domingo, setembro 20, 2009

_perfect match

I´m really glad I found you :)

quarta-feira, setembro 16, 2009

Elo


Depois de tanto tempo sem te ouvir, não foi surpresa nenhuma que tua voz me soasse estranha. Não fosse teu nome aparecer na bina do celular, não te teria reconhecido, mas teu timbre familiar logo me trouxe de volta para casa. Ouvir você foi um presente inesperado e, por isso mesmo, delicioso: não houveram silêncios constrangedores, sua risada continua gostosa como sempre, nossas brincadeiras ainda são as mesmas – nossa sintonia continua fina, como sempre foi.

Se nos perdemos no meio desses jogos modernos eu já não sei dizer, talvez tenhamos nos rendido à modernidade das relações e acabamos nos confundindo. Talvez nossa admiração mútua, nossa disponibilidade simultânea, nossos gostos tão parecidos – talvez tudo isso tenha nos reunido no momento em que sentimos, os dois ao mesmo tempo, que devíamos nos unir a alguém. Por que não nos unirmos então, e fazer uso desta afinidade tão especial?

Não doeu tanto quanto pensei que doeria quando por fim nos afastamos; acho que porque ambos percebemos que não fazia mais sentido estarmos juntos de uma maneira tão lasciva e superficial – isso desvalorizaria qualquer coisa mais bonita e sincera que um dia havíamos tido. Senti tua falta durante todos estes meses, mas a magia que existe nisso tudo é que senti saudades da sua amizade, da tua gargalhada, da tua ranhetice característica, de quando você é ranzinza e mal-humorado daquele jeito que só você sabe ser. Senti falta das tuas críticas e da tua sistematização do mundo, e ter tido tua amizade de volta ali, por alguns minutos, valeu todo o tempo em que tivemos que nos afastar pra cada um retomar suas vidas.

Hoje senti que nossa relação cicatrizou e voltou fortalecida. Valeu realmente a pena a distância. Acolho teu carinho como sempre fiz, e te dou minha amizade em troca como um sinal eterno: não importa onde ou com quem estejamos, o nosso verdadeiro afeto um pelo outro é o elo único que nos manterá sempre unidos, esteja você aqui por perto, esteja você longe de mim.

domingo, setembro 13, 2009

Palavras


Quando eu me calo, não é por falta de ter o que dizer. O meu silêncio é a expressão mais sincera dos meus sentimentos: o meu silêncio diz tudo, dentro do grande nada que parece ser a princípio. As palavras nada mais são do que uma definição estreita de uma profusão sentimental que a grande maioria das pessoas acha que não pode ser expressada de outra forma. Ledo engano: a expressão verbal é apenas uma das possibilidades, talvez a mais limitada delas.

A palavra é definida, e por ser definida, limitada. Como podem algumas letras reunidas numa determinada ordem criar um fonema específico que traduza emoções que eu ao menos sei reconhecer? Como dar nome aos bois, se esse é um rebanho diferente de todos os outros que já conheci um dia? Seria justo encaixar esse novilho tão especial numa única e limitada categoria?

Nomear sentimentos exige que eu os racionalize, que eu os passe pelo crivo da razão, da lógica, da linguagem, que eu os reduza a um som genérico e impessoal, que eu os encaixe, tal qual a um Leito de Procusto, num vocábulo previamente definido por alguém que nunca nos conheceu de verdade. Nada aniquila mais o encanto do que minimizar à uma palavra insossa a imensa graça que é sentir algo que nem ao menos sabemos dizer o que é.

Da mesma forma que um gesto, ou uma ação, ou uma imagem valem mais do que mil palavras, relativize também este texto – simplesmente não é possível expressar através da escrita o que se passa aqui dentro. Se eu pudesse, uma palavra pra você eu inventaria. Eu criaria todo um novo dicionário, novos verbos, diferentes conjugações onde só figurariam duas pessoas, Eu e Você, e apenas um tempo verbal: o Presente Perfeito.

Por favor, não hostilize meu silêncio, não me peça para falar, pois não importa o nome que você quer dar, ou o rótulo que utilizemos, qualquer palavra vai ser sempre insuficiente pra transcrever com exatidão como eu me sinto com você.

terça-feira, setembro 08, 2009

Intimidade



Quem nessa vida já teve ao menos um relacionamento afetivo sabe que, em boa parte das vezes, é chegando mais pertinho que se desencanta. Como aquelas modelos maravilhosas que, se você colocar debaixo de uma lente de aumento, vai enxergar como ela realmente é: a pele, de pertinho, tem uns cravos; o cabelo maravilhoso é duro de tanto spray. Ela não é tão legal, tem bulimia, uns pés horríveis ou outras coisas do tipo.

Eu, pessoalmente, sempre acreditei e bradei por aí que a intimidade destrói uma relação, e que qualquer relacionamento se mantém muito mais sadio se certa distância for preservada. Não sei se, no fundo, isso não dizia somente a respeito de mim mesma, e se eu, a bem da verdade, não julgo a minha própria intimidade extremamente desinteressante.

Depois de alguns anos de reclusão e de pensamentos do tipo cada-um-na-sua-canga, parece que as lentes cinza da amargura aos poucos foram sendo levantadas, e as partes legais da intimidade foram sendo finalmente redescobertas. É absolutamente fantástico sair da superficialidade massacrante do nosso dia-a-dia, em que todos se encontram vestidos elegantemente dos pés à cabeça, cheirosos, os cabelos sem um fio fora do lugar, o sorriso ensaiado no rosto e o programa feito: cinema e jantar, exatamente nesta ordem. Isso basta durante algum tempo, até que você se encha e diga: quero mais, quero aprofundar.

Aprofundar é improvisar. É não ter script, não ter roteiro, não ter nada planejado e nada sob o seu controle. É simplesmente desfrutar da dinâmica complexa de uma relação sem que nada a alicerce a não ser o desejo da proximidade. Sem plano B: de repente chove e todos os planos que você fez têm que ser reformulados. Se vira nos 30 – quem sabe faz ao vivo, e o que é verdadeiro simplesmente é espontâneo.

A intimidade pode ser muito legal, porque intimidade não tem absolutamente nada a ver com as aparências, e sim com autenticidade, com essência. Sem máscara nenhuma você finalmente entra em contato, e eu, que andava com medo da intimidade, descobri que de pertinho tudo fica beeem melhor.

As pessoas são muito mais interessantes vistas de perto, porque de perto você vê por dentro. De perto você sabe que Fulano tem umas coisas engraçadas que, no “script” cotidiano, não aparecem. Você vê que Sicrano fica lindo ao acordar; você vê que Beltrana come assim ou assado. Você vê que, no fundo no fundo, todo mundo se parece um pouco, e que é justamente as nossas especificidades que vão fazer a diferença na hora de você bater no peito e dizer: esta pessoa é o máximo e eu gosto dela.

Os “erros de gravação” são sempre a parte mais legal do filme. A gente vê como poderia ter sido, a gente vê os atores rindo de verdade. O ensaiado não tem graça, é puro estereótipo. Eu, pessoalmente, sempre desconfiei de tudo o que me parecesse muito perfeito, e não é justamente o caráter tão humano o que me encanta nas pessoas? Suas particularidades, manias, pentelhices, idiossincrasias (!).

Adoro todas elas pelo simples fato de serem tão reais. Humanas, demasiado humanas. A intimidade só é capaz de destruir aquilo que, ao invés de se basear na realidade, se baseia nos ideais utópicos de perfeição, beleza e simetria.

Abaixo o Ideal! O real é o máximo, e somente a partir da intimidade podemos verdadeiramente desfrutá-lo.

quinta-feira, setembro 03, 2009

ebulição

No momento em que eu ia partir, eu resolvi voltar.*


Vou voltar
Sei que não chegou a hora
De se ir embora
É melhor ficar
Vou ficar
Sei que tem gente cantando
Tem gente esperando
A hora de chegar
Vou chegar
Chego como as águas turvas
Eu fiz tantas curvas
Pra poder cantar
Esse meu canto que não presta
Que tanta gente então detesta
Mas isso é tudo que me resta
Nessa festa
Vou ferver
Como que um vulcão em chamas
Como a tua cama
Que me faz tremer
Vou tremer
Como um chão de terremotos
Como o amor remoto
Que eu não sei viver
Vou viver
Vou poder contar meus filhos
Caminhar nos trilhos
Isso é pra valer
Pois se uma estrela há de brilhar
Outra então tem que se apagar
Quero estar vivo para ver
O Sol nascer
Vou subir
Pelo elevador dos fundos
Que carrega mundos
Sem sequer sentir
Vou sentir
Que a minha dor no peito
Que eu escondi direito
Agora vai surgir
Vou surgir
Numa tempestade doida
Pra varrer as ruas
Em que eu vou seguir...


* O Homem - Raul Seixas e Paulo Coelho, 1976.

segunda-feira, agosto 31, 2009

Here comes the sun!


Tem gente que não liga muito, mas pra mim faz a maior diferença: nada me anima mais do que um dia de sol. Especialmente se for de fim de semana, embora seja igualmente muito melhor trabalhar num dia de sol do que com um tempo cinza como estava.

O inverno deste ano me pareceu mais longo, mais frio e mais chuvoso do que o habitual. Ta, talvez somente em relação ao do ano passado (não lembro do inverno de 2007), mas ouvi muita gente reclamar da mesma coisa. Eu lembrava que, nesta mesma época do ano, no ano passado, já tava rolando um calorzinho bacana, e eu tava realmente ficando deprimida com aquelas garoas tipicamente paulistanas.

Mas não! A primavera está aí, o sol ainda existe e já ta dando pra abandonar os sapatos fechados e recolocar os vestidinhos frescos e fofos do verão. Melhor ainda: ta dando pra sair ardendo da praia após algumas míseras horinhas de sol sem ter reaplicado o protetor. Maravilha!

Agora começa aquela época fantástica em que a gente retoma as viagens pra praia religiosamente todo final de semana, vai preparando a pele pro verão, come menos, emagrece e tem mais vontade de sair de casa e expor a figura na Medina. Fica todo mundo mais feliz, relaxado, bonito, aquecido.

Chega das noites intermináveis de solidão invernal nas quais tudo o que se quer fazer é ficar deitado em meio aos edredons.

Viva o verão, o sol e o calor humano!

.

.

.

Não? Não tá todo mundo mais feliz? Hm, então devo ser eu ;)

sexta-feira, agosto 28, 2009

Done


Tem horas que abandonar o jogo é a forma mais honrada de vencê-lo.

segunda-feira, agosto 24, 2009

excessos


O fim de semana foi ok.

Showzinho do Effe sexta-feira num barzinho, acompanhada de um bando de doidinhas; feijuca da Mama ocupando todo o sábado, com direito a pança lotada e desconforto abdominal; curso de make-up no domingo seguido de rombo na conta bancária e cervejas além do necessário na hora de assistir o jogo do Timão, que acabou não passando na TV, o que significou: “Ok, garçom, NEXT!”.

O domingão acabou às 23h30 e eu estava derrubada na cama assistindo Bridget Jones. A voz da maquiadora que deu o curso veio na minha cabeça: “Sempre retire os excessos”. Ok, ela falava de pó compacto a mais no pincel. Mas eu pensei em outros excessos.

O fim de semana foi TODO excessos. Excesso de barulho e cerveja na sexta, me causando dor de cabeça no sábado. Excesso de comida no sábado, me roubando o bem estar do domingo. Excesso de euforia (e mais cerveja) no domingo, me causando ressaca moral.

Sempre retire os excessos”.

O meu excesso foi causado pela falta. A ausência gera sintomas imediatos de abstinência e me leva à compulsão. Me excedi física e emocionalmente, sem a menor sombra de dúvida, em todos os sentidos da palavra. Os sentimentos eram todos excessivos: muita ansiedade, muita desconfiança. Saudade até as tampas. Raiva e carinho ao mesmo tempo. Insegurança.

Com a segunda-feira, tem início também uma limpeza geral. Ordem na casa.

Não gostei de mim mesma excessiva assim, sinto que me violei, perdi o controle, saí da linha. Meu corpo sentiu o desgaste de noites mal-dormidas e de comida e bebida além do desejável; minha mente e meu coração estão intoxicados pela batalha eterna entre razão e emoção.

Vou transbordando de lembranças. Memórias em demasia - a ausência catalisa o que sentimos.

quinta-feira, agosto 20, 2009

Vai se F%$&*#@!


Quem me conhece sabe: o mesmo tanto que eu sou diplomática, eu sou extremista. E como aqui é lugar de desabafo, eu resolvi soltar mesmo o verbo: a última reportagem da Veja São Paulo me deixou ARRASADA.

Primeiro, é que eu odeio a Veja. Depois, se liga na matéria: “Profissão Mendigo”. Ao que parece, ser mendigo agora virou uma 'opção', e tem até neguim que se finge de paralítico pra tirar uma grana. Ok, é claro que eu já tinha ouvido falar sobre esse tipo de palhaçada, mas ter visto as fotos do velho andando bem bonitão empurrando a cadeira de rodas me deu ânsia de vômito.

A tal da velhinha da reportagem, que fica na esquina pedindo uma grana, faz compra toda semana no Pão de Açúcar, que nem eu freqüento. Eu que ralo todo santo dia, que estudei pra caralho pra ter um trampo, eu faço compra naquela merda de Futurama, que eu já acho caro.

O outro maluco pendura um cartaz religioso no pescoço e paga pau de santo, apelando pras crenças das pessoas. Depois enrola o cartaz debaixo do braço, saca o celular do bolso e faz uma ligação. Tranquilo - pode enganar que Deus perdoa, apaga o pecado rezando pra santa! Filho da puta, vai tomar no cu!

É escroto que, hoje em dia, ser solidário é a mesma coisa que ser OTÁRIO. É foda ver gente apelando pro nosso sentimento de compaixão pra tirar toda a vantagem que puder. No fim do mês você ainda recebe ligação da Televida pedindo sua contribuição pra ajudar criança soropositiva e... vai lá, trouxa, solta aí mais vintão! Se tem criança mesmo naquela merda você nunca vai saber mesmo.

Eu sempre achei que esse papo era conspiratório demais, mas foi foda ter visto as evidências. Nunca me senti tão otária na vida. Deu vontade de pegar o tal velhote e encher ele de porrada até ele ficar MESMO paralítico.

Foda. Ter vontade de bater num velhote não é bem um sentimento nobre. Vou então quebrar a cara do repórter da Veja por ter esfregado na minha cara essa realidade de merda.

Como diz um amigo meu, tamos cercados de comédia. E comédia é mato!

Foda-se. Vou meditar.

terça-feira, agosto 18, 2009

ansiedade, feminino e aula experimental


Quando cheguei no estúdio da Elis Pinheiro, por volta das 17h20, meu coração estava praticamente saindo pela boca. Já tinha trocado SMS com a Luli, já tinha praticado a respiração diafragmática, já tinha descatastrofizado o pensamento, mas nada tinha adiantado: eu ia ter minha primeira aula de Dança do Ventre e estava mega ansiosa!

Mil coisas passaram na minha cabeça: desde a minha dificuldade em interagir em ambientes novos até mesmo como minha barriga pareceria na hora que eu a balançasse pra lá e pra cá. E vamos combinar: imaginar nosso abdômen se curvando como uma minhoca não produz nenhum efeito relaxante...

Eu cheguei lá e a primeira impressão foi ótima, desde o jeitinho do estúdio até mesmo a simpatia da recepcionista Natália, com a qual eu vinha trocando emails quase que diários. E quando eu conheci a professora Layla tratei de relaxar geral: aquela tampinha de 1,50m, toda tatuada, com um cabelo vermelho na bunda não poderia ser assim tão aterrorizante!

As surpresas só foram aumentando: a Layla é uma fofa e por causa da chuva que caiu bem às 5 da tarde, a aluna que estava programada pra ir junto ficou presa no trânsito, o que significou que eu tive a Layla só pra mim durante 1 hora e meia. Simplesmente TUDO o que uma pessoa tímida, ansiosa e paranóica como eu poderia querer. Valeu, Universo!

Os movimentos são difíceis, mas graças a Deus, alguns não tão difíceis quanto outros. A professora teve toda a paciência do mundo e, no final da aula, até que me elogiou. Segundo ela, eu já tenho “consciência corporal”. Hm. Pelo menos a corporal eu tenho! Eeee!

Fazer os “oitos” com os quadris foi difícil, mas no final da aula eu já não me sentia tão patética. Não posso negar que em alguns momentos, queria sumir dali. Sair correndo gritando, dando socos no ar, que é algo bem mais fácil e que eu já sei fazer. Mas como eu vinha refletindo por aqui, se não fosse tão difícil exercitar meu feminino, também não seria tão necessário. E lembrar disso, de que só estava sendo FODA porque realmente precisava ser praticado, foi o que me sustentou ali durante aquela aula.

Resumo da ópera: AMEI! Semana que vem vou fazer mais uma aula experimental, com outra professora e num outro horário. Aí decido e começo de verdade! O Projeto Mulherzinha 2009 está com tudo! Com direito a lombar dolorida, Amr Diab no som do carro e mensagens de texto românticas sendo salvas no chip do celular!

Salamalleykum!

sexta-feira, agosto 14, 2009

Síntese



Dizem que quando um ser humano se encanta, ele fica assim, abobalhado.

Dizem também que, quando o coração fala, a boca silencia.

E também dizem por aí que é tão comum esquecer o rosto da pessoa pela qual você está interessada...

Basta então dizer que, enquanto todos os sinais se mostram amarelos e o passado rodeia meu caminho, eu ando assim meio boba, assim meio calada, e nem sequer me lembro ao certo do rosto deste tal que me encantou... :)


“Por favor não me analise
Não fique procurando cada ponto fraco meu
Se ninguém resiste a uma análise profunda
Quanto mais eu
Ciumento, exigente, inseguro, carente,
Todo cheio de marcas que a vida deixou
Vejo em cada grito de exigência
Um pedido de carência, um pedido de amor
Amor é síntese
É uma integração de dados
Não há o que tirar nem pôr
Não me corte em fatias
Ninguém consegue abraçar um pedaço
Me envolva todo em seus braços
E eu serei perfeito, amor.”
(Mario Quintana)

quarta-feira, agosto 12, 2009

hora de parar?


Das coisas mais difíceis desta vida, a que continua me impressionando é a enorme dificuldade que os seres humanos possuem de distinguir entre um teste de perseverança e uma segunda chance.

Quando é hora de entender de uma vez por todas que uma determinada coisa não irá funcionar, que não importa o quanto você possa tentar, o quanto você possa querer, a coisa está inevitavelmente fadada ao fracasso?

E quando é hora de largar o osso, esquecer o orgulho, e arriscar novamente, colocando em risco toda a esperança do acreditar, mas numa sincera tentativa de fazer valer a pena?

Quando é que, afinal, um sinal amarelo significa “freie, não dá mais”, e quando é que ele realmente diz “se você acelerar agora, ainda dá tempo”?Do que depende, por fim, nossa tendência por um ou outro lado? Seríamos ingênuos ao acreditar que “vai ser desta vez”? Seríamos derrotistas por não tentar novamente? Estamos realmente convencidos do derradeiro fim daquilo que já morreu dentro de nós?

Quando é, afinal, a hora de parar?

Creio que, em última análise, o Eterno Retorno continuará a retornar, enquanto as dúvidas do âmago do nosso ser continuarem a borbulhar...

sábado, agosto 08, 2009

waste of make-up

In fact, it really was...

segunda-feira, agosto 03, 2009

perdão

Para J.


Revirei minhas memórias em busca de nós dois. Isso nunca me fez bem. Vasculhei minhas lembranças tentando resgatar esse mínimo de mim, tarefa ingrata. Olhei as nossas fotos. Ali, escondidas nas pastas ocultas do PC, jaziam elas, esperando que um dia pudessem ser novamente admiradas, livres de toda a mágoa.

Respirei fundo pra continuar nesse caminho sem volta de apagar você. Ali estávamos nós, sorrindo diante do que o futuro, esse cruel, nos reservava. Olha nossos olhos – os verdes e os azuis, zombando da realidade. As palmeiras, a areia e o mar, fazendo coro: aqui somos felizes. Ah, que se a gente imaginasse o quanto a realidade ia por isso nos castigar.

Voltei as vistas para aquela, aquela uma em particular em que nos flagraram nos mirando. Naquele olhar eu percebi que foi tudo de verdade, gostei de você e você gostou de mim, embora tão efêmero. Jamais houvera a intenção de machucar. Naquele instante acreditei: não houve nenhum vilão e nenhum mocinho, nunca houveram os culpados que eu cismei em acusar.

Éramos só nós, seres humanos imperfeitos nessa arte desengonçada de se relacionar. As fotos mais recentes traziam olhos diferentes, que já previam o final e já viviam nosso luto. Sorri ao perceber que nosso olhar já não olhava a câmera – olhava pra dentro de nós dois, tentando se perdoar.

Já faz tempo,
E já é hora,
O ressentimento foi embora,
Deixou saudade em seu lugar.

sábado, agosto 01, 2009

Luta


Quando a campainha toca e começa a luta, todo o resto perde o sentido. Nada do que acontece lá fora faz mais a menor diferença. Um lutador costuma agir por instinto, jamais com a razão. Quem entra numa luta entra pra ganhar – perder não é uma opção. Vale à pena estudar o adversário antes, vale à pena revisar nossos erros técnicos. Vale à pena rever nosso portfólio - tem tantas lutas que não foram ganhas porque ficamos inseguros demais para ganhar e cravamos nossa derrota; teve luta que ganhamos porque, a bem da verdade, o outro não era tão bom assim e só por isso parecemos ser superiores aos olhos alheios.

Ganhar ou perder não tem a ver com ser melhor ou pior. A gente tem que ser durão sim, e não se intimidar com o passado aparentemente invicto do adversário, mas se a gente usar o coração e enxergar o outro com respeito e afeto, tudo fica mais leve – quem luta de verdade jamais sobe no ringue pra brigar, e sim pra se divertir. Suar, gingar, fazer um jogo de pernas. Jamais ficar em posição em que nosso equilíbrio fique comprometido, nunca, jamais, dar um passo longo demais que desestabilize o nosso eixo. Saber mexer bem a cintura, saber manter o nível da respiração constante pra acompanhar o ritmo do oponente. Não se trata de apenas se defender o tempo inteiro - tem que ter agilidade pra prever os movimentos alheios, tem que ser flexível para se esquivar, tem que ser rijo o bastante pra que o golpe que entrar não te leve à lona de uma vez. É preciso ter serenidade pra que o baque do momento não te leve a nocaute.

Quem nunca apanhou na vida não tem a menor chance. A ingenuidade arruína a destreza de qualquer lutador. É preciso assumir riscos e tentar novos movimentos, mesmo que isso abra chance pro azar. Aquele que teme as cordas está fadado ao fracasso, mas quem já se apoiou nelas sabe que ali pode ser um bom lugar para virar o jogo. Todo lutador deve ser amigo das cordas, amigo da lona, amigo dos golpes – a diferença entre um vencedor e um perdedor é que o vencedor já perdeu e superou; o perdedor é aquele que teme a derrota.

Ter medo de se relacionar é natural e inevitável. Ninguém disse que esse jogo da vida seria muito fácil. Os nós dos dedos já estão marcados, a pele já está meio roxa, as pernas querem parar. As cicatrizes são inevitáveis e os minutos do relógio continuam correndo. Finalmente entendi que alguém sempre sairá machucado quando se trata de amar, mas neste momento de solidão tudo o que eu quero é apenas ver o round acabar, encerrar este jogo, baixar a minha guarda e cumprimentar meu oponente. Eu quero parar de lutar, pendurar minhas luvas e descer do ringue, para então, com muita leveza, sair por aí e dançar.

quinta-feira, julho 30, 2009

Ops...


I did it again...

quarta-feira, julho 29, 2009

De dieta

Na onda de ser feminina, resolvi que já era mais do que hora de reconhecer: eu estou acima do peso. Acho que não há mulher no mundo que não tenha passado por isso, e eu, até então, achava que nóia de calorias era coisa de “mulherzinha”.

Acontece que a mulherzinha aqui não está nada satisfeita com o que tem sobrado pra fora da calça. Super okei, talvez algumas pessoas diriam que eu não estou sendo feminina, e sim que estou tendo transtorno dismórfico corporal. Ta, eu sei que não tô uma bola, mas já que é pra me dar o direito de reclamar mesmo sem ter um boooom motivo (como toda mulher faz), resolvi seguir à risca o Manual da Mulherzinha Moderna e decidi enfrentar uma dieta.

Isso significa, basicamente, que o meu maior prazer atual está na berlinda: nada mais de chocolates, assaltos à geladeira na madrugada, pizza no sábado seguida de sanduba no domingo. Minhas manhãs de folga foram dilaceradas por corridinhas matutinas. E, como toda boa mulherzinha, eu estabeleci uma meta super irreal e pretendo, até o feriado de 7 de setembro, estar 6kg mais fina. Rá, rá, rá. Tá bom, divide por dois.

O regime começou na segunda-feira (óbvio) e dois dias depois já estou sofrendo. O mau-humor é tremendo. A vida me parece sombria. Sinto falta de um chocolate, de uma cerveja, de uma puta pizza de abobrinha. Agrião, que eu amo, nunca me pareceu tão insosso. Qualquer coisa que eu veja me lembra comida.

Praia? X-salada.
Trabalho? Pão de queijo.
Balada? Brigadeiro.
Kickboxing? Doritos.
Dança do Ventre? Esfiha!

Temo estar entrando em depressão, o que aumenta meu apetite.

Mas é isso aí, a vida é feita de frustrações e eu (acho que) sou uma mulher madura, não uma adolescente sem curvas. No pain, no gain! Engole o choro e barriga pra dentro, peito estufado e esmalte vermelho nas unhas - ser mulher é um cu, com o perdão da palavra.

domingo, julho 26, 2009

Anedonia


Quanto mais vivemos, dia após dia, mais vamos nos dando conta de que toda a nossa existência é apenas e tão somente a ligação entre diversos pontos que, reunidos, formam a figura de nossas vidas.

Cada ponto, um determinado tipo de problema que vai nos orientando ao longo do tempo, dando conta de nos mostrar do que afinal a vida diz realmente a respeito: quando pequenos, a fome insaciável ou um medo do abandono dos pais; crescemos e os dias são a sucessão interminável de dias na escola em que professores autoritários tratam de nos aterrorizar, nossa vida se resume a dar conta das provas, aulas de inglês ou natação, sermos boas crianças e isso jamais ser o suficiente; quando adolescentes nossa vida é uma droga, queremos encher a cara, fumar maconha e mandar nossos pais à merda, nossos pais que são os responsáveis pela nossa vida ser um inferno, nossos pais que nos obrigam a estudar, acordar cedo, nossos pais que não nos entendem e querem nos ver sofrer. Jamais entendemos que um dia as provas irão acabar e todos os hormônios irão assentar, nós desejamos a morte do mundo e todas as pessoas mais velhas nos parecem patéticas.

Se entramos na faculdade, os trabalhos e provas tratam de nos deixar extenuados; se não estudamos e vivemos para trabalhar, a vida é uma merda em que temos que sobreviver dia após dia. Crescemos e os conflitos básicos todos se parecem, temos que trabalhar para poder comer, para poder vestir, para poder se divertir. A semana é um sacrifício sem fim rumo ao sábado e domingo, que é quando a vida acontece de verdade e nós nos estragamos por dentro e por fora, tomando porres homéricos, usando drogas de péssima qualidade, dormindo pouco para sentir que estamos vivendo o bastante, no domingo a ressaca nos massacra, pra depois sermos punidos como uma nova e terrível segunda-feira.

Às vezes gostamos do que fazemos, mas isso não é o suficiente porque o compromisso diário nos oprime; às vezes detestamos nosso trabalho mas não temos alternativas, continuamos a ser manipulados por chefes, supervisores, orientadores, pseudo-parceiros de jornada que botam no nosso rabo todas as manhãs.

Quando não somos rejeitados, arrumamos um parceiro amoroso que vai levar a culpa por todos os nossos fracassos anteriores, o parceiro que um dia pensaremos em trair, que eventualmente nos trairá, mas um dia percebemos que é melhor assentar com ele mesmo e tratarmos de termos filhos. Os problemas então se transformam, viram fraldas, merda, mijo, vômito, choro, sarampo. É o preço da babá ou da escolinha em que tudo o que vai acontecer é que nossos bebês irão conhecer outros bebês.

Mais tarde seremos xingados de autoritários como um dia fizemos com nossos pais, teremos praticamente vendido a alma e dado a bunda por uns pirralhos que se acham maduros o suficiente para fumar maconha enquanto acham que não estamos olhando; um dia eles arrumam um trabalho, mas não pagam uma única conta, saem de casa e reclamam que estamos com mania de doença. De nada adianta explicar que tememos a morte. São jovens demais para entender. Um dia terão seus filhos, terão laços de sangue muito mais fortes do que conosco, as visitas se resumirão a uma ou duas vezes por mês.

Quanto mais velhos ficamos, mais saudades sentimos dos tempos em que éramos jovens, que corríamos rápido e não sabíamos, estudávamos para as provas e seríamos aprovados, reclamávamos do chefe que jamais faria qualquer diferença em nosso futuro, mimávamos nossos bebês que nos abandonariam. Nada nunca importou. Um dia nos damos conta de que o grande quadro de pontilhismo de nossa vida formou um desenho que jamais veremos – ficará para trás, para aqueles que vivem e que contam histórias a nosso respeito, histórias em que fomos heróis, em que fomos pais amorosos, adolescentes especiais, crianças teimosas, bebês barulhentos.

Um dia nos damos conta de que tudo se foi sem que percebêssemos, aprisionados que estávamos no piloto automático do nosso cotidiano. E um dia. Um dia, enfim. O Dia. O Fim.

quinta-feira, julho 23, 2009

So I think I can dance!!




Bom, então a história assim segue: meus experimentos continuam e, na busca de despertar a minha Deusa interior, resolvi fazer aulas de... DANÇA DO VENTRE!

Desde a época do Clone eu sempre pirei na idéia de conseguir mexer o quadril daquele jeito doido. Até hoje não entendo: como pode uma pessoa ter a bunda tão separada assim do resto do corpo?

A idéia foi deixada de lado porque eu queria ser do contra e não participar da modinha que acometeu o país depois da novela. Eu ainda era uma adolescente imbecil. Mas hoje, 7 anos depois, eu já não encontro mais nenhuma boa razão pra não ir logo dançar e assim fazer as pazes com a minha Neusa interior, digo, Deusa.

Assim, mais obstinada do que nunca, passei toda a minha tarde de quarta-feira enfiada em sites, ligando para escolas, enviando emails para professoras. A pesquisa árdua gerou bons resultados e hoje mesmo vou conhecer uma escola em Santana. Semana que vem, eu e uma amiga querida iremos conhecer outro estúdio de dança, e assim, fazendo juntas, quem sabe esse investimento na minha feminilidade fique um pouco menos assustador?

Dançar é o máximo e eu estou obcecada por assistir vídeos de Dança do Ventre no Youtube. É tudo de bom. Dançando assim, não vai ter como minha Neura Interior não acordar. Digo, Deusa.

Ya Habib!!!

PS: Outra possibilidade é formar um grupo pra termos aulas particulares. Alguém interessada?

PS2: A dançarina do vídeo é a Laís Jardim, em apresentação na casa de chá Khan El Khalili.

segunda-feira, julho 20, 2009

...sin perder la ternura jamás...

As Leis Gerais do Comportamento afirmam há décadas: o ser humano se norteia, em suas atitudes, através das conseqüências. Em linhas gerais, isso é bem fácil de entender: se você se dá bem após fazer algo, é bem provável que faça esse algo novamente. Se você se deu mal, provavelmente não irá mais fazer a mesma coisa.

Essa relação entre comportamento e conseqüência se expande para além do nosso cotidiano – abrange sentimentos, pensamentos, fantasias. E é exatamente com base nesta linha de raciocínio que eu cheguei a uma triste conclusão: eu extingui meu hábito de fantasiar.

Ficar sonhando acordada sempre foi o que definiu a maioria dos piscianos que, como eu, esquecem de viver a vida real. Comigo, o processo se inverteu: eu simplesmente não consigo mais fantasiar quando o assunto em questão são os relacionamentos afetivos. A questão é que eu já tomei tanto na testa, já tive tantas conseqüências negativas após fazer mil fantasias sobre algo ou alguém, que esse meu comportamento acabou soterrado embaixo de um monte de mágoas que não me ajudam em absolutamente nada nesta vida. Mas eu simplesmente não concebo mais a idéia de engolir a seco fantasias e planos para o futuro.

É claro que todo mundo se fode uma vez ou outra, e eu nunca fui do tipo coitadinha-de-mim. Para mim é muito claro que eu sou diretamente responsável pela minha vida afetiva ter se tornado um vazio absoluto. Não ouso culpar os parceiros bola-da-vez, embora um ou outro tenha agido de maneira vergonhosa comigo – não, nenhum deles é culpado por eu ter reduzido a zero meus contatos amorosos.

A questão é: meu comportamento feminino foi tão “punido” (no sentido de ter sido consequenciado negativamente) que essa minha faceta simplesmente ficou lá pra trás, muito muito depois da Nana psicóloga, da Nana lutadora, da Nana amiga, irmã, filha, vizinha, consumidora de padaria ou cliente de salões de cabeleireiro. A Nana-Mulher, a que ama, que fantasia, que sonha e que deseja ficou simplesmente fora do jogo.

Segundo minha(s) terapeuta(s), essa é a hora em que eu devo finalmente acordá-la. Ok, o sono foi bom e necessário, muitas outras coisas ocuparam minha atenção durante este tempo, e está finalmente na hora desta questão voltar a fazer parte da minha agenda mental de compromissos comigo mesma: eu preciso voltar a sonhar. Porque como já dizia o Monteiro Lobato, tudo no começo é sonho ou loucura. Sem sonho não há vida.

Parte desta difícil tarefa tem consistido em eu praticar (sim, assim, no duro) o ato de flertar. Eu sei o quanto soa ridículo, mas pra mim uma simples paquerinha de balada é um verdadeiro martírio. Eu nunca sei o que fazer, o que dizer, pra onde olhar. Eu costumo me sentir patética e me torno imediatamente um poço de ansiedade. E é exatamente por isso que, em qualquer contexto que eu esteja, é sempre mais fácil virar amiga dos caras em vez de me colocar como mulher – é praticamente impossível ser rejeitada quando se exerce o papel de amiga. E é desta mesma forma que eu, automaticamente, me mantive fora do jogo amoroso durante aproximadamente dois anos.

É claro que houve um evento marcante (pra quem se perguntou: “o que houve dois anos atrás?”). Uma mega desilusão amorosa, atrelada a um transtorno de ansiedade bem foda, tratou de empurrar pros fundos da minha dignidade quase todos os meus traços românticos. E é fato que, depois daí, eu simplesmente criei amizades coloridas com romance zero – 0% de exposição, 0% de risco.

Mas tudo na vida se resume ao desafio que é saber quando se está atravessando aquela linha tênue que divide a auto-preservação do auto-boicote. Isso vale pro amor, pros empregos, pras famílias. Também é uma atitude de sabedoria saber parar de se esquivar de possíveis e hipotéticas conseqüências negativas, e se arriscar um pouco nas coisas. Como já dizia o Grande, hay que endurecer, però sin perder la ternura.

Este “se arriscar” pode até ser lido como “dar mole por aí só pra treinar ser mulherzinha de novo”. É claro que não é assim tão diretivo nem assim tão aberto. Mas é verdade que eu tenho tido bons resultados com meus “experimentos” – minha vida, digamos, “afetiva” tem ganhado algum movimento (mesmo que o “afeto” em questão tenha se resumido a um pegapracapá com um gatenho da outra academia), e é nessas e em outras que a velha e boa mulher que eu sou tem ganhado, lentamente, um pouco mais se espaço aqui dentro.

Continuo me sentindo gelada no que se refere ao amor e à paixão, e minha vontade de me relacionar enfrenta grandes resistências oferecidas pela minha eterna desconfiança. Ainda não consigo fantasiar coisinhas bonitinhas sobre alguém, mesmo depois de ganhar chocolates, receber ligações, mensagens fofas ou coisas do tipo.

Continuo recusando convites para sair e minha disposição em sair “flertando” arrisca a se reduzir a quase zero – eu vou forçando um pouco a barra. Se tornou extremamente difícil reativar meu comportamento de ser simplesmente mulher, mas a crença de que isso será possível novamente me mantém em movimento.

Por via das dúvidas, meus antigos planos de aprender dança do ventre estão sendo reavaliados. Tenho certeza que isso é algo que vai me ajudar a, como diz uma querida, “despertar a minha Deusa interior” – tem coisa mais feminina do que dança do ventre (além de celulite)?

Eu sei que tudo isso parece um pouco piegas e um tanto quanto melodramático. Afinal eu tenho apenas e tão somente 26 anos, ainda estou em idade altamente reprodutiva, tenho saúde e o mundo lá fora é grande demais pra eu dar por finalizada minha busca por uma história realmente legal pra viver.

Eu sei que sou um pouco trágica e que tenho tendência para as grandes cenas. E apesar de saber de tudo isso eu ainda procuro me entender e ouso encerrar a questão: quem nunca teve medo de sofrer que atire a primeira pedra, ou então que me ajude.

quarta-feira, julho 15, 2009

Como uma vaca na índia

A vida por aqui tem passado tão lentamente que, como diz a música, a gente quase que não sente.
A verdade é que a inércia me pegou: minha caixa de entrada da UOL está com 127 msgs que não tenho a menor disposição de ler, meu telefone tem várias ligações não atendidas (e não retornadas), meu Projeto Corrida 2009 não emplacou, não meditei nem um dia sequer. Bebi cerveja o findi todo. Não terminei meu livro e de quebra, comecei mais dois. Continuo chocólatra as usual. Não visitei praticamente nenhum amigo ilhéu e assim, exatamente assim como a coisa está, tá bão demais.
O tempo chuvoso não me incomoda - após as tempestades do fim de semana, tivemos dois belíssimos dias de sol (tão belos que resolvi esquecer o protetor solar e estou parecendo uma salsicha alemã de tão vermelha). A previsão continua sendo de vento forte, a ponto de não dar nem pra ficar de biquininho na praia. Humpf.
As meninas-caninas estão mais pentelhas do que nunca e isso nunca me incomodou tão pouco. Devo admitir: estou tão sossegada quando um pernilongo pousado num tetraplégico.
No momento, a lan-house está cheia de crianças meio gosmentas e isso também não me incomoda. Eu tenho apenas 2 minutos de internet e isso nunca foi tão super ok!
Ritmo de Brasil Grande: devagar, quase parando :)

quarta-feira, julho 08, 2009

De férias do divã


Tem gente que pensa que ser psicóloga é ter a profissão mais sussa do universo. Afinal, basta se sentar na frente de alguém, fazer cara de paisagem e escutar durante 50 minutos os problemas alheios, para depois receber milhares de dólares sem qualquer esforço.

Como diz uma amiga minha, “lei do engano, darling”. Pode não parecer, mas ser psicólogo é como padecer no paraíso – como fazer as pessoas finalmente se enxergarem como deveriam? Como mostrar para alguém algo que está bem na sua cara, mas oculto pelo véu das ilusões? Como instrumentalizar professores super bem-intencionados a lidar melhor com seus alunos de inclusão sem parecer intrometida? Como fazer uma mãe superprotetora entender que seu pequeno filhinho pré-adolescente precisa aprender a ir ao banheiro sozinho?

Estas e outras questões tão pesadas quanto estão presentes na maior parte dos meus dias. Ser psicóloga é hiper gratificante, pois não tem sensação no mundo igual a você ver um ser humano aprender a ser mais feliz. É tudo de bom, mas é super ultra mega max giga jam cansativo. Mentalmente, é extenuante.

E é por isso que, quando chega julho, eu quase entro em mania de tão feliz: meus pacientinhos entram em férias escolares e eu finalmente posso descansar um cadim. Sincronizar a agenda com os pacientes do consultório geralmente é um trabalho árduo – mas eu finalmente consegui e a partir deste feriado já entro em recesso “escolar”.

Sem viagens fantásticas (apesar de ter sido a idéia inicial) – apenas 10 deliciosos e idílicos dias na praia na companhia da minha família, de amigos e das Meninas-Caninas. Não interessa se vai fazer sol; o mar gelado não me preocupa nem um pouco; o vento absurdo típico da Ilha em mês de julho não é nenhum problema: tudo o que eu quero é ESVAZIAR A MENTE.

Meditação, corrida, escrita, leitura, sono, gastronomia, risada, conversa... e, plis Universo, o mínimo de problemas possível. De preferência, adoraria poder ficar em silêncio os 10 dias (impossível, considerando a mistura Mamis + Landão + Ires + Pati + ilhéus diversos).

Então eu deixo o silêncio pro próximo Carnaval e saio neste feriado tirando férias de tudo: de pacientes, de escolas, de mães difíceis, de gatinhos indecisos, do ringue, de uma parte da família, de amigos, da(s) minha(s) própria(s) terapia(s) e quiçá de mim mesma. Abandono aqui minhas vestes de psicóloga, minhas luvas de kickboxer, minha fala diplomática e meu saquinho murcho de Jó.

Eventuais posts poderão ser avistados. Meus amigos blogueiros, bom feriado a todos. Eu peço uma coisa só: se em 10 dias eu não estiver de volta... por favor, me deixem por lá!

terça-feira, julho 07, 2009

Transformers!


Qualquer semelhança com a vida real não é mera coincidência!

domingo, julho 05, 2009

fora da linha


Acordo lentamente com a cabeça pesada. A memória falha em resgatar certos detalhes do episódio. A boca está grudando, os olhos secos como carpete. A garganta arranha. O corpo dói e me ressinto – tudo outra vez.

Desta vez não houveram culpados, a não ser a consciência. Nada foi errado, exceto a abordagem. Nada de arrependimentos, não fosse a vontade de hoje de jamais ter estado lá. Acolho os flashes de lembranças tendo consciência de que algo foi perdido – a inocência e a ingenuidade deste reencontro, de outros, de tantos que jamais existiram. A sensação de que fugi da proposta inicial se revela aterradora.

Como se desta forma nós jamais tivesse tentado, abandono qualquer outra tentativa de merecimento. Falhei em tentar caminhar sobre o espectro cinza que existe entre o branco e o preto, entre o coração e a mente, entre o espírito e a carne. Me entreguei entre os extremos opostos. Naquele momento nenhuma virtude habitava meu corpo, a não ser a certeza inabalável de que, apesar de profundamente errado, não havia nada demais em simplesmente tentar ser eu mesma novamente.

sexta-feira, julho 03, 2009

Ou Tudo ou Nada?

Hoje na Mundo Mundano.


Todo mundo que gosta de escrever sabe: tem épocas em que simplesmente não sai. Sentamos na frente dos PCs, agarramos papel e caneta, praticamente fundimos a cabeça e o resultado continua o mesmo: a folha continua em branco, apesar da mente fervilhar em idéias.

Ando nestas fases. A coisa simplesmente não funciona. Antigamente, eu me sentia frustrada. Hoje em dia, me pego atenta a estes momentos e percebo coisas impressionantes em meio a este vazio. Pouco a pouco, reflexão a reflexão, começo a chegar à conclusão de que é justamente no vazio que tenho a maior sensação de plenitude que eu poderia experimentar.

Essa idéia do “vazio-e-cheio” sempre me encantou. É verdade que eu costumava me sentir desconfortável com a idéia do Nada, enquanto que o Tudo me acolhia. Afinal, sempre ouvimos por aí que o legal é ter tudo, que não ter nada é ser mal-sucedido. Somos condicionados a ter a mentalidade do mais, da ação, da quantidade, do preenchimento. O nada, o menos, a não-ação, o menor parecem sempre negativos. Com mais freqüência do que talvez eu gostaria, ouço meus pacientes dizerem-se “no nada”, ou “vazios”, com a maior das aflições.

Mas a verdade é que existe neste “nada” uma idéia reconfortante e capaz de amenizar estas angústias: se o que existe é o Nada, então Tudo pode ser feito. Qualquer coisa! É uma idéia bastante lógica, embora possa ser difícil apreender este conceito num primeiro momento: menos pode, de fato, ser mais.

A idéia da página em branco possibilita uma imagem – uma folha em branco é ilimitada e infinita, e milhares e milhares de possibilidades de escrita, desenhos, garranchos ali estão em potencial. Se quando temos Tudo, o vazio está plenamente preenchido, fato é que Nada mais pode ser feito – a folha está escrita, a pauta está fechada, esgotaram-se as linhas. É aquilo ali e pronto, aquele tudo, completo, cheio, limitado te dizendo: “conforme-se”.

Já o nada é o espaço em potencial necessário para todas as realizações tomarem forma; são todas as coisas existindo ao mesmo tempo, indefinidas, inexatas. A vantagem de não se ter nada é justamente poder começar tudo de novo, ilimitadamente, sem nenhum tipo de restrição. Como num vaso vazio, onde em sua terra fértil podem ser plantados quaisquer tipos de sementes.

É verdade que estar no nada pode ser, a princípio, bastante desconfortável e desolador, e que se pode experimentar alguma sensação de perda de referencial. Mas se for possível tolerar o sentimento de ansiedade e visualizar, em meio à crise, uma nova oportunidade, então também haverá a chance de experimentar, como de nenhuma outra maneira seria possível, toda possibilidade de escolha – e esse tipo de escolha é exatamente o que define alguém, a escolha de quem não tem absolutamente nada a perder. É a escolha da liberdade.

No que se refere a este texto, experimento uma certa mistura de sentimentos após ver esboçada a reflexão. É que uma parte de mim gosta de ver a página finalmente cheia, mas outra se ressente com a minha ousadia de encerrar assim a questão, limitando o tema como se nada mais houvesse a dizer. Minha mente continua a fervilhar a respeito, e receio que o assunto seja muito mais extenso, filosófico e pirante do que aqui humildemente tencionei expressar. Tento então mostrar alguma humildade, mas também manter a ousadia de com o fim do texto questionar se, afinal de contas, todo fim também não seria um recomeço...

terça-feira, junho 30, 2009

Hiato

Batem fortes aqui dentro, novamente, as mágoas da separação. Grandes despedidas marcaram nossa história – nenhuma definitiva, nenhuma de verdade. Nossas lindas palavras falam na vã tentativa de calar nossa terrível verdade: jamais estivemos juntos. Você me incute, por fim, a dúvida - será?

Meus sonhos e desejos se voltam novamente para ti, e em meio a um inverno emocional dos mais cruéis sua presença me lembra novamente o verão. Me sinto viva e meus galhos mostram novamente vontade de florescer. Meu solo está novamente fértil – recebo então sua semente estéril e acolho sua eterna dúvida. Mudam novamente as estações, e enxugo calmamente as lágrimas negras do rímel que usei pra te encontrar.

No hiato congelado existente entre nós, permanece a indelével e inquestionável evidência de que nossa história foi despedaçada há muito, muito tempo atrás. A esperança, morta-viva, volta para de onde veio. No eco das suas palavras eu vejo, finalmente, que nada restou a não serem promessas de que tudo seria muito diferente, se tudo não fosse exatamente como é.

domingo, junho 28, 2009

Sede



O sucesso é mais doce
A quem nunca sucede
A compreensão do néctar
Requer severa sede...


Emily Dickinson

sexta-feira, junho 26, 2009

Tempos Modernos?



Recentemente, minha amiga Andrezza* me procurou para um café. Na SMS que ela me mandou, cheia de gírias e de abreviações, adiantou que o assunto era SOS, o que me fez me preparar emocionalmente para o encontro.

As conversas com a Andrezza eram tensas. Ela era ás em encontrar boas justificativas para tudo o que fazia. Mestra na argumentação, ela era capaz de convencer um indiano a maltratar uma vaca, de tão convincente que era. Eu já sabia, àquela altura do campeonato, que a coisa ia ser feia – eu e a Andrezza sempre fomos radicalmente diferentes, e temos um histórico de grandes discussões. Assuntos SOS eram sinal de confusão.

Assim que nos encontramos no café, a Andrezza foi rápida e fulminante: “Você curte tecnologia?”. Confesso que esperava, antes de mais nada, as conversas amenas típicas de elevador. Pra ganhar tempo, pedi um cappucino, enquanto tentava me orientar novamente.

A questão era: a Andrezza tinha encontrado um cara no clube de salsa, um cara que sempre estava lá e com o qual sempre trocava olhares. Na semana anterior, haviam conversado e finalmente trocado algumas beijocas. O clima estava bacanérrimo, conversaram todo um atlas, de esporte a economia, de viagem a tintura de cabelo, de princípios de vida à religião. No fim da noite, ele segurou seu casaco, disse que havia amado a noite e que havia gostado muito de conhecê-la. E então...

- Sem delongas, ele foi dizendo o endereço de email dele. Que era pra eu escrever, adicioná-lo no MSN, esse tipo de coisa. Eu logo achei que aquilo era uma desculpa pra gente nunca mais se ver, mas o problema é que ele parecia sincero ao pedir que eu escrevesse!

Ela estava em surto. Absolutamente confusa. Após consultar suas duas terapeutas, a Andrezza estava questionando se estes eram os Tempos Modernos. E pela primeira vez em muito tempo, eu comecei a concordar com ela - eu ainda sou do tempo em que se trocava telefones, emails eram coisas de trabalho, e MSN era só tiração de sarro. Mas ela tinha razão em uma coisa: o telefone também estava migrando pra internet, com o Skype e outras coisas do tipo.

O processo parece mesmo ter se invertido – o telefonema é o último passo a ser dado quando duas pessoas estabelecem uma comunicação virtual. Eu mesma passei a perceber que tenho muito mais disposição em enviar um longo email para uma amiga, do que me pendurar ao telefone com ela. Está certo que eu me expresso melhor escrevendo do que falando, mas é verdade que eu tenho amizades que têm sido mantidas assim há aaaaanos. Telefonar virou raridade.

O que aconteceu com a Andrezza já aconteceu comigo, com outras amigas e praticamente com todo mundo por aí. Não sei se por falta de tempo, falta de coragem ou se por puro hábito, a intimidade mudou de cara, e tornou-se difícil delimitá-la no dia-a-dia. Em tempos em que nos sentimos totalmente à vontade para nos expor em blogs e outras coisas do gênero, e que trememos na base diante de encontrar pessoalmente um carinha ou mocinha bacanas, como resguardar algum parâmetro real sobre o assunto? Como não transformar isso tudo num grande jogo de detetive, o que poderia ser perfeitamente substituído por uma simples troca de olhar em que as intenções e desejos se revelam? O homem que usa muitas reticências está reticente? A mulher que usa muitos pontos de exclamação está eufórica? Como possuir algum referencial verdadeiro dentro deste novo, bizarro e tosco jogo de conquista?

Talvez eu deva mencionar: Andrezza é portadora de Transtorno de Ansiedade Generalizada, o que significa que todo este questionamento é muito, muito sofrido para ela. Ela ainda está achando que o problema é com ela e que o carinha não queria vê-la novamente. Pra confrontar essa crença, eu a incentivei a, afinal, adicionar o tal cara na porra do MSN e ver que bicho que dava. Ela relutou, como sempre, usando mil e uma justificativas. Um bom “vai tomar no c%$&*#” e algumas frases de Gandhi trataram de convencê-la.

Neste exato instante, Andrezza adicionou Fulano e está no quarto café em frente ao computador, esperando alguma resposta para o sorrisinho tímido que ela lhe enviou. Já se passaram dois minutos e nada ainda aconteceu. Andrezza treme e fuma. Do outro lado do seu celular, estou eu, igualmente ansiosa pelo desfecho, quase como se eu também dependesse disso. Não sei se me encaixo nessa modernidade toda, então também tremo. Tremo de verdade. Tremo e penso... SOS.
__________________________________________________
* O nome da minha amiga foi trocado, pra não expor sua intimidade nem nada...

quarta-feira, junho 24, 2009

Rapidinha

As escolas do país estão ensandecidas, terminando seus períodos escolares antes da hora.

Tirando o fato de que isso deixa minha mãe, que tem mania de doença, cada vez mais histérica, que delícia ser presenteada com a notícia de que eu então também tô de férias até agosto de uma das escolinhas. Coisa chata ter a sexta-feira livrezinha da silva sem crianças mala gritando no ouvido é ter que parar o trampo assim de repente, sem aviso prévio e sem programar a interrupção com os pais.

Pelo menos eu ganhei a mesma grana trampando muito menos deu pra entrar em recesso vendo o trabalho surtindo efeito. Diferente de em algumas outras ocasiões...

Duro ser psicóloga, viu! Mais duro ainda ter fim de semana de 4 dias :P

segunda-feira, junho 22, 2009

Thank you

Although it was painfull anyway.

sexta-feira, junho 19, 2009

Cantilena




Eis aqui notícias de seu criado - estas terras por aqui, meu Rei, são estranhas! Uma eterna luta entre cobras e aranhas mancha o solo que aqui é encontrado!

Não existe o conceito de errado, não existe a ordem e a moral! Não vejo nada aqui que seja normal - esse lugar, por Deus, foi abandonado. Os desejos parecem todos forjados: quem quer finge não querer; quem sabe, finge não saber - os valores estão todos invertidos!!

Certos combates podem até ser divertidos, mas sempre à custa da humilhação alheia. A pessoa que por um instante titubeia é isolada sem dó nem piedade! Não sei dizer, senhor, o que aqui é de verdade, ou o que é encenado com a maior das perfeições. Sei dizer que as mentes calam os corações, pelo medo de ser ridicularizado.

Meu Rei, fico mesmo desolado, porque o amor, que tristeza, virou guerra! Com estratégias dignas de nossa terra pra conseguir a mais simples das vitórias. Por aqui, senhor, se contam histórias, de que o amor fere, ao invés de fazer bem! Tem gente que prefere viver sem, a correr o risco de um dia chorar.

Imploro ao Senhor que me permita voltar! O ar daqui parece ser contagioso - eu mesmo já ando desgostoso de com as pessoas daqui conversar. Sugiro nosso exército avisar, e que permaneça fortemente armado - por aqui se tem planejado os nossos campos dominar!

Senhor, eu vim lhe avisar, e rogo: por favor não permita! que essa gente esquisita possa nossa fé abalar! Não nos deixemos desmotivar! Lembremos do nosso passado, dos nossos anos dourados, e das nossas amadas crianças!

Não deixemos que a esperança possa pra cá se debandar! Reunamos nossos homens e às mulheres vamos avisar! A partir de hoje, ergamos os copos, e brindemos, senhor, a meus votos, que não deixemos de acreditar...

segunda-feira, junho 15, 2009

Partida

Neste fim de semana, me despedi de mais um amigo, desta vez dos mais queridos. Meu melhor amigo, parte de mim, vai morar nas Ilhas Canárias, com apartamento emprestado, passagem doada, emprego garantido. Diversas aventuras o esperam por lá, nesta nova vida que ele hoje arrisca. Em menos de 1 ano, várias pessoas queridas partiram para viver suas vidas de um jeito diferente. Mudando de país para renovar a vida, de cidade para retomar estudos, de continente para tentar de novo, vejo pessoas valentes, corajosas e ansiosas por vidas novas, cheias de surpresas e de novidades.

Enquanto uma parte de mim vibra de alegria por cada uma destas partidas, outra parte de mim se sente, inevitavelmente, solitária e parada no tempo. A sensação é de estar ficando pra trás, de estar estagnando em torno das mesmas conquistas. Sinto-me, de repente, extremamente velha. Não sei se é vontade do novo ou bode momentâneo do presente; não sei se é ansiedade pelo futuro ou apego afetivo elevado à enésima potência. Mas eu sei que, por alguns breves momentos, eu tive o desejo de que tudo parasse e ficasse exatamente no mesmo lugar, que o tempo voltasse e que meus grandes amigos jamais tivessem partido.

A parte mais saudável de mim caiu na real, e desejei por fim, alternativamente ao tempo parar e nada mudar, e assim retirar de meus amigos, de meus corações, suas novas oportunidades de serem felizes, que a minha própria vida mudasse e que eu me projetasse ante um novo futuro, ganhando assim a força e vitalidade que cobicei. Desejei por fim ter eu mesma minhas próprias surpresas e aventuras, e a vida nova e vibrante que, sem malícia ou inveja, secretamente desejei também experimentar. Se tudo o que vemos no outro nos evoca partes de nós mesmos, gosto então de acreditar que partezinhas de mim estão viajando por aí, vivendo suas novas vidas, recomeçando nem que seja estudando numa nova faculdade, viajando todo o continente, ou quem sabe somente se espreguiçando sob o sol morno de uma praia nas Ilhas Canárias...

Valentines?

I think nothing will never be enough...

terça-feira, junho 09, 2009

Alea jacta est!



Depois de ter o coração estraçalhado pela segunda vez pelo cara que até outro dia era homem com agá maiúsculo pra mim, eu resolvi abrir as portas da represa e declarar: estou disponível e a temporada de datings está aberta!

Inverno emocional é pra principiantes. Eu já tive o meu, que durou dois anos e teve efeitos colaterais tenebrosos, como transtornos ansiosos e namoros ridículos com homens de merda. Desta vez eu juro que vai ser diferente.

E na onda dos experimentos afetivos, as vagas foram disponibilizadas para o público e o processo seletivo já está rolando (inscrições aqui, aqui!) – já descolei um convite pra jantar com um menino incrível e troquei telefones com um cara gatésimo da outra academia.

Os experimentos têm mostrado tanto resultado que até carona pro gatésimo eu dei, e vou te contar que se eu fosse mais beáti e desse um mole pegava o cara ali mesmo. Quem me conhece sabe que este não é o meu feitio, nem fazer caras e bocas. Mas acontece que eu honestamente acho que tá na hora de mudar esse tal do meu feitio.

Quem sofre de seca é o povo do sertão, aqui na metrópole o que rege a vida de nós solteiros é a Lei da Oferta e da Procura. Chega de seriados de TV! A vida é agora! Ok Next! E só pra não dar zica... alea jacta est!

sexta-feira, junho 05, 2009

Mais Azul


Eu sei que esse meu jeito é difícil, e que não sou apenas e tão somente alguém cheia de opiniões. O meu buraco sempre foi mais embaixo, eu acho as mulheres todas fracas e patéticas e me recuso a ingressar neste rol, apesar de ser como qualquer outra garota que cruza nossos caminhos todos os dias. Desprezo estes grupinhos femininos que só falam em vocês, respiram do ar seus hormônios masculinos, produzem-se todas só pensando sobre isso. No fundo, eu sei que o que sinto é inveja de não ter esse assunto todo pra falar. Acabo arrogante. Talvez seja hora de dar o braço a torcer, não sou menininha nem quero ser, tenho outros focos na vida que não apenas este, mas entre o preto e o branco tem mil e uma tonalidades de cinza. Posso escolher uma se preferir, e descobrir a mocinha aqui dentro de mim. Parei por aqui de fingir que não me importo. Eu cansei das defesas que pesam minhas costas, cansei de ver só o preto no branco - hoje meu dia amanheceu mais azul, e está mais do que na hora de confessar: amanheceu mais azul por ter reencontrado você.

terça-feira, junho 02, 2009

Mar de testosterona


Existem duas coisas que, desde pequena, sempre foram capazes de me tirar do sério: pizza de marguerita e sapatos. Recentemente, descobri mais um novo fator responsável por elevar meu nível hormonal e de desestabilizar completamente meu sistema nervoso: campeonatos de artes marciais. Claro, claro, a técnica é demais e eu, como lutadora, mais do que aprecio um bom espetáculo de trocação de porradaria. Mas (e como diz minha amiga Luli, sempre tem um ‘mas’), confesso que não foi bem isso que me apeteceu nesse sábado em específico.

Após praticamente agarrar um braço alheio no metrô de São Paulo, fui acometida de outros impulsos irrecorríveis e inusitados. A cena: um ginásio com capacidade de 2.500 pessoas, 90% do sexo masculino, no centro um ringue com dois caras semi-nus, suados e brilhantes, com cara de machos bravos pra diabo, enfiando a mão na cara um do outro... é o cúmulo do instinto animal feminino eu ter simplesmente ENLOUQUECIDO num lugar destes. Considerando então uma fêmea solteira, desimpedida, em idade fértil e, digamos, sem praticar a cópula há algum tempo... lá se foram meus níveis de progesterona.

Nunca imaginei que passaria por este tipo de situação, mas a verdade é que não assisti patavinas das lutas. Sei quem ganhou o GP, mas não sei dizer se mereceu, se o juiz roubou, se teve chute na virilha. Mas pergunte-me sobre a anatomia dos competidores e poderei dizer que, não apenas no ringue, como também nas arquibancadas, o ginásio do Pacaembu estava “assim” de exemplares excelentes da espécie humana. Um show de abdomens, um festival de tríceps, e bíceps, e coxas que até Deus duvida. Bundas perfeitas (homem com bunda é artigo de luxo), tórax suados e ofegantes, ombros definidos, rostos afogueados, respirações aceleradas, gritos da torcida, instintos à flor da pele, cabelos desgrenhados, bocas entreabertas... alguns até eram bonitinhos. Enfim, um MAR DE TESTOSTERONA.

Eu jamais achei que fosse passar por isso, mas a verdade é que aquilo tudo foi demais pra mim. A enxurrada hormonal me dominou, desestruturou e doeu em mim como um soco na cara. A solidão nunca bateu tão forte, e por “solidão” entendam como quiserem. A verdade é que tem horas na vida de uma mulher que o que é preciso não é dormir de conchinha, cafuné ou cartinha de amor. É o autêntico pegapracapá. Por via das dúvidas, e de maneira a massacrar o instinto recém-aflorado e impossível de ser satisfeito pelo menos nas próximas horas, tomei várias na baladinha à noite, e terminei a noite de sábado devorando um x-salada no Burdog na companhia da minha melhor amiga. É como eu sempre digo: comer são as duas melhores coisas do mundo. Mais os sapatos, claro.

domingo, maio 31, 2009

Could'a, Would'a, Should'a...

quarta-feira, maio 27, 2009

O pior primeiro encontro do mundo



Minha amiga Ariana* está solteira há séculos. Embora ela finja estar tudo bem, seu verdadeiro incômodo com a solidão acabou por aparecer no dia em que ela aceitou um convite para sair com um carinha que vinha paquerando ela já há alguns meses, mas pelo qual não sabia exatamente se se sentia atraída.

Quando ela me contou que sairia com o moço, cujo apelido era Zoeira, conversamos seriamente. E, entre racionalizações, piadas e justificativas, ela enfim me convenceu de que era uma boa idéia. No dia do encontro, esperei ansiosa por seu telefonema e notícias sobre o programa.

Ela escolheu o filme e eles combinaram ali, num cinema da Paulista. A sessão era às 17h00 de um domingo, o que significava sessão cheia. Assim, ficaram de se encontrar lá pelas 16h00, pra poder conversar um pouquinho antes de ver o filme e ainda garantir os ingressos. As 16h00 em ponto Ariana estava lá e nada do rapaz. Conforme o relógio tiquetaqueava, ela foi ficando aflita, a fila foi aumentando, e, por fim, ela decidiu comprar os ingressos de uma vez, pra garantir um lugar no filme.

Minha amiga já estava na fila há mais ou menos meia hora quando o camarada foi aparecer, lá pelas 10 pra cinco, com um super bafo de cachaça. “Cachaça não”, me confidenciou ela – “sabe quando fica só o cheiro do álcool etílico?” Ele se desculpou e botou a culpa em alguns amigos “da favela lá do bairro” (sic), que insitiram que a carne que ele fazia na churrasqueira era a melhor que eles já tinham comido na vida. Então ele ficara lá de chef cook e acabara tomando umas, e por isso havia se atrasado. “Perdão, linda”, ele dissera com cara de arrependido.

Embora Ariana tivesse ficado um pouco tensa com o ocorrido, resolveu não dar muita bola. Conversaram animadamente, ele contou sobre o churras “na laje” (sic) e enfim entraram no cinema.

- E foi aí que comecei a me irritar. Ele não calou a boca, do começo ao fim do filme. Falava alto e tava com aquele bafo. E ficava contando umas coisas sobre quando ele trabalhava de assistente social no Nordeste, e eu te garanto que isso não tinha nada a ver com o filme.

Ao saírem da sessão, ele sugeriu uma cervejinha ali na esquina da Joaquim Eugênio. Ela topou, estava um puta dum calor naquele dia. E, de repente, o encontro começou a ir por água abaixo.

- Eu estava falando sobre uma exposição lá na galeria e sobre o artista, que era esquizofrênico. De repente ele começa a criticar a saúde pública e a dizer que, QUANDO ELE TINHA DADO UMA PIRADA DE TANTO SE DROGAR, quase o levaram a força internado. Eu procurei saber o que tinha acontecido, mas quando vi, ele já estava falando de um outro assunto. Foi infernal. Cada vez que eu tentava falar alguma coisa, ele lembrava de alguma coisa muito louca, muito importante ou muito triste que tinha rolado com ele. Foi quando ele disse que quase tinha sido preso e aí eu comecei a ficar seriamente preocupada.

O enrosco não parara por aí. Minha amiga jurava que não sabia de onde tinha vindo aquele apelido, Zoeira, porque o cara não tinha nada de engraçado. “Ele devia ter o apelido de Umbigo, ou de Careta, porque além do papo ter sido super tenso, ele só sabia falar dele”.

Minha amiga nunca se sentira tão ignorada, deprimida e irritada na vida. A um dado momento, o cara começara a contar sobre sua formação em Ciências Sociais, e sobre seus conhecimentos em latim.

- O cara me interrompia o tempo todo. Ficava tentando me convencer com aquele papo intelectualóide, defendendo o PT, o MST e outros caras polêmicos. E quando eu arrisquei a dizer que política boa era utopia, temi pela minha garganta – ele me chamou de burguesa, citou Marx e começou a dizer de onde vinha a palavra utopia. Me passou a maior lição de moral, me explicou uma dúzia de palavras novas em latim, e eu me senti numa merda duma palestra de Direito Social.

Num dado momento, Ariana sentiu que ia explodir. Parou de responder. Só fazia “aham”. Quando o cara perguntou sua opinião sobre o modo de governo de Botswana ou algo do tipo, ela estourou e acabou por dizer, num fôlego só, que a África devia ser uma merda, que ela estava irritada demais, que ele era egocêntrico, ela nunca havia sido menos percebida na vida e que ele tinha uma puta dificuldade de dialogar.

Na verdade, eu tenho DDAH” – confidenciou então ele, para iniciar outro monólogo triste e perturbador sobre sua dificuldade de aprendizagem e outros conflitos em época escolar devido ao Distúrbio de Déficit de Atenção e Hiperatividade.

- Não aguentei e disse que precisava ir para casa. Não era nem dez horas da noite e eu resolvi pedir a conta. Ele se ofereceu pra pagar, mas adivinha?

- Não...

- O cartão dele não passava. Acabei pagando a conta e ele ainda me pediu uma carona até um bar ali do lado, que ele ia emendar uma balada. Larguei ele ali perto da Rebouças e nunca me senti tão aliviada na vida.

- Ainda bem que durou pouco.

- Não acabou ainda. Umas duas horas depois ele me liga pra contar que foi atropelado por uma bicicleta enquanto atravessava a rua, torcera o pulso e estava em casa fazendo compressa de gelo.

- Fofinho, vai... querendo te contar as coisas...

- O cacete. Ele ainda não tinha terminado de falar dele mesmo. Essas merdas só acontecem comigo.

Desde então Ariana não marcou mais encontros, temendo dar de cara com mais alguma aberração. O tal rapaz voltou a chamá-la para sair, e após inventar mais um monte de desculpas, acabou falando na lata que não estava mais afim.

Alguns dias depois, conversando com ela, ela deixou escapar que o Zoeira tinha sido o último cara com quem ficara, e não pude deixar passar despercebido que a parte do beijo tinha sido ocultada. Poderia ter questionado, feito “ahá!” e investigado mais a fundo, arrancando detalhes possivelmente sórdidos. Por consideração e afeto, deixei passar batido e responsabilizei a carência, essa maldita, por ainda assim ela ter beijado o cara, talvez esperando que ele ainda virasse príncipe.

Ontem, ao encontrar Ariana, revelei que pensara em transformar o encontro em texto, e que não estava me lembrando muito bem de onde ela havia conhecido o Zoeira.

- Ele é amigo daquele meu ex-namorado, sabe aquele que me traiu com minha melhor amiga?

Ahá! Diz-me com quem andas, Ariana, e te direi quem és. Não haveria, por algum acaso, alguma palavra ou expressão em latim pra definir o acontecido?

Omni Omni Lupus... o homem é o lobo do homem!, diria provavelmente o Zueira...


domingo, maio 24, 2009

postumum


Nada se encaixa com delicadeza no lugar vazio que você deixou. Restaram pedaços e fotografias nas quais você não se encontra; dias riscados em um calendário já esmaecido pelo tempo. No buraco desolador que um dia você ocupou, o vazio denso e impenetrável das minhas memórias habita fielmente, em homenagem póstuma ao nosso abandono.

Suas saudades deixam grandes lições. E grandes lições deixam, inexoravelmente, profundas cicatrizes. Esta que criamos oprime meu peito com tanta intensidade que é quase que como se você jamais tivesse existido - a dor da sua ausência é como a retirada de um velho móvel em um quarto antigo: tudo o que restam são marcas no tapete, manchas amarelas na parede, indícios de uma ocupação distante. Traços indiscretos de uma felicidade jamais concretizada, as evidências inegáveis do crime atroz que foi cometido aqui dentro. O lembrete perene do que não pode ser recuperado.

Se foi. Suas lembranças se espalham sob a forma cinzenta de memórias do que nunca existiu, sentimentos vagos que teimam em ruminar, a resistência implacável de se deixar esvaziar do que um dia foi como a única réstia de luz num aposento escuro, a iluminar as sombras existentes dentro de cada um de nós.

Neste momento, restaram as trevas – nada se pode ver a não ser a ausência desta luz. Persigo suas chamas e suas cinzas restantes aqui dentro de mim, enquanto me pego a sentir saudades das histórias que nunca vivemos, lúcidas como sempre, mais reais do que nunca, e que interrompem meu fôlego quando fecho meus olhos e procuro por você. Aqui dentro já não te acho. Não existe mais nada a perder, já que nunca houve nada que pude verdadeiramente ganhar.

segunda-feira, maio 18, 2009

O Braço

Existe algo de seriamente errado quando alguém sente vontade de beijar o braço de um desconhecido em pleno metrô, numa das maiores cidades do mundo como São Paulo. Assim, sem mais nem menos, um braço estranho, do cotovelo pra baixo, parece realmente atraente, convidativo, acolhedor, e então você deseja dar uma bela bitoca ou quem sabe uma mordida naquele antebraço.

É definitivamente digno de internação. E sim, aconteceu comigo.

Seria esse braço uma fuga da enorme carência que acomete os paulistanos que, em seu dia-a-dia atribulado, marcham rumo a seus empregos/famílias/meios de sobrevivência, sem entrar realmente em contato com o ambiente ao seu redor? Seria este braço apenas e tão somente um símbolo de um braço-direito que está ali para que você se apóie durante os percalços de seu dia-a-dia? Ou seria este braço apenas a única fonte de um cheiro minimamente mais suportável do que o do mendigo velho e bêbado atrás de você?

Justificativas. Apenas justificativas que encontro para explicar a bizarria de uma situação destas: o desejo de beijar o braço de um completo desconhecido num metrô meio ensebado. Não olhei seu rosto; não perguntei seu nome. Não sabia de onde vinha, em absoluto. Era apenas um braço sem corpo, sem história, que eu queria desesperadamente agarrar, apertar, morder, deixar junto de mim.

A que ponto se chega devido à falta de contato físico? Sequer sei dizer se o braço era de um homem ou de uma mulher. Porque, a bem da verdade, tanto faz se o contato físico, o toque, venha de um homem, de uma mulher, ou de uma criança. Tanto faz se existe ou não segundas intenções – não estou falando de sexo, seus pequenos pervertidos, e sim do toque entre seres humanos, do contato que nos faz sair de uma bolha, uma câmara hiperbárica isoladora, uma capa entre você e o resto do mundo.

Porque se a maioria das pessoas está acostumada ao toque físico em seu dia-a-dia, os meus andam absolutamente intocáveis, sem ironia nenhuma. Não toco meus pacientes. Não tenho tocado muito minha família, nem eles a mim, com exceção, talvez, do meu irmãozinho de 2 anos, o qual vejo ocasionalmente. E se o objetivo em meus treinos de kickboxing é acertar o adversário, é minha tarefa também não deixa-los encostar em mim. Transformei minha vida num ringue, ou num consultório de psicoterapia constante?

Todos os estudos mais recentes comprovam a importância do toque físico em um bebê recém nascido. Prive-o deste contato e lá virá bomba – teorias sobre o autismo infantil tocam (de novo?) nesse ponto delicado. E quanto aos adultos? E quanto a mim? Estarei eu desenvolvendo, em algum grau, um tipo de autismo tardio, devido a uma espécie de câmara hiperbárica subjetiva, como se eu fosse portadora de alguma doença gravemente contagiosa?

Minha terapeuta disse: é um desejo bonito querer beijar o braço de alguém no metrô. Aham. Eu sei que ela se refere ao desejo do contato e tudo e tal, mas já eu considero um ato desesperado de busca de afeto. Para que fique bem claro, é legal eu dizer que não beijei o braço do estranho. Humilhada pelos meus sentimentos e pensamentos, segurei meu impulso, ignorei o braço, voltei para casa e amarguei uma dor de cabeça pelo resto do dia, responsável por me deixar isolada num quarto escuro e silencioso (minha própria câmara hiperbárica?) até que minha cabeça voltasse ao seu estado normal.

Não sei se foi um impulso bonito, desesperado, carente ou incitado pelo fedor horrendo do mendigo atrás de mim. Mas, de qualquer forma, me recordei da terapia do abraço da minha mãe: é melhor eu começar a dar meus 6 abraços diários, se não quiser ser presa por assédio sexual pela Guarda Civil Metropolitana...

A verdade é que, quando você se sente sozinho, até mesmo o metrô parece acolhedor e aconchegante. E é por isso que, por via das dúvidas, essa quinta-feira eu vou no forró. O autêntico rala-coxa.

(sim, talvez eu devesse fazer terapia mais vezes por semana)