quinta-feira, janeiro 28, 2010

Alguém acredita nisso?



Quando eu digo que não assisto mais TV aberta, me chamam de burguesa. Pode até ser, mas... alguém aí já assistiu a nova propaganda da NET, aquela com a Cláudia Leite?

Pra quem nunca viu, parabéns, sorte a sua. A mulher canta umas 300 vezes o refrão “Eu quero é mais, por isso eu sou NET, eu quero é mais é ser feliz completamente”. Não bastasse a música grudar na cabeça, a voz da Cláudia Leite ser chata e o comercial passar a cada 10 minutos, você ainda tem que engolir a seco e acreditar que a única coisa que faz a Cláudia Leite ser feliz completamente é assinar a NET.

Tá. Não basta ela ser linda, ter um puta corpo, ser casada com um cara lindo, ter tido um filho lindo (e estar novamente magra em 15 dias), ter milhões de reais na conta, viver de cantar, viajar pra caralho, ter mil roupas maravilhosas, ter o cabelo liso, ter uma legião de fãs, ser considerada uma pessoa de sucesso, sair na Caras a cada 2 meses, ter preferência no consultório do esteticista, PODER PAGAR o melhor esteticista, ter hábitos saudáveis e unhas que jamais mancham o esmalte.

Não. Ela tem que assinar a merda da NET, cujo sinal cai quase todo dia.

Fico puta com essas coisas. Parece que tão tirando uma da minha cara. Bicho, se a felicidade fosse assinar a NET, eu estaria dando pulinhos de alegria.

Se bem que na TV a cabo não passa a propaganda da Cláudia Leite. Isso sim deve ser a felicidade.

PS: E pra quem estiver pensando em fazer um discurso sobre “dinheiro não traz felicidade” e sobre o quanto alguém pode ter tudo isso e não ser feliz e blábláblá-wiskas-sachê-blablabla, já fica aqui o meu recado: vai tomar na Net e seja muito feliz (rá!)!

quarta-feira, janeiro 27, 2010

Felicity Porter (flashback)




Impedida de fazer qualquer coisa por causa de uma mega conjutivite, resolvi remexer no passado e despertar lembranças: voltei a assistir Felicity, seriado transmitido pela Sony em 1998. Na época eu tinha 15 anos e estava começando o 1º colegial, usava óculos fundo-de-garrafa, aparelhos fixos nos dentes e era um tanto quanto deprimida.

Assistir Felicity me trazia uma falsa sensação de segurança, uma luz no fim do túnel de que, passados aqueles anos horríveis de escola, a minha vida inteira mudaria a partir do momento em que eu pusesse os pés na faculdade. Eu seria mais velha, teria finalmente amigos, estudaria apenas o que eu quisesse, tiraria óculos e aparelho, e viveria tantas emoções diferentes que eu finalmente iria poder me considerar uma pessoa feliz (algo que eu não cheguei nem perto de ser durante toda a minha adolescência).

Hoje, olhando para trás, chego quase a sentir pena de mim mesma, daquela menina que achava que os sentimentos que a invadiam ficariam do lado de fora da Universidade, presos no passado. Aquela ingenuidade quase irritante que não desconfiava que além de ser apenas uma fantasia, no Brasil tudo é muito diferente e eu jamais poderia cursar o pré-médico e depois mudar pra Artes Plásticas. Hoje isso tudo me traz um gosto amargo na boca, uma sensação terrível de desmaio quando penso que a felicidade nunca esteve no futuro, nunca esteve na faculdade (a qual nunca curti tanto assim), nunca esteve nos garotos.

Hoje, assistindo Felicity, me sinto atropelada pela nostalgia, a saudade daquele tempo que não volta mais, das coisas que eu nunca vivi e das quais sinto tanta falta. Às vezes me pego pensando que eu já vivi sim um primeiro grande amor; de repente me flagro tendo esperanças de finalmente encontrar meu Ben Covington, de finalmente ser feliz. Percebo então, com alguma tristeza, que já vivi tudo isso, já encontrei diversos pares, já fiz os meus cursos, virei adulta.

Com certa relutância aceito então que só me resta agora continuar, inexoravelmente, caminhando para frente, em busca das história que ainda não foram vividas, e que talvez jamais serão... angústias...

sexta-feira, janeiro 08, 2010

I wish...


Achei esta figura no blog de uma amiga e confesso que me fez pensar.

É nesta época que todo mundo resolver fazer suas listinhas de resoluções de Ano-Novo, e eu devo admitir, quase envergonhada, que há mais ou menos 10 anos eu não faço uma.

Pra falar bem a verdade, acho as listas de resolução de ano-novo um porre! Nunca as encarei como metas, e sim como promessas, cobranças, limitações.

É claro que nisso entra a minha perspectiva, minha maneira, às vezes um tanto negativista, de enxergar as coisas. Mas a real é que, na minha vida, jamais consegui cumprir as benditas resoluções escritas num papelzinho.

Então me peguei pensando sobre as minhas verdadeiras metas, o que eu realmente tenho a intenção de fazer, no que realmente quero concentrar esforços, e devo dizer que muitas das metas continuam as mesmas que no ano passado, mas se encontram em diferentes etapas.

Quero, para 2010, um consultório cheio de pacientes que eu possa ajudar, mas não cheio por haverem muitas pessoas doentes, e sim porque muitas pessoas doentes resolveram procurar ajuda.

Quero que esta profissão me traga recompensas, mas não quero jamais esquecer que uma das principais recompensas de ser psicóloga é ver a vida em movimento, é ver a mudança, e que isso definitivamente não tem dinheiro que pague.

Quero amigos à minha volta, mas não somente velhos amigos que eu insisto em puxar para junto de mim sem ter uma recíproca verdadeira, e sim novas pessoas que queiram se inserir em minha vida com sinceridade.

Quero ser menos apegada, mas não apenas por redimensionar o valor das coisas – quero finalmente compreender que o que existe fora de mim é efêmero e breve, e que a única questão que realmente importa é a que se passa aqui dentro.

Quero, mas quero muito mesmo, amar do jeito certo, livre de paranóias, de ansiedades, de desconfianças. Quero amar com o coração, não com a cabeça. Quero amar verdadeiramente, e não através da insegurança. Quero um amor livre, fértil e maduro, ao lado de quem eu escolhi para me complementar.

Quero uma mente disciplinada que me conduza à felicidade, quero um corpo saudável que me carregue pela vida, quero uma alma limpa de rancores.

E quero, acima de tudo, jamais deixar de me surpreender com as coisas, pois é o espanto da vida que me motiva, a cada dia, a continuar em frente.

Feliz 2010!

quarta-feira, janeiro 06, 2010

Apego

Sonhava que abria caixas, guardadas num armário velho há muito, muito tempo. Dentro delas materiais escolares, produtos de papelaria, apontadores, grampeadores, tesouras. Vários deles, repetidos, empoeirados.

O desejo: escolher apenas um de cada e me desfazer dos outros.

O sentimento: a angústia de não conseguir me desvencilhar de coisas antigas que carregam história.

Alguém então diz: não é preciso jogar fora, basta eleger um a ser usado e retornar o resto ao armário. A existência de um não significa, necessariamente, o fim da existência do outro. Uma história não precisa excluir todas as outras.

O desejo: escolher o mais útil, o mais funcional e também o mais bonito.

O sentimento: a angústia de não conseguir eleger, entre todas as coisas antigas e carregadas de história, a que mais tivesse significado para mim.

Moral da história: certos esqueletos devem permanecer para sempre dentro de seus armários...

quarta-feira, dezembro 23, 2009

2009, check...?


2009 se encerra de maneira epopéica. Que ano.

Teve deprê, teve alegria, teve crise e teve fartura.

Teve redescoberta.

Houveram muitas horas em que duvidei da minha capacidade e muitas, muitas outras, em que elas foram confirmadas. Mas o que ficou nos bastidores, e que não foi aberto ao público, é que foi preciso um esforço hercúleo pra dominar a ansiedade que batia toda hora em que eu me pus à prova.

Especialmente no sentido profissional – que fodíssima superar a minha própria ansiedade e cuidar das dos outros! O destino, ironicamente, tratou de me mandar, um após o outro, pacientes com transtornos de ansiedade...

Que cara de pau eu tive que ter pra defender algumas dicas de controle emocional que eu mesma desenvolvi pra poder, finalmente, receber alta da medicação... técnicas, estratégias, confiança em mim mesma, às vezes de verdade, às vezes fingindo só pra poder continuar avançando.

Hipocrisia?
Meta!

Um terço da meta profissional alcançada, e que venha o resto pra eu saborear, como dizia o Raul, com amor e com medo.

E por falar em amor e medo... cheguei no fim da listinha bolada mentalmente de Coisas Importantíssimas a Tratar Antes de Um Novo Relacionamento. Que situação, ali estava o último item, tão relegado às traças! Profissão, check!, Saúde, check! Kickboxing, check!, aulas de dança, check!, Projeto Mulherzinha, check!, escrever mais, check!, rancores, check!, amigos, check!

O que mais eu poderia fazer? Criar novos itens e encaixa-los, preguiçosamente, acima da minha vida afetiva? Sapatos, bolsas, pedicure?

Mas a vida dificilmente nos livra de algo que pede para ser cuidado. E os Deuses da Ansiedade me botaram novamente à prova, desenhando na minha frente a possibilidade de fazer diferente e me arriscar num novo relacionamento.

Check?

Tsc tsc!

Nem tudo é tão simples assim, e confesso que abandonar o individualismo, abraçar o companheirismo e CEDER são algumas das coisas mais difíceis que já enfrentei na vida!

Mas vamos em frente, que as listinhas de resoluções de Ano-Novo foram abandonadas há tempos e, pra quem acha que o ano acabou, notícia: ainda há muito a ser trabalhado nestes últimos dias que nos restam...

Avante! Todo bom samurai sabe muito bem: pedra que rola não cria limo.

quarta-feira, dezembro 16, 2009

Acorda Kassab!!!


Da rua em que eu moro até a casa de um pacientinho são mais ou menos 12km. Eu to aqui na Centro-oeste, ele em Moema.

Quando comecei a atendê-lo, uns dois anos atrás, eu saía de casa às 5h45 pra estar lá as 6h30. Às vezes chegava antes e comia uma empada ali na Empada Carioca. Semana passada eu saí as 5h30 e cheguei 20 minutos atrasada.

Hoje, após 5 minutos de chuva, voltei do meio do caminho. Na Radio Sul America (obrigaaaaaaaaada), já noticiavam os primeiros pontos de alagamento na Zona Oeste. A Leste já estava totalmente alagada.

Menos R$60,00 no bolso acaba não sendo nada perto do aborrecimento do carro travar no meio de um alagamento. Pra galera que nunca tem nada, mas quando chove perde tudo, fica aquela broxada e aquele inconformismo de que a 5ª maior cidade do mundo, quando chove, simplesmente não anda mais.

Se eu fosse a responsável por uma coisa dessas, não conseguiria dormir a noite.

Acorda Kassab!!!!

segunda-feira, dezembro 14, 2009

Duco

Não existem formas de controlar a tristeza quando a esperança de mudar abandona nossas terras. É o conformismo, a resignação, a falta de iniciativa que destroem as nossas crenças. Fazem a gente andar ao contrário, progredir pra trás, voltar pra frente, caminhar em círculos.

Nem tudo faz o sentido que eu gostaria que fizesse, talvez me falte aceitação de que o mundo é o que é e ponto. As pessoas são o que são e ponto. Dificuldades existem e ponto. Mas como abandonar o entusiasmo da crença pela mudança, desta guerra pelo entendimento, e me acomodar, pesada e tediosa, em cima deste ponto?

Acreditar na felicidade como a ausência de tristeza nunca me convenceu. Fazer banquetes de migalhas jamais me satisfez, entendo que talvez todos tenham o que mereçam, os erros são conseqüências de muitos outros, quem enxerga mais deve poder ceder mais. Tem que ser flexível. Tem que admitir, tem que assumir as responsabilidades.

Aceito e acolho que nem sempre seremos felizes o tempo todo, mas também acredito convictamente e com tranqüilidade que se fui eu mesma que me coloquei nesta situação, sem dúvida alguma posso me retirar dela.

quinta-feira, dezembro 03, 2009

Faixa marrom, OSSU!

Pra quem não consegue nem me imaginar lutando, aqui vão alguns momentos bem sucedidos do meu exame de faixa... OSSU!


Yoko Geri (chute lateral na altura do estômago)


Jodan Mawashi Geri (chute circular na cabeça)


Jodan Ushiro Mawashi Geri (chute circular giratório na cabeça)

terça-feira, dezembro 01, 2009

Non ducor...

Eu tenho o costume de não olhar pro lado positivo das coisas e viver procurando defeitos. Não posso dizer que já consegui eliminar meus velhos hábitos, nem tampouco que virei uma otimista inveterada, mas percebo certas coisas evoluindo.

Após 3 anos e meio de treinamento ferrenho nas Artes Marciais do Kickboxing, fui submetida ao maior e mais angustiante teste que uma ansiosa como eu pode vivenciar: avaliação técnica, individual, na presença de mais de 50 pessoas.

Tremi, tive insônia, fiz cocô no banheiro do Barateiro. Minha garganta travou, minhas mãos suaram, chorei no banheiro (ao que parece, o banheiro é o refúgio dos desesperados). Briguei com o namorado. Perceber meu nível de desespero me deixou cada vez mais desesperada.

Uma hora voltei a mim e me pus no meu devido lugar. Parei de chorar e me conformei com a minha dificuldade de enfrentar certas situações, seja um exame de faixa, seja conhecer os amigos do namorado. Ter medo das coisas há muito deixou de me impedir de fazê-las. Segui em frente.

60 minutos depois, cansada, destruída, com hematomas, sem ar, exposta... conquistei a faixa marrom e ganhei o título de Senpai. Entendi finalmente que não me era cobrada a perfeição. Me é permitido errar.

Ainda achando que não fiz o meu melhor (nem no exame, nem no controle da minha ansiedade), procuro desfrutar do alívio do depois, sabendo que muito mais virá pela frente. Como quem ganha 15 minutos de descanso em meio a uma maratona, me resolvi por desfrutar do agora, salvando oxigênio pras batalhas futuras.

Desfrutando do novo título e à espera da faixa marrom que há de consagrar o meu esforço, descubro finalmente que investir e batalhar pelo meu futuro é a forma mais segura de poder prevê-lo: não sou conduzida. Conduzo.

terça-feira, novembro 24, 2009

Brincando de casinha


9 em cada 10 mulheres irão se lembrar, pensando nos tempos de criança, de 2 brincadeiras que absolutamente TODA menina já brincou: “brincar de casinha” e “brincar de boneca”. Na verdade as duas brincadeiras são bem semelhantes: consiste em, basicamente, fantasiar uma série de situações, geralmente domésticas e amorosas, e encená-las, seja com as bonecas, seja pessoalmente.

Os anos vão passando e estas brincadeiras tendem a ser abandonadas, mas toda mulher há de concordar que a essência do brincar de casinha permanece em nossas fantasias, quando imaginamos namorar com este ou aquele carinha, quando nos tornamos adolescentes e nos sentimos quase independentes, quando sonhamos em ter nossa própria casa, quando temos os primeiros namoros de verdade.

Nossos primeiros relacionamentos são o cúmulo da brincadeira de casinha, a gente acha que ama o namorado mais do que tudo nesta vida, faz planos de casar, escolhe o nome dos filhos e o pior: a gente acredita de coração que tudo isso vai acontecer. Com o passar do tempo, a gente segue brincando de casinha, não faz mais tantos planos assim, pois já tomamos o suficiente na cabeça pra não sonhar tão alto, mas secretamente ainda vemos se o sobrenome do namorado fica bem com o nosso próprio nome.

Então chega um dia em que você de repente se dá conta da realidade e não consegue evitar de se perguntar: quando é que a brincadeira de casinha deixa de ser brincadeira e passa a ser realidade? Quando é que a brincadeira assumiu ares mais sérios e resolveu virar verdade, assim, da noite para o dia, e a relação antes descompromissada pede por mais seriedade? Será que é preciso incorporar toda a responsabilidade de uma vida adulta, assumir os verdadeiros compromissos de uma relação a dois, e abandonar o lado divertido da fantasia? Indo mais além: é possível continuar brincando de casinha, mesmo que a relação tenha se tornado uma realidade sólida e indiscutível?

Conheço casais que se desintegraram após o pedido de casamento, ou após irem morar juntos. Parece que transferiram todo o peso da realidade para dentro da relação, e esqueceram de brincar de casinha. A vida diária se transformou num martírio sem fim onde um não corresponde exatamente à expectativa do outro, pois a diferença entre fantasia e realidade é grande demais. Talvez o segredo do sucesso dos casais que permanecem juntos ao longo de muitos anos seja verdadeiramente preservar o lado divertido, leve e brincalhão de seu jogo de bonecas, aquele em que se continua sonhando e morando em castelos encantados a despeito da conta de luz vencer no final do mês. Talvez apenas vislumbrar a seriedade da vida real na hora de dar um jeito de pagar o IPVA no comecinho do ano, mas depois continuar sonhando que o seu Fiat Palio 2003 é, na verdade, uma bela carruagem.

Quem sabe dê pra continuar achando mais importante que seu bebê tenha um quarto rosa ou azul, ao invés de se irá nascer com saúde. Talvez tudo isso nos proteja de certas faces da realidade que são cruéis demais: a falta de grana no fim do mês, o bebê que nasceu prematuro, a insegurança em relação ao marido.

Talvez brincar de casinha seja realmente muito mais gostoso e proveitoso, se não for uma completa negação da vida real. Saber discriminar a fantasia da realidade é um sinal de maturidade, e elemento indispensável para se seguir numa vida adulta e minimamente bem-sucedida. Do contrário, estaremos todos nos enganando.

É como diz a velha frase: intenção sem ação é apenas ilusão. Se a vida é uma brincadeira, brinquemos com maturidade...

terça-feira, novembro 17, 2009

coisas que não voltam atrás

Três coisas que não voltam atrás:

A flecha, quando lançada;
A palavra, quando proferida;
E a oportunidade, quando perdida.

Ah, o tempo. Senhor ingrato do arrependimento!

quarta-feira, novembro 11, 2009

Sinais de que você está envelhecendo


Você compra seu próprio protetor solar
(não pega emprestado da mãe);

Você faz exame de colesterol
(e se preocupa);

Você faz exercício pro bem do seu coração
(e cansa fácil);

Você checa suas finanças quase que diariamente
(e se preocupa);

Você começa frases com "no meu tempo..."
(e não se censura);

Você guarda as papeletas do VisaElectron
(e se preocupa);

Você compra um talão inteiro de Zona Azul
(e dura pouco);

Você fica em Sampa no feriado porque não quer mais pegar trânsito...

... e mesmo assim se preocupa!


PS: Sério, nunca achei que eu teria um talão de Zona Azul. Eu via o da minha mãe e parecia tão distante... coisa de gente grande.

terça-feira, novembro 03, 2009

Em paz com a paz


Andei examinando a minha produtividade literária. Ao longo dos meses, a curva andou decrescendo. Minha cabeça anda meio sossegada de idéias.

Já sabendo que minha criatividade redatória tem tudo a ver com a minha ansiedade, e percebendo que, após a tempestade, meu coração agora vive a calmaria, comecei a achar estranhamente positiva minha falta de ter o que dizer.

Após trancos e barrancos, meu emocional finalmente começa a assentar. Em plena volta do feriadão, eu me sinto em paz.

E uma vez que estar em paz nunca foi fácil pra mim, veio a necessidade de escrever.

Coisa difícil esta, ficar em paz com a paz, após tantos anos de drama.

segunda-feira, outubro 26, 2009

A Depiladora


Outro dia, a Luli discorreu sobre profissões-carrasca. Não me recordo se ela chegou a citar aquela que verdadeiramente me apavora, pelo menos uma vez por mês: a Temível Depiladora.

No lugar onde faço depilação, existem pelo menos 30 depiladoras diferentes (tipo um fast-food da cera quente). E eu, em busca de uma que parecesse mais boazinha, já caí na mão de pelo menos metade delas. Acabei parando na Adenilza, que é a única que já me sorriu ao falar “oi”, e que não parece sentir tanto prazer em cada puxada de cera.

Sim, porque é ÓBVIO que as depiladoras são sádicas por natureza. Ninguém mais suportaria trabalhar o dia inteiro infligindo tanta dor à sua semelhante. Eu imagino que a Adenilza, por mais tranquilinha que pareça, solta altas gargalhadas depois que eu vou embora, se deleitando com o meu sofrimento, e tenho certeza absoluta que ela sonhava, desde pequenina, em ser depiladora.

Deve funcionar como com os médicos, que precisam ser insensíveis, frios e calculistas pra poder clinicar, ou não agüentam. Ou como os psicólogos, que se não forem meio doidos, piram de vez após o primeiro semestre de trabalho.

Com as depiladoras deve ocorrer o mesmo: se elas fossem boazinhas, jamais conseguiriam puxar aquela cola desenvolvida pela NASA que é a tal de cera espanhola. Pré-requisito de depiladora é ser filha da puta.

Não bastasse a posição desconfortável e constrangedora, depilação é algo infernal que exige uma bela dose de boa-vontade. Quando uma amiga me pergunta se tatuagem dói, eu sempre digo que dói menos que depilar virilha completa. Parece drama, mas eu juro: não me acostumei até hoje.

E reclamar que a cera está quente demais nunca adiantou nadinha para mim, nem na forma assertiva (“A cera tá um pouquinho quente”) nem na forma mais sutil (“Ufff! Tá quentinha!”), nem na forma agressiva (“Cacete, tá queimando!”). Tudo o que consegui ao longo dos anos de queimação foram risinhos de soslaio como quem diz “Dói, né?”. Dane-se, elas nunca estão nem aí pra você e se você está sendo escaldada viva. E o foda é que, doendo ou não, sendo carrascas ou não, todo mês você tá lá, desmatando o terreno. Todo mês. Todo mês. Todo mês (dízima periódica).

E é justamente por isso (pela dor e pelo constrangimento) que eu acho que depiladora deveria ser fofa, simpática e bater papo como fazem as manicures (que, à bem da verdade, nem precisariam ser tão faladeiras assim, já que fazer unha não dói nadica de nada). As depiladoras deveriam passar por um crivo tipo assim a OAB, e o pré-requisito fundamental deveria ser ter um bom coração.

Quando você chegasse, em vez de um “vai fazê o que?”, você escutaria um “o que é que vamos embelezar hoje?”. E em vez de “assim você me atrapalha!”, elas diriam “já já te trago aquele cafezinho”. Você bateria papo e elas seriam confidentes, exatamente como a minha manicure, a Márcia, que sabe tintim por tintim da minha vida (já a Josi eu nunca gostei muito, ela faz a minha sobrancelha...).

Mas aí a gente volta pro começo: se fossem fofas, não seriam depiladoras, seriam manicures... A verdade é que eu tenho pânico da Adenilza e ando pensando em levar uns chocolates pra ela. Quem sabe ela pára de me cutucar com aquela pinça e vê que ali, deitada na maca com uma cera borbulhante nas partes baixas, está um ser humano bom e generoso, e não uma boneca de treino de primeiros-socorros.

Ou talvez eu coma os chocolates da Adenilza quando a dor infernal acabar e eu precisar de um pouquinho de prazer, pra tolerar voltar lá no próximo mês. E no próximo. E no próximo. E no próximo (dízima periódica).

domingo, outubro 18, 2009

É ferida que dói, e não se sente...


Quando ouço dizerem que gente feliz é sempre mais bonita, internamente sou forçada a discordar. Algo em mim sempre achou a tristeza mais bela, o olhar sofrido mais marcante, lágrimas mais elegantes do que sorrisos.

A tendência pela melancolia: pra mim, amar sempre foi sofrer. Não, não me refiro a platonismo. É que em mim o sofrimento sempre foi a expressão mais bela do interior de uma pessoa.

Não só de Byron me alimentava a alma, não só em Álvares de Azevedo encontrava sentido na minha sensação de que amor e dor não rimam só na poesia. Quem ama sofre, pois para o que ama já não basta amar: se deseja adentrar o corpo do outro, invadir suas entranhas, dominar sua mente e sua alma, apagar seu passado, controlar suas memórias, se apossar de seus sentimentos, manipular suas emoções. Deseja-se fundir-se ao Eu do outro em busca de mais, sempre mais.

Não basta ser Nós.

Há de ser Uno, há de ser místico.

Amar é doer.

E amar dói não pelo medo, não pelas defesas. Amar dói mesmo quando se é reciprocamente amado de volta. É uma dor tão fina, coisa assim tão bela, que vale a pena amar só pra sentir essa agonia inexplicável de que o amor já não cabe dentro de si. Se quer explodir de tanto sentimento, se quer sangrar e aliviar a pressão interna do peito que bate e grita exigente enquanto é docemente corroído.

O amor é vermelho como o sangue.

Da modernidade ao ultra-romantismo, me reduzo ao classicismo ao concordar com o poeta*: é ferida que dói e não se sente, é um contentamente descontente, é dor que desatina sem doer...

________________________________
*Luís Vaz de Camões, 1595. "... um não querer mais que bem querer / é um andar solitário entre a gente / É nunca contentar-se de contente / é um cuidar que ganha em se perder / É querer estar preso por vontade / É servir a quem vence o vencedor / É ter com quem nos mata lealdade / Mas como causar pode seu favor / nos corações humanos amizade /se tão contrário a si é o mesmo Amor?"


quarta-feira, outubro 14, 2009

Projeto Mulherzinha 2009 - updated!


O Projeto Mulherzinha 2009 vai de vento em popa, obrigada.

Vai tão bem que tem contagiado gente por aí. É sério!

A Antonella, do grupo de dança, andou por aí pintando as unhas do pé de vermelho, coisa que jamais havia feito na vida (eu entendo porque também nunca consegui essa proeza sem me sentir biscate); a Luli tem investido em SMS’s poderosas e românticas; a Ka outro dia se disse “completamente apaixonada tudo girando feito um carrossel” no maior estilo brega Marcelo Augusto; a própria Elis tem achado cedo demais pra relaxar diante do maridão turco, e corre na boca miúda que a Nesrine, que também dá aulas de dança lá na Elis, também anda repensando seu vestuário de dar aulas (parece que uma aluna chegou de meia furada e ela se sentiu um mau-exemplo).

Quanto a mim, não poderia estar dando mais certo: minha fascinação por dança do ventre tem crescido de maneira inversamente proporcional ao meu desempenho e tesão nos treinos de kick; meus esmaltes estão pendendo prum tom assim mais cor-de-rosa, e outro dia – pasmem – eu até comprei um vestido que tinha uns lances meio rosados (ohhh!!!).

Minha TPM, até então sempre suave, me atacou com força total este mês, com direito a cólicas jamais sentidas na vida, espinhas all over e crise de tristeza, choro e insegurança sem qualquer motivo aparente. Sobrou até pro namorado.

É, NA-MO-RA-DO. To tão mulherzinha que até esse meu lado já foi totalmente assumido, com foto no Orkut e tudo (tá certo que eu acho o Orkut a maior palhaçada que existe, mas to lá, as amigas não querem que eu saia, então...). É isso, mundo, EU TENHO SENTIMENTOS!

Pra resumir, é descontrole de estrogênio total. Só falta eu usar estampa de oncinha – mas isso eu já falei pra Elis, esse ano ainda não vai dar.

segunda-feira, outubro 05, 2009

60 segundos


Os dias têm passado rápido. Talvez até rápido demais, rumo ao novo ano que nos espera. Pulamos de vez rumo ao Natal, com exatos 81 dias de antecedência. Mais um piscar de olhos, e fogos de artifício já estarão no céu. O Brasil inteiro comemora 2016. A passagem mais rápida do tempo não tem sido observada apenas por mim. Cientistas fazem teorias sobre a rotação da Terra, sobre as novas dimensões; gente afirma que o dia não tem mais 24 horas, gente diz que um minuto já não tem sessenta segundos, tem teoria que diz que, quanto mais velhos ficamos, e mais conhecido o mundo se torna, mais rápido parece que o tempo passa - pois o tempo não existe, existe é a contagem do tempo, a nossa percepção sobre ele. (Percepção: sentidos + interpretação) Nossos sentidos continuam intactos... a velocidade das coisas inexiste. Mudou nossa interpretação? Mudou minha maneira de ver as coisas? Meus minutos já não formam horas – formam dias. A agenda mudou ao longo dos anos. Minha semana deixou finalmente de ser um martírio sem fim rumo ao sábado e domingo, quando a vida realmente acontecia. Agora a vida acontece. Os dias mais belos, coloridos, amáveis, transformando a passagem das horas num escorrimento indelével do tempo rumo ao fim dos meus tempos. Cada dia a mais, um dia a menos. Metamorfose. A memória, que persiste. Ah, o tempo... finalmente um aliado.
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(De repente se torna surpreendentemente cedo e precipitado fazer uma retrospectiva)

quarta-feira, setembro 30, 2009

A vida como ela é

Diante de situações desconfortáveis, a gente sempre tem duas opções: se entregar à angústia, ao incômodo, à ansiedade, ao desespero, à irritação... ou encontrar maneiras de confrontar nossos sentimentos e pensamentos negativos usando dados de realidade.

A verdade é que a realidade dificilmente é tão ruim quanto nossas fantasias deprimentes teimam em apontar quando não estamos lá muito bem.

Reconhecer que nem sempre as coisas serão como esperamos, respirar fundo e tolerar as frustrações inevitáveis do nosso cotidiano costuma trazer algum conforto. Brigar contra a realidade dificilmente melhora nosso estado de espírito. Temos que nos aliar à ela.

Tudo nessa vida é uma questão de escolha – e eu escolho me sentir bem. Nem que seja escolhendo permanecer exatamente no lugar onde estou, fazendo o que escolhi fazer, e simplesmente aceitar com tranqüilidade minhas limitações diante da vida como ela é...

sábado, setembro 26, 2009

Amputação



Enquanto o coração atingia os mil batimentos por minuto, sua cabeça girava a uma velocidade impressionante. Atravessou a porta com fervor, a ânsia de saber o que aconteceria quando por fim o encontrasse. Procurou com os olhos por entre aquelas trinta e tantas pessoas, e por fim o avistou. Os olhos azuis denunciavam uma tristeza legítima que ela jamais havia visto. As conjuntivas lhe pareciam assim meio vermelhas, os ombros pareciam caídos como quem não suporta mais seu próprio peso.

Beijaram-se. Levemente, como que para se reconhecerem. Ainda eram eles?, sequer os lábios pareciam os mesmos. As gargantas jaziam secas. As mãos não se entrelaçaram. Instintivamente, afastaram-se, como quem é repelido por uma espécie de choque elétrico que causa uma tensão invisível, porém iminente.

Naquele momento, soube.

Deambulou pela casa estranha cheia de risadas, como um morto-vivo à procura de um jazigo. Precisava descansar. A cabeça girava ainda mais intensamente, a respiração falhava, os pensamentos descarrilhavam dentro de si. Uma torrente de sentimentos desconexos a inundou e então chorou como precisava há dias. A crise de ansiedade a alcançou e milhares de imagens passaram em sua mente a cada segundo: esperas, demoras, atrasos, desculpas, crianças, álcool, telefonemas. Justificativas. Pretextos e contextos ilusórios nos quais escolhera acreditar por pura falta de opção.

Quando a sala por fim terminou de girar, ergueu a cabeça e piscou os olhos já borrados de rímel. Uma coragem súbita sacudiu seu corpo, uma lucidez quase obscena lhe atordoou, e ela soube que era hora de se despedir. Sabia que já não fazia sentido exigir suas desculpas nem sequer apresentar as suas – só precisava abandonar aquele cenário, aquele palco tétrico daquela peça já um tanto ultrapassada. Nada mais que falassem importaria tanto quanto o resgate de si mesma, nada era tão urgente quanto o profundo desamor por si de que deveria se livrar.

Nada era mais fundamental do que voltar à sanidade mental que aquele amor lhe roubara, e por isso o abandono era assim tão importante: precisava arrancar aquela página, extirpar todas as suas lembranças e atear-lhe fogo, como se jamais houvesse existido. Precisava exorcizar aquele demônio, extrair de si aquele câncer, aquela parte necrosada de seu coração que ameaçava contaminar todo seu corpo; precisava rasgar suas entranhas infectadas e violar seus compartimentos mais profundos afim de salvar o resto de sua fé, mesmo que lhe restassem profundas cicatrizes.

Tocou-lhe os ombros cansados e disse que estava indo. O ar dele foi de um cansaço, de quem já esperava algo que por fim ocorreu. Um carinho no rosto e um beijo nas mandíbulas foi tudo o que ela pôde lhe oferecer naquela hora já carregada de saudades.

“Seja feliz”.

Ele entendeu.

Ela anuiu.

Amputara-lhe.

terça-feira, setembro 22, 2009

câncer


Ultimamente, tenho sido rondada pelas doenças. Muitos à minha volta estão com alguma doença relativamente grave, de necessidade cirúrgica, complicadas. Uma delas tem batido cartão no meu cotidiano: pessoas que conheço vêm sofrendo com câncer.

Tem estado em todo lugar: parentes, pacientes, parentes de pacientes, conhecidos. Pessoas famosas. Políticos. Roteiristas de novelas. Médicos. Parece que ter câncer é quase como que ser fiscalizado pela Receita: volta e meia acontece e você não estava preparado pra isso.

O câncer aparece e te dá um murro na boca. Invariavelmente, a sombra da morte rodeia o doente. Só de falar o nome já provoca arrepios e imagens mentais sombrias: quimioterapia, cabelos caindo, funeral. Vômito.

Difícil segurar essa barra sozinho, e por mais que existam pessoas pra apoiar, parece que não faz a menor diferença: quem tem câncer se sente na roleta-russa. Uma destas pessoas que citei, com câncer tireoidiano, resolveu não contar pra ninguém que está doente, apesar do bom prognóstico. Os pais e irmão sabem, mas ela se recusa a contar para os amigos e amigas. Outra pessoa que conheço, com câncer na garganta, também adotou a mesma medida e guardou segredo da informação. O câncer é a imagem da fragilidade, ninguém quer se sentir assim tão vulnerável, ninguém quer ser alvo de pena que, invariavelmente, aparece.

Com tanta gente assim doente ao meu redor, é inevitável que eu mesma não reconheça em mim um certo temor da morte. Para ficar doente, basta ser humano. Para correr risco de morte, basta estar vivo. Para adoecer, basta se expor ao sol, comer alimentos não tão saudáveis, basta fumar um cigarro, respirar o monóxido de carbono da 23 de maio. Basta que existamos sem nos cercar de tantos cuidados que deixem nossa vivência a cada dia mais pesada, a cada dia mais mortal.

E se eu adoecesse?

Teria arrependimentos, medo da morte, desejos de voltar no tempo? Teria eu tranqüilidade de que vivi minha vida plenamente, realizando todos os desejos que um dia tive? Estaria eu com a consciência tranqüila de que cada minuto foi vivido com legitimidade, com autenticidade, com vontade? E quanto aos familiares e amigos? Eu contaria que estou doente? Pediria ajuda? Me despediria do meu companheiro? Faria um testamento? Ou apenas esperaria o futuro certeiro, em relação ao qual muito pouco poderia ser feito, já que a crença em níveis superiores me leva a compreender o início e o fim dos ciclos?

Vida e morte, saúde e doença . Confiança e receio.

Medo.