terça-feira, março 30, 2010

MUDA, MUNDO, MUDA!!!



Quer mudar o mundo comigo?

Vai lá!

http://mudamundomuda.blogspot.com/

Novidades, projetos, intervenções, relatos!

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quarta-feira, março 24, 2010

Bilhetes em meio a livros: Mudando o Mundo parte I



Há alguns meses atrás, tive uma epifania e decidi me engajar, de todas as formas possíveis, em mudar o mundo. Tá, pode parecer impossível, mas eu realmente resolvi que queria fazer alguma coisa a respeito, pelo menos fazer a minha parte e plantar uma sementinha de melhoria no mundo.

Eu pensei assim: se uma pessoa pode fazer algum bem, imagine 10? Imagine 100? E se TODO MUNDO fizesse uma, umazinha só, boa ação por dia? Bom, eu ia fazer alguma coisa e pronto, só precisava saber o que.

Ajudar no um-a-um me parecia pouco, até porque como psicóloga isso é o mínimo esperado, não é nada extra e tampouco surte um efeito em grande escala. Eu queria atingir várias pessoas de uma vez. De repente, plim!, descobri exatamente o que queria fazer. E hoje, orgulhosamente, eu anuncio que a parte I da intervenção social que eu planejei foi iniciada!

A idéia é na verdade muito simples: imagine que você vai comprar um livro em busca de algo para se inspirar, se distrair, ou de algo que te ajude de alguma forma. Aí você compra o livro e pans, encontra dentro dele um papelzinho escrito à mão: “Querido leitor: quem não sabe o que procura não reconhece quando encontra. Você sabe o que procura?”.

Num outro livro, você pode encontrar algo diferente: “Querido leitor: a mudança pode levar algum tempo. Portanto, comece AGORA! Nunca é tarde demais.” Ou “Querido leitor: se você continuar fazendo o que faz, terá sempre os mesmos resultados. Quer resultados diferentes? Faça algo diferente!”

No verso dos bilhetes há uma mensagem curta: “Gostou? Passe pra frente!”

Bolei mais ou menos 15 frases inspiradoras diferentes, todas convidando o leitor a uma reflexão rápida a respeito da felicidade e da qualidade de vida. Munida da certeza de que, dos 150 papeizinhos no meu bolso, ao menos 1 surtiria o efeito desejado, me convenci de que isso já era o bastante para que eu fosse à Livraria Cultura colocar o plano em prática.

Confesso que não foi fácil Os vendedores são extremamente simpáticos e queriam me ajudar o tempo todo, portanto foi difícil ficar sozinha por tempo suficiente para enfiar no meio das páginas do livro o bilhetinho-inspiração. Admito, teve hora que bateu um cagaço de ser pega, não consigo nem imaginar se isso é algum crime, se estava infringindo alguma norma e o que poderia ocorrer caso fosse flagrada.

Mas o risco valeu a pena... em mais ou menos 1 hora, consegui distribuir cerca de 20 bilhetinhos, o que é consideravelmente pouco mas também é o bastante pro teste-piloto. A média de 3 minutos por bilhetes é meio estatística mesmo, pois enquanto que nos lançamentos foi bem complicado pelo tanto de gente ao redor, na seção esotérica e de auto-ajuda foi baba.

Agora algumas dúvidas surgem: deveria eu colocar os bilhetes num tipo específico de livro? Será que isso tem a ver? Ou será que os best-sellers são melhores, pois atingem a massa mais rapidamente? O bilhete ser escrito a mão é realmente tão importante quanto eu achei a princípio, ou isso pode ser otimizado em função do tempo? Penso que outras questões irão surgir...

Outros 120 bilhetinhos estão prontíssimos aguardando sua vez, que deve ocorrer ainda neste final de semana. Novas frases estão sendo formuladas, mas é fato que uma só andorinha faz um verão bem meia-boca. Se 5 pessoas fizessem isso ao mesmo tempo, numa tarde de sábado, em uma hora 100 bilhetinhos seriam distribuídos, pra mais. Se cada pessoa resolvesse fazer algo semelhante na livraria do bairro, o movimento cresceria ainda mais. Isso poderia realmente se tornar revolucionário.

Fica aqui então o convite pra quem quiser ajudar a plantar sementinhas de amor e de cuidado para com o próximo. A ajuda vai ser bem-vinda não só pra mim, que não tenho como passar muito mais que uma hora na livraria, mas pra todo mundo que ler o bilhetinho e for tocado de alguma maneira.

Que a generosidade vai e volta, isso nem se discute. É simplesmente a lei da vida: faça o bem, e receberá o bem. Mas o ato de fazer o bem, de fazer algo em direção à mudança produz uma sensação de bem-estar incrível. Eu me senti maravilhosamente bem enquanto voltava pra casa, e de quebra ajudei uma fóbica a subir de elevador no último andar do meu prédio.

Contagiou. Não precisei de mais nada. Somente aquilo me fez feliz.

Bora?

segunda-feira, março 22, 2010

Casa própria



Ultimamente, motivada por sonhos recorrentes envolvendo casa-moradia-consultório só meus, me peguei interessada pelo caderno de imóveis do jornal, e vi em mim despertar o tão famoso sonho da casa própria.

A verdade é que venho mesmo refletindo sobre como, por que e quando realmente fazer os primeiros movimentos a respeito disso. Só que o principal fator – quanto - me faz quase cair pra trás cada vez que penso nisso.

Eu nunca imaginei sair de casa apenas quando casasse, até porque, nos dias de hoje, isso se torna cruelmente arriscado. Primeiro porque, assim como 90% da população feminina, eu não tenho a menor perspectiva de casar, pelo menos não nos próximos 2 anos. Segundo porque acredito piamente que a experiência da autonomia e independência plena é crucial para uma pessoa, esteja ela casada ou solteira.

Até pouco mais de um ano, eu tinha planos firmes, mas pouco objetivos, sobre sair de casa. Mas o tempo foi passando e me mostrando que eu dificilmente conseguiria manter o mesmo padrão de vida morando fora. Confesso que o vínculo relativamente recente que construí com a minha mãe também me desmotivou, não conseguia imaginar ficar sem ela. A idéia da solidão me assustava um pouco, o que me levou a pensar em descolar alguma roomie para morar comigo. E apesar disso tudo, eu tenho que admitir que o maior problema foi mesmo financeiro.

Olhar o caderno de imóveis só piora a situação! Nunca me senti tão distante de ter a minha casinha. A primeira página só traz aqueles mega apês, que custam de 1 milhão pra cima. Tinha um lá que custava 6 milhas, na Vila Nova Conceição. É claro que a minha realidade é outra, e que eu jamais procuraria uma cobertura, mas olhar as outras seções também não melhorou muito, o mais em conta custava tipo R$400.000,00.

Outro problema é que pouquíssimos anúncios trazem o valor do lugar, e eu realmente refleti sobre se deveria ir dar uma olhada naquelas casas que ficam em exposição, ou ligar pruma corretora só pra ter uma noção. Ou pra mentalizar positivamente, esse tipo de coisa.

Aí eu então entendi porque é que tanta gente ainda mora de aluguel. Eu não queria que fosse assim.

Na verdade eu nem to pensando seriamente em mudar de casa, mas ter esbarrado na questão foi um tanto quanto frustrante. O sonho da casa própria nunca esteve tão distante. Talvez eu deva descobrir como funciona o tal Carnê do Baú...

segunda-feira, março 15, 2010

É pique!


Dizem que aniversário tem tudo a ver com renovação de ciclos.

Eu até acho que tem mesmo. Nem que seja pelo ritual que é achar que mais um ano está começando agora... que seja simbólico, desde que eficaz.

Pra quem me perguntou se estou mais sábia aos 27 anos, nada melhor que mais uma historieta zen, tudo a ver com a renovação.

Às vezes, ser sábio é apenas e tão somente conseguir não ser estúpido.

Parabéns pra mim! E Namastê!


Certo dia, num mosteiro zen-budista, com a morte do guardião, foi preciso encontrar um substituto. O grande Mestre convocou, então, todos os discípulos para descobrir quem seria o novo sentinela.

O Mestre, com muita tranqüilidade, falou:

- Assumirá o posto o monge que conseguir resolver primeiro o problema que eu vou apresentar.

Então ele colocou uma mesinha magnífica no centro da enorme sala em que estavam reunidos e, em cima dela, pôs um vaso de porcelana muito raro, com uma rosa amarela de extraordinária beleza a enfeitá-lo. E disse apenas:

- Aqui está o problema!

Todos ficaram olhando a cena: o vaso belíssimo, de valor inestimável, com a maravilhosa flor ao centro! O que representaria? O que fazer? Qual o enigma?

Nesse instante, um dos discípulos sacou a espada, olhou o Mestre, os companheiros, dirigiu-se ao centro da sala e ...Zapt!... destruiu tudo, com um só golpe.

Tão logo o discípulo retornou a seu lugar, o Mestre disse:

- Você é o novo Guardião. Não importa que o problema seja algo lindíssimo. Se for um problema, precisa ser eliminado.

Um problema é um problema, mesmo que se trate de uma mulher sensacional, um homem maravilhoso ou um grande amor que se acabou. Por mais lindo que seja ou tenha sido, se não existir mais sentido para ele em sua vida, deve ser suprimido.

Muitas pessoas carregam a vida inteira o peso de coisas que foram importantes no passado, mas que hoje somente ocupam espaço num lugar indispensável para criar a vida.

Os orientais dizem:

“Para você beber vinho numa taça cheia de chá, é necessário primeiro jogar fora o chá para, então, beber o vinho.”

Ou seja, para aprender o novo, é essencial desaprender o velho.

Limpe a sua vida, comece pelas gavetas, armários até chegar às pessoas do passado que não fazem mais sentido estar ocupando espaço em sua mente.

Vai ficar mais fácil ser feliz.

Por Roberto Shinyashiki


PS: Obrigada à Shirlei pelo texto vindo em tão boa hora!

PS2: Fica um alerta: já dizia o Sensei Jorge Kishikawa: historietas zen são o máximo, mas ser apenas um leitor de historietas zen é o maior dos perigos. Exercite!

quinta-feira, março 11, 2010

Para o Cairo e avante!



Habibis, não é que agora é oficial? O Projeto Mulherzinha está indo tão longe que assim, sem mais nem menos, de repente ele vai me levar pro outro lado do Atlântico, ali, logo ali na costa africana, no meio do deserto do Sahara!

Após conversar com o Omar, o árabe narigudão responsável pela trip pro Egito em junho, os ânimos se acenderam todos e as providências básicas estão começando a ser tomadas: renovação de passaporte, pesquisa de seguro viagem, pedido de cartão internacional, e olha que ainda faltam quase 100 dias pra viagem!

O roteiro é incrível, fazendo conexão em Istambul, passando pelo Cairo durante o festival Ahlan Wa Sahlan, fazendo cruzeiro pelo Nilo em Aswan, chegando a Luxor prum vôo de balão e finalizando com um mergulho fantáááástico no Mar Vermelho em Sharm El Sheikh. Simplesmente a viagem dos sonhos!!

O Omar passou a maior segurança, apesar do estilo/visual ceroulas-regata-chinelão-de-dedo com o qual ele nos recebeu no seu escritório. A explicação tava logo ali, na casinha da frente, que é a casa em que ele mora... quer coisa melhor? Ir trabalhar sem tirar o pijamão?

Apesar disso ele pareceu ser super sério, talvez até meio chatão, coisa que a Elis já havia alertado... não sei se é assim mesmo ou se o lado “paizão mala” dele favorece a distorção, mas ficou clara uma extrema reprovação a passeios noturnos e baladas (“é tipo a rua Augusta, só promiscuidade”). E eu bem que já fui numas baladas ali na Augusta...

Mas pensando bem, talvez ele tenha alguma razão. A mulher no Egito tem um papel diferenciado, quiçá até inferior, e promiscuidade lá é o banal daqui... motivo pelo qual, aparentemente, estão vetadas as blusas de alcinha, as saias e as bermudas acima do joelho. Isso num calor de 50º no meio do deserto (pelo menos a gente não fica cremoso, já que o clima é tão seco que o suor evapora na hora). Ainda bem que o cabelo tem que ficar preso!

Todo o papo com o Omar me fez chegar a graus deliciosos de ansiedade e numa contagem regressiva rumo ao Egito. Já consegui me imaginar por lá, e certeza que eu vou chorar alguns litros cada vez que eu vir uma coisa nova. Na verdade acho que o choro vai começar em Cumbica mesmo! Mal dá pra acreditar que um dos meus grandes sonhos está para ser realizado!

A parte chata/fueda é que eu vou estar sozinha nessa... por “sozinha” entende-se sem nenhuma companhia mais íntima, sem nenhuma amiga, familiar ou namorado. A pessoa mais próxima será a própria Elis, mas nós já conversamos e ela parecer estar super ok em me adotar na viagem como filhinha dela e do maridão!

É claro que eu espero fazer amizades com outras meninas do estúdio, essas coisas sempre rolam. Mas não ter ninguém mais íntimo pra confessar uma possível ansiedade, um cagaço ou mesmo uma saudade do gatinho vai ser meio foda. Mas, bom... a vida adulta envolve esse tipo de coisa. E pra falar a verdade, acho que é o tipo de viagem que eu acabaria fazendo sozinha mesmo, já que ninguém que eu conheço tem esse mesmo tesão de conhecer o Egito, ver as pirâmides, se emocionar com areia... só mesmo a Ciça compartilhava meus planos Egito-Marrocos-Turquia (fica pra próxima).

Talvez até seja mais interessante fazer esse role sozinha... poder me focar e estar de corpo e alma em cada instante, sem fazer social nem me preocupar com nada. Em termos terapêuticos, nada poderia contribuir mais com meu amadurecimento, em todos os sentidos da palavra!

Agora é correr atrás das burocracias! Mas pelo amor aos meus bolsinhos, foi tudo de bom descobrir que, com o perdão do trocadilho, não, não é tão caro ir ao Cairo, mas voar de balão em Luxor é um verdadeiro luxo :)

domingo, março 07, 2010

Por favor?



Começou com algumas frases de amorosa revolta: “O amor é importante, porra!” começou a aparecer em vários cantos da cidade, ali no viaduto da Sumaré, por exemplo. Apesar da veracidade da frase, e da beleza da proposta, sempre me incomodou que o amor fosse requisitado de maneira tão agressiva.

Recentemente, pude notar que outro pedido tem sido feito: “Mais amor, por favor” está sendo estampado por aí. Nos pontos de ônibus, cabines telefônicas, muros baldios, debaixo do minhocão. O pedido aparece cada vez mais freqüente, e eu não pude evitar de me perguntar: o amor deve ser cobrado, ou mesmo pedido por favor?

O que me incomodava na agressividade da primeira frase começou a me incomodar no pedantismo da segunda... ok, ok, chatos de plantão, eu sei que existe todo um contexto, cultural, social, global, whatever... e eu sei que neste post vou acabar dando uma de garota enxaqueca. Mas não parece um pouco patético ter de pedir por amor? Implorar, cobrar, pressionar? Não seria esta uma contradição em si mesma?

Estreitando um pouco os olhos, e afunilando um pouco a questão, me causa até alguma vergonha que o amor tenha que ser solicitado ao invés de ser doado de todo o coração, como sempre aprendemos, desde pequenos, que deve ser. Entre os povos, entre as pessoas, entre os casais - em tempos de relações efêmeras, não basta ser o amor o guia principal das atitudes e comportamentos entre duas pessoas que, hipoteticamente, estão juntas porque se amam.

Não. Sempre existem outros interesses em jogo. São muito mais importantes a vaidade, o orgulho, a superficialidade. Hoje em dia, duas pessoas ficam juntas porque é fácil estarem juntas, uma vez que sem profundidade, não surgem conflitos. E é só. Ponto. Parceiro legal é aquele que não te aborrece, não enche o saco com seus horários, com o que você faz durante seu dia, na verdade pouco importa porque “deve haver individualidade”.

Basta isso, basta que seja um complemento simples e livre de quaisquer problemas. E na iminência de haverem quaisquer tipos de dores de cabeça emocionais, zap! Elimina-se o parceiro como quem joga fora um aparelho celular que às vezes faz um pouco de chiado. E ainda falam de amor!

Falam tanto que os relacionamentos devem ser feitos de troca, e então eu te pergunto: só te amo se você me amar em troca? Falam tanto de haver espaço para a individualidade, de um “não precisar do outro”, e eu acabo ficando na dúvida: quando foi que a individualidade passou a significar egoísmo, falta de parceria? As mulheres que me desculpem, mas em relação a este tópico, a verdade é que eu estou farta desse papinho feminista.

Acho que o mundo precisa sim de mais amor, urgente, agora, asap. Mas pedir por amor vai contra tudo aquilo que o amor traz consigo, que é a doação, a espontaneidade. Quem já amou um dia sabe que não tem nada a ver com troca. Quem ama simplesmente ama, sem grandes motivos que justifiquem este sentimento. Ama porque quer, ou até porque não consegue evitar. Ama e acabou.

Então que todos amem-se uns aos outros sim, adorei, mas (aí sim) POR FAVOR, não desvirtuem a essência de um sentimento tão bonito colocando seus egos no meio. Amor não tem nada a ver com favor. Por mais que rime.

sexta-feira, março 05, 2010

Infinito Particular



Minha amiga me disse: “O que me espanta em você é que você tem plena consciência de tudo o que acontece e do porquê de você agir assim. Mas isso não é o suficiente para mudar. O que será?

Me sinto às vezes como quando chegamos em um lugar e uma placa enorme nos informa que é proibido estacionar. Paira a pergunta: onde parar então?

Em tempos de incompreensão e de falta de diretrizes internas, reconheço um solo ainda fértil e pleno em potencialidades. Me estranho, mas me identifico na lindíssima música da Marisa Monte – apesar de feia, ainda a voz mais bonita do Brasil.


“Eis o melhor e o pior de mim, o meu termômetro, o meu quilate. Vem, cara, me retrate, não é impossível, eu não sou difícil de ler! Faça sua parte, eu sou daqui, eu não sou de Marte. Vem, cara, me repara, não vê? Tá na cara, sou porta-bandeira de mim! Só não se perca ao entrar no meu infinito particular. Em alguns instantes sou pequenina e também gigante. Vem, cara, se declara, o mundo é portátil pra quem não tem nada a esconder. Olha minha cara: é só mistério, não tem segredo, vem cá, não tenha medo – a água é potável, daqui você pode beber. Só não se perca ao entrar no meu infinito particular.”

domingo, fevereiro 28, 2010

É pra frente, jão!


E tem gente que ainda se pergunta qual é o sentido da vida...

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

"O problema é meu"



Um sábio chinês estava sentado no alto do mosteiro, meditando, quando o novo discípulo chega, afobado:

- Mestre, mestre, houve um problema!

O mestre, calado, sequer abre os olhos.

- A nova servente do mosteiro, que me ajuda nas tarefas diárias, diz que não virá mais!

O mestre respira fundo, e finalmente abrindo os olhos diz:

- Creio que esse é um problema seu – e fecha novamente os olhos.

O discípulo não se dá por vencido:

- É que ela diz estar grávida!

O mestre respira fundo novamente, e sem abrir os olhos diz:

- Então creio que este é um problema dela.

- Mas mestre... ela diz que o filho é seu!

O mestre respira fundo lentamente, e por fim abre os olhos, encarando o discípulo:

- Creio então, discípulo, que este é um problema meu.

Fecha os olhos.

Fim de papo.

terça-feira, fevereiro 23, 2010

Equipe


Assistindo às provas das Olimpíadas de Inverno, me deparei com a patinação artística em duplas. Um show de sincronia. Fiquei pensando que talvez relacionar-se requeira as mesmas habilidades que requer a patinação conjunta: sincronia, parceria. É equipe. Quando o outro desequilibra, o parceiro investe seu próprio equilíbrio para salvá-lo da queda. Se o outro escorrega, o parceiro compensa. Quando um se joga, confia na força e destreza do outro. E se por acaso eles fracassarem no final, por causa do deslize de apenas um deles, o outro há de consolá-lo, e juntos lambem as feridas – sabem que o problema de um é problema dos dois, não há um culpado. São equipe.

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

O cultivo das 10 perfeições - parte II



Como eu vinha dizendo no meu último post, as 10 paramis (perfeições) nos auxiliam em nosso caminho rumo à felicidade. E apesar deste caminho ser bem mais complexo do que parece ser, encontrei muito sentido ao pensar nestes quesitos, os quais agora compartilho com vocês.

Banthe Buddharakkitha, na última quinta-feira, iniciou sua palestra falando sobre ENERGIA. Energia para mudar, para evoluir, para fazer o que deve ser feito. Quantas e quantas vezes nós conseguimos perceber que algo deve ser feito, mas nos sentimos sem o menor pique? Banthe alertou: para termos energia, precisamos ter urgência! Urgência espiritual, surgida a partir de reflexões profundas e diárias sobre nossa vida e sobre a efemeridade das coisas. Pense honestamente: se sua casa estivesse pegando fogo, você demoraria a sair correndo? Pegaria sua blusa preferida, tomaria um café? Acho que não. Então por que, diante das coisas que sabemos que precisam ser feitas, demoramos tanto a agir? Se não estamos felizes, por que não agir agora?

Ter energia não significa apenas aquela empolgação inicial, não basta resolver sair da casa e ir até a porta. Você deve atravessá-la. A energia precisa ser sustentada ao longo do tempo, havendo a DETERMINAÇÃO heróica de jamais parar no meio do caminho – e é claro que, para isso, nossas metas devem ser realistas e nossos objetivos claros. Ser determinado é ser imperturbável, é ser resoluto. Ainda no clima de ano-novo, pense por um momento na palavra “resolução”. É verdadeiramente se RESOLver por uma soluÇÃO. É uma escolha, que quando feita internamente, bota pra quebrar. É fogo suficiente para “ferver”, ao invés de permanecer morninho.

É preciso ser consistente! Mas também é preciso ser paciente com nós mesmos e com o mundo. A PACIÊNCIA é a aceitação sábia das coisas como elas realmente são, e reconhecer que somos imperfeitos é uma atitude sábia. Portanto, não importa o quanto tenhamos dificuldade, ou o quão lentamente caminhemos: desde que seja para frente, é válido. Afinal, tudo é apenas percepção, nada do que pensamos é, de fato, a realidade... então por que se incomodar e se impacientar tanto com as coisas, ao invés de simplesmente observar as coisas sob uma outra ótica, livre da raiva? Banthe alertou: por detrás da impaciência está a raiva, meus amigos...

E por falar em realidade, como pode ser difícil apreendê-la quando somos condicionados, desde pequenos, a ver as coisas em sua superfície... enxergar a VERDADE é um grande desafio... falar a verdade, agir com a verdade, sentir a verdade. Tudo isso elimina a ansiedade e as tensões, elimina os conflitos mentais e nos torna mais sábios, livre das ilusões. É claro que existem verdades relativas (você chamaria de mentiroso alguém que te diz que o sol “nasceu” às 6 horas?) e absolutas (todo mundo sabe que o sol não “nasce”, ele simplesmente aparece). Mas a verdade última, livre dos condicionamentos, das ilusões fabricadas pelos nossos sentidos, que independe de conceitos ou de imaginação, é o objetivo final daqueles que realmente desejam se iluminar. Perguntei ao Banthe como enxergar essa verdade final: “você deve meditar com sinceridade, com plena atenção”, ele me respondeu.

Sinceros também devem ser nossos sentimentos. Praticar a BONDADE AMOROSA com sinceridade, e não pra inglês ver, pode ser uma tarefa árdua. Praticar a empatia e ver o amor como uma habilidade pode ser algo novo; amar verdadeiramente todos os seres (não só os humanos) traz amor de volta a quem ama. É a lei da vida, é a lei do Dharma. Amar de verdade não é difícil, é natural do ser humano – devemos criar pontes entre nós, nunca cercas.

Pode ser difícil amar de verdade e conseguir equilibrar tantos sentimentos diferentes. A EQUANIMIDADE é um conceito dificílimo de praticar, especialmente quando as pessoas podem se magoar tão seriamente. O amor deve ser igualmente equilibrado – não se pode confundir com apego, com posse. O afeto entre os seres deve ser equilibrado, assim como nossos estados mentais. Tudo que é excessivo é prejudicial. Devemos tentar praticar a equanimidade sempre que nos vemos “tomados” por sentimentos desconfortáveis – a estabilidade é o objetivo final, e reconhecer a impermanência eterna das coisas ajuda a manter a mente equilibrada.

A ordem de prática destas perfeições pouco importa – a não ser que você queira ser um Buda, aí talvez você deva praticar fervorosamente uma por vida. O importante mesmo é exercitá-las todos os dias com sinceridade, mesmo que seja um pouquinho – gota por gota vamos enchendo nosso potinho de felicidade, nos focando no presente e no que temos, em vez de sempre desejar mais e focar no que não temos.

Qualquer pote, seja pequeno, grande, de boca larga ou estreita, qualquer pote MESMO sempre fica cheio um dia, se as gotas não pararem de pingar. Sejamos determinados, pacientes, e façamos tudo com energia e amor, no caminho da verdade e do equilíbrio. Esta é a receita de Buda que, através do Banthe, se fez chegar nos meus ouvidos: menos drama, mais Dharma!

Namastê!

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

O cultivo das 10 perfeições



Esta semana, motivada pela sensação de que algo deveria ser feito sobre minhas oscilações emocionais, meti as caras e fui a uma palestra oferecida pela Casa de Dharma, com o Venerável Monge Banthe Buddharakkitha (foto). Não sou budista, mas sendo simpatizante, me interessei pelo tema: O Cultivo das 10 perfeições. Sem saber meditar e não fazendo a menor idéia das diferenças entre o Budismo Theravada e o Budismo Chinês, lá fui eu na palestra na maior expectativa.

A idéia era fascinante: uma vida feliz envolve necessariamente 10 características, e é necessário se adotar uma determinada postura em relação a cada uma delas. O raciocínio é muito simples: cultivando cada item e mantendo a postura correta sobre eles, o resultado produzido é felicidade. Acreditei piamente: alguém já viu monge deprimido? Ansioso? Com compulsão alimentar?

Neste primeiro dia de palestra, fiquei absolutamente encantada, a começar pela figura do Banthe. A Renata já tinha me dito pra eu atentar pra postura destes monges theravada, e de fato fiquei impressionada: era a imagem da tranqüilidade, era uma pessoa realmente FELIZ. Senti uma extrema paz e confiança vindo dele, alguém que eu realmente gostaria que estivesse dentro da minha vida, da minha casa, do meu círculo de amigos. Alguém em quem me espelhar.

Foram abordadas 4 perfeições: generosidade, ética, renúncia e sabedoria. Tendo como base a idéia de que a felicidade real está no momento presente, e que nosso sofrimento advém dos desejos excessivos ou inapropriados (donde vem a expectativa, e por conseqüência, a frustração), começou a fazer todo o sentido do mundo o que de fato acontece aqui dentro de mim.

Ser generoso faz bem e traz satisfação, alegria, tranqüilidade e então felicidade. Felizes, estamos concentrados e aptos a continuarmos felizes. Mas doar não é o mesmo que abandonar – a generosidade está ligada à renúncia, e não apenas de bens materiais. Quando renunciamos ao material, estamos renunciando à cobiça, à ilusão de que nossa felicidade está fora de nós, nas coisas que possuímos.

Também é necessário renunciar a alguns sentimentos – abrir mão da raiva e dos sofrimentos que nós mesmos criamos! E é claro que determinados sofrimentos advém de fatores externos, mas cabe a nós, novamente, decidir cortar ou manter tais fatores nocivos em nossa existência.

No fundo no fundo, tudo acontece apenas dentro de nós. E dentro de nós está a escolha de existir neste mundo de maneira ética e sábia. Ser sábio é perceber as coisas em seus detalhes, é refletir sobre os conhecimentos, é deixá-los penetrar nossas mentes como a chuva penetra a terra fértil. É agir corretamente não por medo da punição, mas por entender que, na lei da vida, tudo o que fazemos fatalmente se voltará contra nós, o que não tem nada a ver com a tranqüilidade e felicidade.

Fiquei absolutamente encantada com a palestra e realmente motivada a aprender mais sobre o assunto. Ter percebido minha dificuldade em me conectar com o presente, esquecendo passado e parando de me pré-ocupar com o futuro, me fez acordar para a MINHA mais Nobre Verdade: ser feliz só vai depender de mim, e está mais do que na hora de eu me responsabilizar por esta missão.

PS: Este post não teve a intenção de propagandear nada: os links e elogios são por conta própria e foram colocados na intenção de espalhar o Dharmma por aí – mais um dos passos do caminho da felicidade :)

PS2: No fim da semana vai acontecer a segunda parte da palestra. Volto aqui e conto tudo.

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

Maktub


Já começo a sentir o calor e a brisa morna que virá daquele deserto. Em meio à urbe paulistana, me pego pensando em camelos, em ouro e prata, em areia e turbantes, em bailarinas usando véus. Conforme o tempo se acelera, me impulsionando rumo ao meu grande sonho, descargas de adrenalina se fazem sentir quando percebo que, afinal, uma parte de mim já está lá.

Cada vez mais possível, mais provável, hoje definitivo: maktub, irei me embrenhar naquele deserto! Irei caminhar por suas areias quentes, irei me calar frente à magnitude de suas pirâmides, irei chorar à beira do Nilo. Irei me banhar em suas praias que tantas e tantas guerras presenciaram, e que tantas e tantas vezes imaginei em minha cabeça. Irei abaixar minha cabeça em reverência a este povo pobre de posses, rico em história, milionário em cultura.

Poderei enfim verificar se minha alma vem de fato dali, se em Luxor e Karnak reconhecerei seus antepassados, se o cheiro do Sahara é como sempre imaginei. Testarei meu paladar procurando reconhecer antigos sabores; fecharei os olhos para ouvir apenas música - que os solos de Derbak tragam para mim as bençãos daquela terra, que já começo a senti-la aqui dentro de mim, nos quase 40 graus desta minha metropolitana São Paulo...

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

Catarse

Hoje, quando chorei, pensava que chorava por alguém. Engano meu, este de colocar sempre fora de mim, os demônios por exorcizar. Hoje chorei e achei ser por alguém, mas chorei ainda mais quando, num misto de medo e vergonha, vi que não era assim. Pois se hoje chorei, e não foram poucas as lágrimas, chorei de verdade por mim, e chorei de amor e de pena de todos aqueles que choram sozinhos. Chorei por estar chorando só, sem um braço para me acalmar. Chorei por todas as perdas, todos os lutos, todos os anos e anos idos. Por tudo o que um dia sonhei ser e que jamais fui. Chorei por perceber, ingênua que sou, que achei que não ia mais sofrer quando alegre eu ficasse, por achar que seria sempre perfeito quando as dores cessassem, por acreditar na fórmula mágica dos amores de curam feridas de outros amores. Chorei ao ver em mim tamanhas incapacidades. Hoje chorei e foi por mim, por mim e por mais ninguém. Por ter finalmente descoberto que a vida não poupa nenhum de nós e que as regras deste jogo nem sempre são estabelecidas no começo da partida. Não importa o quanto acreditamos que um dia tudo ficará bem, um dia nos pegaremos chorando, e acharemos que é por alguém, e iremos sentir certa pena de nós mesmos. E iremos chorar mais ainda, não serão poucas as lágrimas, quando por fim descobrirmos que choramos pela nossa vaidade, por estarmos surpresos que o jogo que estamos jogando simplesmente mudou de nome - possui por fim novas regras, novas e confusas regras que alguém esqueceu de nos contar...

terça-feira, fevereiro 02, 2010

Buraco Negro


Tenho me sentido completamente louca. Instável, volúvel, frágil de verdade. Quero coisas, mas quando elas aparecem, já não quero mais. Em outros momentos, odeio fazer algo, mas quando me surge a oportunidade ideal de interromper isso, me falta força pra sair da inércia e da mesmice. Rejeito algo sentindo culpa e gritando ao mundo que não é um abandono, mas quando este algo concorda comigo, me sinto rejeitada. Quero vencer na vida, mas ao menos sei o que esta vitória significa. Desconheço o troféu. Me paralisa ver as águas desta correnteza avançarem velozes, enquanto tenho medo. A ansiedade me destrói quando percebo que estou nadando lentamente demais. Me sinto mal. Me sinto carente a maior parte do tempo, me sinto rejeitada a maior parte do tempo. Sei que isso tem pouca, ou talvez nenhuma, ligação com a realidade. Tudo se passa aqui dentro de mim, buraco negro. Nenhum afeto que chega é suficiente. Às vezes me pergunto se é o formato, se é o tamanho, se é o tipo. Parece-me que chave nenhuma encaixa nesta fechadura. Tenho expectativas imensas sempre a respeito de tudo. É lógico, estou sempre carente, e os carentes são os que mais esperam, e geralmente os que mais se frustram. Mas como é difícil não criar expectativas quando tudo o que te traz esperança é a possibilidade de mudar. Mudar e ao mesmo tempo permanecer sempre a mesma. Mudar e me redescobrir por completo. Mudar e voltar a ser, com serenidade, aquela que sempre fui, mas que de alguma forma, deixei de ser há muito tempo.

quinta-feira, janeiro 28, 2010

Alguém acredita nisso?



Quando eu digo que não assisto mais TV aberta, me chamam de burguesa. Pode até ser, mas... alguém aí já assistiu a nova propaganda da NET, aquela com a Cláudia Leite?

Pra quem nunca viu, parabéns, sorte a sua. A mulher canta umas 300 vezes o refrão “Eu quero é mais, por isso eu sou NET, eu quero é mais é ser feliz completamente”. Não bastasse a música grudar na cabeça, a voz da Cláudia Leite ser chata e o comercial passar a cada 10 minutos, você ainda tem que engolir a seco e acreditar que a única coisa que faz a Cláudia Leite ser feliz completamente é assinar a NET.

Tá. Não basta ela ser linda, ter um puta corpo, ser casada com um cara lindo, ter tido um filho lindo (e estar novamente magra em 15 dias), ter milhões de reais na conta, viver de cantar, viajar pra caralho, ter mil roupas maravilhosas, ter o cabelo liso, ter uma legião de fãs, ser considerada uma pessoa de sucesso, sair na Caras a cada 2 meses, ter preferência no consultório do esteticista, PODER PAGAR o melhor esteticista, ter hábitos saudáveis e unhas que jamais mancham o esmalte.

Não. Ela tem que assinar a merda da NET, cujo sinal cai quase todo dia.

Fico puta com essas coisas. Parece que tão tirando uma da minha cara. Bicho, se a felicidade fosse assinar a NET, eu estaria dando pulinhos de alegria.

Se bem que na TV a cabo não passa a propaganda da Cláudia Leite. Isso sim deve ser a felicidade.

PS: E pra quem estiver pensando em fazer um discurso sobre “dinheiro não traz felicidade” e sobre o quanto alguém pode ter tudo isso e não ser feliz e blábláblá-wiskas-sachê-blablabla, já fica aqui o meu recado: vai tomar na Net e seja muito feliz (rá!)!

quarta-feira, janeiro 27, 2010

Felicity Porter (flashback)




Impedida de fazer qualquer coisa por causa de uma mega conjutivite, resolvi remexer no passado e despertar lembranças: voltei a assistir Felicity, seriado transmitido pela Sony em 1998. Na época eu tinha 15 anos e estava começando o 1º colegial, usava óculos fundo-de-garrafa, aparelhos fixos nos dentes e era um tanto quanto deprimida.

Assistir Felicity me trazia uma falsa sensação de segurança, uma luz no fim do túnel de que, passados aqueles anos horríveis de escola, a minha vida inteira mudaria a partir do momento em que eu pusesse os pés na faculdade. Eu seria mais velha, teria finalmente amigos, estudaria apenas o que eu quisesse, tiraria óculos e aparelho, e viveria tantas emoções diferentes que eu finalmente iria poder me considerar uma pessoa feliz (algo que eu não cheguei nem perto de ser durante toda a minha adolescência).

Hoje, olhando para trás, chego quase a sentir pena de mim mesma, daquela menina que achava que os sentimentos que a invadiam ficariam do lado de fora da Universidade, presos no passado. Aquela ingenuidade quase irritante que não desconfiava que além de ser apenas uma fantasia, no Brasil tudo é muito diferente e eu jamais poderia cursar o pré-médico e depois mudar pra Artes Plásticas. Hoje isso tudo me traz um gosto amargo na boca, uma sensação terrível de desmaio quando penso que a felicidade nunca esteve no futuro, nunca esteve na faculdade (a qual nunca curti tanto assim), nunca esteve nos garotos.

Hoje, assistindo Felicity, me sinto atropelada pela nostalgia, a saudade daquele tempo que não volta mais, das coisas que eu nunca vivi e das quais sinto tanta falta. Às vezes me pego pensando que eu já vivi sim um primeiro grande amor; de repente me flagro tendo esperanças de finalmente encontrar meu Ben Covington, de finalmente ser feliz. Percebo então, com alguma tristeza, que já vivi tudo isso, já encontrei diversos pares, já fiz os meus cursos, virei adulta.

Com certa relutância aceito então que só me resta agora continuar, inexoravelmente, caminhando para frente, em busca das história que ainda não foram vividas, e que talvez jamais serão... angústias...

sexta-feira, janeiro 08, 2010

I wish...


Achei esta figura no blog de uma amiga e confesso que me fez pensar.

É nesta época que todo mundo resolver fazer suas listinhas de resoluções de Ano-Novo, e eu devo admitir, quase envergonhada, que há mais ou menos 10 anos eu não faço uma.

Pra falar bem a verdade, acho as listas de resolução de ano-novo um porre! Nunca as encarei como metas, e sim como promessas, cobranças, limitações.

É claro que nisso entra a minha perspectiva, minha maneira, às vezes um tanto negativista, de enxergar as coisas. Mas a real é que, na minha vida, jamais consegui cumprir as benditas resoluções escritas num papelzinho.

Então me peguei pensando sobre as minhas verdadeiras metas, o que eu realmente tenho a intenção de fazer, no que realmente quero concentrar esforços, e devo dizer que muitas das metas continuam as mesmas que no ano passado, mas se encontram em diferentes etapas.

Quero, para 2010, um consultório cheio de pacientes que eu possa ajudar, mas não cheio por haverem muitas pessoas doentes, e sim porque muitas pessoas doentes resolveram procurar ajuda.

Quero que esta profissão me traga recompensas, mas não quero jamais esquecer que uma das principais recompensas de ser psicóloga é ver a vida em movimento, é ver a mudança, e que isso definitivamente não tem dinheiro que pague.

Quero amigos à minha volta, mas não somente velhos amigos que eu insisto em puxar para junto de mim sem ter uma recíproca verdadeira, e sim novas pessoas que queiram se inserir em minha vida com sinceridade.

Quero ser menos apegada, mas não apenas por redimensionar o valor das coisas – quero finalmente compreender que o que existe fora de mim é efêmero e breve, e que a única questão que realmente importa é a que se passa aqui dentro.

Quero, mas quero muito mesmo, amar do jeito certo, livre de paranóias, de ansiedades, de desconfianças. Quero amar com o coração, não com a cabeça. Quero amar verdadeiramente, e não através da insegurança. Quero um amor livre, fértil e maduro, ao lado de quem eu escolhi para me complementar.

Quero uma mente disciplinada que me conduza à felicidade, quero um corpo saudável que me carregue pela vida, quero uma alma limpa de rancores.

E quero, acima de tudo, jamais deixar de me surpreender com as coisas, pois é o espanto da vida que me motiva, a cada dia, a continuar em frente.

Feliz 2010!

quarta-feira, janeiro 06, 2010

Apego

Sonhava que abria caixas, guardadas num armário velho há muito, muito tempo. Dentro delas materiais escolares, produtos de papelaria, apontadores, grampeadores, tesouras. Vários deles, repetidos, empoeirados.

O desejo: escolher apenas um de cada e me desfazer dos outros.

O sentimento: a angústia de não conseguir me desvencilhar de coisas antigas que carregam história.

Alguém então diz: não é preciso jogar fora, basta eleger um a ser usado e retornar o resto ao armário. A existência de um não significa, necessariamente, o fim da existência do outro. Uma história não precisa excluir todas as outras.

O desejo: escolher o mais útil, o mais funcional e também o mais bonito.

O sentimento: a angústia de não conseguir eleger, entre todas as coisas antigas e carregadas de história, a que mais tivesse significado para mim.

Moral da história: certos esqueletos devem permanecer para sempre dentro de seus armários...

quarta-feira, dezembro 23, 2009

2009, check...?


2009 se encerra de maneira epopéica. Que ano.

Teve deprê, teve alegria, teve crise e teve fartura.

Teve redescoberta.

Houveram muitas horas em que duvidei da minha capacidade e muitas, muitas outras, em que elas foram confirmadas. Mas o que ficou nos bastidores, e que não foi aberto ao público, é que foi preciso um esforço hercúleo pra dominar a ansiedade que batia toda hora em que eu me pus à prova.

Especialmente no sentido profissional – que fodíssima superar a minha própria ansiedade e cuidar das dos outros! O destino, ironicamente, tratou de me mandar, um após o outro, pacientes com transtornos de ansiedade...

Que cara de pau eu tive que ter pra defender algumas dicas de controle emocional que eu mesma desenvolvi pra poder, finalmente, receber alta da medicação... técnicas, estratégias, confiança em mim mesma, às vezes de verdade, às vezes fingindo só pra poder continuar avançando.

Hipocrisia?
Meta!

Um terço da meta profissional alcançada, e que venha o resto pra eu saborear, como dizia o Raul, com amor e com medo.

E por falar em amor e medo... cheguei no fim da listinha bolada mentalmente de Coisas Importantíssimas a Tratar Antes de Um Novo Relacionamento. Que situação, ali estava o último item, tão relegado às traças! Profissão, check!, Saúde, check! Kickboxing, check!, aulas de dança, check!, Projeto Mulherzinha, check!, escrever mais, check!, rancores, check!, amigos, check!

O que mais eu poderia fazer? Criar novos itens e encaixa-los, preguiçosamente, acima da minha vida afetiva? Sapatos, bolsas, pedicure?

Mas a vida dificilmente nos livra de algo que pede para ser cuidado. E os Deuses da Ansiedade me botaram novamente à prova, desenhando na minha frente a possibilidade de fazer diferente e me arriscar num novo relacionamento.

Check?

Tsc tsc!

Nem tudo é tão simples assim, e confesso que abandonar o individualismo, abraçar o companheirismo e CEDER são algumas das coisas mais difíceis que já enfrentei na vida!

Mas vamos em frente, que as listinhas de resoluções de Ano-Novo foram abandonadas há tempos e, pra quem acha que o ano acabou, notícia: ainda há muito a ser trabalhado nestes últimos dias que nos restam...

Avante! Todo bom samurai sabe muito bem: pedra que rola não cria limo.