segunda-feira, outubro 30, 2006

Betinho diz: SE TEM PRAZO DE VALIDADE, É PORQUE EXISTE!

OK... entendi a polêmica... você sempre acreditou em um belo e frondoso conjunto de máximas e, de repente, out of nowhere (adoro essa expressão, soa melhor que “brotando do nada”), surge uma autora de artigos da baixa-literatura, munida dos valiosíssimos resultados de uma pesquisa feita por um cientista estrangeiro de quem você nunca ouviu falar, com o total respaldo de uma faculdade da qual você também nunca ouviu falar e afirma, categoricamente, que paixão vem com rótulo de validade.

Já imaginou?
– Oi amiga, o que você vai fazer hoje? Vamos sair?
– Ai, gata, não posso... acredita que eu vou ter que ir ao mercado trocar esse gatinho que eu peguei? O prazo de validade da paixão dele está quase no final!
Péssimo, simplesmente péssimo.

Pergunta um: se o artigo fosse do Dr. Temístocles Brodówski, do Centro de Pesquisas Avançadas sobre Relacionamentos Humanos da Faculdade Municipal de Matoury – Guiana Francesa, qual seria a credibilidade que você atribuiria ao artigo?

(em tempo: não tenho absolutamente nada contra a queridíssima Guiana Francesa, um belíssimo presídio francês até 1951, por sinal)

Não, não vou gastar vossa retina desqualificando o artigo. Vou te dar duas respostas, uma “científica” e uma pessoal.

Resposta científica: sim, paixão tem prazo de validade mesmo.

Vamos lá. Homens (no sentido amplo) são animais, assim como cachorros, periquitos, morsas, lontras, urubus, pulgas e percevejos.
Você disse que a paixão é um sentimento que garante a proximidade dos animais para que ocorra a procriação da espécie. Se não disse isso, eu entendi isso. E isso faz todo e completo sentido na minha cabeça. Basta ver o número de “acidentes de procriação” que ocorrem com casais recém formados e com casais com algum tempo de convívio (não vou chutar quanto tempo). Ou seja, paixão ajuda na procriação, sim.

Pergunta dois: por que os animais, excluindo desse grupo os homens (no sentido amplo), vivem em sociedade ou algo parecido com ela? Por que, raios, alguns animais estabelecem vidas mono ou poligâmicas e assim passam suas vidas?

Eles vivem e convivem pelos mesmos motivos que nós vivemos e convivemos. Por necessidade. Pela necessidade de proteção, de auxílio, de companhia, de apoio, de calor, de se expressar, de incentivo, de cobrança, de supervisão e de várias outras coisas.

Sim, estou afirmando que, se fosse pensar apenas com argumentos científicos, eu diria que paixão tem validade e que os animais vivem juntos por necessidade, e não por algum sentimento romanticamente lindo e socialmente aceito. E digo mais! Cientificamente pensando (não poderia escrever “cientificamente falando” porque não tenho provas para nada do que estou escrevendo), paixão é doença mesmo!

(em tempo, novamente: a única doença boa desse mundo!)

Pergunta três: onde já se viu um ser em sã consciência abrir mão de amigos, trabalho, estudos, família, esportes, lazer, cuidados pessoais e tempo de sono por conta de um outro ser que acabara de conhecer?
É doença, sim! Daquelas que se curam sozinhas em 24 meses, mas se você se medicar, duram apenas 2 anos.

Mudemos de ótica.

Resposta pessoal: sim, paixão tem prazo de validade mesmo.

Isso aí. Minha resposta pessoal também diz que paixão tem validade. Mas, minha resposta pessoal não diz apenas isso.

Pergunta quatro: o artigo que vossa estimada pessoa leu dizia que há um prazo de validade para a completa supressão dos hormônios responsáveis pelos sintomas que – aglutinados – chamamos de paixão. Mas, disse esse artigo que é impossível se apaixonar mais de uma vez pela mesma coisa ou pessoa?

Paixão acaba, é fato. Não só a paixão por pessoas. A paixão por qualquer coisa acaba. O segredo está em se apaixonar várias vezes pela mesma coisa.

Exemplo: eu ando de moto. Sou apaixonado por andar de moto. Eu amo pilotar motocicletas. A paixão acaba? Sim e não. Sim, porque ela de fato acaba. Não, porque antes de eu perceber que acabou eu já me apaixonei novamente.
Cada coisa é única: cada viagem, cada curva, cada arrancada, cada susto, cada tombo, cada companhia, cada paisagem...
Eu estou sempre apaixonado por andar de moto, mas sempre por motivos diferentes.

Frases batidas e detestáveis: “conquistar muitas mulheres é fácil, quero ver conquistar uma mulher várias vezes”, “achei a metade da minha laranja”, “você é a azeitona da minha empada”, “fulano é o sol da minha praia”. Você me completa.
Ridículas, mas cheias de verdade.

Pode chamar de transferencial e de projetivo. Eu concordo com o conceito. Ampla e integralmente. Você não se apaixonaria (ou, ainda, amaria) alguma pessoa que tem os mesmos defeitos que você, ou que não tenha absolutamente nada que você não tenha. Pelo menos não deveria. Não há motivos para se envolver com alguém que não agregue nada a você. Mas nem sempre percebemos isso tão facilmente e acabamos fazendo bobagem...

Ou seja, a paixão acaba para garantir que você não faça merda com a sua vida por muito tempo. Ela acaba, você não se apaixona novamente e a relação termina. Viu, sempre acreditei na sabedoria da Natureza...

Mas eu também não acredito em amor romântico. Não sou cientista, mas trabalho com finanças. Tudo deve ser provado e comprovado por meio de números, equações, modelos e gráficos.
Sua leitura já provou que paixão existe sob a ótica científica, mas ela acaba.

Pergunta cinco: se paixão tem prazo de validade, o que sustenta uma relação no longo prazo?

O amor.

Pergunta cinco: amor existe (o cientificamente viável, não o romântico)? Se sim, defina.
Sim. Amar é conseguir se apaixonar seguida e infinitamente pela mesma coisa ou pessoa.

3 comentários:

Nana Ferreira disse...

Putz, Betinho, a questão toda permanece, ou melhor, a origem da questão.
Se é possível se apaixonar várias vezes pela mesma pessoa? Tal como vc se apaixona sempre pela sua moto?
Hm... Não sei.
Mas me apaixonei pelo seu texto!
Ad eternumm!

Julia Perissinoto disse...

uuhh hhhuuu!! botando lenha na fogueiraaaaa!!adorei e sou super adepta de nos re-apaixonarmos por pessoas. ja por coisas, vc só se re-apaixona quando dá uma "turbinada" no que já tem. diz aí, nêgo: se vc coloca pneus novinhos na motoca, não é o máximo? pra mim, é!
(aliás, em relação pessoal acho que também é assim...)

Anônimo disse...

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