM
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segunda-feira, novembro 08, 2010
comida, cuidado, amor
Comida é símbolo de afeto. Desde cedo o bebê recebe os seios de sua mãe e o leite dele proveniente como fonte inquestionável de amor e segurança. Ora, por que com os adultos seria tão diferente? Alimentar sua família, servir os amigos, não seria um ato igualmente afetivo, amoroso, de cuidar de quem se ama?
Nos últimos tempos, descobri meu amor pelos antepastos. Roubando dicas aqui, acrescentando coisas ali, dando vazão ao puro feeling gastronômico, fui criando um cardápio humilde porém cuidadoso de receitas fáceis e charmosinhas. E qual não foi o encanto de descobrir que, para a família e amigos, o momento da cozinha era um programa especial, Dia de Cozinhar.
Na minha casa todos sempre cozinhavam e eu ficava de fora, vendo TV ou no máximo lavando pratos. Foi maravilhoso finalmente me incluir nas tarefas culinárias e descobrir o prazer de ver o alho, picado com carinho, se juntar ao fio de azeite cuidadosamente despejado na panela de inox. A voz de meu pai me vem imediatamente à memória: “Todo bom prato, filha, começa com alho, azeite e cebola num fundo de panela”. Está certo pai - o cheiro contamina o ambiente; bocas salivam, olhos pulsam ao ver os tomates, cebolas e temperos serem unidos num abraço gastronômico. A fatia do pão italiano serve de leito à mistura simples e honesta, formando uma bruschetta ao pomodoro das mais caseiras. A folha de manjericão é um ornamento aos olhos: hora de se deleitar.
Com o passar do tempo, fui ganhando segurança. Nunca soube usar o sal, visto que vivo numa família de hipertensos. Como flexibilizar o paladar e agradar a todos? Pura arte humana de se relacionar! Uma experiência aqui, outra ali, o saleiro na mesa garante a segurança da situação. Tem pra todos. Afinal, nem sempre o que está sendo levado em conta é o sabor em si, mas arte do processo, da criação, das descobertas de um novo tempero ou da habilidade incrível de uma amiga de cortar rapidamente os ingredientes: criação coletiva porém liderada, assim é o cozinhar amoroso que une a fome, a vontade de comer e o desejo de cuidar, com delicadeza, dos desejos alheios.
Bruschettas, molhos, pastas. Símbolos de afeto que pouco têm a ver com comida. Iniciante na gastronomia, porém veterana do amor, entrei em um dilema sobre em qual seção este texto melhor se encaixaria. Pura formalidade, como a separação e ordenação dos pratos de uma refeição. Na dúvida, resolvi por priorizar o concreto, a comida em si – não fosse isso, serviria de bom grado meu coração numa bandeja, totalmente imerso num fio de carinho e pedaços de consideração.
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N. Ferreira
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2:53 PM
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sábado, outubro 23, 2010
ressaca de você
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N. Ferreira
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5:32 PM
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segunda-feira, outubro 18, 2010
Jogos na terceira idade

Semana passada, fui dar um role na Argentina e visitar uma amigona minha em Buenos Aires. E embora a viagem tenha sido muito boa, não, este post não é para contar as minhas desventuras pelas calles argentinas. Esse post é pra falar de algo triste: a solidão da velhice.
Fomos num Casino lindo em Puerto Madero. A idéia era tirar onda. Enfiamos nas maquininhas 2 pesos cada uma (cerca de 1 real), só pra puxar a alavanquinha e ver as figurinhas rodarem. Perdi meus pesos em menos de 10 segundos, mas eis que ouvi um som de moedinhas caindo na maquina do lado. Não, não foi sorte das amigas.
Uma senhorinha, toda enrugadinha e usando óculos, ganhava vários pesos e juntava as moedinhas. A princípio sorri, feliz pela sorte dela, até ver o maço de notas que ela tirou do bolso pra novamente enfiar na maquininha. Era óbvio que aquele mulher estava perdendo mais do que ganhando.
De repente parei pra observar o salão no qual estávamos e o que vi me chocou. Monte e montes de velhinhos, como os que eu via entrar no Bingo Angélica quando este ainda existia e o jogo era permitido no Brasil, sozinhos em suas maquininhas, vendo as figuras rodarem e enfiando notinhas no lugar indicado. As alavancas eram puxadas sistematicamente, as moedinhas enfiadas compulsivamente, os olhares apáticos vidrados no visor: BAR, BAR, BAR. Dias depois, visitamos outra casa de jogos em Tigre e a cena se repetia.
Fiquei deprimida com a cena. Não é que eram grupos de velhinhos se divertindo juntos. Eram indivíduos, solitários, gastando suas economias ou aposentadorias, com rostos longe de parecerem felizes, funcionando no piloto automático. A mais pura ausência de vida humana, o retrato mais fiel da solidão de quem não encontra mais lazer na vida social, nas relações humanas, e se ensimesma no vício atordoante de ouvir o tilintar das moedinhas.
Cadê a família dessa gente? Cadê os filhos destes pais? Onde estão seus amigos?
Fiquei pensando na falta de iniciativas sociais que incluam a terceira idade ou que pelo menos prestem atenção neste setor da sociedade que está sofrendo a falta de reforçadores intrínseca ao envelhecimento. Cadê os programas destinados aos idosos? Os Centros de Convivência? As facilidades culturais?
Parece que a Argentina, na qual o jogo ainda é permitido, acha mais fácil empurrar os velhinhos pra dentro destas casas sem janelas onde o tempo não corre. É mais fácil do que criar alternativas criativas e saudáveis, o velhinho ali dnetro não enche o saco de ninguém, nem da família, nem do Estado, e deixa as calças ali.
Acho que Serra e Dilma, qualquer que fosse, ganhariam uma eleitora de abordassem esse tipo de questão. O que vi naquele Casino só me fez decidir uma coisa: cultivar a família, as amizades, e se todos morrerem antes de mim, é melhor tratar de descolar um bom e saudável hobby solitário.
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N. Ferreira
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3:36 PM
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segunda-feira, outubro 04, 2010
Sexo, drogas & balada no Morumbi
Dia desses, fui parar numa festinha. De galera conhecida, a festa é produzida por um cara conhecido do meio musical, e reúne mais ou menos sempre as mesmas pessoas. Então fui lá, achando que a festa ia ser sussa como os forrós que costumo freqüentar. A festa foi numa casa linda lá no Morumbi, cheia de gente bonita e arrumadinha, mas assim num estilo informal. E eu, como sempre, pairei na posição de observadora durante um bom tempo (tempo suficiente pra me divertir e ao mesmo tempo me desanimar).
Eu já comentei por aqui que fico impressionada de ver como as pessoas parecem viver pro final de semana. Mais ou menos como se elas segurassem a onda a semana inteira pra então extravasar no sábado a noite, vivendo o restinho de vida que o dia a dia lhes permite. É claro que isso é produto de viver uma vida insatisfatória, pra mim isso é bem claro: de segunda a sexta se sobrevive; de sexta a domingo a vida acontece de verdade. Escolhas à parte, independente do que eu ache a respeito, é fato que 90% das pessoas naquela festinha estavam tentando viver a vida como se não houvesse amanhã, ficando muito loucas, falando baixaria a maior parte do tempo e se detonando com vários tipos de drogas.
Tendo tomado umas cervejinhas, fui amargar na fila do banheiro. Depois de mais de 20 minutos esperando, me sai uma turminha farinhenta de dentro do banheiro apertadinho. Que fique claro: cada um que meta o nariz onde quiser, mas quando eu fico contorcendo a bexiga porque tem gente cafungando em vez de fazer xixi, aí eu começo a me invocar.
E essas pessoas, à base de birita e de farinha (e maconha igual cigarro), carregaram o ar da festinha com uma libido sem tamanho. A cada duas frases, uma era do naipe “comer fulana”, “chupar meu pau”, “enquadrar a gostosa” e congêneres. Um tal de fulano dando em cima da fulana, que tava ficando com sicrano, que veio dar em cima de mim a despeito de eu estar batendo papo com beltrano. Meio que uma filosofia Woodstock de “vamos foder e amar, somos todos espíritos livres”.
Diálogo testemunhado:
- Quero ver Comer Rezar Amar.
- Vamos abolir o segundo verbo. Aliás Comer e Amar não dá na mesma?
- Hahahahahhahaha.
Participei de um mínimo de conversas bacanas (que dada a véspera eleitoral, era basicamente sobre as eleições). O que salvou a noite foi um encontro especialíssimo com alguém que eu não encontrava há 10 anos e por quem sinto um carinho infinito e sobre quem guardo ótimas memórias. Papo inteligente, interessante, de verdade, que me fez ficar na baladinha até o dia clarear. Mas o simples fato de estar rodeada de gente limitada, adicta e sexualmente invasivas me bodiou até os ossos. Ouvir os papos vazios e as investidas sexuais a cada 5 minutos arrepiou meus cabelos e desagradou os ouvidos – jogaria 90% de todo o conteúdo escutado no lixo sem dó nem piedade.
O mais difícil foi ver meus próprios amigos partilhando destes comportamentos – falando bosta, se insinuando vulgarmente, enchendo a lata e dando bafão. Mulher bonita empinando o peito e dizendo que vai dar uma de biscate; homem inteligente (?) dizendo “eu vou é pegar geral”, turminha de bizarros dando murro na janela de um quarto onde dormiam meninas meio bêbadas (argumento: “vai dormir em casa!” Ainda paguei de chatona pedindo pra deixar as meninas dormirem, era melhor do que irem pra casa dirigindo naquele estado).
Juro por Deus, no próximo sábado à noite desligo o celular ou faço um Dia de Sofá, esquento a cadeira montando meu quebra-cabeças lindo do Taj Mahal que tá ficando sensacional. Ou, no máximo, ligo praquele carinha, pra tomar um café e bater um papo num lugar que tenha, no mínimo, um banheiro livre de cocaína. Ah, e com libido opcional.
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N. Ferreira
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6:34 PM
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quarta-feira, setembro 08, 2010
(des)equilíbrio
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N. Ferreira
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8:29 PM
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terça-feira, setembro 07, 2010
Mudando
É preciso ter muito cuidado quando se tem o ilusório desejo de mudar o passado.
É preciso lembrar: muda-se uma única coisa, e todo o resto também será modificado.
Algumas coisa devem simplesmente permanecer como estão...
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N. Ferreira
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5:25 PM
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sábado, agosto 21, 2010
Suicídio
Uma onda elétrica percorreu meu corpo como se tivesse sido atingida por uma pedra. "Quem?", perguntei ao porteiro. "Dona Fulana, do 174".
Subi até meu apartamento, 3 andares abaixo do dela, em completo estado de choque. E uma tristeza profunda atravessou meu peito quando me dei conta de que sequer sabia quem era a finada moradora.
Os vizinhos dizem que era uma senhora acometida de terrível depressão. Já tentara o suicídio outras vezes, já estivera internada outras tantas. E nada, nem ninguém, pode demovê-la de acabar com seu sofrimento à própria maneira.
Sentei na cama e chorei, abraçada à minha mãe, assolada por uma enorme culpa por não saber quem era Dona Fulana, por não ter tido a chance de ajudá-la. Senti raiva de quem a deixou sozinha, deprimida, solitária até em seus momentos finais. Senti raiva dela própria, por ter deixado tanta gente triste pela sua morte. Mas não ousei julgar a validade da sua atitude.
Fiquei pensando na proporção do desespero que deve existir para levar alguém a causar a própria morte. O grau de sofrimento deste ser, a falta de perspectiva, a assustadora falta de possibilidades. A completa ausência de alternativas que não por fim à própria existência, a única forma de se aliviar a dor.
Por que me afetou tanto a morte da Dona Fulana? Por que é que sinto como se fosse minha própria família? Será que andamos tão ensimesmados, entocados em nossas próprias covas, alheio a tudo e a todos, que não sabemos sequer que um ser próximo está em profundo sofrimento? Morando empilhados uns em cima dos outros, sem saber o que acontece na existência de pessoas 3 andares acima de nós? Essas pessoas que andam, dormem e sentam em cima de nossas cabeças todos os dias, e nada sabemos delas? Se são felizes, se são serial killers, pedófilos, noivos, cancerosos, suicidas?
Será que o que me entristece tanto é que me vejo refletida dentro desta velha senhora, por ter pensado vezes a fio num final trágico como o dela, em momentos de tristeza profunda e de rancor sem igual?
Enquanto procuro compreender os mistérios por detrás de todo suicídio, me afasto para sempre das fantasias sobre o meu próprio, rezando a Deus para que perdoe Dona Fulana por tamanha desgraça. Que seus parentes não se assolem pela culpa que eu mesma sinto por não poder fazer quase nada por quase ninguém, por ter que me conformar que este mundo tão bonito carrega existências não tão felizes e prósperas quanto a minha.
Que de hoje em diante eu conheça mais meus vizinhos e entenda melhor a dor de todos - é a minha própria, estampada nos olhos de um cadáver, a me fazer agradecer por cada sorriso que ainda darei, a partir de hoje e para o resto da minha vida.
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N. Ferreira
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9:20 PM
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sexta-feira, agosto 20, 2010
Paz

Eu tenho andado tão calma, tão pacífica, que mal tenho sentido o tempo passar. E cheguei num ponto tão estranho que já nem sei dizer se essa passagem veloz do tempo é boa ou ruim.
Porque os dias vão passando numa calmaria tão atípica que o dia acabar é bom, começar o próximo também, dormir é gostoso e acordar também, trabalhar é ótimo e ter folga idem, sair de casa é tudo e ficar na toca é uma delícia.
E tudo isso por ter simplesmente passado a aceitar a vida e todas as coisas que a fazem ser o que é, como realmente são. Boas e ruins. Calmas e turbulentas. Difíceis e fáceis. Tudo ao mesmo tempo.
Coisa doida é viver. Coisa boa essa que chamam de existência. Demorei pra descobrir o que era tão óbvio: a paz e a felicidade estão dentro da gente. Ser feliz é simplesmente uma questão de ponto de vista.
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N. Ferreira
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5:20 PM
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sábado, agosto 14, 2010
Saudade eterna de você
Quando penso em você
Meu olhar se enche d’água
Não tenho um pingo de mágoa
É só saudade da boa
E fica na lembrança de um beijo
Do abraço que ninguém me deu igual
Da noite que valeu por todas que vivi
O tempo foi passando e eu fiquei
Por todos os amores onde andei
Tentei mas nunca deu pra esquecer de ti
Ai, ai meu coração
Que passa dia, mês e ano e não consigo te esquecer
Ai, ai meu coração
Ainda bate apaixonado com saudade de você...
(Accioly Neto)
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N. Ferreira
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12:20 PM
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terça-feira, agosto 10, 2010
Saudades de Shangahi!
Shanghai Sisters: souvenir no Dragon Boat.
Logo que cheguei a Shanghai, no Aeroporto Internacional de Pudong, o chororô já começou. Em parte, por ver minha irmã, em parte pela emoção de estar literalmente do outro lado do mundo! De pequena que me achava para viagens dessa magnitude, de repente me senti super cidadã do mundo, descobrindo o que nosso gigante Planeta Terra tem a nos mostrar.
Sabrina e Xuxu: carregadores oficias de malas!
Ao encontrar minha irmã, me senti novamente com 17 anos de idade, quando nos divertíamos tanto que mal sobrava espaço pros dramas do dia-a-dia. A sintonia estava fina e o cenário absolutamente inovador dava conta de me deixar 100% ligada o tempo todo, com energia e alegria suficientes pra viver os próximos 5 dias com plenitude!
Logo que cheguei, as primeiras maravilhas de Shanghai já me foram apresentadas: o Maglev, famoso trem-bala que anda a 430km/h e que flutua a 15cm do solo, foi o que me conduziu a Puxi, onde minha irmã mora. E uma vez chegando no dorm onde moraria pela próxima semana, eu mal poderia imaginar quanta coisa boa me aguardava.
Mag-leeev, mag-leeeev!
Logo na primeira noite já fui apresentada a pessoas maravilhosas, especialmente o Rapha e Lincon, parceirões de primeira que me conquistaram de imediato. De cara fizemos uma balada incrível, num navio maravilhoso, onde fui apresentada a quase toda a comunidade brasileira de Shanghai.
São muitas as lembranças desse período incrível, o metrô de Shanghai com suas 13 linhas gigantescas, a Expo Mundial onde honramos nossos ancestrais no pavilhão da Lituânia e onde nos emocionamos no pavilhão brasileiro, nas ruazinhas fofas e amontoadas do Bund, a paz do Yu Yu Garden, o palácio do antigo imperador, a cervejinha em happy-hour na Hong Mei Lu com panyo Lincon, o Simple Thai com a Ju, o Latina, restaurante brasileiro onde matei a fome de picanha mal-passada e pão de queijo, a Nanjin Lu abarrotada de gente, o Jaddhe Buddha Temple, o Rio Pudong, o "cafezinho" hilário na casa do Rapha.
Panyo em plena Old City!
Rapha, aliás, que me encantou e que lamento tanto morar tão longe. Que coisa esse destino, que traz pessoas especiais mas as mantém longe da gente. Tinha que morar na China? Não, eu não podia voltar com esse nível de dilema na cabeça...
Os dias passaram voando, em meio a passeios, festas, massagens nos pés à uma da manhã, em meio ao Gucci Cafei com Sabrina e Xuxu (thanks man!), e principalmente em meio a conversas longas e profundas com minha irmã... e também conversas que não aconteceram, simplesmente porque não precisaram acontecer, dada a intensidade da comunicação pelo olhar.
Para Vó Vera: viva a Lituânia!
Maravilhoso resgatar a sensação de afinidade e de conforto quando se está junto aos seus. Quando se pode ficar confortavelmente em silêncio enquanto se sente completa, plena. Descobri, da melhor maneira possível, que minha vida nunca estará completa se minha irmã não estiver nela, ativamente, presente de corpo e alma. Alma: tenho certeza que as nossas já se conheciam antes dessa vida. Talvez sejamos nossas próprias almas gêmeas, e devemos parar de ficar procurando por aí o que já temos tão perto de nós.
Huang Pu River: o famoso Rio Amarelo.
Voltar ao Brasil, me despedir das pessoas, das ruas, dos chineses, doeu mais do que eu imaginava. Mas foi bom ter conseguido voltar para casa com a certeza de que eu já sei exatamente com quem, como e onde devo estar: é no lugar em que nossos corações escolhem para se sentirem verdadeiramente em casa, com pessoas que realmente te acrescentam, descobrindo as maravilhas de um mundo tão gigante.
Incrível, isso de ter que ir para o outro lado do mundo para descobrir algo que estava debaixo do meu nariz: já tenho tudo o que possuo para ser feliz, enquanto eu tiver o bem mais precioso e insubstituível – amor-próprio, e meu coração aberto.
Rapha, eu, Lincon e Ire: saudades eternas de momentos inesquecíveis! Thanks guys!
Gambei!
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N. Ferreira
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7:49 AM
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quarta-feira, julho 28, 2010
Contato
Acho que as palavras poderiam chegar a definir o meu interior, mas também limitariam essencialmente a intensidade e a força dos meus sentimentos. Então, tenho basicamente sentido. Tenho passado muito tempo sozinha, o que hoje, graças a Deus e a uma série de fatores, tem sido uma coisa agradável. Já não me sinto triste, ou sequer raivosa, com a pessoa que sou, como vinha me sentindo antes de viajar. Na verdade, tenho sentido quase que uma gratidão por tudo o que vivi ter me colocado novamente em contato comigo mesma, essa Eu de verdade que tem se formado ao longo dos anos.
Não acho que cheguei onde queria chegar – conseguir me enxergar como realmente sou e no que venho me tornando conforme as mudanças acontecem. Mas acredito estar me vendo com olhos mais suaves, sem tanta pressão em ser o que acredito que deveria ser, em fazer o que é esperado, em ser bem-sucedida, rica ou reconhecida. O engraçado é que, de repente, o que pareço ser perdeu completamente o sentido, ao mesmo tempo em que o que verdadeiramente sou não aparece muito nitidamente por entre esta névoa diante dos meus olhos.
Mas talvez o mais bonito disso tudo seja que, com bastante simplicidade, finalmente consegui entender que o importante da vida é ter essencialmente a leveza dentro de si, é ter momentos agradáveis com as pessoas que amamos, é estar em harmonia e sem conflitos dentro e fora. É ser simpática com a moça da padaria, é tratar bem o manobrista do shopping, é rir da piada do porteiro. Reconheci que não preciso sempre da profundidade, mas que esta também não deve se manter por muito tempo longe das minhas vistas.
Talvez ser feliz seja muito mais fácil do que parece – talvez baste jamais perder este contato delicioso que se tem consigo mesmo quando, pura e simplesmente, sentimos amor por nós mesmos.
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N. Ferreira
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5:16 PM
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quarta-feira, julho 21, 2010
Tamally Maak
É com o coração apertado e com os olhos querendo vazar que hoje escrevo estas linhas. Impossível converter em palavras tantos sentimentos, tantas saudades, tantas vivências. São sons, cheiros e fotos que despertam em mim sentimentos que nunca antes experienciei, como a saudade da sensação de familiaridade inexplicável que senti em terras egípcias.
Quase como se eu já tivesse passado por lá, quase como se estivesse voltando pra casa. A novidade, misturada ao conforto. Estar à vontade num lugar absolutamente estranho, e nem por isso menos conhecido. Os cheiros não me importavam, o trânsito não me aborrecia. O calor castigando a pele e apesar disso, se sentir renovada. A areia entrando nos olhos e você não se importar de fechá-los. Uma língua estranha soando surpreendentemente bonita aos ouvidos.
Estar de volta chega a ser dolorido, não pelo retorno à realidade, mas pela impossibilidade de construir esta realidade num novo cenário. A utopia da união de uma vida amada em terras brasileiras, com a magia e as sensações das terras desérticas. Me revolta pensar que tantos acreditam que somos tão diferentes, ocidentais e orientais, sem enxergar a beleza das nossas semelhanças. A maravilha das nossas mesmas origens, nossas crenças tão parecidas, nosso amor ao próximo expresso de maneiras tão singulares, e ao mesmo tempo, exatamente as mesmas.
Estar no lugar certo, na hora certa, com as pessoas certas – acho que isso é plenitude. Perceber a existência como algo tão divino, tão absurdamente lindo, que todos os problemas se tornam insignificantes. O toque dos derbaks e dos snujs, os chamados dos minaretes, tudo isso se torna tão maior, que tenho certeza que este sentimento se chama amor.
Hoje tenho certeza – meu coração ficou no deserto, e minha alma no fundo do Nilo. Tamally Maak, sempre com você. Quero voltar e nunca mais partir, quero viver em meio a Ahmeds, Mohammeds, Bassams, Mostafas... quero não mais ser Aziza, sequer Ana ou Paula, mas apenas Ser, ser tão eu mesma quanto o Egito me permitiu.
Que estas lágrimas que brotam sejam como o Nilo foi durante tantos séculos: uma época de cheias tornando a terra fértil, aguardando farta e tão esperada colheita...
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N. Ferreira
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6:09 AM
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quinta-feira, julho 01, 2010
La fora
Surpreendente perceber ser mais facil do que eu podia imaginar
Ha tanta vida la fora!
Que hoje eu so temo a hora
Em que tiver que voltar.
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N. Ferreira
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3:02 AM
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domingo, junho 27, 2010
News from Cairo!!
Precisa de mais pra voltar a sorrir??
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N. Ferreira
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9:04 AM
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domingo, junho 20, 2010
sábado, junho 19, 2010
Maktub

Estando a meio passo de dar a maior passada da minha vida, percebo hoje o quanto tenho a agradecer. Eu não estaria neste lugar hoje, se não tivesse passado por tantos outros, tenham sido eles bons, tenham sido ruins.
Mas agradeço. Agradeço a quem me fez sorrir por pouco tempo, e depois me feito chorar por muito, e agradeço também à rejeição imposta, porque sem ela eu jamais teria percebido o desperdício de energia que teria sido apostar num jogo cujas cartas já estavam tão marcadas... como costumo dizer, o universo conspira a favor, nós é que deturpamos. Então agradeço por terem me impedido de deturpar uma triste, porém concreta realidade: para duas pessoas ficarem juntas, não basta querer, precisa haver afinidade de almas, precisa haver amor sincero e criativo, e por isso agradeço por ter sido forçada a ver, por mais dolorido que tenha sido, que nenhuma das duas coisas jamais existiu sinceramente dentro de mim. Estar apaixonado pode ser muito bom, mas há algo de muito errado quando é mais gostoso a sensação de estar apaixonado do que as conseqüências que o apaixonamento deveria trazer.
Então agradeço por ter sido forçada a admitir que na verdade não era amor, não era sequer paixão, era mais carência e necessidade de perdoar a mim mesma, expiando as culpas do passado numa nova relação. Era teimosia e carinho, que juntos podem se revelar uma combinação fatal. A gente tem que saber a hora de parar, e não fosse o medo alheio, eu não teria parado na hora que devia. Agradeço.
Agradeço pelo outro lado da moeda, das relações verdadeiras que duram apesar das décadas, em que o encontro genuíno não se dá através do beijo, se dá através da cumplicidade. Maktub: o beijo é o selo oficial da veracidade daquela relação, que não se sabe estável, estruturada, mas que não precisa nem ser. Basta que exista por conta própria, que a intimidade resista aos anos e às outras pessoas que cruzaram nossos caminhos, às brigas e mágoas. Basta que tudo o que foi de ruim se dissolva quando os olhares se encontram e quando simplesmente nada precisa ser dito. O beijo somente sela a autenticidade do nosso elo, e agradeço por isso tudo me fazer lembrar que não, não estou pedindo demais, apenas pedi à pessoa errada. Não adianta pedir a alguém por algo que este alguém é incapaz de dar, não por capricho, mas por simplesmente não possuir. Agradeço a quem realmente está junto de mim mesmo não estando... como um anjo da guarda que me protege à distância, como um dia comentamos.
Eu agradeço também às inovações. Porque se eu não estivesse no vazio, jamais haveria espaço pra esse outro ser entrar, e na verdade não importa quanto tempo este ser irá ocupar este espaço, importa que nos momentos que ocupou, este espaço foi verdadeiramente preenchido. Me fez perceber que na vida sempre há movimento, a gente se movimentando junto ou não. Então eu agradeço pela possibilidade de me ver novamente como sou e gostar do que vejo, sem ser forçada a me moldar tal qual massinha para corresponder às expectativas de outrem. A espontaneidade reforça o quão especial algo pode ser, apesar de efêmero e incerto, e esta aceitação das coisas como elas simplesmente são é o verdadeiro perdão que procurei encontrar no lugar errado.
Está na hora de dar este passo mágico e abandonar as antigas crenças e culpas. Sem buscar nada, sem fazer perguntas, apenas vivenciar o que pede para ser vivido, o que estava escrito nas linhas tortas da minha vida: eu já sou exatamente a pessoa que desejo me tornar e, por enquanto, este é todo o amor de que preciso.
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N. Ferreira
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9:28 AM
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quarta-feira, junho 16, 2010
Deruchett
As terríveis sensações de perda de coisas que nunca tive. Saudades de coisas que jamais vivi. Ódio e amor caminhando lado a lado. E as perguntas. As perguntas: quando foi que tudo aconteceu? Como? Por que? Para que?
Para que?
Parece realmente banal que, há menos de 5 dias de realizar um grande sonho, eu ainda esteja apegada a questões tão... mundanas. E outras questões tão mundanas quanto, porém fontes óbvias de prazer e expiação de culpas, carregam tão menos peso que me sinto extremamente tendenciosa e apegada ao sofrimento. Melancólica mesmo.
Mas... eu finalmente voltei a ouvir música. E, surpreendentemente, elas me lembram outros olhos e outras vivências. Saudades de décadas que nunca morrem. Relação de verdade. Afinidade real, subjetividade sem limites, verdadeira compreensão. Amor de almas.
Para F., com carinho.
E você vai sem mesmo saber o quanto vai passar
desse mundo que nos dói.
Eu procurei ficar mais perto do lugar que é você.
Foi como ver que perto de um fim, ou mesmo um final,
Nada vai morrer.
Como os lares querem par.
Venha e não quererá que eu passe outra vez.
Deruchett - Solana
delirado por
N. Ferreira
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8:15 PM
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segunda-feira, junho 07, 2010
Quem tem medo do lobo-mau?
Ou melhor: eu acho que imaginava sim, pois um dos primeiros pensamentos que me surgiram diante da idéia de ficar 28 dias longe do namorado foi “Será que vou estar namorando até lá?” Acho que era intuição: pouco mais de 30 dias depois, já estava sem namorado, mas com a primeira parcela da viagem devidamente paga.
Nunca viajei sozinha como estou prestes a fazer. Pra falar a verdade, a solidão sempre foi um super lobo-mau para mim, sempre me assustou um pouco, e se existe uma lei na vida que eu finalmente entendi é que não adianta ficar fugindo da raia por muito tempo: se existe uma questão pra você enfrentar, o universo vai tratar de te forçar a isso.
E é por isso que esta viagem, para a qual faltam míseros 13 dias para acontecer, deverá ser tão importante neste contexto: tirando minha queria professora Elis, não conheço mais absolutamente ninguém que estará por lá. No Cairo, sei que estarei bem assessorada e a realização do grande sonho da minha vida não deverá me permitir ficar sentindo muito a solidão. Mas a idéia de estar em Aswan, Luxor, Karnak, Sharm el Sheikh SEM Elis, e depois um dia inteiro sozinha em Istambul aguardando a conexão para Shanghai, ah, isso eu confesso que me angustia um pouco.
Desde a preparação para a viagem (cartões para desbloquear, seguro para fazer, visto pra tirar) eu já sinto o treinamento em autonomia sendo exercitado. Afinal, são coisas de super responsa que só eu mesma posso fazer. E acho que tava mais do que na hora. Hora de largar a mão de me sentir meia, e me sentir inteira. De largar a mão de pensar como o outro está, e pensar e me responsabilizar por como eu estou. Eu, eu eu.
Já tava mais do que na hora de eu mudar, e junto transformar o lobo-mau em bichinho de estimação.
delirado por
N. Ferreira
às
9:31 AM
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