quarta-feira, dezembro 10, 2008

Você sabe paquerar?


Quando uma pessoa sofre repetidamente desilusões amorosas, é natural e até mesmo esperado que ela se retraia um pouco e fique ‘fora do jogo’ por algum tempo. No banco de reservas, as ferramentas do approach correm o sério risco de atrofiar, como um jogador de futebol que não é escalado para nenhum jogo do torneio e que, por sorte (sorte?) do destino, é chamado para substituir alguém na final do campeonato. Ele tem a técnica, já fez aquilo milhares de vezes, mas ficar sentado só assistindo o deixou meio enferrujado.

Tudo na vida que você deseja executar com primor exige treino constante. Lutas, culinária, desenho geométrico, delineador líquido, lixadeiras automáticas e saltos altos de 15cm - pra aprender a usar, custa um tanto. Pra continuar usando, é favor não parar, obrigada.

Outro dia, acusada por um par de amigos de ser extremamente inacessível e fechada, me peguei pensando: perdi o jeito. Como quando alguém está à beira da morte, minha vida emocional inteira passou diante de meus olhos – eu perdi o rebolado e encontrei maneiras ridiculamente eficientes de contornar o problema, como virar mestra no escárnio e na zombaria (aprimorando inclusive meu uso de palavras difíceis tais como ‘escárnio’ e ‘zombaria’ quando eu deveria parar de ridicularizar as coisas e passar a usar palavras mais sérias).

Pensando sobre isso, me flagrei imaginando uma série de situações, refletindo sobre como seria o comportamento ‘ideal’ na nobre arte de paquerar (em tempo: as aspas em volta da palavra ‘ideal’ estão lá para prevenir os ataques dos chatos de plantão que iriam, fatalmente, transformar este texto numa ampla discussão sobre o ideal e o real, sobre os padrões sociais e a individualidade e blablabla-whiskas-sachê). Sendo assim, elaborei um pequeno teste, tipo aqueles das revistas Capricho que a gente lia quando adolescente.

Este teste seria quase uma chamada de capa. Pegue sua caneta preferida e um papelzinho qualquer, responda com sinceridade e descubra: Você sabe paquerar?

Situação 1 – Você está numa livraria folheando um livro que parece ser chatíssimo. Um homem charmosérrimo e aparentemente boa-gente sorri para você e recomenda o livro, dizendo que ele apareceu na lista dos mais vendidos da semana na Revista Veja. Você olha a mão do rapaz: nenhuma aliança. Você:

(a) Não responde porque não fala com estranhos.
(b) Sorri, agradece e se afasta, pensando que o cara é um mala metido a intelectualóide (você odeia a Revista Veja).
(c) Derruba o livro no chão, fica roxa e, já se afastando, agradece.
(d) Agradece a indicação, comenta o que achou do conteúdo da contra-capa e faz o papo fluir.
(e) Isso nunca aconteceria com você: a night é mais indicada pra pegação do que uma livraria.

Situação 2 – Como quase sempre acontece, você está atrasadérrima para o trabalho quando batem no seu carro. Você pára o trânsito e desce do carro putíssima da vida, pronta pra armar o maior fuzuê. Supresa: o motorista do carro de trás é um menino lindo e está super nervoso. Ele é gentil e diz que, claro, irá pagar o conserto, e que irá proceder da forma que você achar melhor. Você:

(a) Percebe que ele está nervoso e o xinga de moleque, bração e irresponsável, joga seu cartão na cara dele e anota mentalmente o número da placa, gritando, já entrando no seu carro, que tem contatos no GOE.
(b) Procede formalmente, engolindo a raiva e se despedindo com um sorriso azedo que poderia ser facilmente entendido como ‘Coma bosta e morra, seu escroto”.
(c) Fica tão nervosa com a beleza do moço que diz que tudo bem, que vocês acertam mais tarde e que você irá ligar para ele. Quando já está virando a esquina, percebe que não anotou nem telefone, nem nome, nem placa do carro.
(d) Procura se acalmar, anota os dados do rapaz e entrega seu cartão, se esforçando para ser civilizada e firme ao mesmo tempo. Quando se despede, aperta a mão do rapaz (sem aliança!) e dá o seu sorriso número 5, aquele de, literalmente, parar o trânsito.
(e) Troca os cartões, chama o cara de ‘doçura’ e pergunta se ele não quer te acompanhar até o motel, digo, mecânico mais próximo, caso o motor dê algum problema no percurso...

Situação 3 – O prof. de uma das disciplinas da sua pós-graduação é estonteantemente lindo, e parece jogar o maior charme para você. Um dia, ele comenta com a classe, super casualmente, que o email dele se encontra na página do corpo docente da instituição caso haja alguma dúvida. Você:

(a) Não faz nada, afinal, ele é seu professor. Já dizia sua avó: onde se ganha o pão, não se come a carne.
(b) Anota mentalmente a informação caso algum dia precise pedir referências bibliográficas de emergência.
(c) Tem uma crise de gastrite e marca sessão extra de terapia pra discutir com a analista o que deve fazer com ‘tudo’ isto.
(d) Espera 2 dias e envia um email casual com alguma dúvida sobre o curso, manda um beijo no fim do texto e assina pelo seu apelido seguido de ‘a aluna da segunda fileira’.
(e) Pede pro seu amigo hacker descobrir telefone, endereço e CPF através da conta de email do cara. Você pretende fazer uma pequena surpresinha para ele.

Situação 4 – Você está no Café Havana e troca olhares com um moreno gatésimo que não tira os olhos de você. Ele está sentado duas mesas ao lado e, ao se levantar, se aproxima de você e lhe estende um cartão profissional. Você:

(a) Dá um sorriso gélido e devolve o cartão na mesma hora: paqueras baratas não te atraem nem um pouco.
(b) Agradece, até pega o cartão, mas não pretende ligar: pra estar no Café Havana, deve ser viado enrustido.
(c) Agradece, treme da cabeça aos pés e demora 15 dias para ligar, após ter ensaiado 2435 vezes o seu texto com a melhor amiga.
(d) Dá um sorriso lindo, pega o cartão, lê na frente do moço e diz “Legal, eu também sou publicitária”, engatando uma conversa fantástica.
(e) Morde o cartão dando um sorrisinho safado e convida o cara prum café “bem forte” ali mesmo.

Situação 5 – Um amigo seu parece estar te paquerando há séculos. Você não sabe o que fazer com as investidas do cara pois teme pela amizade, mas no fundo no fundo, se sente atraidinha por ele. Um dia, quando estão a sós, ele comenta que seus cabelos estão cheirando a morango, e se aproxima do seu pescoço ‘pra sentir direito o cheirinho’ (tá bom). Você:

(a) Se afasta instantaneamente e diz, geladamente, que ele está te desrespeitando.
(b) Freia o rapaz colocando suas mãos no peito dele e diz que ele pode sentir o cheiro, que é do shampoo, dali mesmo.
(c) Deixa ele se aproximar, mas como ficou muito nervosa, estraga totalmente o clima fazendo alguma piada sobre sexo com leguminosas.
(d) Fica um pouco sem graça mas aceita o contato, até pra ver como se sente tão próxima ao cara - fica paradinha e apenas sorri.
(e) Enlaça o rapazote pelo pescoço e vai você também dar uma fungada no cangote dele, sussurando baixinho que morango combina com chantilly e chantilly combina com... ‘vamos lá em casa e eu te mostro”.

Situação 6 – Você está num bar com amigas e o garçom te entrega um ‘torpedo’ de um gatinho da mesa do fundo. O cara é lindo de viver, e ainda está com outros amigos bonitões ao lado, o que alegraria e muito suas amigas. No torpedo, ele a convida a sentar-se com ele, dizendo para levar suas amigas consigo. Você:

(a) Acha ridículo essa coisa de torpedo e amassa o bilhete sem dó nem piedade.
(b) Acha aquilo meio antiquado mas consulta suas amigas sobre a vontade delas, sem muita animação.
(c) Fica tão sem-graça com o convite que não tem mais coragem de olhar pra mesa do cara, mesmo com suas amigas a incentivando e dizendo que iriam com você numa boa.
(d) Consulta suas amigas a respeito e envia um outro bilhete pelo garçom, dizendo que seria preferível que eles se juntassem a vocês, já que a mesa das ‘luluzinhas’ é melhor localizada.
(e) Pega seu copo de chopp e, sem ao menos falar com as meninas, se levanta e vai até a mesa do gatinho, se sentando e se sentindo a ‘amiga da rapaziada’.

Situação 7 – Você está no funeral da prima da sua amiga. Todos estão, é claro, muito tristes, incluindo um dos amigos da defunta que, by the way, é tudo de bom. Vocês conversam um pouco e, ao se despedirem, ele anota num papel o nome dele, telefone e email, dizendo para marcarem alguma coisa. Ele ressalta que o email também é o msn dele. Você olha o papel e percebe que o telefone é DDD de Campinas. Você:

(a) Esquece a história na hora: campineiro é tudo viado, interurbano custa caro e o sotaque dele te irritou horrores.
(b) Esquece o papel no fundo da bolsa: morando longe e falando em msn, você já imagina que a coisa seria puramente virtual.
(c) Adiciona o cara no msn mas o deixa bloqueado durante 2 semanas, até ter coragem de falar ‘oie’. Enquanto isso, você já o procurou no orkut e já roubou algumas fotos do cara pra mostrar pras amigas.
(d) Envia um email depois de uns 2 dias dando seu telefone, e diz que vê-lo novamente caso ele já se sinta recuperado pela morte da amiga.
(e) Manda uma SMS dizendo “Olha seu email, gatão”. Você enviou algumas fotos suas de biquini em Maresias, e embaixo delas escreveu: “que tal nós dois na praia este fim de semana?”

CONTAGEM DOS PONTOS:

Se você marcou mais a letra...

(a) Você tem sérios problemas mentais e deveria consultar um psiquiatra pra ontem.
(b) Você pode ter distimia, ou não faz sexo há muito tempo. Seu mau-humor crônico é motivo de chacota no ambiente de trabalho, mas no fundo, apenas sua terapeuta sabe que você ainda está muito magoada pela última relação amorosa que fracassou, e que daí vem o seu profundo desprezo pelos homens.
(c) Menina, isso é que é carência. Você não paquera, e sim se desespera a qualquer sinal de contato amoroso, mesmo que seja alguém desconhecido que entrou no seu orkut sem deixar recado. Seria interessante intensificar a terapia ou eventuais tratamentos holísticos, pois na sua essência parece haver, ao mesmo tempo, um grande desejo de se relacionar, misturado com puro medo de se dar mal. Confie em você.
(d) Parabéns, você é uma paqueradora nata! Sensata, equilibrada e conhecedora do timing mais adequado para os xavecos, você usa sua sensibilidade com o mesmo conforto e elegância com que usa seus melhores jeans. Em resumo, você não existe!
(e) Garota, vamos com calma. Transar é bom e todo mundo gosta, mas o seu jogo é arriscado: você mais parece uma devoradora de homens que não apresenta muito bem o que existe no seu interior (o outro interior). É prudente rever suas posturas e também refazer seus exames ginecológicos.


Em tempo: claro que isso tudo é uma grande brincadeira e que todos nós temos características variadas, que sempre irão depender do contexto e do momento de vida que estamos passando. Eu, desta vez, vou deixar as respostas no vácuo durante algum tempo. Quem me conhece, sabe bem qual a letra que marquei mais... ;)

2 comentários:

Marcela Marson disse...

Hahahahahahahaha
Adorei!!
Principalmente os comentários da análise das letras mais marcadas, mto bom!!

Menina a minha de Letra D, acredita?? abafa o caso!

Amoo

Flavia Melissa disse...

A minha letra também deu D!
Isso significa que eu sou um estouro, hahahahahahaha ;))

Achei ótima a situação 3, a melhor de todas e eu... MANDEI BEM, hahahaha!!!

Agora que tal um teste de como é que o povo SAI de situações em que é paquerado e não está interessado?

Tbm daria uma ótima análise :)
Bjossss