sexta-feira, novembro 28, 2008

Pânico Amoroso - PARTE II

Se escondendo?

Para quem lembra da PARTE I, trago novidades: minha amiga Diana, 26 anos, ainda solteira, reuniu toda a coragem dentro de si e foi ao encontro com aquele homem fantástico. A noite foi boa, trocaram beijos e abraços, conversaram sobre suas vidas. No final da noite, o rapaz quis levá-la para casa (a dele), e Diana recusou.

Minha amiga voltou para casa extremamente frustrada: botara na cabeça que aquele cara tão bacana havia se interessado apenas e tão somente pelo seu corpo, o que a lembrava de suas duas últimas relações: ótimo sexo, coração partido. Ela está, nesse exato instante, desligando o telefone celular, que permanecerá assim desligado durante todo o dia seguinte ao encontro – ela prefere que o rapaz não a procure mais. Ela não quer correr o risco de se envolver.

As emoções que Diana experimenta não são muito diferentes de alguém que tenha Pânico associado a, por exemplo, sair sozinho de casa. Basta trocar a expressão “sair sozinho” pela expressão “se envolver”, e a palavra “pânico” por “sofrimento” (aliás, são termos totalmente equivalentes).

Fulano não sai sozinho pois, se sair, terá Pânico.
Diana não se envolverá pois, se se envolver, terá sofrimento.

A situação é condicional, e é a mesma: Diana passa a evitar as relações amorosas assim como o Fulano evita sair sozinho, numa postura evitativa, comportamento este ao qual F.B. Skinner, pioneiro do comportamentalismo, há décadas atrás, chamou de esquiva: ambos evitam a situação ansiógena como diabo foge da cruz - com a diferença de que o diabo tem algo muito concreto a temer, enquanto Diana e Fulano têm apenas e tão somente suas associações e a lembrança do sofrimento que um dia tiveram.

Enquanto Fulano justifica que não sai sozinho pois não ‘aguenta o rojão’, com pensamentos catastróficos de que irá passar mal e morrer, Diana tem evitado os encontros sob a desculpa de que ‘os tempos estão modernos demais’. Claro que isso, para Diana, significa que todos os homens são iguais àqueles dois sobre os quais lhes contei – irão abandoná-la sem dó nem piedade, são cafagestes e usurpadores de sua felicidade. Diante desta “realidade”, o melhor é não se envolver – ela não terá estômago para mais uma frustração.

O pensamento de Diana é claramente equivocado, já que (1) não existe a menor evidência de que ela será abandonada, e (2) mesmo que ela seja, não é capaz de prever o futuro e nem sua reação – e ela já se dá por derrotada. Esta é uma característica fundamental do portador de Pânico (convencional ou amoroso): ele não confia em sua capacidade de enfrentamento, se julga fraco e ineficiente.

Se você se identificou com o que estou dizendo, se você tem tido a sensação de que tem se boicotado com frequência, se você tem reclamado da carência mas percebe que não está facilitando em nada a sua própria vida, e principalmente, se você morre de medo de ter seu coração partido, aqui vão boas novas: a vida é imprevisível, e nela não existe nenhuma garantia, assim como no amor. Se isso, para você, não são boas novas, espere para ver o resto: sim, existe uma solução.

Entretanto, como tudo nessa vida, a solução é trabalhosa, dolorida e exige dedicação e esforço, além de uma alta dose de coragem. Não foge do convencional: o tratamento mais indicado para Fulano é o que se chama de exposição in vivo, ou seja, a exposição gradual à situação ansiógena, de forma a modificar a associação feita por ele em relação ao elemento desencadeador. Fulano começará a sair sozinho, com a supervisão de um ‘técnico’ que estará a poucos metros de distância, ou no carro de trás, o que garante (falsamente) a sensação de segurança. Espera-se que Fulano consiga novamente reaver sua liberdade após uma média de 12 sessões.

Assim como no caso de Fulano, Diana também poderá se libertar de seu medo de se relacionar, bastando apenas que ela... se relacione. Obviamente, como isso exige a participação de terceiros, não existe garantia de segurança, já que o comportamento do outro é sempre imprevisível. Diana precisará de uma dose extra de auto-confiança e precisará deixar de lado a sentença “envolvimento = sofrimento”, e deverá perseverar em seu treino, mesmo que seu próximo relacionamento também fracasse (alguém aí espera que a primeira saída autônoma de Fulano seja super bem-sucedida?).

Na vida e no amor não há pílula mágica: tudo acontece na base do treino, da determinação e da atitude pró-ativa. Enquanto Fulano permanecer descrente de sua força, jamais tomará a iniciativa de buscar a cura. Enquanto Diana não largar suas justificativas e assumir que precisa mudar, não visualizará nenhuma capacidade nem oportunidade de mudança dentro de si.

Outro dia, ouvi ela me dizendo que não era temerosa, e sim precavida. Arrematou a frase me chamando de romântica e dando seu veredicto final: o romance acabou, e essa é a realidade.

Mentirosa... a realidade é a gente que faz.

2 comentários:

Edilson disse...

Pois é, às vezes nos antecipamos aos "sofrimentos". Nos ocupamos verdadeiramente e desnecessariamente na pré-ocupação.

Beijo.

Flavia Melissa disse...

tem um ditado chinês que diz assim: se vc acreditar que vencerá... ou se acreditar que será derrotado... de qualquer forma, vc estará certo.

prá pensar, né não?
amo