quinta-feira, maio 14, 2009

Fight Fever! OSSU!

A filosofia do passe-pra-frente é uma das características marcantes que as artes marciais de origem oriental têm. Um dá para o outro o que um dia recebeu, e isso significa que eu tive o super maior mega blaster apoio da minha equipe de kickboxing no dia do evento na K@2.


Convidados Seiwakai: Renan, Du, Eu, Rodolfo, Thiago, Rafa e Tecchio.
......
Eu estava ULTRA nervosa neste dia, cheguei na academia sozinha e o pessoal nem tinha chegado ainda. E porque Deus é bom pra caramba comigo, bem nesse momento recebi a ligação do meu queridíssimo Juneca, que está sempre por dentro da minha vida “atlética”. Ficamos ali papeando então, ele me desejando boa sorte do seu jeito super técnico-metódico-juneca-é-mala, mas é meu mala querido e isso que diminuiu minha ansiedade em pelo menos 50% (e olha que ele nem sabe disso).
Quem vê acha que eu tava suuuuuussa...
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O pessoal então chegou e todo mundo fez questão de me tranqüilizar e de tentar me deixar segura. Logo vi algumas meninas por ali, com bandagens nas mãos... e ficava tentando adivinhar com qual eu lutaria. E de repente, não mais que de repente, sensei Rato me avisa que vou lutar contra um cara. O dono da academia achou que mulher com mulher daria jacaré, e que iríamos acabar nos machucando. Mulher não leva na boa, é verdade, a rivalidade feminina é intensa pra caramba... o fato é que a partir daí, fiquei tão mais nervosa que tudo se guardou na minha memória sob o formato tênue dos flashes.
Pra cima!!
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Eu me alongo. Me aqueço. Rodolfo sobe no ringue, dá um coro. Fotos. Vejo o Eder Jofre sentado ali no canto, meu estômago embrulha. Vejo meninas no ringue lutando contra homens, acho ridículo, fico com medo, tomo água. Tomo mais água, meu estômago dá pancadas na minha parede do tórax, meu coração reclama, sinto falta de alguém estar ali pra me apoiar. As meninas me apóiam e amenizam essa solidão.


Olha o braço do cara!
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Sensei me chama, me bota as luvas, entro em pânico e não demonstro. “Não vai chutar, hein”. Não vou chutar, não vou chutar, e essa galera toda olhando? Subo no ringue, cumprimento o maluco, o cara tem braços da grossura das minhas coxas, faz piada sobre eu não chutá-lo. Meu irmão, essa não é minha praia, mas eu juro que vou segurar as perninhas. O sino toca, a platéia se apaga, quero matar o cara. Acerto um, dois, três, tomo um, cinco, nove. O joelho sobe pra dar um hiza geri, abaixo a perna a tempo, tomo um direto no rosto. Ouço de longe a voz do sensei implorando por mais defesa. So sorry.

Apesar disso, deu pra fazer alguma coisa.

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Quando a luta acaba, e começo a ouvir os comentários, parabenizações, piadas sobre minha quase-joelhada, não sei se me sinto aliviada, orgulhosa ou humilhada. Minha baixa auto-estima suplica que eu enfie a cabeça na privada, mas meu espírito vence a disputa e fico ali com a galera vendo todo mundo mandar benzaço: Ligeirinho, Du, Renan, Tecchio, todo mundo abalou aquela academia.

Vacilou? Toma na testa.
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No fim do dia, eu acabei chorando e me sentindo mal, mas hoje dá pra ver, consultando aqueles flashes, que foi só a ansiedade e a adrenalina. A exposição. Foi a insegurança. No geral, e sensei concorda, fiz um ótimo trabalho. A raiva do cara ter decido o cacete em mim é mágoa projetada: eu fui agressiva, ele respondeu à altura. Chega de ser protegidinha.

O fofo do Eder Jofre assinou minha luva, me chamou de simpática e cantou o melô: Nana, neném, que o bicho vai pegar! (ele não me conhece...)

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Passado quase um mês desse evento, ainda olho as fotos com alguma emoção. Eu tava apavorada, mas não fugi da raia, e pra quem é portadora de um transtorno de ansiedade, isso é uma puta conquista. Em julho tem um campeonato e até lá vai ser mais expectativa.

Equipe Seiwakai: thank you all guys!!

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Sensei faz questão que eu me inscreva. Tem colocado a maior fé em mim. Em meio às implicâncias e às pegadas de pé, mostrou uma puta confiança e me deixou dando aula pra duas alunas novas da academia, que nem sabiam dar um soco. E depois que passei o treino pra elas, me parabenizou.
“Você leva jeito pra coisa. E tem mesmo que passar pra frente a ajuda que um dia te deram. É isso aí.”

É isso aí, sensei, passando pra frente.

É isso aí!

domingo, maio 10, 2009

A Bela e a Fera

Não é normal que alguém comece a chorar logo nos primeiros 30 segundos de um espetáculo. “A Bela e a Fera”, em cartaz no Teatro Abril desde o último dia 29, tem inegavelmente muito a ver com um determinado momento de vida que tenho passado.

É redundante dizer que um espetáculo é maravilhoso. Um como “A Bela e a Fera” merecia um outro tipo de definição. É aquele tipo de coisa que transcende qualquer expectativa, que leva às lágrimas pela beleza, que impressiona pela magnitude, que hipnotiza pela pureza. Desde os aspectos técnicos – estruturas de palco suntuosas, iluminação fantástica, figurinos totalmente dignos da Broadway – até as canções e interpretações tocantes de cada uma das personagens, o musical atinge emocionalmente qualquer ser humano minimamente sensível, de crianças a velhinhos.

Mas não. Chorar nos primeiros 30 segundos de apresentação não é normal, nem mesmo num espetáculo da Broadway. E mesmo agora, passados quase 40 minutos do fim do espetáculo, ainda tenho vontade de chorar. E eu sei exatamente porque.

Sentir-se fera num mundo de Gastons pode ser o pior sentimento do mundo. Não há nada mais triste e desolador do que se ver sozinho entre a multidão. E a sensação de ser finalmente compreendido, apesar de ter endurecido ao longo dos anos de solidão, pode ser a corda jogada ao afogado. É encontrar a redenção e resgatar a esperança há muito, muito tempo perdida.

Nem só de livros vive uma mulher. Nem só de poder e dinheiro pode viver uma fera. Nem só de caças e prêmios sobrevive um Gaston. Todos buscam aquilo que todos nós sempre buscamos: o amor cor-de-rosa dos contos de fadas. A ausência de amor pode tornar as pessoas esquisitas. Pode transformar um príncipe em fera, condenado a querer acreditar novamente na beleza do ser humano e a amar ao próximo. A metáfora da rosa vermelha dada pela feiticeira, neste caso, é a representação mais bela do amor romântico – vira-se fera de uma maneira irreversível quando a crença no amor se esvai.

A história está recheada de amor dos mais diferentes tipos – não só entre Bela e fera, mas entre pai e filha, mãe e filho (representado pela Sra. Potts e seu filho-xícara Chip), seres humanos e seres humanos. O amor que é amor por aceitar a fera que habita cada um de nós, os seres imperfeitos que somos e o que fazemos aqui, neste mundo que nos coisifica, transformando-nos quase em objetos. Nesse sentido, é interessante reparar que a história convoca algumas características humanas básicas – a vaidade que transformou a Sra. Cômoda; a meticulosidade que transforma Dindon em um relógio; o calor e afetuosidade de Lumière, o candelabro mais espirituoso dos contos de fadas.

Confesso que chorei do começo ao fim da apresentação. Tive que esperar bem uns minutinhos para levantar da poltrona, inchada como um tomate, e ir embora. Chorei por tudo – pela minha fera interior, pela Bela que também vive em mim. Pelo pai que já não vive comigo, pelos lobos que enfrento por aí. Chorei principalmente por mim e por todos os seres humanos coisificados por aí, preocupados demais com seus carros, lipoaspirações, contas de banco e academias de ginástica. Tão iludidos que só conseguem olhar para o mundo através de um espelho mágico chamado televisão, chamado livros, chamado musicais da Broadway.

É pra chorar. Pra ver, rever e chorar.

Sem se segurar.

PS: É bom que se diga: a história não é da Disney, e sim uma adaptação da história escrita em 1756 (sim, tem mais de 200 anos!) pela francesa Madame de Beaumont.

sexta-feira, maio 08, 2009

Razorblade (that´s what I call love)




Oh, the razorblade, that's what I call love,
I bet you'd pick it up and mess around with it
If I put it down
It gets extremely complicated.
Anything to forget everything.

You've got to take me out,
At least once a week
Whether I'm in your arms,
Or I'm at your feet.
I know exactly what you're thinking
You won't say it now
But in your heart it's loud

Oh no, my feelings are more important than yours.
Oh, drop dead, I don't care, I won't worry.
Let it go.

Oh, the razor blade,
Wish it would snap this rope
The world is in your hands
Or it's at your throat
At times it's not that complicated
Anything to forget everything.

He would never talk,
But he was not shy
She was a street-smart girl,
But she could not lie
They were perfect for each other
Say it now
'Cause in your heart it's loud

Oh no, my feelings are more important than yours
Oh, drop dead, I don't care, I won't worry

Hey!

Sweetheart, your feelings are more important of course
Of course
Everyone that wanted
Everything that we would take from them
I don't wanna know, I don't wanna know
Tell me, tell me, tell me, tell me

No, don't.
Okay

terça-feira, maio 05, 2009

Lobotomia


Mais um dia de Meredith Grey avaliando seu Dr. McDreammy.

E, mais uma vez, meu Dr. McDreammy dorme com sua Isabela-fucking-Rosselini, sem saber exatamente pra que lado seguir.

Quem conhece Grey´s Anatomy entende o que estou dizendo: nossos Doutores da Alegria gostam de navegar em águas conhecidas.

Eu realmente adoraria uma lobotomia parcial, nesse exato instante. Reza a medicina que o cérebro é quem governa o coração...

domingo, maio 03, 2009

O Rato, as Meninas e Além






O rato que andou frequentando minha casa de praia durante o último feriado pode ter tido um fim de vida perturbador. Não sei se pela caça incessante empreendida pelas Meninas (Hannah, Maya e Lona), ou se por outras mil possibilidades oferecidas pelo acaso, o fato é que todos os ratos são iguais, o que significa que, necessariamente, eu jamais saberei o que realmente aconteceu com aquele pequeno maldito roedor.

A questão é que, muito provavelmente, ele só devia estar atrás de um pouco de comida ou de abrigo, e apenas e tão somente por ser um rato, pode ter acabado entre os dentes de uma rottweiller babona pra caramba. Como quando nós vamos a uma pizzaria ou coisa do tipo, pegamos uma intoxicação alimentar e passamos dias vomitando e se dando mal à beça. Talvez se houvessem pizzarias para os ratos, eles não acabariam na nossa cozinha, e seus fins não seria tão trágicos.

A verdade é que uma simples mudança de perspectiva nos oferece um panorama totalmente diferente da situação. No fundo, um rato é apenas um bichinho qualquer que tenta ganhar a vida à sua maneira, o que pode significar entrar na casa de humanos e roubar pedacinhos mequetrefes de pão. Afinal, qual é o nosso problemas com os ratinhos? Não adoramos Mickey Mouse? E o Jerry?

E então, imagine você, alguém chega dentro da porcaria de pizzaria que você está, com uma vassoura enorme na mão ou uma panela apontada pra sua cabeça e você tem que fugir correndo dali sem ao menos saber por que. Talvez simplesmente porque sua cara peluda desagradou alguém por ali, você é o menor da turma e se deu mal. Só por isso.

E você sai da pizzaria e é perseguido por meia dúzia de brutamontes sanguinários doidos para sentir seus ossos estalando na boca. Tipo uns Carecas do ABC ou mesmo a polícia. Só não gostaram da sua cara, você é pobre ou preto, talvez extremamente obeso, e você tá é lascado pra caramba. É. A nossa polícia são as Meninas do povo, perseguindo nas cozinhas da vida bichinhos loucos por um pouquinho de pão, já que nas pizzarias eles são enxotados como ratos.

Fico pensando se tudo gira em torno da diferença de espécie, de classes ou se simplesmente o medo atiça a coragem dos valentões. Paradoxalmente, não é a ameaça que nos faz sucumbir à violência? Como um marido bebum que mete porrada na cara da mulher pra ela entender de uma vez por todas a não bater a porta da geladeira como se fosse da casa dela ou sei lá o que.

Aquele ratinho me fez pensar. A roda da vida gira incessantemente, sem parar, sempre no mesmo sentido. Ratos sempre serão ratos, perseguidos por gatos, caçados por cães criados e alimentados pelos homens. E acima de nós, quem é que está? Não quero nem pensar. Só faltava estarmos mesmo no topo da cadeia alimentar ou da droga do ciclo da vida. Dá vontade de ser um rato só pra não ter tanto peso acima das nossas cabeças. O ser humano é um bicho estúpido como o diabo e simplesmente não merecia essa posição de destaque. Mas então quem merecia essa posição?

Os ácaros. Pequenos, invisíveis, se alimentam de coisas que não fazem falta, não atrapalham ninguém e, mesmo quando precisam, agem no cúmulo do subterfúgio: eu estou espirrando pra chuchu, e não há nenhuma perspectiva dessa rinite acabar.

Pobre ratinho.

quinta-feira, abril 30, 2009

Humana, demasiado humana


É só isso que eu sou.

Um ser humano que persegue avidamente seu próprio destino, na eterna construção de um vir-a-ser. E se, como diz Lenine, o mundo espera de nós, a recíproca já não é mais verdadeira: já espero pouco do mundo.

Já pouco espero de todo mundo: honestidade, humildade, respeito e atitude. Não é pedir muito. Já não busco nenhum tipo de perfeição. Nem em mim, nem no outro, tampouco em nossas relações. Chegou o dia em que finalmente compreendi que a minha frustração nunca foi culpa de ninguém – não foi culpa do meu ex eu ter sido tratada como lixo, e sim minha, que permiti uma coisa dessas; também não foi culpa dos meus pais que me fizeram ser quem sou, como um dia acusei em análise, porque sempre tive oportunidade de escolha, inclusive enquanto pensava não estar escolhendo nada; nem foi culpa de professores rígidos, concursos de nota de corte elevada, pseudo-melhores amigas, bolos de chocolate nada lights. Jamais foi culpa do universo e sua eterna conspiração contra nós.

Amigo meu me disse: odeio ser humano. Ele se referia ao verbo ser – ele queria ser mais que isso. Quem sabe um Deus? Um semi-Deus? Um mito, talvez? Um bicho? Que encrenca, que responsabilidade, que perigo a falta de (i)limitações, que arriscado ser tão (im)potente! (Já imaginou um Deus que falha? É quase que ser somente humano. E bicho que morde? Bicho que morde vira bicho de rua.) Eu respondi que adorava ser-ser humano, posso errar à vontade, as falhas são todas permitidas, só devemos prestar contas a nós mesmos e a ninguém mais. E se você pensou no seu chefe, errou (e agradeça por ser humano e poder errar!): quem escolheu seu chefe foi você.

Alguém poderia dizer: eu não escolhi que fulano morresse, eu não escolhi perder meu emprego, eu não sabia que meu ex-namorado era assim, eu nem sempre vou poder mudar a realidade ao meu redor! Clap clap, muito bem, parece que andaram fazendo a lição de casa! Entretanto, como toda perfeccionista, te tiro um ponto na nota final – a maneira de vivenciar sua realidade é escolha sua e, por conseqüência, o jeito de sofrer é de sua inteira responsabilidade. Não pode mudar a realidade? Responsabilize-se, reformule-se, adapte-se - isso é exatamente o pouco que eu espero. O conformismo pode parecer adaptação, mas não é. É primo-irmão da resignação.

Está mais do que na hora de todo mundo largar mão desse papo furado de “não consigo”, inverter o jogo e atingir, finalmente, o meio-termo entre ser um zé mané sem pró-atividade e (tentar) ser super-herói e perfeito-perfeitinho. Sejamos apenas humanos, demasiado humanos! Que todo erro advenha sempre de uma tentativa de acertar, e que esta tentativa persista por quanto tempo o desejo mandar. Que se assumam todas as conseqüências. É como diz a propaganda: responsabilidade – passe adiante. E se não puder fazer tudo, faça tudo o que puder.

segunda-feira, abril 27, 2009

Antes e depois

It once worried me:


... but now I know this is not the real problem!


The wheel always turns...

Addicted


O problema é que a solidão vicia.

quarta-feira, abril 22, 2009

Exumação


Quando leio suas linhas ouço o som do silêncio. Como o silêncio que antecede as grandes explosões, aqui dentro, de novo, existem suas fagulhas. Leio você e a saudade me sufoca. Acredito em você. Sinto em você o que sinto de mim: cansei do tempo parar. Quero ver o tempo correr. Quero ver o mundo girar, quero dar a volta em torno dele segurando sua mão, querendo o mesmo destino. E quando menos espero, meus olhos ejetam lágrimas inesperadas, como um visitante indesejado que surge na soleira da porta no meio da madrugada. Vá embora de mim!, não quero molhar os travesseiros, olho meus olhos no espelho com vergonha do que sinto, das palavras que ecoam dentro de mim, quase escapando por minha boca e dedos – ESCOLHA A MIM! ME escolha. ME ame! Ame a mim, e nos dê a chance que jamais tivemos!

Volto a mim e respiro - nesse triângulo já conheço meu espaço, e sei que ocupo o menor dos vértices. Quero tudo, você diz, e eu só quero o bastante. Você me promete o momento – eu te digo que o momento é tudo o que enxergo! Mas cansei de acreditar que o que você pode me dar é justamente o que eu quero, porque sei que poderíamos ter tão mais. Poderíamos... tão mais... e eu sei que mereço tão mais. Eu sei que preciso de tão mais, e sei que você tem mais para dar, mas tudo isso parece tão bobo, tão arrogante diante do efeito que você produz... minha cabeça se enche de porquês. Mas não me sinto no direito de questionar sua felicidade, poderia parecer tanto recalque. Não me sinto no direito de subjugar quem ganha seu amor. Mas por que ressucitar um fantasma que já foi exorcisado? Se falta algo em você, por que não tentar a sorte e se arriscar nessa roleta russa emocional? O que temos a perder? Que diferença tudo isso fará dentro de 10 ou 15 anos? Por que não abandonar o medo do novo, o apego ao conhecido, e se jogar ao desconfortável, ao novo, ao temido? Por que não sofrer? Só pode sofrer aquele que vive!

A dor e o prazer são somente os dois lados da mesma moeda, a que eu decidi apostar no dia em que te conheci. Eu prefiro a ambivalência emocional e a minha agitação do que a profunda apatia que sinto por todos os outros desde quando dissemos nosso último adeus – eu sei que não foi o último, sei dentro de mim que vou passar por cima de mim mesma, vou rasgar minha proteção, vou soterrar meu orgulho debaixo desse furacão, vou roer minhas unhas de esmalte vermelho já meio descascado e vou morder os meu lábios durante cada segundo de cada quarta-feira, quarta-feira que é minha por direito!, enquanto esperar por você ali na Rua Áurea, enquanto esperar por um você que eu já sei – eu já sei que você não vai vir. Mas eu espero por você enquanto puder porque definitivamente jamais te enterrei, e não posso exumar um corpo que jamais pereceu.

Meu Deus, meu Deus, a que ponto cheguei? Sim – como podemos fazer sofrer alguém de quem tanto gostamos? Não tenho nada a perder, nem mesmo meu amor-próprio, e o meu ombro ainda queima com a marca dos seus dedos, e meus olhos ardem de tanto tentarem apagar sua imagem do fundo das minhas retinas. Por isso ainda espero você durante o tempo que esse enterro durar, quer encontrar sua cova fique à vontade, a trilha é tão clara, você sabe o caminho e as nossas condições - é melhor pagar logo o exorcista se não quiser ser repossuído.

quinta-feira, abril 16, 2009

No luck_so far

segunda-feira, abril 13, 2009

Extra, extra!!


Agora é oficial!!

Dia 25, na academia K2, a garota aqui irá realizar sua primeira luta de boxe!

Chamem os jornais! Chamem o Papa! Chamem o SAMU - eu resolvi dar, literalmente, minha cara a tapa.

Mas devagar com o andor: o pau não vai comer. A luta é muito mais demonstrativa do que de caráter competitivo, e na verdade eu vou apenas representar a Seiwakai num evento da K2 em que, reza a lenda, até o Eder Jofre vai estar presente!

Quem quiser dar uma olhada/uma força/umas risadas, pode aparecer por lá, sob a condição de se disfarçar muito bem. A presença de conhecidos irá, com toda certeza do mundo, me deixar extremamente nervosa, ansiosa, medrosa e outros "osas" do gênero.

Pra cima delas!! Rumo ao campeonato de junho (aí sim o bicho vai pegar)!!


Academia K2
Av. Luis Dumont Villares, 200 (próximo ao metrô Parada Inglesa, zona Norte)
25 de abril - a partir das 10h.
www.k2fitness.com.br


Como cães e gatos

Hoje, na Mundo Mundano


Cães e gatos são indiscutivelmente diferentes, e isso ninguém pode negar. Mas o fato é que ambos são animais, e assim possuem algo em comum - a convivência entre caninos e felinos só é tão complicada por causa de suas falhas de comunicação.

Enquanto os cães rosnam quando bravos e abanam o rabo quando felizes, com os gatos ocorre o inverso: quando felizes, os gatinhos ronronam. E se estão bravos, você logo percebe pelo movimento da cauda, que não para quieta. É claro que um cenário assim é favorável para os conflitos. Quando a comunicação é cruzada, como podem cães e gatos, gregos e troianos, homens e mulheres, falarem a mesma língua?

Se o que nos diferencia dos macacos é a nossa capacidade de controlar os impulsos e comunicar pensamentos e sentimentos através da linguagem oral, por que é que hoje em dia as pessoas praticamente não conseguem mais se comunicar? Por que todos gritam tanto? Será que os seres humanos estão perdendo, pouco a pouco, a habilidade de conversar?

Um caso clássico é o diálogo claramente desfuncional entre homens e mulheres, o que frequentemente geram nos homens a célebre dúvida: o que querem as mulheres? Não é de hoje que machos e fêmeas não se entendem, e isso fatalmente porque entram em jogo as questões emocionais.

No início do relacionamento, quando os instintos estão no comando, tudo vai muito bem. Mas espere dois seres essencialmente diferentes partirem para o plano afetivo e tentarem dialogar e o circo estará armado: a extrema subjetividade da mulher e o pragmatismo do homem são como rosnados e rabos abanando – a compreensão está condenada.

Enquanto para um homem é a comunicação verbal que conta (o conteúdo), para a mulher é muito mais significativo o tom de voz, o olhar ou, mais ainda, a história prévia do casal – se as coisas já não vão muito bem, a interpretação da mulher já estará negativamente predisposta.

A praticidade e objetividade do homem não colaboram para que suas expressões corporais/vocais sejam satisfatórias para a mulher que, por sua vez, se perde em meio à sua subjetividade, dando voltas e mais voltas em torno de si mesma, irritando os machos de plantão.

“Não foi isso que eu disse” é a frase mais comum entre homens e mulheres, e admito, do alto das minhas tamancas, que as mulheres tendem a complicar sim. E isso porque muita gente por aí não diz exatamente o que pensa, e se perde em meio aos floreios das justificativas tentando evitar possíveis mágoas. Eu, entusiasta da verdade, diria que frases do tipo “Não que eu...” são o Samsara da comunicação – uma forma de iludir e mascarar os verdadeiros conteúdos do diálogo.

Não é mais fácil dizer a verdade em apenas uma frase, em vez de ocupar todo um parágrafo? Isso não resolveria de vez as diferenças essenciais entre mulheres-cadelinhas e meninos-felinos (sem julgamentos nas associações!)?

Se entre cães e gatos a melhor alternativa é separá-los, entre homens e mulheres a coisa já não é tão simples. Talvez o melhor caminho seja não se levarem tão a sério e cortarem a prolixidade emocional. Valham-se de seus instintos, utilizando-se da transparência total e também da sutileza: o caminho do meio é sempre o mais sensato.

Dizem que só há espaço para o mau diálogo quando se afastam os corações - se for assim, acalmem-se, meninos e meninas! O equilíbrio e a boa comunicação moram ambas sob o mesmo teto: o da honestidade, da compaixão e da sensibilidade.

quarta-feira, abril 08, 2009


... but it´s wordless.

terça-feira, abril 07, 2009

24 horas

Meu estômago se retorce nas horas que antecedem o Grande Você.

Meu relógio me boicota: os segundos são tão lentos quando olho os ponteiros – se me descuido, as horas voam. Começo a rezar para que o tempo se estique.

Minha garganta aperta: terei eu palavras? Saberei os termos certos? Conseguirei falar além do trivial? Minha voz mudou, minha boca também, mas meu conteúdo é tão mesmo. Ainda penso o que pensava, ainda sinto o que sentia – temo não falar o que jamais falei.

Quando meu peito arfa e a pressão nos pulmões ameaça me derrubar, vou perdendo a coragem. Não quero que o tempo passe. Não quero mais te ver. Não quero mais te ouvir. Não quero sequer te sentir. Não quero mais te perder - fica assim deitado na minha memória, fica tua intenção suspensa no ar ao meu redor, fica esse gosto de será maldito acomodado nas minhas entranhas – não sei se agüento aquilo que for.

Tanto tempo roubado de mim, tanta história que eu não vivi, tantos textos escritos em vão. Foi tudo em vão? Nós fomos em vão? Você ao meu lado, isso quer dizer algo? Ou apenas e tão somente será esse o desfecho derradeiro, o golpe sagrado de misericórdia como o tambor da pistola rodando diante de um boi no abate?

O tempo escoa e minhas costas dóem. Tanto peso que preciso tirar. Tanta culpa pra te devolver. Tanto sentido para reencontrar. Será o mesmo você? Seus olhos serão os mesmos? Seu abraço será o mesmo? Que eu não trema em seus braços.

Que meus olhos não me traiam quando cruzarem os seus. Que minha alma não se exalte com o que for irreal. Que meu Eu saúde seu Eu como um ser amoroso que encontra o receptáculo de seu amor... e nada além. Eu e você Somente.

A pouco menos de 24 horas de encontrar você, sinto que me perdi mais um pouco...



segunda-feira, abril 06, 2009

Canalhas VS Bonzinhos


O senso comum diz: toda mulher adora um canalha. Todos os dias vemos por aí mulheres fantásticas sendo magoadas, geralmente por homens de pouco conteúdo ou de caráter duvidoso. Não demora muito para aquele encontro fantástico naquele bar bacanésimo se transformar numa mesa de quatro amigas onde se choram pitangas e outros tipos de frutas.

Os comentários tendem a serem os mesmos: ela é tão inteligente, bonita e boa pessoa que não deveria sofrer pelo canalha. Mas se esta é a verdade, o que eles estavam fazendo juntos? Onde estão os bonzinhos do mundo no momento em que uma mulher fabulosa decide abrir seu coração?

Será que as mulheres gostam mesmo de um bom sacana?

Minha amiga Helena* tem certeza disso. Um homem pode perdê-la em menos de 10 minutos se reunir, numa mesma frase, as palavras “relacionamento”, “filhos” e “religião”. Diz ela que curte mesmo é um bom ateu safado que, por não acreditar em nada, também não tem medo de nada nem sofre pressões de nenhum tipo.

Meu amigo Otávio* sempre me diz que ligar para a mulher no dia seguinte tem sido, nos últimos tempos, uma verdadeira polêmica. Isso porque enquanto muita mulher acha esse cuidado indispensável, tem um monte de outras que considera esse ato antiquado e bonzinho demais. Meu amigo ficou tão confuso que, juro, broxou no último encontro – tudo pra não se deparar com o problema do dia seguinte.

Eu sempre fui chegada num bad boy, apesar de ter plena consciência de que estar com eles não conduz a lugar nenhum, com exceção, muito provavelmente, do motel mais próximo. Por outro lado, estar com um canalha dá uma inflada no ego, porque no fundo, no fundo, a gente sabe que o canalha não passa de um troféu: ele geralmente é bonito e gostoso, masculino ao extremo, e não nos dá trabalho. É a derradeira conquista.

Nos últimos tempos, andei fazendo um esforço sobre-humano pra me livrar dos canalhas e prestar atenção nos bonzinhos. Desde médicos poligâmicos, passando por atletas burros e mentirosos, chegando a caiçaras arrogantes, meus últimos anos de solteira foram polvilhados de perfeitas fugas de paixões arrebatadoras por homens que não valiam um real. E eu realmente tentei gostar dos bonzinhos, muito embora eles nunca tivessem sido muito atraentes para mim.

Até um bonzinho se revelar um canalha e me machucar feio, e eu descobrir, como quem acha a fórmula mágica pra alguma equação cabeluda, que os bonzinhos e canalhas estão sempre se mascarando por aí, disfarçados dentro de nós sob a roupagem maldita da expectativa. Não é o cara que é canalha ou bonzinho, mas nós que os julgamos safados ou legais de acordo com as nossas expectativas.

E é por isso que um amigo meu que eu juro que é bonzinho é chamado de canalha por qualquer outra mulher que o conheça: eu sei exatamente o que esperar dele, e não peço nada além do real. Ele me satisfaz, e não me frustra – é bonzinho. Mas ele arrasa o coração de quem espera dele muito mais do que ele pode dar – e vira canalha.

Canalhas e bonzinhos habitam, ocultamente, o coração de todo ser humano, sendo este homem ou mulher. Todos possuímos, dentro de nós, potencialidades para sermos bacanas ou escrotos, e somente a gente mesmo pode julgar as motivações para uma ou outra atitude.

Portanto, mulheres, antes de taxarem o próximo marmanjo de canalha ou de bonzinho demais, consultem suas expectativas, suas escolhas e suas experiências anteriores: o canalha só é canalha mesmo com aquela que procura no outro aquilo que ele não pode lhe dar.

domingo, abril 05, 2009

Diálogo_O Grande Encontro



- Quer dizer que você entra no meu orkut e nem deixa um oi? Ah, assim não dá...

- Oi Nana! Andei te visitando no orkut né... Foi pra matar saudade. Tava lembrando tanto de você... Fiquei até preocupado, se tava tudo bem com você. Como é que vão as coisas?

- Preocupado? Por que motivo? Ta tudo bem por aqui. Mas engraçado, deve ter sido força do pensamento, também ando pensando em você. Como você ta? Saudade também. Bastante.

- É, fiquei só pensando em como você devia estar. Que bom que vai tudo bem, eu to legal também. No começo do ano foi meio turbulento, com trabalho, pós e a banda, mas agora as coisas estão mais tranqüilas. Sabe que curto muito estar em contato com você, sinto as coisas mais leves... Ia curtir muito te ver de novo! Que tal um café um dia desses?

- Ia ser muito legal, adoraria. Vamos sincronizar as agendas e combinamos. Beijo grande, no aguardo :)

- Ótimo! Ligo pra você no começo da semana então! Beijos e beijocas!


...



Deus atende nossas preces?

sexta-feira, abril 03, 2009

E do lado de cá...



Alguns dias se passaram desde que resolvi escrever pela última vez.

E neste meio tempo, perdi tudo o que já escrevi.

Cartas que não foram mandadas.
Poemas incompletos.
Rimas que jamais fiz.
Músicas inacabadas.
Projetos pela metade.
Sofrimentos inexpressados.

Já não tenho nada a dizer.
Apenas continuo desprezando aquilo que sempre desprezei.

É que hoje já não me tolero, justamente por não tolerar mais ninguém.


I'm tired of everyone I know
Of everyone I see
On the street
And on TV, yeah

On the other side
On the other side
Nobody's waiting for me
On the other side

I hate them all, I hate them all
I hate myself
For hating them
So drink some more
I'll love them all
I'll drink even more
I'll hate them even more than I did before

On the other side
On the other side
Nobody's waiting for me
On the other side

Here we go

I remember when you came
You taught me how to sing
Now, it seems so far away
You taught me how to sing

I'm tired of being so judgemental
Of everyone
I will not go to sleep
I will train my eyes to see
That my mind is this blood as a birch on a tree

On the other side
On the other side
I know what's waiting for me
On the other side

On the other side
On the other side
I know you're waiting for me
On the other side

sábado, março 28, 2009

Em vão?


Meu inconformismo não se cansa de gritar: como você pode se conformar? Como conseguiu ficar calado? Como pode escancarar sua covardia desta forma, sem lutar por nada daquilo que você um dia julgou importante? Como você pode não lutar por você mesmo?

Você se parece com tudo o que já criticou: é propaganda enganosa, que só consumidores de baixo QI ou cultura poderiam se deixar levar. Sua verdade é sua maior ofensa, seus valores são deturpados, suas rédeas são longas demais. Sua idoneidade é mentira.

Mais triste do que uma vida potencialmente digna ser vivida em vão, é observar a passividade e a omissão dos seres responsáveis (dizem!) pela própria felicidade. Mais triste ou revoltante do que ouvir suas palavras, é aceitar que você apenas assistiu passivamente, como um simples expectador, sem mover um músculo, enquanto eu saía de uma vez da sua vida.

quinta-feira, março 26, 2009

The tree hugger


Porque se aceitar é fundamental.

A flor disse
"Eu gostaria de ser uma árvore"
E a árvore disse
"Eu gostaria de poder ser um tipo diferente de árvore"

O gato desejava ser uma abelha
A tartaruga desejava poder voar
Bem alto no céu, do topo dos prédios
E mergulhar fundo no mar

E no mar mora um peixe
Um peixe com um desejo secreto
O desejo de ser um grande cactus
Com uma flor cor-de-rosa em cima

E a flor seria uma oferenda
De amor para o deserto
E o deserto, tão seco e solitário
Que todas as criaturas gostariam do esforço!

E a cobra disse
"Eu queria ter mãos para poder te abraçar como a um homem"
E o cactus disse
"Você não entende?
Minha pele é coberta por espinhos afiados
Que te furariam como mil facas!
Um abraço seria bom
Mas você pode abraçar minha flor,
Usando seus olhos"

segunda-feira, março 23, 2009

Deixa o mundo girar*


Minto no jogo da verdade por vaidade; saudade só quando sinto saudade – agora não minto. Sou sucinto ao dizer adeus pra alguém, pois se é adeus é pra sempre, volta não tem, amém. Poupa saliva e saúde, choro de crocodilo nem ilude, botei agulha e não pude, quase me fudi, burro - em pontas de facas dar murro. Nunca melhora, só cresce e piora, laços deteriora, dispenso juros de mora, tá tudo quitado, depois corre de lado a lado, águas passadas não movem moinhos mas já moveram um bocado. O tempo é relativo, e se é relativo é complicado. Me ensina o truque do tempo, da ampulheta a areia de dentro – que será que terei no futuro?, o passado não aguento. Uma hora é um ano, cinco minutos um mês; me dá três dias, maluco, que eu morro de vez. Será que aqui se faz, aqui se paga? Que nada, deixa no giro do mundo sua conta pendurada.

Deixa o mundo girar enquanto eu me viro, um dia é um giro, a cada giro mais eu piro. Confiro para não ferir aquilo a que refiro. Escolho o caminho certo, sei por onde trilho. Mostro o que sou, te dou o que posso te dar, conhecimento que a dor que tenho o tempo ocultará, e evoluirá, e aí irá passar, pois até a nossa morte a vida assustará. Terá que se acostumar, virar seu próprio bem, corpo a corpo, nunca desistir, sentir a força que viveu. E já que não morreu, faça como eu: recorro ao meu eu, recorra ao meu-eu seu. Entendeu?, então valeu, o J. esclareceu, na busca pra tentar mudar um pensamento seu (acho que deu), neste som positivo, unidos pra abolir da Terra o grande mal nocivo.
___________________________________________________
*Por J. , rapper-poeta dos bons. Amigo querido e super talentoso :)

quinta-feira, março 19, 2009

Dois anos

Dois anos se passaram.

Dois anos se passaram e muita coisa mudou. Eu mudei e você também – hoje você exibe essa aliança no dedo. O brilho dourado do metal me informa sob o sol inclemente desta tarde de março: o tempo passou, e o que restou de nós dois ficou para trás.

Dois anos se passaram e nosso Carnaval acabou. Foram-se nossos bailes de máscaras. As ligações noturnas por fim também se foram. Os nossos olhares amadureceram. Não se cruzam mais, não sentem mais fome. Nossa admiração mútua nas velhas tardes de sol se encerraram: os nossos corpos não se tocam mais. Nossos desejos não combinam. Nossa história virou história.

Dois anos se passaram e é o fim de uma era. É o fim dos encontros por acaso em plena avenida, é o fim dos encontros propositais no meio do mar. É o fim dos diálogos entrecortados pela sua música, é o fim de você sentado ali na minha sala. É o fim do seu corpo por cima do meu.

Dois anos se foram. Seu terno branco endossa a passagem do tempo, enche de lágrimas as minhas memórias - e a sua assinatura naquele papel pardo, diante de nossos amigos, se contrapõe à realidade irrevogável e criminosa de dentro de mim: dois anos se passaram, e não houve um único dia sequer em que eu não me lembrasse de você.

terça-feira, março 17, 2009

Thicker than water


Ligue o som e aperte o play.

É no futuro que seu rosto se revela
No nosso presente, somente a memória
O que restou da nossa história
E daquela mesa de bar
Daquele show de blues
Da sua cama desfeita
Do nosso primeiro cinema
E do filme que não chegamos a ver
As tuas palavras chegam a mim
Dando uma trégua na nossa batalha
A nossa Guerra Fria
A nossa justiça tão falha
O nosso acordo tácito
Essa distância ridícula
A nossa sede contida
Nessas palavras educadas
Elas velam o nosso rancor
A mágoa pela sua verdade
A sua maior prova de 'amor'
Que hoje me desperta saudade
Da sua barba por fazer
Dos abraços por receber
Do seu violão dedilhado
Da sua voz no escuro
Do meu coração machucado
E as fantasias sobre o futuro
Meu olhar continua impuro
Quando penso em você
Tanto tempo se passou
Sem a gente se ver
Onde anda você
Já nem importa mais
Sinto nos ombros o vento
E a mensagem que ele me traz:
Nossa ampulheta não marca o tempo
E sim a falta que você me faz
Nossa alma é perene
Nossa intenção já foi pura
Nossa despedida, solene
Não dizem que o tempo cura?
Se somente o autêntico dura
É essa a maior das maldades:
Nosso passado está nas lembranças
E nosso futuro, nas possibilidades.

segunda-feira, março 16, 2009

De bode!



Eu ando tão de bode do ser humano que tenho pensado em concordar com o que diz Schopenhauer: feliz é o homem que consegue evitar a maioria de seus semelhantes.

Mas como eu, que sempre me considerei uma apaixonada pelo ser humano, poderia concordar com uma afirmação dessas? Teria eu perdido o gosto pela convivência humana básica? Estaria eu viciada na minha própria solidão? Ou será que perdi a fé na humanidade?

Eu ando tão, mas tão bodiada das pessoas em geral, que tenho passado grande parte do meu tempo sozinha – o que posso afirmar que tem sido mil vezes mais gratificante do que conviver com a maioria das pessoas. E quando eu paro para analisar quantas das pessoas que me circundam me oferecem o mínimo que espero, dá vontade de chorar.

Todas as pessoas se dizem honestas, virtuososas e de bom coração. Quase todas elas se dizem generosas e espiritualizadas. Muitas se orgulham de como são com amigos e família. Mas pare por um momento para observar uma conversa trivial e você verá que, na verdade, quem escuta está louco para que o outro pare logo de falar, para que ele possa finalmente dar vazão à sua própria diarréia verbal: quanto está ganhando, onde passou as últimas férias de verão, com quem foi a última trepada, qual o carrão que está comprando, qual o restaurante fa-bu-lo-so que foi semana passada, que livro super cult está lendo.

Praticamente ninguém escuta de verdade. Praticamente ninguém sente verdadeira empatia pelo que o outro sofre. Todos estão, a bem da verdade, rezando para que você melhore logo e possa voltar a ser a pessoa bonachona e risonha de sempre – foda-se a que custo. Por trás de todo sorriso fofinho, parece ter segundas e terceiras intenções.

Ao longo da minha vida, segurei inúmeras barras de incontáveis pessoas. Não é por acaso que virei psicóloga – acho que eu sempre tive mais facilidade para falar coisas que realmente façam algum sentido para quem está em sofrimento, ou pelo menos mais sentido do que “Foda, vai passar”. Claro que é foda, claro que vai passar. Mas seria ótimo escutar alguma coisa mais consistente, só para variar um pouco.

E depois de segurar a bronca de tanta gente, e aí sim é ironia, eu paro pra pensar e me pego me perguntando: quem segura a minha? Quem aguenta a minha barra? Quem consegue dar conta de me escutar sem dizer “puxa, sabe que eu também, uma vez...”. Foda-se sua vez, esta é a minha. Alguém consegue escutar?

Com o tempo, percebo que deixei de verdadeiramente me abrir. Quase sempre prevejo que não vou ser realmente escutada e fico, quando não totalmente quieta, apenas no superficial – me broxa. Salvo raríssimas exceções, minhas relações cotidianas se transformaram em verdadeiros palcos de circo onde eu, com um reluzente nariz de palhaço, acoplo um megafone ao meu ouvido e pronto: virei o ouvido do mundo. Senhoras e senhores, abram alas para suas logorréias, tem para todos!

Quem faz rir o palhaço? Quem escuta o analista além de, óbviamente, seu próprio terapeuta? Quem guardará os guardiões?

Não, a humanidade não está pronta para verdadeiramente empatizar com seus semelhantes. O ser humano não consegue enxergar no outro o espelho de si mesmo e abrir mão de um pouco de sua arrogância para estender a mão ao seu vizinho. A honestidade e a sinceridade das relações foram massacradas ao longo dos séculos pelo egoísmo e pela prepotência.

Tudo isso chega a ser um tanto patético. A verdade é que, como diz amigo meu, estamos cercados de comédia, o que me lembra mais uma vez Schopenhauer:

“Se olharmos a vida em seus pequenos detalhes, tudo parece bem ridículo. É como uma gota d’água vista num microscópio, uma só gota cheia de protozoários. Achamos muita graça em como eles se agitam e lutam entre si. Aqui, no curto período da vida humana, essa atividade febril produz um efeito cômico.”

O ser humano, de engraçado, ficou frustrante. Tão frustrante que parei de pensar que o problema está somente nas minhas expectativas: o mundo é muito egoísta e eu já estou farta de tentar ver em cor-de rosa algo que, em sua grande maioria, tá cheio de pontos pretos.

Talvez seja apenas o meu aniversário, ou talvez seja um restinho de inferno astral. Admito que isso me deixa chata pra caralho – mesmo tendo tido uma festinha fantástica (que figurará aqui cedo ou tarde). Mas o que quer que seja, a situação não muda: minhas orelhas estão doendo de tanto escutar, e minha garganta raspa e aperta com tanta coisa que eu ainda tenho a dizer.

É foda, foda pra caralho. Parem o mundo, pelamordedeus – eu quero mesmo descer.

quinta-feira, março 12, 2009

Premissa: verdade

Hoje, na Mundo Mundano.


Nos últimos tempos, andei pregando por aí o meu gosto pela verdade.

Na minha vida, a honestidade e a total transparência têm sido indispensáveis, e funcionam mais ou menos como um norte a ser seguido: enquanto estou no caminho da verdade, sei que estou na direção correta.

As meias-verdades, muito mais do que as mentiras, me deixam um gosto amargo na boca. Antes de mais nada, considero as mentiras uma atitude de desrespeito com o próximo. No caso de meias-verdades, a situação é ainda pior: trata-se de uma tentativa de mascarar a realidade, de manipular seus elementos visando um benefício que não existiria de outra forma. Em muitos aspectos, considero as meias-verdades ainda mais terríveis do que as mentiras em seu estado bruto. Meias-verdades são o ápice da dissimulação.

Para meu desgosto, tenho percebido a dificuldade que as pessoas (ou pelo menos 99% delas) têm em lidar com a verdade. Não apenas em ouvir a verdade, mas em dizê-la. Tem gente que diz que é por tentar poupar o próximo de alguma coisa desagradável. Tem gente que diz que tem medo de magoar. Tem gente que até assume que tem medo de se dar mal.

Ter medo é algo absolutamente normal e totalmente compreensível: não é nada gostoso nem simples dar más notícias a alguém. O receio de magoar é genuíno – quando nos importamos, não queremos causar dor ao outro. Querer poupar alguém pode ser até bonito de se ver, mas além de ser um desrespeito ao direito da pessoa em conhecer a verdade, é um tanto quanto arrogante – quem disse que o outro não agüenta?

Apesar de equivocado, tudo isso é bastante compreensível, com exceção, penso eu, da justificativa no medo em se prejudicar.

A responsabilidade pelas próprias atitudes é algo que defendo com unhas e dentes, não apenas pelo senso de responsabilidade em si, mas também por acreditar que também merecemos o crédito pelas nossas conquistas. Isso é algo que martelo incessantemente para meus pacientes, acostumados a olhar somente suas falhas – responsabilidade pelos erros, mérito pelos acertos.

Responsabilidade indica, necessariamente, a noção de escolha – somos responsáveis, pois escolhemos aquilo. Tivemos opções e, conscientes que somos, optamos. Esta é a noção fundamental que acredito faltar na maioria das pessoas: todo mundo se considera vítima das circunstâncias, e não admitir a própria responsabilidade significa recair, necessariamente, em mentiras.

Faltar com a verdade ao outro devido ao medo nada mais é do que a dificuldade em assumir, para si mesmo, as próprias responsabilidades. É muito mais fácil culpar o mundo, o universo ou o Dalai Lama pela atitude tomada – reconhecer as próprias falhas requer, fatalmente, que se admita a própria imperfeição. Mentir ao outro é mentir a si mesmo, é não ter convicção plena de suas verdades, suas crenças e posturas. É assumir, absolutamente, que não acredita em si mesmo. É encarar a própria verdade como a maior das ofensas.

Falar a verdade é um gesto de amor e respeito pelo próximo, e é um ato de amor-próprio dos mais evidentes. Os verdadeiros honrados, os fortes de caráter, os maduros de espírito, assumem suas verdades sem se deixarem paralisar pelo medo, e sem sentirem pena de si mesmos: nada neste mundo é perfeito, e é justamente na nossa falha existência humana que encontramos as verdadeiras belezas da vida, assim como as dores e as delícias de ser quem se é.

terça-feira, março 10, 2009

Orgia literária

Super ok, momento confesso: eu tenho mesmo um problema com livros. E você com isso?

Estimulada pelo vencimento iminente dos vales da Livraria Cultura que o Landão me deu de Natal, lá fui eu dar uma olhadinha nos últimos lançamentos. A desculpa era que eu queria um livro técnico de TCC, e que, juro, eu realmente comprei.

Mas é foda. É foda pra caralho ver todos aqueles livros novinhos, com cheiro de tinta, com lindas capas e milhares de histórias para me contar, e sair de mãos semi-vazias.

Então eu admiti o problema e me deliciei em mais alguns novos títulos, devidamente incluídos na minha PELO (Pilha Eterna de Leituras Obrigatórias).

Então nesse instante, figuram na PELO A Ignorância e Risíveis Amores, do Kundera, iniciados e abandonados temporariamente; Retratos de Amor, do Rubem Alves; O mundo de Sofia, do Gaarder; Filosofia em Comum; da Márcia Tiburi, também semi-lido, Cem sonetos de Amor, do Pablo Neruda, meio abandonado. E hoje, integram a pilha, orgulhosamente, Histórias Extraordinárias, do Edgar Allan Poe; Eu sou o mensageiro, do Markus Zusak; e O menino do pijama listrado, do John Boyne, que a Veja pos na lista dos mais vendidos mas que disseram ser uma bosta (não resisti à capa).

Ah, não, eu não estou esquecendo o livro técnico. Terapia Cognitivo-Comportamental para problemas psiquiátricos, do Hawton, tá bonitinho na mesa do consultório, assim como Os desafios da terapia, do Yalon.

O problema é que eu tenho tanta, mas tanta coisa pra fazer, que não sei nem quando vou poder começar. Mas que tô ansiosa, tô. A graça da minha vida é diretamente proporcional ao tamanho da minha pilha de livros!

Thanks ao Landão pela orgia literária :)

Post Scriptum: Em tempo! Meu primeiro texto na Mundo Mundano vai ser publicado nessa sexta e fala sobre sinceridade. Acessem, leiam e comentem, comentem!

domingo, março 08, 2009

o 4º elemento


... e logo eu, que digo não esperar tanto dos outros, me peguei a esperar as três coisas mais difíceis do mundo: o respeito, a humildade e a sinceridade. E foi assim, exercitando a minha própria humildade, que atingi o ápice de minha arrogância – virei as costas para um sentimento para o qual também fechei os olhos.

E foi logo você, no auge da sua simplicidade, que me levou embora a certeza de que a humanidade é confiável e que quem a corrompe são alguns poucos homens pobres de espírito, envenenados de soberba e ganância. Foi assim, simples assim, que você levou embora tudo o que me esforcei tanto para acreditar.

E foi logo conosco – quem um dia iria dizer? – que eu descobri o quarto e mais importante elemento que falta a tantos seres humanos; o item que faltava e que por tanto tempo não percebi, pelo qual tanto me frustrei, por ser ainda mais difícil de encontrar do que os três primeiros: a pró-atividade. É verdade, não seria qualquer atitude sua que me faria sorrir, mas acredite, seria legal ver você tentando.

quinta-feira, março 05, 2009

Confesso:



quarta-feira, março 04, 2009

Vai passar?

Dizem por aí que só se cresce pela dor ou pelo amor.

Mas o que dizer quando a dor provém justamente do amor? Existe garantia de crescimento? Ou pode o sofrimento se tornar obsoleto? A bem da verdade, todo sofrimento traz aprendizado dentro de si?

A maioria das dores da vida é marcada pelas perdas. Elas fazem constantemente parte de nós: mortes, separações, viagens, mudanças. Perdemos, a todo momento, alguma coisa que mantinha a estabilidade e que perpetuava o status quo. Perdemos pessoas, empregos, dinheiro, aviões, lugares. Por vezes, perdemos a nós mesmos.

Dentre todas as coisas, papéis e pessoas que perdemos, não há perda mais sofrida do que nossas esperanças. Perder a esperança é perder a fé no futuro, é abrir mão da crença na efemeridade das coisas: é perpetuar um sentimento ou situação até o limite do suportável.

O sofrimento só é tolerável quando acreditamos que aquilo tem prazo de validade – o famoso “vai passar” é a bóia jogada ao afogado, que projeta no futuro a ausência da dor que experimenta. E é por isso que perder a esperança é perder tudo, é acreditar que a situação de sofrimento, outrora exceção, virou uma constante, se consolidou como um padrão. E o futuro, que um dia fora imaginado como um desafoga-e-respira, se torna indubitavelmente, a repetição eterna do dia de hoje.

Seria aí que um coração acaba por tornar-se, por fim, calejado? Quando cessam todas as esperanças de uma mudança do cenário emocional, seria aí que as pessoas entregam o jogo, jogam a toalha, desistem da luta, e se rendem à depressão, à ansiedade, ao medo, ao desconforto emocional? Ou seria justamente neste ponto que os que são virtuosos de espírito encontram a energia necessária para dar partida, mais ou vez, no motor de arranque? Por fim, quais seriam os fatores de que depende uma pessoa entregar-se ou causar uma reviravolta em sua vida?

Crer na possibilidade de experienciar bons momentos novamente parece ser o fator fundamental para dar a volta por cima, e reconhecer que cada momento da vida é conseqüência de escolhas pessoais é imprescindível. Assumir a responsabilidade pelo caminho trilhado é o ingrediente mais importante dessa mistura: sem isso, a vitimização se torna inevitável, jogando qualquer um para o fundo do poço.

Levantar a cabeça e assumir tanto o mérito pelas conquistas, quanto a responsabilidade pelas derrotas – eis o que diferencia aquele que toma as rédeas de sua felicidade nas mãos do resto das pessoas. Sair da condição de vítima das circunstâncias e parar de justificar no medo a falta de evolução pessoal é o que pode melhor definir o caráter daquele que verdadeiramente quer ser feliz, e é algo que só se aprende sofrendo.

O estado de felicidade não depende verdadeiramente da realidade ao redor de nós – esta pode ser, por vezes, cruel e difícil. A verdade é que o olhar e a esperança de cada um de nós é que irá definir se o copo está meio cheio, meio vazio, ou se é apenas e tão somente duas vezes maior do que deveria ser.

terça-feira, março 03, 2009

Oração ao Mestre

Mestre Ascencionado Lanto, Chohan do segundo raio

Mestre Divino, não irei murmurar. Não irei sangrar palavras que um dia se dissolverão. Aprendi a duras penas a medir os termos do meu coração, pois tudo é efêmero, tudo passa, e apenas o Amor se eterniza.

Eu agradeço a ti, Mestre, pelas respostas que pedi. Agradeço pela manifestação de tudo aquilo que eu havia questionado, pedindo que me trouxesse orientação. Agradeço pelas portas da minha visão terem se aberto tão amorosamente. Agradeço por evitar o desperdício e a doação de bens tão valiosos quanto o amor-próprio e o respeito pela humanidade. Mestre, te agradeço especialmente a proteção em também não ter violado a carne, para não decorrer no físico a frustração mental.

Divino Mestre, ajuda-me a compreender as limitações humanas, enxergando no outro o espelho de mim mesma. Ajuda-me a ter compaixão e solidariedade, não infestando de mágoas meu peito, nem deixando-me invadir por lembranças cruas de um passado doloroso. Orienta-me a distinguir o que é passado, não contaminando experiências presentes com vislumbres do que já se foi.

Dê-me sabedoria para não usar de julgamentos, evitando assim ser injusta ou tendenciosa. Que eu tenha serenidade para me perdoar e perdoar ao outro quantas vezes se fizer necessário, mantendo meu coração sempre em alegre exaltação espiritual.

segunda-feira, março 02, 2009

Ok, next.*


Receiving a text message at 3.00 am can be damn good. But it can also be pretty bad when you suddenly realize that it wasn´t for you: he switched your phone number. You better turn your phone off after midnight - it might be disgusting to know, like a slap on your face, that the person that you have been seeing in the past 4 weeks was spending the night with another woman.

Ok, no big deal – if he wasn’t the guy that you finally decided to give a chance. Before that, you have been very clear to the Universe: you don´t want bad guys anymore. This one seemed to be really nice, tender, handsome, a good friend. You believed him. You´ve bet all your emotional-money on him, and you could swear to the Gods: this man will never hurt you.

But he did. What you most feared finally happened: you gave a shot, and it failed. How keep trying over and over, when all your beliefs are teared apart? How can you get together the tinny little parts of the hope to get enchanted again by someone that is not your parents, or maybe your shrink?

That´s fine. It just happened. And, probably, it isn´t the first, and neither the last time, that someone will break your heart. Just another guy, another scene, tearing you apart. You love, you get hurt, and then you keep moving.

Ok, next.

__________________________________________________
*Mais da filosofia-ok-next aqui.

domingo, fevereiro 22, 2009

Implacável

Às vezes a gente luta muito pra esquecer alguma coisa.

E, de repente, a gente lembra. Parece que tomou um soco. Assim, vindo do nada, com a guarda baixa, inocência rara de que se está protegido. A memória ataca.

Difícil pensar no que poderia ter sido. No que poderíamos ter feito. No que poderíamos ter tido. Difícil pensar que a felicidade pode ter escapado pelos vãos dos dedos sem que nos apercebêssemos disto, iludidos que estávamos com a idéia da estabilidade.

Mas não - o tempo não para, o mundo gira, as coisas mudam. Os sentimentos, a despeito do que possam dizer, costumam ser volúveis, e inesperadamente, apenas a memória é estável e firme o suficiente para resistir à passagem do tempo.

O que poderia ter sido. Ter feito. Ter tido. Tic-tac, tic-tac. Poderia ter sido diferente? Ou o destino era certeiro, independente do caminho utilizado para chegar até aqui? Teria sido possível pegar uma tangente, um atalho no meio dessa minha história, e mudar o fim deste período?

As dúvidas pulam, as pulgas plantadas atrás de minhas orelhas. As dúvidas: ter sido, ter feito, ter tido. Se eu pudesse. Se eu tivesse podido. Tic-tac.

Sem choro nem vela - não pude, não fiz, não tive.

A vida segue. Implacável. Bola pra frente.

sábado, fevereiro 21, 2009

Beijo me liga!!

Pasmem - eu fugi do litoral!
Carnaval no interior, acreditem se quiserem, pode ser tudo de bom.
Só de não ouvir o ziriguidum característico já fica bão demais. Com cervejinha, amiga fantástica, sol e piscininha, aí sim fica completo!
Bom carnaval... e ziriguidum!

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Algo mudou

Algo mudou entre nós.

Não foram suas mãos e nem seu abraço depois de nós dois. Tampouco foi nosso durante – você como sempre foi bruto; eu, claro, submissa. Fomos os dois, como de costume, como cão e gato – gato e rato, rato e presa: me prende entre os dentes num momento de glória, e me dá de presente seu sorriso afetado. Nada poderia ser, ao um mesmo tempo, tão sublime e tão trivial.

Seu tom foi igualmente íntimo. Nos elogiamos como de costume, sem falsas modéstias. Adormecemos exatamente da mesma forma – do contato total à individualidade no final da noite. Agradecemos, ainda que em vão, a nossa total reciprocidade de objetivos – no fim do episódio, ninguém jamais sai magoado.

Foi seu ‘bom dia’ que mudou em meus ouvidos? Para mim foi como sempre sonoro. Acordamos roucos, dolorido como de costume, ainda guardo comigo seus dedos nos braços. Para não perder o hábito, ri com o canto dos lábios de sua primeira piada. Escutei em silêncio suas primeiras rimas do dia. Xinguei com humor sua primeira implicância. Te contei meus sonhos e você como sempre espantou – sempre tenho sonhos estranhos em sua cama, e jamais confessei que todos incluem você. Nesta noite, você estava dentro do carro que explodia numa rua qualquer.

Mas algo mudou entre nós, e ao fim de mais um domingo não houve pesar na despedida. Ela foi rasa – não havia mais ânsia em voltar. Algo mudou e não foram nossos corpos, não foi minha língua, mas definitivamente meus olhos, enquanto os seus permanecem os mesmos. Algo mudou e foi dentro de mim, como uma sede que por fim se sacia.

Será essa uma despedida? Algo mudou que nossas imagens não mostram – seu sorriso congela, meu coração pára, nossos rabiscos continuam exatamente os mesmos, paralizados em nossos corpos conforme um dia determinamos. Tenho fotos; envio um dia, talvez falte o bilhete: algo mudou e foi minha alma, e neste momento ela já não tem nada mais a dizer.

domingo, fevereiro 15, 2009

I like my new bunnysuit :)




**strong convictions and perfect diction!


PLAY!

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Bem aventurados os honestos...

Nada ofende aquele que crê na verdade.

terça-feira, fevereiro 10, 2009

Merda no ventilador...

... só pra não perder o costume!

sábado, fevereiro 07, 2009

Vale a pena?


Minha amiga Ariela*, 26 anos, advogada, é destas mulheres apavoradas com relacionamentos. Ela faz parte do mais novo grupo de espécimes humanos do sexo feminino: os que desenvolveram uma visão negativa e tão aversiva sobre o afeto, que fogem das relações como quem foge de um vírus mortal. É claro que minha amiga não foi sempre assim – como quase sempre acontece, um relacionamento fracassado e bastante sofrido foi o gatilho para sua ‘conversão’. E, como quase sempre também acontece, ela passou o último ano se refugiando em relacionamentos efêmeros, vazios e superficiais – ora sob a forma de uma amizade inocente que sempre acabava em sexo, ora com homens pelos quais ela certamente jamais se apaixonaria.

Recentemente, Ariela resolveu dar uma chance a um amigo do trabalho que declarou interesse por ela. Apesar da aversão à idéia do envolvimento emocional, ela decidiu que era hora de pôr fim às barreiras. Consultou a terapeuta nº 1, a terapeuta nº 2, e então o grupo seleto de amigas ‘residentes’ para a votação final. É claro que todo mundo, sem exceção, foi favorável à abertura emocional, o que rendeu algumas ficadas com o amigo enquanto ele a levava ao estacionamento no final do expediente, emails fofos e telefonemas escassos, mas intensos.

Na última semana, minha amiga me ligou, indignada. “Não está valendo a pena!”, ela vociferou entredentes antes mesmo que eu terminasse de falar ‘alô’. Em plena 23 de maio, rumo à escola, eu me preparei pra enxurrada de reclamações e de racionalizações que certamente viriam. Eu não estava errada – parece que, após uma breve aproximação emocional entre ela e o moço, as coisas haviam esfriado. Não se falavam há alguns dias, os emails rarearam, e ela mal o via durante o trabalho (sendo justa com o cara, ela me explicou que ele estava sempre correndo para um lado e para o outro, atolado de tarefas). E dado importantíssimo: NÃO, eles ainda não haviam transado, o que a princípio ela achara super-fofo.

“Muito barulho por nada, como diz aquela música. O cara me cercou por todos os lados até me vencer pela insistência, eu finalmente acreditei que poderia ser legal, debati isso horrores na terapia, vibrei rosa pá caralho, me esforcei horrores pra me abrir... e o que aconteceu? Passei o fim de semana todo em casa, lendo Revista Nova e um monte de livros idiotas de auto-ajuda. Nem um único telefonema. Não nos vemos há mais de uma semana. Pior de tudo é que por email ele insiste que sou isso e aquilo, mas me fala, quem acredita numa situação destas? Todo mundo sabe que homem quando quer, QUER! Eu estava bem antes disso tudo e agora estou uma BOSTA!”

A fala da minha amiga me lembrou meu post de dias atrás, a frase de Nietzsche: “Odeio quem me rouba a solidão sem em troca me oferecer verdadeira companhia”. Era como se minha amiga tivesse acreditado na maior propaganda de um prato finíssimo, servido num restaurante fantástico, caro e longérrimo, pegado o maior trânsito para chegar lá, amargado 2 horas de espera... por um prato de batatas fritas um pouco oleosas e em quantidade insuficiente. Não há nada pior do que a frustração.

Naquele dia mesmo, minha amiga havia agendado um fim de semana na praia com a ‘amizade-que-sempre-acaba-em-sexo’, o que para mim era, nitidamente, um sinal de fechamento emocional. E, ao desligar o telefone, eu mesma já estava me sentindo um pouco desesperançosa.

Voltei a pensar em defesas, em barreiras, em bloqueios, e me peguei pensando novamente: toda defesa deve ser quebrada? É claro que eu, contagiada pelo maior clima ‘ame ao próximo’ do universo, acabei por incentivá-la a ter um pouquinho mais de paciência (às vezes o cara tava mesmo cheio de trampo e não tava podendo and stuff...), mas a bem da verdade, concordei com ela.

Muito barulho por nada – e isso acontece na maioria das vezes. E então, quando você finalmente resolve tentar mais uma vez, a despeito de toda a descrença, geralmente não é o que você esperava. É claro que nisso tudo tem uma pá de idealização – esperamos que o outro-bola-da-vez nos salve de todos os relacionamentos de merda que tivemos no passado, nos provando, assim, que o ‘felizes para sempre’ ainda pode servir pra nós. Uma ligeira diferença dos planos originais joga nossa energia pro bueiro, e então vem a sensação do desperdício. Desperdício de energia, de esforço, de luta por mudanças – resultado zero.

Zero? Zero se pensarmos nos objetivos idealmente estabelecidos. No fundo no fundo, romântica que sou, acredito que alguma coisa de bom minha amiga leva desta – às vezes o cara pode ser apenas um mensageiro entregando um recado importante: ainda dá pra sonhar. Talvez não seja com ele, nem com o próximo, mas a abertura que houve é um indício de que ainda existe, ali dentro daquele peito machucado, o desejo de gostar de alguém.

O problema é que, se realmente a história furar, entrará mais um item na lista das tentativas mal-sucedidas de minha amiga, o que certamente acabará reforçando o movimento ‘entrando na concha’. No fundo, então, talvez nem toda barreira seja indevida – pelo menos até algo forte o suficiente motivar a quebra das defesas. Até lá, talvez nem terapeuta nem amigas residentes devam dar pitacos. Vai ver é coisa que só a pessoa sente.

Fato é que, de agora em diante, passei a respeitar um pouco mais o esquema tático de defesa da psique humana – provavelmente vou encher menos o saco dos meus pacientes. Talvez ele saibam o que fazem. Talvez de fato minha amiga esteja certa ao chamar telefonemas, flores e convites ao cinema de ‘puro desperdício de rímel’. Talvez seja como a música da Maria Rita: é uma pena, mas certas coisas não valem a pena.

Não importa o tamanho da alma... para se abrir mão da solidão, deve-se receber em troca a verdadeira companhia...
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* Nome fictício, pra defender os sentimentos da amada amiga amargurada.

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

Nietzsche

Odeio quem me rouba a solidão sem me oferecer em troca verdadeira companhia.

terça-feira, fevereiro 03, 2009

Alegre exaltação humana

Odeio comparações.

Mas, invariavelmente, ainda as faço.

O fato é que pode ser extremamente difícil e até injusto comparar coisas que, simplesmente por serem diferentes, dispensam comparações, mas quando se trata de diferenças de todo um abismo, a comparação chega a ser quase que involuntária.

Retrocedendo quase um ano no tempo, recordo, conforme descrito aqui, minha situação de vida da época. O sentimento que aflora quando leio estas linhas é inexplicável... poderia chamar de angústia, mas seria genérico demais. Meu peito aperta, a respiração falha... meus olhos molham como se eu olhasse uma pequena criança apavorada diante de algo bastante trivial no mundo adulto, como um personagem fantasiado ou uma roda-gigante... algo que, quando ela crescer, verá que não era tão assustador assim.

Hoje, olhando para trás, vejo nitidamente, claro como a água, uma óbvia transformação – não apenas emocionalmente falando, mas mesmo em relação às, digamos, conjunturas atuais.

Creio ser o mérito da mudança super merecido: se hoje tenho um consultório relativamente movimentado, outros 3 trabalhos, incluindo as escolas e atendimentos domiciliares, foi porque, em algum momento, eu disse ‘chega’ ao marasmo e à inércia que me envenenava, e disse ‘sim’ às oportunidades quando estas surgiram.

Se hoje me sinto capaz de ajudar pessoas cujos nervos se encontram tão em frangalhos quanto os meus naquela época, foi porque tive a humildade de reconhecer minhas próprias falhas e, no auge da empatia, me colocar no lugar do outro e compartilhar de suas dores e sofrimentos.

Pôr fim a um relacionamento doentio, masoquista, neurótico e absolutamente insatisfatório foi muito mais do que uma questão de amor-próprio: foi uma questão de sobrevivência. O que no fundo, ok, é uma questão de amor-próprio. Mas o amor-próprio, em última análise, não é o amor pela própria existência?

Hoje tenho a segurança plena de que somente em meu estado mais bruto de essência, o ápice do ser-eu-mesma, poderia ser feliz com alguém. Isso envolve, necessariamente, alguém extremamente satisfeito consigo mesmo, forte o bastante e convicto o suficiente de suas qualidades e defeitos para suportar a honestidade do meu caráter. Hoje, tudo se resume a uma equação muito simples: eu sou assim, você é assado. Combina? Hmmm...

(Super ok, ser eu mesma restringe, e MUITO!, o meu universo de relacionamento, em todos os sentidos. Fatalmente, homens ou mulheres diametralmente opostos, ou identicamente similares a mim poderão se afastar devido à minha extrema autencidade. Se tô ligando? Nem um pouco. Aceitei aumentar o diâmetro da intensidade de poucas relações para aumentar igualmente a circunferência da minha felicidade.)

A bem da verdade, só existe mudança onde existe desejo. Creio eu que, ao ouvir meus desejos, passei a dar mais atenção a lados de mim tão esquecidos que, ressentidos, rebelaram-se contra mim na forma de ansiedade, depressão e vazio emocional.

A Nana de hoje canta e dança como uma babaca quando acorda e vê um céu de brigadeiro; come uma panela de brigadeiro sem a menor culpa; se culpa apenas quando se machuca de propósito; e se machuca de propósito apenas se for para salvar alguém.

A pessoa que sou hoje tem orgulho de tudo o que passou e passa pra frente a experiência da dor – simpatizo com quem sente, sofre e ama, a tríplice aliança humana. Odeio julgamentos.

Fortaleci meus afetos; afastei de mim os julgamentosos; reconheci na força do meu trabalho a possibilidade de abrir um milhão de portas – não há nada nem ninguém que possa me impedir de fazer o que quer que seja. Tenho apoio, tenho família, tenho trabalho. Nada pode ser tão grave a ponto de destruir qualquer um destes alicerces quando se tem a argamassa essencial que os une de maneira perfeita: a tranquilidade mental.

Hoje minha mente é mais calada – não sinto saudades de suas época agitadas, mas ouço com atenção a tudo o que fala.

E é respeitando meu mais recente silêncio e meu comedimento emocional que encerro por aqui, deitada eternamente no berço esplêndido da minha alegre e exaltada alma humana: estou feliz. Não importa até quando.

domingo, fevereiro 01, 2009

A Dúvida

A cada crítica que surje ao suposto fechamento da alma, me pergunto: é defesa? A cada defesa, uma questão: é precisa?

Se existe defesa, é por opor-se a ataques. Defesas não existem à toa - a capacidade de enfrentamento é diretamente proporcional ao nível experiências bem sucedidas.

Certificai que o cenário não seja o mesmo para desempenhar papéis distintos em distintas peças. A representação das personagens depende do delicado equilíbrio entre o seu passado, o meu futuro, e o quanto guardamos para nós mesmos o que deles surje.

Do âmago dos filmes já vividos, a defesa desperta encerrando em si mesma os já velhos questionamentos: todo passado é pregresso? Pode o ser humano desvencilhar-se de seu histórico? Deve este ser humano fazê-lo? Sob que preços altos a pagar?

Do alto dos aparatos retaguardeiros, surge a centelha divina da dúvida e o bichinho a pulular na parte de trás de minhas orelhas, estourando maliciosamente a delicada bolha de sabão formada por nossa sutil homeostase, acusando-me da dúvida jamais silenciada: toda defesa é indevida?