quinta-feira, março 19, 2009

Dois anos

Dois anos se passaram.

Dois anos se passaram e muita coisa mudou. Eu mudei e você também – hoje você exibe essa aliança no dedo. O brilho dourado do metal me informa sob o sol inclemente desta tarde de março: o tempo passou, e o que restou de nós dois ficou para trás.

Dois anos se passaram e nosso Carnaval acabou. Foram-se nossos bailes de máscaras. As ligações noturnas por fim também se foram. Os nossos olhares amadureceram. Não se cruzam mais, não sentem mais fome. Nossa admiração mútua nas velhas tardes de sol se encerraram: os nossos corpos não se tocam mais. Nossos desejos não combinam. Nossa história virou história.

Dois anos se passaram e é o fim de uma era. É o fim dos encontros por acaso em plena avenida, é o fim dos encontros propositais no meio do mar. É o fim dos diálogos entrecortados pela sua música, é o fim de você sentado ali na minha sala. É o fim do seu corpo por cima do meu.

Dois anos se foram. Seu terno branco endossa a passagem do tempo, enche de lágrimas as minhas memórias - e a sua assinatura naquele papel pardo, diante de nossos amigos, se contrapõe à realidade irrevogável e criminosa de dentro de mim: dois anos se passaram, e não houve um único dia sequer em que eu não me lembrasse de você.

terça-feira, março 17, 2009

Thicker than water


Ligue o som e aperte o play.

É no futuro que seu rosto se revela
No nosso presente, somente a memória
O que restou da nossa história
E daquela mesa de bar
Daquele show de blues
Da sua cama desfeita
Do nosso primeiro cinema
E do filme que não chegamos a ver
As tuas palavras chegam a mim
Dando uma trégua na nossa batalha
A nossa Guerra Fria
A nossa justiça tão falha
O nosso acordo tácito
Essa distância ridícula
A nossa sede contida
Nessas palavras educadas
Elas velam o nosso rancor
A mágoa pela sua verdade
A sua maior prova de 'amor'
Que hoje me desperta saudade
Da sua barba por fazer
Dos abraços por receber
Do seu violão dedilhado
Da sua voz no escuro
Do meu coração machucado
E as fantasias sobre o futuro
Meu olhar continua impuro
Quando penso em você
Tanto tempo se passou
Sem a gente se ver
Onde anda você
Já nem importa mais
Sinto nos ombros o vento
E a mensagem que ele me traz:
Nossa ampulheta não marca o tempo
E sim a falta que você me faz
Nossa alma é perene
Nossa intenção já foi pura
Nossa despedida, solene
Não dizem que o tempo cura?
Se somente o autêntico dura
É essa a maior das maldades:
Nosso passado está nas lembranças
E nosso futuro, nas possibilidades.

segunda-feira, março 16, 2009

De bode!



Eu ando tão de bode do ser humano que tenho pensado em concordar com o que diz Schopenhauer: feliz é o homem que consegue evitar a maioria de seus semelhantes.

Mas como eu, que sempre me considerei uma apaixonada pelo ser humano, poderia concordar com uma afirmação dessas? Teria eu perdido o gosto pela convivência humana básica? Estaria eu viciada na minha própria solidão? Ou será que perdi a fé na humanidade?

Eu ando tão, mas tão bodiada das pessoas em geral, que tenho passado grande parte do meu tempo sozinha – o que posso afirmar que tem sido mil vezes mais gratificante do que conviver com a maioria das pessoas. E quando eu paro para analisar quantas das pessoas que me circundam me oferecem o mínimo que espero, dá vontade de chorar.

Todas as pessoas se dizem honestas, virtuososas e de bom coração. Quase todas elas se dizem generosas e espiritualizadas. Muitas se orgulham de como são com amigos e família. Mas pare por um momento para observar uma conversa trivial e você verá que, na verdade, quem escuta está louco para que o outro pare logo de falar, para que ele possa finalmente dar vazão à sua própria diarréia verbal: quanto está ganhando, onde passou as últimas férias de verão, com quem foi a última trepada, qual o carrão que está comprando, qual o restaurante fa-bu-lo-so que foi semana passada, que livro super cult está lendo.

Praticamente ninguém escuta de verdade. Praticamente ninguém sente verdadeira empatia pelo que o outro sofre. Todos estão, a bem da verdade, rezando para que você melhore logo e possa voltar a ser a pessoa bonachona e risonha de sempre – foda-se a que custo. Por trás de todo sorriso fofinho, parece ter segundas e terceiras intenções.

Ao longo da minha vida, segurei inúmeras barras de incontáveis pessoas. Não é por acaso que virei psicóloga – acho que eu sempre tive mais facilidade para falar coisas que realmente façam algum sentido para quem está em sofrimento, ou pelo menos mais sentido do que “Foda, vai passar”. Claro que é foda, claro que vai passar. Mas seria ótimo escutar alguma coisa mais consistente, só para variar um pouco.

E depois de segurar a bronca de tanta gente, e aí sim é ironia, eu paro pra pensar e me pego me perguntando: quem segura a minha? Quem aguenta a minha barra? Quem consegue dar conta de me escutar sem dizer “puxa, sabe que eu também, uma vez...”. Foda-se sua vez, esta é a minha. Alguém consegue escutar?

Com o tempo, percebo que deixei de verdadeiramente me abrir. Quase sempre prevejo que não vou ser realmente escutada e fico, quando não totalmente quieta, apenas no superficial – me broxa. Salvo raríssimas exceções, minhas relações cotidianas se transformaram em verdadeiros palcos de circo onde eu, com um reluzente nariz de palhaço, acoplo um megafone ao meu ouvido e pronto: virei o ouvido do mundo. Senhoras e senhores, abram alas para suas logorréias, tem para todos!

Quem faz rir o palhaço? Quem escuta o analista além de, óbviamente, seu próprio terapeuta? Quem guardará os guardiões?

Não, a humanidade não está pronta para verdadeiramente empatizar com seus semelhantes. O ser humano não consegue enxergar no outro o espelho de si mesmo e abrir mão de um pouco de sua arrogância para estender a mão ao seu vizinho. A honestidade e a sinceridade das relações foram massacradas ao longo dos séculos pelo egoísmo e pela prepotência.

Tudo isso chega a ser um tanto patético. A verdade é que, como diz amigo meu, estamos cercados de comédia, o que me lembra mais uma vez Schopenhauer:

“Se olharmos a vida em seus pequenos detalhes, tudo parece bem ridículo. É como uma gota d’água vista num microscópio, uma só gota cheia de protozoários. Achamos muita graça em como eles se agitam e lutam entre si. Aqui, no curto período da vida humana, essa atividade febril produz um efeito cômico.”

O ser humano, de engraçado, ficou frustrante. Tão frustrante que parei de pensar que o problema está somente nas minhas expectativas: o mundo é muito egoísta e eu já estou farta de tentar ver em cor-de rosa algo que, em sua grande maioria, tá cheio de pontos pretos.

Talvez seja apenas o meu aniversário, ou talvez seja um restinho de inferno astral. Admito que isso me deixa chata pra caralho – mesmo tendo tido uma festinha fantástica (que figurará aqui cedo ou tarde). Mas o que quer que seja, a situação não muda: minhas orelhas estão doendo de tanto escutar, e minha garganta raspa e aperta com tanta coisa que eu ainda tenho a dizer.

É foda, foda pra caralho. Parem o mundo, pelamordedeus – eu quero mesmo descer.

quinta-feira, março 12, 2009

Premissa: verdade

Hoje, na Mundo Mundano.


Nos últimos tempos, andei pregando por aí o meu gosto pela verdade.

Na minha vida, a honestidade e a total transparência têm sido indispensáveis, e funcionam mais ou menos como um norte a ser seguido: enquanto estou no caminho da verdade, sei que estou na direção correta.

As meias-verdades, muito mais do que as mentiras, me deixam um gosto amargo na boca. Antes de mais nada, considero as mentiras uma atitude de desrespeito com o próximo. No caso de meias-verdades, a situação é ainda pior: trata-se de uma tentativa de mascarar a realidade, de manipular seus elementos visando um benefício que não existiria de outra forma. Em muitos aspectos, considero as meias-verdades ainda mais terríveis do que as mentiras em seu estado bruto. Meias-verdades são o ápice da dissimulação.

Para meu desgosto, tenho percebido a dificuldade que as pessoas (ou pelo menos 99% delas) têm em lidar com a verdade. Não apenas em ouvir a verdade, mas em dizê-la. Tem gente que diz que é por tentar poupar o próximo de alguma coisa desagradável. Tem gente que diz que tem medo de magoar. Tem gente que até assume que tem medo de se dar mal.

Ter medo é algo absolutamente normal e totalmente compreensível: não é nada gostoso nem simples dar más notícias a alguém. O receio de magoar é genuíno – quando nos importamos, não queremos causar dor ao outro. Querer poupar alguém pode ser até bonito de se ver, mas além de ser um desrespeito ao direito da pessoa em conhecer a verdade, é um tanto quanto arrogante – quem disse que o outro não agüenta?

Apesar de equivocado, tudo isso é bastante compreensível, com exceção, penso eu, da justificativa no medo em se prejudicar.

A responsabilidade pelas próprias atitudes é algo que defendo com unhas e dentes, não apenas pelo senso de responsabilidade em si, mas também por acreditar que também merecemos o crédito pelas nossas conquistas. Isso é algo que martelo incessantemente para meus pacientes, acostumados a olhar somente suas falhas – responsabilidade pelos erros, mérito pelos acertos.

Responsabilidade indica, necessariamente, a noção de escolha – somos responsáveis, pois escolhemos aquilo. Tivemos opções e, conscientes que somos, optamos. Esta é a noção fundamental que acredito faltar na maioria das pessoas: todo mundo se considera vítima das circunstâncias, e não admitir a própria responsabilidade significa recair, necessariamente, em mentiras.

Faltar com a verdade ao outro devido ao medo nada mais é do que a dificuldade em assumir, para si mesmo, as próprias responsabilidades. É muito mais fácil culpar o mundo, o universo ou o Dalai Lama pela atitude tomada – reconhecer as próprias falhas requer, fatalmente, que se admita a própria imperfeição. Mentir ao outro é mentir a si mesmo, é não ter convicção plena de suas verdades, suas crenças e posturas. É assumir, absolutamente, que não acredita em si mesmo. É encarar a própria verdade como a maior das ofensas.

Falar a verdade é um gesto de amor e respeito pelo próximo, e é um ato de amor-próprio dos mais evidentes. Os verdadeiros honrados, os fortes de caráter, os maduros de espírito, assumem suas verdades sem se deixarem paralisar pelo medo, e sem sentirem pena de si mesmos: nada neste mundo é perfeito, e é justamente na nossa falha existência humana que encontramos as verdadeiras belezas da vida, assim como as dores e as delícias de ser quem se é.

terça-feira, março 10, 2009

Orgia literária

Super ok, momento confesso: eu tenho mesmo um problema com livros. E você com isso?

Estimulada pelo vencimento iminente dos vales da Livraria Cultura que o Landão me deu de Natal, lá fui eu dar uma olhadinha nos últimos lançamentos. A desculpa era que eu queria um livro técnico de TCC, e que, juro, eu realmente comprei.

Mas é foda. É foda pra caralho ver todos aqueles livros novinhos, com cheiro de tinta, com lindas capas e milhares de histórias para me contar, e sair de mãos semi-vazias.

Então eu admiti o problema e me deliciei em mais alguns novos títulos, devidamente incluídos na minha PELO (Pilha Eterna de Leituras Obrigatórias).

Então nesse instante, figuram na PELO A Ignorância e Risíveis Amores, do Kundera, iniciados e abandonados temporariamente; Retratos de Amor, do Rubem Alves; O mundo de Sofia, do Gaarder; Filosofia em Comum; da Márcia Tiburi, também semi-lido, Cem sonetos de Amor, do Pablo Neruda, meio abandonado. E hoje, integram a pilha, orgulhosamente, Histórias Extraordinárias, do Edgar Allan Poe; Eu sou o mensageiro, do Markus Zusak; e O menino do pijama listrado, do John Boyne, que a Veja pos na lista dos mais vendidos mas que disseram ser uma bosta (não resisti à capa).

Ah, não, eu não estou esquecendo o livro técnico. Terapia Cognitivo-Comportamental para problemas psiquiátricos, do Hawton, tá bonitinho na mesa do consultório, assim como Os desafios da terapia, do Yalon.

O problema é que eu tenho tanta, mas tanta coisa pra fazer, que não sei nem quando vou poder começar. Mas que tô ansiosa, tô. A graça da minha vida é diretamente proporcional ao tamanho da minha pilha de livros!

Thanks ao Landão pela orgia literária :)

Post Scriptum: Em tempo! Meu primeiro texto na Mundo Mundano vai ser publicado nessa sexta e fala sobre sinceridade. Acessem, leiam e comentem, comentem!

domingo, março 08, 2009

o 4º elemento


... e logo eu, que digo não esperar tanto dos outros, me peguei a esperar as três coisas mais difíceis do mundo: o respeito, a humildade e a sinceridade. E foi assim, exercitando a minha própria humildade, que atingi o ápice de minha arrogância – virei as costas para um sentimento para o qual também fechei os olhos.

E foi logo você, no auge da sua simplicidade, que me levou embora a certeza de que a humanidade é confiável e que quem a corrompe são alguns poucos homens pobres de espírito, envenenados de soberba e ganância. Foi assim, simples assim, que você levou embora tudo o que me esforcei tanto para acreditar.

E foi logo conosco – quem um dia iria dizer? – que eu descobri o quarto e mais importante elemento que falta a tantos seres humanos; o item que faltava e que por tanto tempo não percebi, pelo qual tanto me frustrei, por ser ainda mais difícil de encontrar do que os três primeiros: a pró-atividade. É verdade, não seria qualquer atitude sua que me faria sorrir, mas acredite, seria legal ver você tentando.

quinta-feira, março 05, 2009

Confesso:



quarta-feira, março 04, 2009

Vai passar?

Dizem por aí que só se cresce pela dor ou pelo amor.

Mas o que dizer quando a dor provém justamente do amor? Existe garantia de crescimento? Ou pode o sofrimento se tornar obsoleto? A bem da verdade, todo sofrimento traz aprendizado dentro de si?

A maioria das dores da vida é marcada pelas perdas. Elas fazem constantemente parte de nós: mortes, separações, viagens, mudanças. Perdemos, a todo momento, alguma coisa que mantinha a estabilidade e que perpetuava o status quo. Perdemos pessoas, empregos, dinheiro, aviões, lugares. Por vezes, perdemos a nós mesmos.

Dentre todas as coisas, papéis e pessoas que perdemos, não há perda mais sofrida do que nossas esperanças. Perder a esperança é perder a fé no futuro, é abrir mão da crença na efemeridade das coisas: é perpetuar um sentimento ou situação até o limite do suportável.

O sofrimento só é tolerável quando acreditamos que aquilo tem prazo de validade – o famoso “vai passar” é a bóia jogada ao afogado, que projeta no futuro a ausência da dor que experimenta. E é por isso que perder a esperança é perder tudo, é acreditar que a situação de sofrimento, outrora exceção, virou uma constante, se consolidou como um padrão. E o futuro, que um dia fora imaginado como um desafoga-e-respira, se torna indubitavelmente, a repetição eterna do dia de hoje.

Seria aí que um coração acaba por tornar-se, por fim, calejado? Quando cessam todas as esperanças de uma mudança do cenário emocional, seria aí que as pessoas entregam o jogo, jogam a toalha, desistem da luta, e se rendem à depressão, à ansiedade, ao medo, ao desconforto emocional? Ou seria justamente neste ponto que os que são virtuosos de espírito encontram a energia necessária para dar partida, mais ou vez, no motor de arranque? Por fim, quais seriam os fatores de que depende uma pessoa entregar-se ou causar uma reviravolta em sua vida?

Crer na possibilidade de experienciar bons momentos novamente parece ser o fator fundamental para dar a volta por cima, e reconhecer que cada momento da vida é conseqüência de escolhas pessoais é imprescindível. Assumir a responsabilidade pelo caminho trilhado é o ingrediente mais importante dessa mistura: sem isso, a vitimização se torna inevitável, jogando qualquer um para o fundo do poço.

Levantar a cabeça e assumir tanto o mérito pelas conquistas, quanto a responsabilidade pelas derrotas – eis o que diferencia aquele que toma as rédeas de sua felicidade nas mãos do resto das pessoas. Sair da condição de vítima das circunstâncias e parar de justificar no medo a falta de evolução pessoal é o que pode melhor definir o caráter daquele que verdadeiramente quer ser feliz, e é algo que só se aprende sofrendo.

O estado de felicidade não depende verdadeiramente da realidade ao redor de nós – esta pode ser, por vezes, cruel e difícil. A verdade é que o olhar e a esperança de cada um de nós é que irá definir se o copo está meio cheio, meio vazio, ou se é apenas e tão somente duas vezes maior do que deveria ser.

terça-feira, março 03, 2009

Oração ao Mestre

Mestre Ascencionado Lanto, Chohan do segundo raio

Mestre Divino, não irei murmurar. Não irei sangrar palavras que um dia se dissolverão. Aprendi a duras penas a medir os termos do meu coração, pois tudo é efêmero, tudo passa, e apenas o Amor se eterniza.

Eu agradeço a ti, Mestre, pelas respostas que pedi. Agradeço pela manifestação de tudo aquilo que eu havia questionado, pedindo que me trouxesse orientação. Agradeço pelas portas da minha visão terem se aberto tão amorosamente. Agradeço por evitar o desperdício e a doação de bens tão valiosos quanto o amor-próprio e o respeito pela humanidade. Mestre, te agradeço especialmente a proteção em também não ter violado a carne, para não decorrer no físico a frustração mental.

Divino Mestre, ajuda-me a compreender as limitações humanas, enxergando no outro o espelho de mim mesma. Ajuda-me a ter compaixão e solidariedade, não infestando de mágoas meu peito, nem deixando-me invadir por lembranças cruas de um passado doloroso. Orienta-me a distinguir o que é passado, não contaminando experiências presentes com vislumbres do que já se foi.

Dê-me sabedoria para não usar de julgamentos, evitando assim ser injusta ou tendenciosa. Que eu tenha serenidade para me perdoar e perdoar ao outro quantas vezes se fizer necessário, mantendo meu coração sempre em alegre exaltação espiritual.

segunda-feira, março 02, 2009

Ok, next.*


Receiving a text message at 3.00 am can be damn good. But it can also be pretty bad when you suddenly realize that it wasn´t for you: he switched your phone number. You better turn your phone off after midnight - it might be disgusting to know, like a slap on your face, that the person that you have been seeing in the past 4 weeks was spending the night with another woman.

Ok, no big deal – if he wasn’t the guy that you finally decided to give a chance. Before that, you have been very clear to the Universe: you don´t want bad guys anymore. This one seemed to be really nice, tender, handsome, a good friend. You believed him. You´ve bet all your emotional-money on him, and you could swear to the Gods: this man will never hurt you.

But he did. What you most feared finally happened: you gave a shot, and it failed. How keep trying over and over, when all your beliefs are teared apart? How can you get together the tinny little parts of the hope to get enchanted again by someone that is not your parents, or maybe your shrink?

That´s fine. It just happened. And, probably, it isn´t the first, and neither the last time, that someone will break your heart. Just another guy, another scene, tearing you apart. You love, you get hurt, and then you keep moving.

Ok, next.

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*Mais da filosofia-ok-next aqui.

domingo, fevereiro 22, 2009

Implacável

Às vezes a gente luta muito pra esquecer alguma coisa.

E, de repente, a gente lembra. Parece que tomou um soco. Assim, vindo do nada, com a guarda baixa, inocência rara de que se está protegido. A memória ataca.

Difícil pensar no que poderia ter sido. No que poderíamos ter feito. No que poderíamos ter tido. Difícil pensar que a felicidade pode ter escapado pelos vãos dos dedos sem que nos apercebêssemos disto, iludidos que estávamos com a idéia da estabilidade.

Mas não - o tempo não para, o mundo gira, as coisas mudam. Os sentimentos, a despeito do que possam dizer, costumam ser volúveis, e inesperadamente, apenas a memória é estável e firme o suficiente para resistir à passagem do tempo.

O que poderia ter sido. Ter feito. Ter tido. Tic-tac, tic-tac. Poderia ter sido diferente? Ou o destino era certeiro, independente do caminho utilizado para chegar até aqui? Teria sido possível pegar uma tangente, um atalho no meio dessa minha história, e mudar o fim deste período?

As dúvidas pulam, as pulgas plantadas atrás de minhas orelhas. As dúvidas: ter sido, ter feito, ter tido. Se eu pudesse. Se eu tivesse podido. Tic-tac.

Sem choro nem vela - não pude, não fiz, não tive.

A vida segue. Implacável. Bola pra frente.

sábado, fevereiro 21, 2009

Beijo me liga!!

Pasmem - eu fugi do litoral!
Carnaval no interior, acreditem se quiserem, pode ser tudo de bom.
Só de não ouvir o ziriguidum característico já fica bão demais. Com cervejinha, amiga fantástica, sol e piscininha, aí sim fica completo!
Bom carnaval... e ziriguidum!

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Algo mudou

Algo mudou entre nós.

Não foram suas mãos e nem seu abraço depois de nós dois. Tampouco foi nosso durante – você como sempre foi bruto; eu, claro, submissa. Fomos os dois, como de costume, como cão e gato – gato e rato, rato e presa: me prende entre os dentes num momento de glória, e me dá de presente seu sorriso afetado. Nada poderia ser, ao um mesmo tempo, tão sublime e tão trivial.

Seu tom foi igualmente íntimo. Nos elogiamos como de costume, sem falsas modéstias. Adormecemos exatamente da mesma forma – do contato total à individualidade no final da noite. Agradecemos, ainda que em vão, a nossa total reciprocidade de objetivos – no fim do episódio, ninguém jamais sai magoado.

Foi seu ‘bom dia’ que mudou em meus ouvidos? Para mim foi como sempre sonoro. Acordamos roucos, dolorido como de costume, ainda guardo comigo seus dedos nos braços. Para não perder o hábito, ri com o canto dos lábios de sua primeira piada. Escutei em silêncio suas primeiras rimas do dia. Xinguei com humor sua primeira implicância. Te contei meus sonhos e você como sempre espantou – sempre tenho sonhos estranhos em sua cama, e jamais confessei que todos incluem você. Nesta noite, você estava dentro do carro que explodia numa rua qualquer.

Mas algo mudou entre nós, e ao fim de mais um domingo não houve pesar na despedida. Ela foi rasa – não havia mais ânsia em voltar. Algo mudou e não foram nossos corpos, não foi minha língua, mas definitivamente meus olhos, enquanto os seus permanecem os mesmos. Algo mudou e foi dentro de mim, como uma sede que por fim se sacia.

Será essa uma despedida? Algo mudou que nossas imagens não mostram – seu sorriso congela, meu coração pára, nossos rabiscos continuam exatamente os mesmos, paralizados em nossos corpos conforme um dia determinamos. Tenho fotos; envio um dia, talvez falte o bilhete: algo mudou e foi minha alma, e neste momento ela já não tem nada mais a dizer.

domingo, fevereiro 15, 2009

I like my new bunnysuit :)




**strong convictions and perfect diction!


PLAY!

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Bem aventurados os honestos...

Nada ofende aquele que crê na verdade.

terça-feira, fevereiro 10, 2009

Merda no ventilador...

... só pra não perder o costume!

sábado, fevereiro 07, 2009

Vale a pena?


Minha amiga Ariela*, 26 anos, advogada, é destas mulheres apavoradas com relacionamentos. Ela faz parte do mais novo grupo de espécimes humanos do sexo feminino: os que desenvolveram uma visão negativa e tão aversiva sobre o afeto, que fogem das relações como quem foge de um vírus mortal. É claro que minha amiga não foi sempre assim – como quase sempre acontece, um relacionamento fracassado e bastante sofrido foi o gatilho para sua ‘conversão’. E, como quase sempre também acontece, ela passou o último ano se refugiando em relacionamentos efêmeros, vazios e superficiais – ora sob a forma de uma amizade inocente que sempre acabava em sexo, ora com homens pelos quais ela certamente jamais se apaixonaria.

Recentemente, Ariela resolveu dar uma chance a um amigo do trabalho que declarou interesse por ela. Apesar da aversão à idéia do envolvimento emocional, ela decidiu que era hora de pôr fim às barreiras. Consultou a terapeuta nº 1, a terapeuta nº 2, e então o grupo seleto de amigas ‘residentes’ para a votação final. É claro que todo mundo, sem exceção, foi favorável à abertura emocional, o que rendeu algumas ficadas com o amigo enquanto ele a levava ao estacionamento no final do expediente, emails fofos e telefonemas escassos, mas intensos.

Na última semana, minha amiga me ligou, indignada. “Não está valendo a pena!”, ela vociferou entredentes antes mesmo que eu terminasse de falar ‘alô’. Em plena 23 de maio, rumo à escola, eu me preparei pra enxurrada de reclamações e de racionalizações que certamente viriam. Eu não estava errada – parece que, após uma breve aproximação emocional entre ela e o moço, as coisas haviam esfriado. Não se falavam há alguns dias, os emails rarearam, e ela mal o via durante o trabalho (sendo justa com o cara, ela me explicou que ele estava sempre correndo para um lado e para o outro, atolado de tarefas). E dado importantíssimo: NÃO, eles ainda não haviam transado, o que a princípio ela achara super-fofo.

“Muito barulho por nada, como diz aquela música. O cara me cercou por todos os lados até me vencer pela insistência, eu finalmente acreditei que poderia ser legal, debati isso horrores na terapia, vibrei rosa pá caralho, me esforcei horrores pra me abrir... e o que aconteceu? Passei o fim de semana todo em casa, lendo Revista Nova e um monte de livros idiotas de auto-ajuda. Nem um único telefonema. Não nos vemos há mais de uma semana. Pior de tudo é que por email ele insiste que sou isso e aquilo, mas me fala, quem acredita numa situação destas? Todo mundo sabe que homem quando quer, QUER! Eu estava bem antes disso tudo e agora estou uma BOSTA!”

A fala da minha amiga me lembrou meu post de dias atrás, a frase de Nietzsche: “Odeio quem me rouba a solidão sem em troca me oferecer verdadeira companhia”. Era como se minha amiga tivesse acreditado na maior propaganda de um prato finíssimo, servido num restaurante fantástico, caro e longérrimo, pegado o maior trânsito para chegar lá, amargado 2 horas de espera... por um prato de batatas fritas um pouco oleosas e em quantidade insuficiente. Não há nada pior do que a frustração.

Naquele dia mesmo, minha amiga havia agendado um fim de semana na praia com a ‘amizade-que-sempre-acaba-em-sexo’, o que para mim era, nitidamente, um sinal de fechamento emocional. E, ao desligar o telefone, eu mesma já estava me sentindo um pouco desesperançosa.

Voltei a pensar em defesas, em barreiras, em bloqueios, e me peguei pensando novamente: toda defesa deve ser quebrada? É claro que eu, contagiada pelo maior clima ‘ame ao próximo’ do universo, acabei por incentivá-la a ter um pouquinho mais de paciência (às vezes o cara tava mesmo cheio de trampo e não tava podendo and stuff...), mas a bem da verdade, concordei com ela.

Muito barulho por nada – e isso acontece na maioria das vezes. E então, quando você finalmente resolve tentar mais uma vez, a despeito de toda a descrença, geralmente não é o que você esperava. É claro que nisso tudo tem uma pá de idealização – esperamos que o outro-bola-da-vez nos salve de todos os relacionamentos de merda que tivemos no passado, nos provando, assim, que o ‘felizes para sempre’ ainda pode servir pra nós. Uma ligeira diferença dos planos originais joga nossa energia pro bueiro, e então vem a sensação do desperdício. Desperdício de energia, de esforço, de luta por mudanças – resultado zero.

Zero? Zero se pensarmos nos objetivos idealmente estabelecidos. No fundo no fundo, romântica que sou, acredito que alguma coisa de bom minha amiga leva desta – às vezes o cara pode ser apenas um mensageiro entregando um recado importante: ainda dá pra sonhar. Talvez não seja com ele, nem com o próximo, mas a abertura que houve é um indício de que ainda existe, ali dentro daquele peito machucado, o desejo de gostar de alguém.

O problema é que, se realmente a história furar, entrará mais um item na lista das tentativas mal-sucedidas de minha amiga, o que certamente acabará reforçando o movimento ‘entrando na concha’. No fundo, então, talvez nem toda barreira seja indevida – pelo menos até algo forte o suficiente motivar a quebra das defesas. Até lá, talvez nem terapeuta nem amigas residentes devam dar pitacos. Vai ver é coisa que só a pessoa sente.

Fato é que, de agora em diante, passei a respeitar um pouco mais o esquema tático de defesa da psique humana – provavelmente vou encher menos o saco dos meus pacientes. Talvez ele saibam o que fazem. Talvez de fato minha amiga esteja certa ao chamar telefonemas, flores e convites ao cinema de ‘puro desperdício de rímel’. Talvez seja como a música da Maria Rita: é uma pena, mas certas coisas não valem a pena.

Não importa o tamanho da alma... para se abrir mão da solidão, deve-se receber em troca a verdadeira companhia...
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* Nome fictício, pra defender os sentimentos da amada amiga amargurada.

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

Nietzsche

Odeio quem me rouba a solidão sem me oferecer em troca verdadeira companhia.

terça-feira, fevereiro 03, 2009

Alegre exaltação humana

Odeio comparações.

Mas, invariavelmente, ainda as faço.

O fato é que pode ser extremamente difícil e até injusto comparar coisas que, simplesmente por serem diferentes, dispensam comparações, mas quando se trata de diferenças de todo um abismo, a comparação chega a ser quase que involuntária.

Retrocedendo quase um ano no tempo, recordo, conforme descrito aqui, minha situação de vida da época. O sentimento que aflora quando leio estas linhas é inexplicável... poderia chamar de angústia, mas seria genérico demais. Meu peito aperta, a respiração falha... meus olhos molham como se eu olhasse uma pequena criança apavorada diante de algo bastante trivial no mundo adulto, como um personagem fantasiado ou uma roda-gigante... algo que, quando ela crescer, verá que não era tão assustador assim.

Hoje, olhando para trás, vejo nitidamente, claro como a água, uma óbvia transformação – não apenas emocionalmente falando, mas mesmo em relação às, digamos, conjunturas atuais.

Creio ser o mérito da mudança super merecido: se hoje tenho um consultório relativamente movimentado, outros 3 trabalhos, incluindo as escolas e atendimentos domiciliares, foi porque, em algum momento, eu disse ‘chega’ ao marasmo e à inércia que me envenenava, e disse ‘sim’ às oportunidades quando estas surgiram.

Se hoje me sinto capaz de ajudar pessoas cujos nervos se encontram tão em frangalhos quanto os meus naquela época, foi porque tive a humildade de reconhecer minhas próprias falhas e, no auge da empatia, me colocar no lugar do outro e compartilhar de suas dores e sofrimentos.

Pôr fim a um relacionamento doentio, masoquista, neurótico e absolutamente insatisfatório foi muito mais do que uma questão de amor-próprio: foi uma questão de sobrevivência. O que no fundo, ok, é uma questão de amor-próprio. Mas o amor-próprio, em última análise, não é o amor pela própria existência?

Hoje tenho a segurança plena de que somente em meu estado mais bruto de essência, o ápice do ser-eu-mesma, poderia ser feliz com alguém. Isso envolve, necessariamente, alguém extremamente satisfeito consigo mesmo, forte o bastante e convicto o suficiente de suas qualidades e defeitos para suportar a honestidade do meu caráter. Hoje, tudo se resume a uma equação muito simples: eu sou assim, você é assado. Combina? Hmmm...

(Super ok, ser eu mesma restringe, e MUITO!, o meu universo de relacionamento, em todos os sentidos. Fatalmente, homens ou mulheres diametralmente opostos, ou identicamente similares a mim poderão se afastar devido à minha extrema autencidade. Se tô ligando? Nem um pouco. Aceitei aumentar o diâmetro da intensidade de poucas relações para aumentar igualmente a circunferência da minha felicidade.)

A bem da verdade, só existe mudança onde existe desejo. Creio eu que, ao ouvir meus desejos, passei a dar mais atenção a lados de mim tão esquecidos que, ressentidos, rebelaram-se contra mim na forma de ansiedade, depressão e vazio emocional.

A Nana de hoje canta e dança como uma babaca quando acorda e vê um céu de brigadeiro; come uma panela de brigadeiro sem a menor culpa; se culpa apenas quando se machuca de propósito; e se machuca de propósito apenas se for para salvar alguém.

A pessoa que sou hoje tem orgulho de tudo o que passou e passa pra frente a experiência da dor – simpatizo com quem sente, sofre e ama, a tríplice aliança humana. Odeio julgamentos.

Fortaleci meus afetos; afastei de mim os julgamentosos; reconheci na força do meu trabalho a possibilidade de abrir um milhão de portas – não há nada nem ninguém que possa me impedir de fazer o que quer que seja. Tenho apoio, tenho família, tenho trabalho. Nada pode ser tão grave a ponto de destruir qualquer um destes alicerces quando se tem a argamassa essencial que os une de maneira perfeita: a tranquilidade mental.

Hoje minha mente é mais calada – não sinto saudades de suas época agitadas, mas ouço com atenção a tudo o que fala.

E é respeitando meu mais recente silêncio e meu comedimento emocional que encerro por aqui, deitada eternamente no berço esplêndido da minha alegre e exaltada alma humana: estou feliz. Não importa até quando.

domingo, fevereiro 01, 2009

A Dúvida

A cada crítica que surje ao suposto fechamento da alma, me pergunto: é defesa? A cada defesa, uma questão: é precisa?

Se existe defesa, é por opor-se a ataques. Defesas não existem à toa - a capacidade de enfrentamento é diretamente proporcional ao nível experiências bem sucedidas.

Certificai que o cenário não seja o mesmo para desempenhar papéis distintos em distintas peças. A representação das personagens depende do delicado equilíbrio entre o seu passado, o meu futuro, e o quanto guardamos para nós mesmos o que deles surje.

Do âmago dos filmes já vividos, a defesa desperta encerrando em si mesma os já velhos questionamentos: todo passado é pregresso? Pode o ser humano desvencilhar-se de seu histórico? Deve este ser humano fazê-lo? Sob que preços altos a pagar?

Do alto dos aparatos retaguardeiros, surge a centelha divina da dúvida e o bichinho a pulular na parte de trás de minhas orelhas, estourando maliciosamente a delicada bolha de sabão formada por nossa sutil homeostase, acusando-me da dúvida jamais silenciada: toda defesa é indevida?