segunda-feira, agosto 03, 2009

perdão

Para J.


Revirei minhas memórias em busca de nós dois. Isso nunca me fez bem. Vasculhei minhas lembranças tentando resgatar esse mínimo de mim, tarefa ingrata. Olhei as nossas fotos. Ali, escondidas nas pastas ocultas do PC, jaziam elas, esperando que um dia pudessem ser novamente admiradas, livres de toda a mágoa.

Respirei fundo pra continuar nesse caminho sem volta de apagar você. Ali estávamos nós, sorrindo diante do que o futuro, esse cruel, nos reservava. Olha nossos olhos – os verdes e os azuis, zombando da realidade. As palmeiras, a areia e o mar, fazendo coro: aqui somos felizes. Ah, que se a gente imaginasse o quanto a realidade ia por isso nos castigar.

Voltei as vistas para aquela, aquela uma em particular em que nos flagraram nos mirando. Naquele olhar eu percebi que foi tudo de verdade, gostei de você e você gostou de mim, embora tão efêmero. Jamais houvera a intenção de machucar. Naquele instante acreditei: não houve nenhum vilão e nenhum mocinho, nunca houveram os culpados que eu cismei em acusar.

Éramos só nós, seres humanos imperfeitos nessa arte desengonçada de se relacionar. As fotos mais recentes traziam olhos diferentes, que já previam o final e já viviam nosso luto. Sorri ao perceber que nosso olhar já não olhava a câmera – olhava pra dentro de nós dois, tentando se perdoar.

Já faz tempo,
E já é hora,
O ressentimento foi embora,
Deixou saudade em seu lugar.

7 comentários:

Luli disse...

Um parágrafo interessante do Jabor (mesmo, pq eu pesquiso antes de promover batatada) pra vc:
"Gosto do olhar de onça, parado, quando queremos seduzi-las, mesmo sinceramente, pois elas sabem que a sinceridade é volúvel, não perdura. Um sorriso de descrédito lhes baila na boca quando lhe fazemos galanteios, mas acreditam assim mesmo, porque elas querem ser amadas, muito mais que desejadas. Elas estão sempre fora da vida social, mesmo quando estão dentro."

Fernanda S. disse...

Eita vida de relacionamentos mais estranha que nós temos, né? E não tem jeito...
Ainda bem que resta a saudade e que vc percebeu que algo foi verdadeiro, mas a seu tempo!
Amooo!
To com saudade!

Leonardo disse...

Nana,

É mesmo ótimo quando o ressentimento deixa de existir e é substituído. Por sentimentos melhores ou por sentimento nenhum... O importante é que a mágoa deixa de ocupar um espaço da vida que pode ser muito melhor aproveitado.

Lindo texto! Por essas e outras que já sou fã e não deixo de visitar o blog.

Beijo

Flavia Melissa disse...

sabe como é que isso se chama?

LIBERTAÇÃO!

L.J disse...

Ei parabéns pelo texto, o importante é que esse sentimento de nostalgia te impulsione, sempre aprendemos mais quando analisamos o que fizemos quando o tempo nos dá uma chance de deixar os ressentimentos de lado para contemplar o que ainda vai vir... e muita coisa ainda há de vir pra vc... :)


Beijos

raulzitos disse...

primeiro, lindissimo texto!
muito lindo e emocionante. carregado com o frescor das relações...

segundo, indico um livro. Chama-se Dharma! Acho que deve ler. é da Annie Besant.

a experiencia é como um farol voltado para dentro de si...

clair disse...

afeeee...ate chorei!