quarta-feira, fevereiro 29, 2012

O casulo da dor

"A bíblia diz: não idolatre falsos deuses. Mas é o que fazemos. Idolatramos o Deus do conforto e do prazer e da segurança. E louvando este Deus, destruímos nossas vidas.

Temos muitas maneiras de lidar com a dor e encontrar prazer e conforto. Mas todas se baseiam na mesma coisa: o medo de encarar o desprazer.

Se precisamos ter tudo sob o nosso controle, é porque queremos evitar qualquer tipo de desprazer. Se nós compreendermos tudo, se pudermos ser espertos de encaixar tudo numa espécie de ordem e sentido, numa completa intelectualização, então talvez possamos não nos sentir ameaçados.

Todas as filosofias e sistemas religiosos da história da humanidade são variações do mesmo tema: táticas para lidar com este medo básico da dor. E somente quando estes sistemas falham é que encaramos a tarefa de praticar (o zen). E estes sistemas invariavelmente falham. Porque eles não são baseados na realidade.

Precisamos abrir mão de nossa escravidão a qualquer sistema de evitação da dor e perceber que não podemos escapar do desconforto apenas correndo mais rápido ou tentando mais intensamente. Quanto mais rápido corremos da dor, mais nossa dor nos assola. E quando aquilo do que dependemos para dar sentido à nossa vida não funciona mais, o que faremos?

Para nos tornarmos borboletas, o primeiro passo é perceber que não podemos mais nos manter larvas. Precisamos enxergar além do nosso Deus de conforto e segurança. Temos que entrar no casulo de dor para retornarmos ao absoluto que, diferentemente do que é relativo, abarca tudo que existe, inclusive o sofrimento, a dor e o desconforto.”
(tradução livre de trecho de Nothing Special - Living Zen, de Charlotte Joko Beck)

3 comentários:

rita italiano disse...

Nana,
Falei sobre este tema ontem. A "paranoia da felicidade"!
Quem tem culpa é o Wal Diney e Holywood! Pronto, falei!

David Mota disse...

Uaaau! Pera aí, o verdadeiro Deus não se relaciona com o prazer? Aiaiai... Que mundo louco!
Como alguém pode ter criado a Terra sem ter tido prazer? Como alguém pode conceber o gozo se o mesmo lhe é estranho?
Que pena que em pleno século XXI tenhamos ainda a imagem de um deus terrível.
Viva o prazer! Viva as coisas boas da vida.
Casulo de dor? Dor é ser larva, rastejando pela terra. Casulo é prazer, conforto e segurança e sua consequência chama-se liberdade.

O Conselheiro disse...

Parabéns pelo blog.

Keep Writting...

Sucesso.
http://o-conselheiro-do-amor.blogspot.com