domingo, julho 01, 2007

Wow! _ Esse tal de kitesurf

Foto: Miler Morais - Ilhabela SP


“Kitesurf, brother, o esporte do futuro!”

Eu lembro quando ouvi essa frase pela primeira vez, saída da boca de uma grande amiga. Ela também tinha ouvido da boca de outra pessoa, lá no sul, numa viagem que fizera.

Eu nem sabia o que era kitesurf, acho que ela também não. De repente, não se falava em outra coisa - virou moda, virou tendência. Se antes era in ser do clubinho do windsurf lá na Ilha, de um minuto pro outro isso ficou ultrapassado. A pipa era a nova estrela do velejo.

A primeira vez que eu vi uma no céu, estranhei e pensei comigo mesma, “se é uma pipa cadê as varetas, a rabiola? Onde passa o cerol?” Pra mim pipa era isso. Mas não, essa pipa era diferente, tinha fio e ia no vento, mas lá debaixo era controlada no mar.

Virou febre, abriram-se vagas pra ter aula na BL3; mudaram-se os instrutores, os que eram de wind viraram de kite. Eu via aquilo tudo rolar, achava o maior barato aquela mistura de surf com wind com wake, batia uma vontade, mas não ousava arriscar. Ainda tinha ciúmes pelo windsurf, que sempre quis aprender e nunca consegui.

Cada dia eu via mais e mais kites no mar, a molecada da Armação trazia uns da Naish quando ainda eram de 2 fios... o negócio saía voando que nem avião, perdiam-se pipas e pranchas, e eu só acompanhando do fundo da praia, sentada embaixo do meu pé de goiaba, dando risada de tudo.

No começo do ano, me aproximei mais da tribo desse tal de kitesurf, conheci instrutores, cheguei a sair com um por algum tempo (ufa, o homem mais lindo e mais misterioso que já conheci), fiz amizade com o pessoal da escola. E o kite lá, todo enrolado, só me olhando. Eu olhava, ele me olhava, ah não, amor, hoje não, tô com dor de cabeça... sacumé?

No carnaval resolvi cair de cabeça no Laser, apaixonei pelo negócio, que sensação... antes achava que devia ser meio monótono, de repente descobri adrenalina pura ao pegar cada rajada que só vendo... caça a vela, empurra o leme, é hora de dar o jibe, putz, o barco virou... tem nada não, pendura na quilha (opa, segura o biquini!), tá, pronto, atrás da rajada de novo, arribando bem na linha do vento... T-E-S-Ã-O!

Quando foi lá por abril, resolvi parar de manha e arrisquei perguntar prum amigo quanto custava a hora do kite, quase tive um infarto e desisti de novo. Semanas depois, arrisquei de novo pedir pro mesmo amigo, com toda cara-de-pau do mundo, se ele não me daria umas aulas grátis, assim, no tempo livre, sabe, de leve, só pra sentir a tensão nos fios e nas veias... Bingo, consegui! Aulas de kite de graça, toda sexta-feira, com o pioneiro do kite na Ilhabela. Perfect, brother, é o esporte do futuro, lá vou eu então!

Semana após semana ligava pro cara, “Tá ventando hoje? Posso descer e chegar na praia às 4 da tarde!” e a resposta foi a mesma, por 4 finais de semana seguidos... “Putz, hoje tá ruim, gata, não passou de 2 nós até agora e não tem previsão nenhuma...” Ah, droga... sério? Beleza, fim de semana que vem eu ligo de novo... Semana após semana, o vento não colaborou... cheguei a conferir na grade de vento do site da escola, pior que era verdade... vento de 2, rajada de 4 nós, no máximo... pra kite precisa de quanto mesmo? Ah, 8 né... droga...

Meu futuro instrutor zarpou pro Havaí, meu amigo que poderia me dar uma força estava de joelho machucado... então deitei na areia e resolvi pegar um sol apenas... praia cheia, feriadão rolando, então vamos no bronze, fazer o que? E eis que descubro que o cara com quem tinha conversado rapidinho um dia antes era instrutor de kitesurf. Aliás, instrutor não, O INSTRUTOR. Tanto que se mandou pra Jericoacoara, onde o vento dá de 10 em Ilhabela, e resolveu só passar a temporada de chuvas na nossa bela Ilha.

De repente, do nada, “E aí, tá afim de cair no mar? Tô com o kite dentro do barco, você sente o negócio, se curtir amanhã tu faz uma aula por um preço baratinho.” Analisei a situação: sairia por um terço da grana que gastaria na escola. Olhei lá pra fora, lá nas Canas, o vento era de Leste, soprando forte, ou como dizem na BL, dia de Slalom e Velinha! Demorou, radical, vambora!

Lycra descolada de última hora, brincos na bolsa, vamos nessa, o que eu faço com isso aqui?? Calma, lá fora eu te explico, entra no barco! Uuuuuuuu... hul!!! Kitesurf, brother, esporte do futuro, e eu tô indo pra lá! Tá frio, ah, que se dane, na água esquenta!

Fiquei 1h30 no mar, agarrada nas costas do Pedrinho (sem palavras pra agradecer!), fazendo com a pipa um 8 no céu... esquerda, direita, sentiu a pressão? Porra se senti! Agora vou te deixar sozinha, prende aqui o kite no trapézio... Não, não, não gira a barra, putz!... já era... SPLASH!, foi o kite pro mar... nada não, é assim mesmo, decola a pipa, sentiu a pressão? Não deixa sair da janela, força no abdômem, maravilha!!!

Depois de 1h30 de explicações teóricas e complexas, lá estava eu, com a pipa firme nas mãos, no total e absoluto controle do seu bailar naquele vento forte, de quase 15 nós, às 6 horas da tarde, com o sol já indo embora. A pipa voava, me arrastava, o fio retesava na barra, e eu ia de um lado pro outro, ora orçando em zigue-zague, ora arribando com força total. O frio fazia os dentes baterem, a garganta doía, os lábios já estavam azuis, mas quem ali se importava? De repente, putz, ‘cabou, o sol foi embora, o gancho estourou, vamos ter que voltar... ahhh, sério? Outra aula amanhã? Fechado, duas da tarde!

Naquele dia até sonhei com o negócio. Nunca imaginei sentir algo parecido, nem nunca tinha percebido a força da natureza nessa magnitude... o vento me conduzindo, a pipa dançando no céu, eu dançando na água, em perfeita harmonia. Loucura total, estava na fissura pra sentir aquilo de novo.

No dia seguinte não tinha vento.

Nem nos próximos 15 dias o vento foi bom prá mim. Pedrinho se mandou pra Jeri de novo, o outro viajou e só volta no fim do ano. E meu velejo... ih, ‘cabou pra mim...

Continuo à procura de algum instrutor, que possa se condoer de minha condição financeira e me levar novamente pro mar, pra sentir tudo aquilo de novo. Mágico, fantástico, orgásmico. Inexplicável.

E eu até posso esperar o fim do ano, ou ir pra Jeri como sugeriu Pedrinho. Porque o negócio, olha, o negócio é bom. E se é o esporte do futuro, ah, o futuro, então é pra lá que eu vou! E como diz o Scheidt... e se perder o leme, não perca o rumo!

Kitesurf, brother...

3 comentários:

Flavia Melissa disse...

wow mesmo!
é isso aí hermana... vai com fé que o vento aparece mais cedo ou mais tarde...
e outra... a aula é cara... mas se pá, no futuro que é o lugar do kite e de tantas outras coisas bacanas que hoje são mero vir a ser, não fica mais baratinha rachada em duas?
wow!

amo muito.
horrores.
e amanhãããããã to aí lá pelas 7...
pizza?

Fê Savino disse...

Chuchuzinhaaaaa!!!
Nossa, como estou atrasada neste bloguinho, hein?!
Mas não se preocupe.. vou tentar me atualizar hoje mesmo... vou ler tudinho que não li... (uns três textos, pelo menos)...
Tomara q te veja hj a noite!
bjinhosssss

Fê Savino disse...

Nossa, que delíciaaaaa!!!!
Deu até vontade, sabia????
Vá pra onde o vento te levar, queridaaaaa!!!!!! Aproveite!
Bjooooosss