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Os devaneios e reflexões nossos de cada dia.
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Minha amiga me disse: “O que me espanta em você é que você tem plena consciência de tudo o que acontece e do porquê de você agir assim. Mas isso não é o suficiente para mudar. O que será?”
Me sinto às vezes como quando chegamos em um lugar e uma placa enorme nos informa que é proibido estacionar. Paira a pergunta: onde parar então?
Em tempos de incompreensão e de falta de diretrizes internas, reconheço um solo ainda fértil e pleno em potencialidades. Me estranho, mas me identifico na lindíssima música da Marisa Monte – apesar de feia, ainda a voz mais bonita do Brasil.
“Eis o melhor e o pior de mim, o meu termômetro, o meu quilate. Vem, cara, me retrate, não é impossível, eu não sou difícil de ler! Faça sua parte, eu sou daqui, eu não sou de Marte. Vem, cara, me repara, não vê? Tá na cara, sou porta-bandeira de mim! Só não se perca ao entrar no meu infinito particular. Em alguns instantes sou pequenina e também gigante. Vem, cara, se declara, o mundo é portátil pra quem não tem nada a esconder. Olha minha cara: é só mistério, não tem segredo, vem cá, não tenha medo – a água é potável, daqui você pode beber. Só não se perca ao entrar no meu infinito particular.”
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Achei esta figura no blog de uma amiga e confesso que me fez pensar.
É nesta época que todo mundo resolver fazer suas listinhas de resoluções de Ano-Novo, e eu devo admitir, quase envergonhada, que há mais ou menos 10 anos eu não faço uma.
Pra falar bem a verdade, acho as listas de resolução de ano-novo um porre! Nunca as encarei como metas, e sim como promessas, cobranças, limitações.
É claro que nisso entra a minha perspectiva, minha maneira, às vezes um tanto negativista, de enxergar as coisas. Mas a real é que, na minha vida, jamais consegui cumprir as benditas resoluções escritas num papelzinho.
Então me peguei pensando sobre as minhas verdadeiras metas, o que eu realmente tenho a intenção de fazer, no que realmente quero concentrar esforços, e devo dizer que muitas das metas continuam as mesmas que no ano passado, mas se encontram em diferentes etapas.
Quero, para 2010, um consultório cheio de pacientes que eu possa ajudar, mas não cheio por haverem muitas pessoas doentes, e sim porque muitas pessoas doentes resolveram procurar ajuda.
Quero que esta profissão me traga recompensas, mas não quero jamais esquecer que uma das principais recompensas de ser psicóloga é ver a vida em movimento, é ver a mudança, e que isso definitivamente não tem dinheiro que pague.
Quero amigos à minha volta, mas não somente velhos amigos que eu insisto em puxar para junto de mim sem ter uma recíproca verdadeira, e sim novas pessoas que queiram se inserir em minha vida com sinceridade.
Quero ser menos apegada, mas não apenas por redimensionar o valor das coisas – quero finalmente compreender que o que existe fora de mim é efêmero e breve, e que a única questão que realmente importa é a que se passa aqui dentro.
Quero, mas quero muito mesmo, amar do jeito certo, livre de paranóias, de ansiedades, de desconfianças. Quero amar com o coração, não com a cabeça. Quero amar verdadeiramente, e não através da insegurança. Quero um amor livre, fértil e maduro, ao lado de quem eu escolhi para me complementar.
Quero uma mente disciplinada que me conduza à felicidade, quero um corpo saudável que me carregue pela vida, quero uma alma limpa de rancores.
E quero, acima de tudo, jamais deixar de me surpreender com as coisas, pois é o espanto da vida que me motiva, a cada dia, a continuar em frente.
Feliz 2010!
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