domingo, agosto 10, 2008

Sei lá


Eu acho que o mundo anda muito louco.

Na verdade, eu acho que as pessoas andam com uns parafusos a menos, que estamos vivendo os efeitos da Era de Aquário, ou então que alguém colocou o Veneno da Ansiedade ou o Fungo da Neurose na água da Sabesp.

Eu nunca vi as pessoas tão ansiosas quanto ultimamente. É um tal de crise de ansiedade pra cá, arritmia cardíaca pra lá, dedos formigando e uma afobação generalizada, uma dificuldade coletiva de se acalmar, que eu tenho ficado com os cabelos em pé. As pessoas parecem estar assustadas. E tire você seu burrico da chuva se acha que eu vou dizer que a causa disso é a situação político-econômica, as condições financeiras ou as transformações culturais da nossa pátria mãe gentil.

Tá todo mundo desesperado de medo da solidão e... blábláblábláblá.

E eu, que geralmente acabo caindo na minha velha tendência de querer explicar tudo, ando meio cansada. Cansada de tanta reclamação, de tantas idéias pré-concebidas sobre o amor, cansada de tanta ladainha e de tantas perguntas-sem-resposta-só-porque-você-acha-que-é-assim.

Outro dia, em pleno sábado à noite, me peguei numa rodinha feminina com mais 3 amigas fantásticas, mulheres lindas e inteligentes, falando sobre O Assunto: Relacionamentos. Chamei a atenção da mulherada pro fato de que eram 4 da manhã e que, até então, não haviamos abordado nenhum outro tema que não esse. Ninguém me escutou. E duas semanas depois, o mesmo aconteceu – só que desta vez, acabei dormindo no meio da conversa.

Argh! Não aguento mais ver pessoas inteligentes, bonitas, bem-sucedidas, com potencial pra felicidade e generosas de coração se transtornarem com perguntas retóricas e questionamentos existenciais-amorosos. Tenho achado meio perda de tempo. Tenho ficado um pouco decepcionada.

Alto lá: nem por um momento eu me excluo dessa patotinha. O que duplamente me incomoda - será que a gente não tem mais nada de importante pra pensar? E quanto aos nossos trabalhos, nossos hobbies, nossos sonhos, nossas famílias, nossos amigos, nossos sapatos, nossos cremes anti-rugas? Será que o amor ocupa mesmo um lugar central em nossas vidas? Ando farta de tentar responder perguntas manjadíssimas, mas que sempre estão na moda. Por que eles são assim? ou Se sou tão boa assim, por que estou sozinha? ou Será que ele ainda pensa em mim?

Ai, sei lá.

Sei lá pra todas as perguntas acima. Sei lá se os homens são mesmo assim tão diferentes de nós, sei lá se as pessoas percebem o que fazem. Sei lá. Sei lá se você vai casar, se eu vou ter 3 filhos, se ela irá encontrar seu grande amor na Áustria ou num cruzamento da Av. Brasil. Ééé, o amor é imprevisível. Éééé, pode estar do seu lado mesmo, sei lá. Sei lá e do que me adianta pensar? Sei lá e por que você ainda está me perguntando isso?

Sei lá e no que eu saber vai mudar a sua vida??

Super okei, adooooro filosofar, viajar longe nas idéias, hipotetizar o mundo. Na verdade isso é praticamente tudo o que eu faço: transformar coisas simples em coisas ultra-complicadas, pra depois quebrar a cabeça pra fazê-las voltarem a ser simples (e, às vezes, sou paga pra isso).

Acontece que meio que encheu pensar só sobre isso. Na verdade, estou cagando pra se o amor pode ser para sempre, se existe amor à primeira vista, e estou pouco me lixando pra se a traição é diferente pro homem e pra mulher. Deve ser. Sei lá (mas não ando muito interessada). Porque namorados brigam tanto? Sei lá. A gente ama o ser amado ou o sentimento de amar? Sei lá, ô. Os homens quando estão mal no trabalho é igual mulher em TPM? Ai, não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe.

O que eu quero saber é como ser cada dia mais feliz, cada dia mais esperta, cada dia mais realizada profissionalmente. Eu quero saber em que canal vai passar um filme legalzinho, que festa bacana vai rolar na sexta-feira e quanto custa aquela sandália fantástica.

Eu quero saber se meus amigos estão bem, se minha mãe está feliz, se minha irmã está afim de almoçar fora e se minhas contas estão em ordem. Eu quero saber de cuidar de mim, fazer hidratação no cabelo, cuidar da mente e da alma, e de quebra ainda ajudar alguém fazendo um trampo voluntário. Eu quero saber de sombra, água fresca, água salgada do mar de Ilhabela e um livro gostoso. Sozinha ou acompanhada. Juro que tanto faz, contanto que eu esteja tranquila, em paz, com bem-estar.

Eu juro que eu só quero ser feliz, e que se você quiser ir comigo eu vou adorar. Mas a gente pode falar sobre abelhas? É que de papo de amor eu já meio que cansei.

Sei lá...

2 comentários:

Marcello Fiore disse...

Você tem certeza que quer falar sobre Abelhas?

"OS AMORES DA ABELHA
* Olavo Bilac

Quando, em prônubo anseio, a abelha as asas solta
E escala o espaço, - ardendo, êxul do corcho céreo,
Louca, se precipita a sussurrante escolta
Dos noivos zonzos, voando ao nupcial mistério.

Em breve, sucumbindo, o enxame arqueja, e volta...
Mas o mais forte, um só, senhor do excelso império,
Segue a esquiva, e, em zunzum zeloso de revolta,
Entoa o epitalâmio e o cântico funéreo:

Toca-a, fecunda-a, e vence, e morre na vitória...
A esposa, livre, ao sol, no alto do firmamento,
Palra, e, rainha e mie, zumbe de orgulho e glória;

E, rodopiando, inerte, o suicida sublime,
Entre as bênçãos da luz e os hosanas do vento,
Rola, mártir feliz do delicioso crime."

CONFORMISMO FUNCIONA OU SEREI OBRIGADO A ME AMOTINAR??? De novo...

Priscila Rocha disse...

Que dia a Nana vem pra ilhota de novo?
Ah! Sei lá.

Mas, prometo que quando vier não falaremos sobre amor, amores e relacionamentos!
OKEI!

Ótimo texto amiga!
Saudades de você
BJU GIGA!