domingo, fevereiro 28, 2010

É pra frente, jão!


E tem gente que ainda se pergunta qual é o sentido da vida...

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

"O problema é meu"



Um sábio chinês estava sentado no alto do mosteiro, meditando, quando o novo discípulo chega, afobado:

- Mestre, mestre, houve um problema!

O mestre, calado, sequer abre os olhos.

- A nova servente do mosteiro, que me ajuda nas tarefas diárias, diz que não virá mais!

O mestre respira fundo, e finalmente abrindo os olhos diz:

- Creio que esse é um problema seu – e fecha novamente os olhos.

O discípulo não se dá por vencido:

- É que ela diz estar grávida!

O mestre respira fundo novamente, e sem abrir os olhos diz:

- Então creio que este é um problema dela.

- Mas mestre... ela diz que o filho é seu!

O mestre respira fundo lentamente, e por fim abre os olhos, encarando o discípulo:

- Creio então, discípulo, que este é um problema meu.

Fecha os olhos.

Fim de papo.

terça-feira, fevereiro 23, 2010

Equipe


Assistindo às provas das Olimpíadas de Inverno, me deparei com a patinação artística em duplas. Um show de sincronia. Fiquei pensando que talvez relacionar-se requeira as mesmas habilidades que requer a patinação conjunta: sincronia, parceria. É equipe. Quando o outro desequilibra, o parceiro investe seu próprio equilíbrio para salvá-lo da queda. Se o outro escorrega, o parceiro compensa. Quando um se joga, confia na força e destreza do outro. E se por acaso eles fracassarem no final, por causa do deslize de apenas um deles, o outro há de consolá-lo, e juntos lambem as feridas – sabem que o problema de um é problema dos dois, não há um culpado. São equipe.

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

O cultivo das 10 perfeições - parte II



Como eu vinha dizendo no meu último post, as 10 paramis (perfeições) nos auxiliam em nosso caminho rumo à felicidade. E apesar deste caminho ser bem mais complexo do que parece ser, encontrei muito sentido ao pensar nestes quesitos, os quais agora compartilho com vocês.

Banthe Buddharakkitha, na última quinta-feira, iniciou sua palestra falando sobre ENERGIA. Energia para mudar, para evoluir, para fazer o que deve ser feito. Quantas e quantas vezes nós conseguimos perceber que algo deve ser feito, mas nos sentimos sem o menor pique? Banthe alertou: para termos energia, precisamos ter urgência! Urgência espiritual, surgida a partir de reflexões profundas e diárias sobre nossa vida e sobre a efemeridade das coisas. Pense honestamente: se sua casa estivesse pegando fogo, você demoraria a sair correndo? Pegaria sua blusa preferida, tomaria um café? Acho que não. Então por que, diante das coisas que sabemos que precisam ser feitas, demoramos tanto a agir? Se não estamos felizes, por que não agir agora?

Ter energia não significa apenas aquela empolgação inicial, não basta resolver sair da casa e ir até a porta. Você deve atravessá-la. A energia precisa ser sustentada ao longo do tempo, havendo a DETERMINAÇÃO heróica de jamais parar no meio do caminho – e é claro que, para isso, nossas metas devem ser realistas e nossos objetivos claros. Ser determinado é ser imperturbável, é ser resoluto. Ainda no clima de ano-novo, pense por um momento na palavra “resolução”. É verdadeiramente se RESOLver por uma soluÇÃO. É uma escolha, que quando feita internamente, bota pra quebrar. É fogo suficiente para “ferver”, ao invés de permanecer morninho.

É preciso ser consistente! Mas também é preciso ser paciente com nós mesmos e com o mundo. A PACIÊNCIA é a aceitação sábia das coisas como elas realmente são, e reconhecer que somos imperfeitos é uma atitude sábia. Portanto, não importa o quanto tenhamos dificuldade, ou o quão lentamente caminhemos: desde que seja para frente, é válido. Afinal, tudo é apenas percepção, nada do que pensamos é, de fato, a realidade... então por que se incomodar e se impacientar tanto com as coisas, ao invés de simplesmente observar as coisas sob uma outra ótica, livre da raiva? Banthe alertou: por detrás da impaciência está a raiva, meus amigos...

E por falar em realidade, como pode ser difícil apreendê-la quando somos condicionados, desde pequenos, a ver as coisas em sua superfície... enxergar a VERDADE é um grande desafio... falar a verdade, agir com a verdade, sentir a verdade. Tudo isso elimina a ansiedade e as tensões, elimina os conflitos mentais e nos torna mais sábios, livre das ilusões. É claro que existem verdades relativas (você chamaria de mentiroso alguém que te diz que o sol “nasceu” às 6 horas?) e absolutas (todo mundo sabe que o sol não “nasce”, ele simplesmente aparece). Mas a verdade última, livre dos condicionamentos, das ilusões fabricadas pelos nossos sentidos, que independe de conceitos ou de imaginação, é o objetivo final daqueles que realmente desejam se iluminar. Perguntei ao Banthe como enxergar essa verdade final: “você deve meditar com sinceridade, com plena atenção”, ele me respondeu.

Sinceros também devem ser nossos sentimentos. Praticar a BONDADE AMOROSA com sinceridade, e não pra inglês ver, pode ser uma tarefa árdua. Praticar a empatia e ver o amor como uma habilidade pode ser algo novo; amar verdadeiramente todos os seres (não só os humanos) traz amor de volta a quem ama. É a lei da vida, é a lei do Dharma. Amar de verdade não é difícil, é natural do ser humano – devemos criar pontes entre nós, nunca cercas.

Pode ser difícil amar de verdade e conseguir equilibrar tantos sentimentos diferentes. A EQUANIMIDADE é um conceito dificílimo de praticar, especialmente quando as pessoas podem se magoar tão seriamente. O amor deve ser igualmente equilibrado – não se pode confundir com apego, com posse. O afeto entre os seres deve ser equilibrado, assim como nossos estados mentais. Tudo que é excessivo é prejudicial. Devemos tentar praticar a equanimidade sempre que nos vemos “tomados” por sentimentos desconfortáveis – a estabilidade é o objetivo final, e reconhecer a impermanência eterna das coisas ajuda a manter a mente equilibrada.

A ordem de prática destas perfeições pouco importa – a não ser que você queira ser um Buda, aí talvez você deva praticar fervorosamente uma por vida. O importante mesmo é exercitá-las todos os dias com sinceridade, mesmo que seja um pouquinho – gota por gota vamos enchendo nosso potinho de felicidade, nos focando no presente e no que temos, em vez de sempre desejar mais e focar no que não temos.

Qualquer pote, seja pequeno, grande, de boca larga ou estreita, qualquer pote MESMO sempre fica cheio um dia, se as gotas não pararem de pingar. Sejamos determinados, pacientes, e façamos tudo com energia e amor, no caminho da verdade e do equilíbrio. Esta é a receita de Buda que, através do Banthe, se fez chegar nos meus ouvidos: menos drama, mais Dharma!

Namastê!

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

O cultivo das 10 perfeições



Esta semana, motivada pela sensação de que algo deveria ser feito sobre minhas oscilações emocionais, meti as caras e fui a uma palestra oferecida pela Casa de Dharma, com o Venerável Monge Banthe Buddharakkitha (foto). Não sou budista, mas sendo simpatizante, me interessei pelo tema: O Cultivo das 10 perfeições. Sem saber meditar e não fazendo a menor idéia das diferenças entre o Budismo Theravada e o Budismo Chinês, lá fui eu na palestra na maior expectativa.

A idéia era fascinante: uma vida feliz envolve necessariamente 10 características, e é necessário se adotar uma determinada postura em relação a cada uma delas. O raciocínio é muito simples: cultivando cada item e mantendo a postura correta sobre eles, o resultado produzido é felicidade. Acreditei piamente: alguém já viu monge deprimido? Ansioso? Com compulsão alimentar?

Neste primeiro dia de palestra, fiquei absolutamente encantada, a começar pela figura do Banthe. A Renata já tinha me dito pra eu atentar pra postura destes monges theravada, e de fato fiquei impressionada: era a imagem da tranqüilidade, era uma pessoa realmente FELIZ. Senti uma extrema paz e confiança vindo dele, alguém que eu realmente gostaria que estivesse dentro da minha vida, da minha casa, do meu círculo de amigos. Alguém em quem me espelhar.

Foram abordadas 4 perfeições: generosidade, ética, renúncia e sabedoria. Tendo como base a idéia de que a felicidade real está no momento presente, e que nosso sofrimento advém dos desejos excessivos ou inapropriados (donde vem a expectativa, e por conseqüência, a frustração), começou a fazer todo o sentido do mundo o que de fato acontece aqui dentro de mim.

Ser generoso faz bem e traz satisfação, alegria, tranqüilidade e então felicidade. Felizes, estamos concentrados e aptos a continuarmos felizes. Mas doar não é o mesmo que abandonar – a generosidade está ligada à renúncia, e não apenas de bens materiais. Quando renunciamos ao material, estamos renunciando à cobiça, à ilusão de que nossa felicidade está fora de nós, nas coisas que possuímos.

Também é necessário renunciar a alguns sentimentos – abrir mão da raiva e dos sofrimentos que nós mesmos criamos! E é claro que determinados sofrimentos advém de fatores externos, mas cabe a nós, novamente, decidir cortar ou manter tais fatores nocivos em nossa existência.

No fundo no fundo, tudo acontece apenas dentro de nós. E dentro de nós está a escolha de existir neste mundo de maneira ética e sábia. Ser sábio é perceber as coisas em seus detalhes, é refletir sobre os conhecimentos, é deixá-los penetrar nossas mentes como a chuva penetra a terra fértil. É agir corretamente não por medo da punição, mas por entender que, na lei da vida, tudo o que fazemos fatalmente se voltará contra nós, o que não tem nada a ver com a tranqüilidade e felicidade.

Fiquei absolutamente encantada com a palestra e realmente motivada a aprender mais sobre o assunto. Ter percebido minha dificuldade em me conectar com o presente, esquecendo passado e parando de me pré-ocupar com o futuro, me fez acordar para a MINHA mais Nobre Verdade: ser feliz só vai depender de mim, e está mais do que na hora de eu me responsabilizar por esta missão.

PS: Este post não teve a intenção de propagandear nada: os links e elogios são por conta própria e foram colocados na intenção de espalhar o Dharmma por aí – mais um dos passos do caminho da felicidade :)

PS2: No fim da semana vai acontecer a segunda parte da palestra. Volto aqui e conto tudo.

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

Maktub


Já começo a sentir o calor e a brisa morna que virá daquele deserto. Em meio à urbe paulistana, me pego pensando em camelos, em ouro e prata, em areia e turbantes, em bailarinas usando véus. Conforme o tempo se acelera, me impulsionando rumo ao meu grande sonho, descargas de adrenalina se fazem sentir quando percebo que, afinal, uma parte de mim já está lá.

Cada vez mais possível, mais provável, hoje definitivo: maktub, irei me embrenhar naquele deserto! Irei caminhar por suas areias quentes, irei me calar frente à magnitude de suas pirâmides, irei chorar à beira do Nilo. Irei me banhar em suas praias que tantas e tantas guerras presenciaram, e que tantas e tantas vezes imaginei em minha cabeça. Irei abaixar minha cabeça em reverência a este povo pobre de posses, rico em história, milionário em cultura.

Poderei enfim verificar se minha alma vem de fato dali, se em Luxor e Karnak reconhecerei seus antepassados, se o cheiro do Sahara é como sempre imaginei. Testarei meu paladar procurando reconhecer antigos sabores; fecharei os olhos para ouvir apenas música - que os solos de Derbak tragam para mim as bençãos daquela terra, que já começo a senti-la aqui dentro de mim, nos quase 40 graus desta minha metropolitana São Paulo...

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

Catarse

Hoje, quando chorei, pensava que chorava por alguém. Engano meu, este de colocar sempre fora de mim, os demônios por exorcizar. Hoje chorei e achei ser por alguém, mas chorei ainda mais quando, num misto de medo e vergonha, vi que não era assim. Pois se hoje chorei, e não foram poucas as lágrimas, chorei de verdade por mim, e chorei de amor e de pena de todos aqueles que choram sozinhos. Chorei por estar chorando só, sem um braço para me acalmar. Chorei por todas as perdas, todos os lutos, todos os anos e anos idos. Por tudo o que um dia sonhei ser e que jamais fui. Chorei por perceber, ingênua que sou, que achei que não ia mais sofrer quando alegre eu ficasse, por achar que seria sempre perfeito quando as dores cessassem, por acreditar na fórmula mágica dos amores de curam feridas de outros amores. Chorei ao ver em mim tamanhas incapacidades. Hoje chorei e foi por mim, por mim e por mais ninguém. Por ter finalmente descoberto que a vida não poupa nenhum de nós e que as regras deste jogo nem sempre são estabelecidas no começo da partida. Não importa o quanto acreditamos que um dia tudo ficará bem, um dia nos pegaremos chorando, e acharemos que é por alguém, e iremos sentir certa pena de nós mesmos. E iremos chorar mais ainda, não serão poucas as lágrimas, quando por fim descobrirmos que choramos pela nossa vaidade, por estarmos surpresos que o jogo que estamos jogando simplesmente mudou de nome - possui por fim novas regras, novas e confusas regras que alguém esqueceu de nos contar...

terça-feira, fevereiro 02, 2010

Buraco Negro


Tenho me sentido completamente louca. Instável, volúvel, frágil de verdade. Quero coisas, mas quando elas aparecem, já não quero mais. Em outros momentos, odeio fazer algo, mas quando me surge a oportunidade ideal de interromper isso, me falta força pra sair da inércia e da mesmice. Rejeito algo sentindo culpa e gritando ao mundo que não é um abandono, mas quando este algo concorda comigo, me sinto rejeitada. Quero vencer na vida, mas ao menos sei o que esta vitória significa. Desconheço o troféu. Me paralisa ver as águas desta correnteza avançarem velozes, enquanto tenho medo. A ansiedade me destrói quando percebo que estou nadando lentamente demais. Me sinto mal. Me sinto carente a maior parte do tempo, me sinto rejeitada a maior parte do tempo. Sei que isso tem pouca, ou talvez nenhuma, ligação com a realidade. Tudo se passa aqui dentro de mim, buraco negro. Nenhum afeto que chega é suficiente. Às vezes me pergunto se é o formato, se é o tamanho, se é o tipo. Parece-me que chave nenhuma encaixa nesta fechadura. Tenho expectativas imensas sempre a respeito de tudo. É lógico, estou sempre carente, e os carentes são os que mais esperam, e geralmente os que mais se frustram. Mas como é difícil não criar expectativas quando tudo o que te traz esperança é a possibilidade de mudar. Mudar e ao mesmo tempo permanecer sempre a mesma. Mudar e me redescobrir por completo. Mudar e voltar a ser, com serenidade, aquela que sempre fui, mas que de alguma forma, deixei de ser há muito tempo.

quinta-feira, janeiro 28, 2010

Alguém acredita nisso?



Quando eu digo que não assisto mais TV aberta, me chamam de burguesa. Pode até ser, mas... alguém aí já assistiu a nova propaganda da NET, aquela com a Cláudia Leite?

Pra quem nunca viu, parabéns, sorte a sua. A mulher canta umas 300 vezes o refrão “Eu quero é mais, por isso eu sou NET, eu quero é mais é ser feliz completamente”. Não bastasse a música grudar na cabeça, a voz da Cláudia Leite ser chata e o comercial passar a cada 10 minutos, você ainda tem que engolir a seco e acreditar que a única coisa que faz a Cláudia Leite ser feliz completamente é assinar a NET.

Tá. Não basta ela ser linda, ter um puta corpo, ser casada com um cara lindo, ter tido um filho lindo (e estar novamente magra em 15 dias), ter milhões de reais na conta, viver de cantar, viajar pra caralho, ter mil roupas maravilhosas, ter o cabelo liso, ter uma legião de fãs, ser considerada uma pessoa de sucesso, sair na Caras a cada 2 meses, ter preferência no consultório do esteticista, PODER PAGAR o melhor esteticista, ter hábitos saudáveis e unhas que jamais mancham o esmalte.

Não. Ela tem que assinar a merda da NET, cujo sinal cai quase todo dia.

Fico puta com essas coisas. Parece que tão tirando uma da minha cara. Bicho, se a felicidade fosse assinar a NET, eu estaria dando pulinhos de alegria.

Se bem que na TV a cabo não passa a propaganda da Cláudia Leite. Isso sim deve ser a felicidade.

PS: E pra quem estiver pensando em fazer um discurso sobre “dinheiro não traz felicidade” e sobre o quanto alguém pode ter tudo isso e não ser feliz e blábláblá-wiskas-sachê-blablabla, já fica aqui o meu recado: vai tomar na Net e seja muito feliz (rá!)!

quarta-feira, janeiro 27, 2010

Felicity Porter (flashback)




Impedida de fazer qualquer coisa por causa de uma mega conjutivite, resolvi remexer no passado e despertar lembranças: voltei a assistir Felicity, seriado transmitido pela Sony em 1998. Na época eu tinha 15 anos e estava começando o 1º colegial, usava óculos fundo-de-garrafa, aparelhos fixos nos dentes e era um tanto quanto deprimida.

Assistir Felicity me trazia uma falsa sensação de segurança, uma luz no fim do túnel de que, passados aqueles anos horríveis de escola, a minha vida inteira mudaria a partir do momento em que eu pusesse os pés na faculdade. Eu seria mais velha, teria finalmente amigos, estudaria apenas o que eu quisesse, tiraria óculos e aparelho, e viveria tantas emoções diferentes que eu finalmente iria poder me considerar uma pessoa feliz (algo que eu não cheguei nem perto de ser durante toda a minha adolescência).

Hoje, olhando para trás, chego quase a sentir pena de mim mesma, daquela menina que achava que os sentimentos que a invadiam ficariam do lado de fora da Universidade, presos no passado. Aquela ingenuidade quase irritante que não desconfiava que além de ser apenas uma fantasia, no Brasil tudo é muito diferente e eu jamais poderia cursar o pré-médico e depois mudar pra Artes Plásticas. Hoje isso tudo me traz um gosto amargo na boca, uma sensação terrível de desmaio quando penso que a felicidade nunca esteve no futuro, nunca esteve na faculdade (a qual nunca curti tanto assim), nunca esteve nos garotos.

Hoje, assistindo Felicity, me sinto atropelada pela nostalgia, a saudade daquele tempo que não volta mais, das coisas que eu nunca vivi e das quais sinto tanta falta. Às vezes me pego pensando que eu já vivi sim um primeiro grande amor; de repente me flagro tendo esperanças de finalmente encontrar meu Ben Covington, de finalmente ser feliz. Percebo então, com alguma tristeza, que já vivi tudo isso, já encontrei diversos pares, já fiz os meus cursos, virei adulta.

Com certa relutância aceito então que só me resta agora continuar, inexoravelmente, caminhando para frente, em busca das história que ainda não foram vividas, e que talvez jamais serão... angústias...

sexta-feira, janeiro 08, 2010

I wish...


Achei esta figura no blog de uma amiga e confesso que me fez pensar.

É nesta época que todo mundo resolver fazer suas listinhas de resoluções de Ano-Novo, e eu devo admitir, quase envergonhada, que há mais ou menos 10 anos eu não faço uma.

Pra falar bem a verdade, acho as listas de resolução de ano-novo um porre! Nunca as encarei como metas, e sim como promessas, cobranças, limitações.

É claro que nisso entra a minha perspectiva, minha maneira, às vezes um tanto negativista, de enxergar as coisas. Mas a real é que, na minha vida, jamais consegui cumprir as benditas resoluções escritas num papelzinho.

Então me peguei pensando sobre as minhas verdadeiras metas, o que eu realmente tenho a intenção de fazer, no que realmente quero concentrar esforços, e devo dizer que muitas das metas continuam as mesmas que no ano passado, mas se encontram em diferentes etapas.

Quero, para 2010, um consultório cheio de pacientes que eu possa ajudar, mas não cheio por haverem muitas pessoas doentes, e sim porque muitas pessoas doentes resolveram procurar ajuda.

Quero que esta profissão me traga recompensas, mas não quero jamais esquecer que uma das principais recompensas de ser psicóloga é ver a vida em movimento, é ver a mudança, e que isso definitivamente não tem dinheiro que pague.

Quero amigos à minha volta, mas não somente velhos amigos que eu insisto em puxar para junto de mim sem ter uma recíproca verdadeira, e sim novas pessoas que queiram se inserir em minha vida com sinceridade.

Quero ser menos apegada, mas não apenas por redimensionar o valor das coisas – quero finalmente compreender que o que existe fora de mim é efêmero e breve, e que a única questão que realmente importa é a que se passa aqui dentro.

Quero, mas quero muito mesmo, amar do jeito certo, livre de paranóias, de ansiedades, de desconfianças. Quero amar com o coração, não com a cabeça. Quero amar verdadeiramente, e não através da insegurança. Quero um amor livre, fértil e maduro, ao lado de quem eu escolhi para me complementar.

Quero uma mente disciplinada que me conduza à felicidade, quero um corpo saudável que me carregue pela vida, quero uma alma limpa de rancores.

E quero, acima de tudo, jamais deixar de me surpreender com as coisas, pois é o espanto da vida que me motiva, a cada dia, a continuar em frente.

Feliz 2010!

quarta-feira, janeiro 06, 2010

Apego

Sonhava que abria caixas, guardadas num armário velho há muito, muito tempo. Dentro delas materiais escolares, produtos de papelaria, apontadores, grampeadores, tesouras. Vários deles, repetidos, empoeirados.

O desejo: escolher apenas um de cada e me desfazer dos outros.

O sentimento: a angústia de não conseguir me desvencilhar de coisas antigas que carregam história.

Alguém então diz: não é preciso jogar fora, basta eleger um a ser usado e retornar o resto ao armário. A existência de um não significa, necessariamente, o fim da existência do outro. Uma história não precisa excluir todas as outras.

O desejo: escolher o mais útil, o mais funcional e também o mais bonito.

O sentimento: a angústia de não conseguir eleger, entre todas as coisas antigas e carregadas de história, a que mais tivesse significado para mim.

Moral da história: certos esqueletos devem permanecer para sempre dentro de seus armários...

quarta-feira, dezembro 23, 2009

2009, check...?


2009 se encerra de maneira epopéica. Que ano.

Teve deprê, teve alegria, teve crise e teve fartura.

Teve redescoberta.

Houveram muitas horas em que duvidei da minha capacidade e muitas, muitas outras, em que elas foram confirmadas. Mas o que ficou nos bastidores, e que não foi aberto ao público, é que foi preciso um esforço hercúleo pra dominar a ansiedade que batia toda hora em que eu me pus à prova.

Especialmente no sentido profissional – que fodíssima superar a minha própria ansiedade e cuidar das dos outros! O destino, ironicamente, tratou de me mandar, um após o outro, pacientes com transtornos de ansiedade...

Que cara de pau eu tive que ter pra defender algumas dicas de controle emocional que eu mesma desenvolvi pra poder, finalmente, receber alta da medicação... técnicas, estratégias, confiança em mim mesma, às vezes de verdade, às vezes fingindo só pra poder continuar avançando.

Hipocrisia?
Meta!

Um terço da meta profissional alcançada, e que venha o resto pra eu saborear, como dizia o Raul, com amor e com medo.

E por falar em amor e medo... cheguei no fim da listinha bolada mentalmente de Coisas Importantíssimas a Tratar Antes de Um Novo Relacionamento. Que situação, ali estava o último item, tão relegado às traças! Profissão, check!, Saúde, check! Kickboxing, check!, aulas de dança, check!, Projeto Mulherzinha, check!, escrever mais, check!, rancores, check!, amigos, check!

O que mais eu poderia fazer? Criar novos itens e encaixa-los, preguiçosamente, acima da minha vida afetiva? Sapatos, bolsas, pedicure?

Mas a vida dificilmente nos livra de algo que pede para ser cuidado. E os Deuses da Ansiedade me botaram novamente à prova, desenhando na minha frente a possibilidade de fazer diferente e me arriscar num novo relacionamento.

Check?

Tsc tsc!

Nem tudo é tão simples assim, e confesso que abandonar o individualismo, abraçar o companheirismo e CEDER são algumas das coisas mais difíceis que já enfrentei na vida!

Mas vamos em frente, que as listinhas de resoluções de Ano-Novo foram abandonadas há tempos e, pra quem acha que o ano acabou, notícia: ainda há muito a ser trabalhado nestes últimos dias que nos restam...

Avante! Todo bom samurai sabe muito bem: pedra que rola não cria limo.

quarta-feira, dezembro 16, 2009

Acorda Kassab!!!


Da rua em que eu moro até a casa de um pacientinho são mais ou menos 12km. Eu to aqui na Centro-oeste, ele em Moema.

Quando comecei a atendê-lo, uns dois anos atrás, eu saía de casa às 5h45 pra estar lá as 6h30. Às vezes chegava antes e comia uma empada ali na Empada Carioca. Semana passada eu saí as 5h30 e cheguei 20 minutos atrasada.

Hoje, após 5 minutos de chuva, voltei do meio do caminho. Na Radio Sul America (obrigaaaaaaaaada), já noticiavam os primeiros pontos de alagamento na Zona Oeste. A Leste já estava totalmente alagada.

Menos R$60,00 no bolso acaba não sendo nada perto do aborrecimento do carro travar no meio de um alagamento. Pra galera que nunca tem nada, mas quando chove perde tudo, fica aquela broxada e aquele inconformismo de que a 5ª maior cidade do mundo, quando chove, simplesmente não anda mais.

Se eu fosse a responsável por uma coisa dessas, não conseguiria dormir a noite.

Acorda Kassab!!!!

segunda-feira, dezembro 14, 2009

Duco

Não existem formas de controlar a tristeza quando a esperança de mudar abandona nossas terras. É o conformismo, a resignação, a falta de iniciativa que destroem as nossas crenças. Fazem a gente andar ao contrário, progredir pra trás, voltar pra frente, caminhar em círculos.

Nem tudo faz o sentido que eu gostaria que fizesse, talvez me falte aceitação de que o mundo é o que é e ponto. As pessoas são o que são e ponto. Dificuldades existem e ponto. Mas como abandonar o entusiasmo da crença pela mudança, desta guerra pelo entendimento, e me acomodar, pesada e tediosa, em cima deste ponto?

Acreditar na felicidade como a ausência de tristeza nunca me convenceu. Fazer banquetes de migalhas jamais me satisfez, entendo que talvez todos tenham o que mereçam, os erros são conseqüências de muitos outros, quem enxerga mais deve poder ceder mais. Tem que ser flexível. Tem que admitir, tem que assumir as responsabilidades.

Aceito e acolho que nem sempre seremos felizes o tempo todo, mas também acredito convictamente e com tranqüilidade que se fui eu mesma que me coloquei nesta situação, sem dúvida alguma posso me retirar dela.

quinta-feira, dezembro 03, 2009

Faixa marrom, OSSU!

Pra quem não consegue nem me imaginar lutando, aqui vão alguns momentos bem sucedidos do meu exame de faixa... OSSU!


Yoko Geri (chute lateral na altura do estômago)


Jodan Mawashi Geri (chute circular na cabeça)


Jodan Ushiro Mawashi Geri (chute circular giratório na cabeça)

terça-feira, dezembro 01, 2009

Non ducor...

Eu tenho o costume de não olhar pro lado positivo das coisas e viver procurando defeitos. Não posso dizer que já consegui eliminar meus velhos hábitos, nem tampouco que virei uma otimista inveterada, mas percebo certas coisas evoluindo.

Após 3 anos e meio de treinamento ferrenho nas Artes Marciais do Kickboxing, fui submetida ao maior e mais angustiante teste que uma ansiosa como eu pode vivenciar: avaliação técnica, individual, na presença de mais de 50 pessoas.

Tremi, tive insônia, fiz cocô no banheiro do Barateiro. Minha garganta travou, minhas mãos suaram, chorei no banheiro (ao que parece, o banheiro é o refúgio dos desesperados). Briguei com o namorado. Perceber meu nível de desespero me deixou cada vez mais desesperada.

Uma hora voltei a mim e me pus no meu devido lugar. Parei de chorar e me conformei com a minha dificuldade de enfrentar certas situações, seja um exame de faixa, seja conhecer os amigos do namorado. Ter medo das coisas há muito deixou de me impedir de fazê-las. Segui em frente.

60 minutos depois, cansada, destruída, com hematomas, sem ar, exposta... conquistei a faixa marrom e ganhei o título de Senpai. Entendi finalmente que não me era cobrada a perfeição. Me é permitido errar.

Ainda achando que não fiz o meu melhor (nem no exame, nem no controle da minha ansiedade), procuro desfrutar do alívio do depois, sabendo que muito mais virá pela frente. Como quem ganha 15 minutos de descanso em meio a uma maratona, me resolvi por desfrutar do agora, salvando oxigênio pras batalhas futuras.

Desfrutando do novo título e à espera da faixa marrom que há de consagrar o meu esforço, descubro finalmente que investir e batalhar pelo meu futuro é a forma mais segura de poder prevê-lo: não sou conduzida. Conduzo.

terça-feira, novembro 24, 2009

Brincando de casinha


9 em cada 10 mulheres irão se lembrar, pensando nos tempos de criança, de 2 brincadeiras que absolutamente TODA menina já brincou: “brincar de casinha” e “brincar de boneca”. Na verdade as duas brincadeiras são bem semelhantes: consiste em, basicamente, fantasiar uma série de situações, geralmente domésticas e amorosas, e encená-las, seja com as bonecas, seja pessoalmente.

Os anos vão passando e estas brincadeiras tendem a ser abandonadas, mas toda mulher há de concordar que a essência do brincar de casinha permanece em nossas fantasias, quando imaginamos namorar com este ou aquele carinha, quando nos tornamos adolescentes e nos sentimos quase independentes, quando sonhamos em ter nossa própria casa, quando temos os primeiros namoros de verdade.

Nossos primeiros relacionamentos são o cúmulo da brincadeira de casinha, a gente acha que ama o namorado mais do que tudo nesta vida, faz planos de casar, escolhe o nome dos filhos e o pior: a gente acredita de coração que tudo isso vai acontecer. Com o passar do tempo, a gente segue brincando de casinha, não faz mais tantos planos assim, pois já tomamos o suficiente na cabeça pra não sonhar tão alto, mas secretamente ainda vemos se o sobrenome do namorado fica bem com o nosso próprio nome.

Então chega um dia em que você de repente se dá conta da realidade e não consegue evitar de se perguntar: quando é que a brincadeira de casinha deixa de ser brincadeira e passa a ser realidade? Quando é que a brincadeira assumiu ares mais sérios e resolveu virar verdade, assim, da noite para o dia, e a relação antes descompromissada pede por mais seriedade? Será que é preciso incorporar toda a responsabilidade de uma vida adulta, assumir os verdadeiros compromissos de uma relação a dois, e abandonar o lado divertido da fantasia? Indo mais além: é possível continuar brincando de casinha, mesmo que a relação tenha se tornado uma realidade sólida e indiscutível?

Conheço casais que se desintegraram após o pedido de casamento, ou após irem morar juntos. Parece que transferiram todo o peso da realidade para dentro da relação, e esqueceram de brincar de casinha. A vida diária se transformou num martírio sem fim onde um não corresponde exatamente à expectativa do outro, pois a diferença entre fantasia e realidade é grande demais. Talvez o segredo do sucesso dos casais que permanecem juntos ao longo de muitos anos seja verdadeiramente preservar o lado divertido, leve e brincalhão de seu jogo de bonecas, aquele em que se continua sonhando e morando em castelos encantados a despeito da conta de luz vencer no final do mês. Talvez apenas vislumbrar a seriedade da vida real na hora de dar um jeito de pagar o IPVA no comecinho do ano, mas depois continuar sonhando que o seu Fiat Palio 2003 é, na verdade, uma bela carruagem.

Quem sabe dê pra continuar achando mais importante que seu bebê tenha um quarto rosa ou azul, ao invés de se irá nascer com saúde. Talvez tudo isso nos proteja de certas faces da realidade que são cruéis demais: a falta de grana no fim do mês, o bebê que nasceu prematuro, a insegurança em relação ao marido.

Talvez brincar de casinha seja realmente muito mais gostoso e proveitoso, se não for uma completa negação da vida real. Saber discriminar a fantasia da realidade é um sinal de maturidade, e elemento indispensável para se seguir numa vida adulta e minimamente bem-sucedida. Do contrário, estaremos todos nos enganando.

É como diz a velha frase: intenção sem ação é apenas ilusão. Se a vida é uma brincadeira, brinquemos com maturidade...

terça-feira, novembro 17, 2009

coisas que não voltam atrás

Três coisas que não voltam atrás:

A flecha, quando lançada;
A palavra, quando proferida;
E a oportunidade, quando perdida.

Ah, o tempo. Senhor ingrato do arrependimento!

quarta-feira, novembro 11, 2009

Sinais de que você está envelhecendo


Você compra seu próprio protetor solar
(não pega emprestado da mãe);

Você faz exame de colesterol
(e se preocupa);

Você faz exercício pro bem do seu coração
(e cansa fácil);

Você checa suas finanças quase que diariamente
(e se preocupa);

Você começa frases com "no meu tempo..."
(e não se censura);

Você guarda as papeletas do VisaElectron
(e se preocupa);

Você compra um talão inteiro de Zona Azul
(e dura pouco);

Você fica em Sampa no feriado porque não quer mais pegar trânsito...

... e mesmo assim se preocupa!


PS: Sério, nunca achei que eu teria um talão de Zona Azul. Eu via o da minha mãe e parecia tão distante... coisa de gente grande.