terça-feira, janeiro 16, 2007

A hora e a vez do Ziriguidum

Há bem pouco tempo, eu estava reclamando da chatice que são as comemorações de fim de ano. O verdadeiro porre que é a frase “Feliz Natal e Próspero Ano-Novo”, repetida aos potes a partir do dia 1º de dezembro, e sobre como a única coisa boa desta época é que é a única época do ano que vendem Chocotone. (Juro, depois do Reveillon, os Chocotones baixam de preço e a mulherada ataca, ignorando as calorias com a desculpa da promoção! Quando você vai ver, não restou um único item no mercado! Ok, em abril tem Colomba Pascal, mas Colomba Pascal não é igual a Chocotone e nem existe tipo mousse!)

Passado o fim do ano, já comecei a ouvir os rufares de tambores, anunciando o Carnaval.

Bah!

Carnaval pode ser lindo, os desfiles uma loucura e o sambão também é bem bão, mas ninguém pode dizer que esse clima meio febril de festa não chega a ser meio irritante. Principalmente quando se é mulher e somos bombardeadas por imagens de Globelezas lindas e de bundas incrivelmente duras, sem vestígios quaisquer de estrias ou celulites. Existe coisa mais irritante do que bunda dura?

Quem não gosta de cerveja então está fodido, pra usar um bom português carnavalesco. Se bem que estar fodido em pleno Carnaval é o que a maioria das pessoas mais quer, pois não é justamente nesta época do ano que se (re)iniciam as campanhas pelo sexo seguro, distribuição de camisinhas com embalagens festivas e avisos quanto ao Boa-Noite-Cinderela? No Carnaval tá tudo liberado, incluindo a bunda da sogra e comer a amiga da namorada.

Os adeptos do Axé então se esbaldam como nunca! É trio elétrico pra cá, Ivete Sangalo pra lá, abadás na Avenida Sete, cerveja quente caindo no seu pé e uma cotovelada com o braço direito pra afugentar os tarados. Virgem Santíssima! Uma delícia!

Há quem diga que o Carnaval é a época do pecado, e que só depois do Carnaval é que a vida começa de verdade e você pode se redimir das doideras cometidas naqueles idílicos 5 dias. Então surgem grandes mutirões de religiosos fazendo missas, rezas e retiros espirituais (que, sem ofensa, me parecem mais uma maneira de se defender da vontade pecaminosa de se render a uma boa caipirinha e à batucada de nossos tantãs, tão característicos!).

Uma coisa emocionante no Carnaval é a paixão das comunidades das escolas de samba. Mal acaba um Carnaval, e já estão criando novos sambas-enredo, novas fantasias e ensaiando novas paradinhas pra bateria. A vida dessa gente é a vitória de sua escola do coração, é a motivação pra fazerem mais e mais fantasias lotadas de penas de pássaros já quase inexistentes, mais e mais carros alegóricos brilhantes e criativos que pegam fogo um dia antes do desfile, e ganharem mais e mais dinheiro do tráfico ou do jogo-do-bicho. E é por isso que se tem uma coisa que eu adoro assistir é a atribuição de notas pras escolas após os desfiles. É lindo ver a cara dos dirigentes a cada sonoro “Deeeeeez!” dito pelos juízes, em cada uma das categorias.

É bem verdade que o Carnaval transmite a essência do povo brasileiro: sempre cantando, sambando e tomando caipirinha, independentemente do mundo e dos rumos políticos estarem uma bosta magnânima. Indo além, uma essência alegre, mas às vezes alegremente irritante e incômoda de tão exagerada e acomodada, porque, na verdade, todo mundo sabe muito bem que o Ano Novo só começa mesmo depois do Carnaval.

E até chegar ao Carnaval, sempre a mesma história:

“Depois do Carnaval paro de beber!”
“Depois do Carnaval paro de fumar!”
“Depois do Carnaval chega de trepar com a amiga da minha namorada!”
“Depois do Carnaval eu paro de mentir!”


E passado o Carnaval, dá-lhe Engov, Missa do Galo e muita dieta pra estar novamente em forma e em pureza após tantas bebemorações!

Que desça redondo! E ziriguidum!

5 comentários:

Fê Savino disse...

Nana!!!
Que com que você está de volta!! Oba!!! Senti falta dos seus posts... mas aproveitei também para explorar alguns mais antigos... quanta coisa boa de se ler!

Mas, enfim... já está mais do que na hora de falar em Carnaval, né?! Puxa vida, é realmente estranho as pessoas festejarem tanto e esquecerem de todas as outras coisas.. não sei o porquê, mas o Carnaval não tem essa mágica toda pra mim... claro que é uma delícia curtir uma festança, ou apenas ir pra praia ver um monte de gente perambulando... mas.. que desça redondo para auqlees que curtem as belas bundas duras vendidas para o mundo como se no Brasil só existisse isso...

Ah, adorei que passou lá pelo meu blog!!! Seja sempre bem-vinda!

Bjocasss

Fabi Savino disse...

HUAHAUHAUAHAUHAUAHUAH

esse também é muuuito bom!

Fê Savino disse...

Cade a Ana e o Fernando?!?!

Nana Ferreira disse...

Que Ana?
Que Fernando?
Nem sei do que vc está falando....

flavia melissa disse...

meu!
eu juro que se em 24 horas eu não receber um email me explicando minimamente (pode ser em 4 linhas) o que bloody-hell is going on EU NÃO VOLTO MAIS PRÁ CASA! me mudo prá sapuca e vc nunca mais ve a minha fuça!!!!